REAJA




Rede Internacional de Pesquisadores em Educação Ambiental e Justiça Climática
REAJA  -  

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E COLAPSO CLIMÁTICO
HISTÓRIA
2010-2018
Os estudos relativos ao clima e educação ambiental, no âmbito do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA), tiveram início com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do antigo Ministério das Ciências, Tecnologia e Inovação (MCTI), no marco do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Áreas Úmidas (INAU), sob coordenação geral da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP).

Durante o longo período de 2010 a 2018, nosso grupo de intitulava Laboratório 5: Ciência e cultura na reinvenção educativa e tivemos parceria com diversos organismos nacionais e internacionais. Além do GPEA, coordenador do laboratório 5, tínhamos projetos do Departamento de Geografia da UFMT, além do Departamento de Linguagens da Universidade de Estado de Mato Grosso do Sul (UEMS). No plano internacional, tivemos parceria com:
·        Millennium Ecosystem Assessment – um vasto programa das Nações Unidas que agregava inúmeros países na formação do Sub-Global Assessment (SGA) para avaliar os serviços ecossistêmicos;
·        Ramsar Culture Network – um segmento da Convenção Ramsar, com especial foco na cultura dos povos que habitam as áreas úmidas, no qual o GPEA é participante até os dias atuais.

2013-2016
A atenção ao clima veio com a parceria da “Rede Municipal de Adaptação e Mitigação às Mudanças Climáticas: Resposta a Diferentes Cenários de Mudanças Climáticas (ClimBAP)”, fruto do projeto Sinergia que estudava as condições das mudanças climáticas. Este subprojeto teve duração de 2013-2016, e tivemos a participação de uma escola de Cuiabá, uma escola em Livramento (quilombo Mata Cavalo) e uma escola em São Pedro de Joselândia. No objetivo de construir táticas de enfrentamento contra o colapso climático, o ClimBAP estabeleceu parcerias com a Michigan University (USA) e com a Université du Québec à Montrèal (Canada).

2014-2015 
No ano 2014, tivemos auxílio financeiro do World Wildlife Fund (WWF), que possibilitou trabalharmos com os princípios das escolas sustentáveis nas escolas do Cerrado (Mata Cavalo) e do Pantanal (Joselândia), como complementação das atividades iniciadas pelo ClimBAP. As escolas se organizaram a construir pequenos Projetos Ambientais Escolares Comunitários (PAEC), em consonância com a política de educação ambiental da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), que também foi outra parceira importante no contexto local.

2014-2016 
Também neste ano de 2014, tivemos o projeto aprovado pelo edital universal (003/2014/Fapemat) da Fundação de Amparo às Pesquisas do Estado de Mato Grosso, com o título “Educação Ambiental às Mudanças Climáticas” (Processo 157509/2014). Com foco na pauta de gênero, o objetivo era compreender as percepções femininas sobre o clima em 3 territórios: ambiente de água salgada, no Mar do Norte da Galícia Espanhola; no pulso hídrico do Pantanal mato-grossense de São Pedro de Joselândia; e na escassez da água do cerrado, especificamente no quilombo Mata Cavalo.

2014-2016
Ainda no ano de 2014, conseguimos aprovação do projeto “Justiça climática e educação ambiental”, pelo edital 14/2014/CNPq (processo no. 454731/2014-0), pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Foram envolvidos a Universidade de São Paulo, campus Esalq, a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), a Universidade de Brasília (UnB), o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Acidentes Naturais (Cemaden). Considerando a cultura, os processos de justiça climática, a formação, a comunicação e as políticas públicas, estas entidades inauguraram o diálogo em rede sobre a Justiça Climática e Educação Ambiental no Brasil.

2016-2022
No ano de 2016, a Fapemat lança um edital induzido para redes internacionais (037/2016/Fapemat) o que possibilita a aprovação da atual “Rede Internacional de Pesquisadores em Justiça Climática e Educação Ambiental (REAJA)”, que possui características do projeto do CNPq, mas ampliada nos cenários nacionais e internacionais. No ano de 2019, a Fapemat concedeu a prorrogação do projeto até o ano de 2020 (processo no. 0602434/2016), devidamente registrado na UFMT [Propeq cadastro: 139/2018].

Cinco linhas temáticas compõem o tecido investigativo: 1) a pesquisa sobre JUSTIÇA CLIMÁTICA no cenário mundial, com focos diferenciados para cada local e objetivos dos pesquisadores; 2) estudos sobre a CULTURA e a relevância de cada grupo social na correspondência de cada intervenção, para que as ações não sejam hegemônicas e iguais, mas que se particularize em cada território; 3) o processo de FORMAÇÃO  com ênfase na educação ambiental; 4) a COMUNICAÇÃO para contribuir nas intervenções, divulgação e educomunicação; e 5) o fortalecimento de POLÍTICAS PÚBLICAS que consigam enxergar que para além dos desastres, haverá táticas que conseguirão colorir o horizonte com um tom de esperança.

Atualmente, a Fapemat prorrogou os prazos do projeto até julho 2022, em função da pandemia. Cinco países fortalecem a REAJA: Brasil, México, Cuba, Espanha e Portugal. No Brasil, envolve todas as regiões brasileiras. Com a maciça presença de 16 universidades, a REAJA conta também com as 4 organizações não governamentais e 4 entidades governamentais, no total de 24 entidades. No âmbito da UFMT, envolve o Instituto de Educação (IE), o Instituto de Geografia, História e Documentação (IGHD), o Instituto de Biociências (IB) e o Instituto de Linguagens (IL), numa equipe multidisciplinar que nem sempre tem consensos, principalmente quando o debate divide a humanidade e outros seres, mas no marco do saudável diálogo científico entre vida e não vida, há consenso de que a crise climática tem influência direta e indireta das atividades humanas.

REAJA
24 entidades (16 universidade, 4 ONG, 3 OG)

  1. Associação Estadual de Etnias Ciganas, AEEC 
  2. Associação Portuguesa de Educação Ambiental, ASPEA (Portugal) 
  3. Centro de Controle e Monitoramento de Acidentes e Desastres Naturais – CEMADEN 
  4. Instituto Caracol – ICA 
  5. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio 
  6. Instituto Federal de Mato Grosso – IFMT (Cuiabá, São Vicente e Cáceres) 
  7. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE 
  8. Operação Amazônia Nativa, OPAN 
  9. Secretaria de Estado de Educação - SEDUC 
  10. Universidad do Oriente - UO (Cuba) 
  11. Universidad Veracruzeana – UV (México) 
  12. Universidade Católica Dom Bosco - UCDB 
  13. Universidade da Coruña – UDC (Galícia, Espanha) 
  14. Universidade de Brasília - UnB 
  15. Universidade de Estado de Mato Grosso - UNEMAT 
  16. Universidade de Estado do Rio Grande do Norte - UERN 
  17. Universidade de Santiago de Compostela -USC (Galícia, Espanha) 
  18. Universidade de São Paulo – USP (ESALQ) 
  19. Universidade do Oriente – UO (Cuba) 
  20. Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL 
  21. Universidade Federal de Rondonópolis - UFR 
  22. Universidade Federal de Roraima – UFRR 
  23. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Unirio 
  24. Universidade Federal do Pará - UFPA

No âmbito mato-grossense, tivemos e ainda temos vasto envolvimento com os grupos em situação de vulnerabilidade, cuja maioria ainda não percebe as crises climáticas.
1.      Agricultores familiares
2.     Artistas de rua
3.     Camponeses
4.     Crianças
5.     Doceiras
6.     Estudantes da educação básica
7.     Farinheiras
8.     Festeiros
9.     LGBTQ+
10.   Mariscadoras (Galícia)
11.    Migrantes (11 países)
12.   Mulheres (negras, pardas, brancas)
13.   Pescadores (Galícia)
14.   Pessoas com Deficiência
15.   Professores da educação básica
16.   Quilombolas
17.   Redeiras (redes de pesca-Galícia)
18.   Roceiros

PESQUISADORxS ENVOLVIDxS
  1. Aleth da Graça Amorim  
  2. Aluizio Azevedo da Silva
  3. Araceli Serantes
  4. Barbara Yadira Mellado
  5. Carlos Roberto Ferreira   
  6. Cássia Fabiane dos Santos Souza   
  7. Celso Sánchez-Pereira
  8. Cristiane Carolina de Almeida Soares   
  9. Débora Erileia Pedrotti-Mansilla 
  10. Déborah Luíza Moreira Santana Santos 
  11. Denize Aparecida Rodrigues de Amorim  
  12. Edgar Gonzales
  13. Elni Elisa Willms  
  14. Eronaldo Assunção Valles 
  15. Fátima Elisabeti Marcomin
  16. Flavia Lopes Bertier 
  17. Giseli Dalla-Nora  
  18. Giselly Rodrigues das Neves Silva Gomes  
  19. Heitor Medeiros
  20. Irineu Tamaio
  21. Jessica Prudencio Trujillo Souza  
  22. Joaquim Ramos Pinto
  23. Kathy de Freitas Marinho dos Reis  
  24. Lindalva Garske
  25. Marcela Cristiane Ribeiro Brito 
  26. Marcos Sorrentino
  27. Marilena Loureiro da Silva
  28. Michèle Sato  (coord.)
  29. Pablo Meira
  30. Pierre Girard
  31. Priscilla Mona de Amorim   
  32. Rachel Trajber
  33. Ramiro Valera Camacho
  34. Raquel Batista Ramos   
  35. Regina Aparecida Silva  
  36. Roberta Moraes Simione   
  37. Romário Custódio Jales  
  38. Ronaldo Eustáquio Senra
  39. Solange Ikeda
  40. Tatiani do Carmo Nardi
  41. Thiago Cury Luiz    
  42. Victor Marchezini
  43. Vitor Maciel Mello
Helder: stencil
40C
arte de rua - cel. escolástico
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Rede Internacional de Pesquisadores em 
Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA)
Financiamento: FAPEMAT
EDITAL REDES DE PESQUISA EM MATO GROSSO Nº. 037/2016
PROPEq - UFMT 139/2018


SISTEMATIZAÇÃO DO ENCONTRO INTERNACIONAL
Cuiabá, UFMT: 25, 26 e 27 de setembro de 2017
Por Michèle Sato
                       
PROCESSO FORMATIVO
  • Manter os processos de formação entre nós, pesquisadores envolvidos e estudantes de graduação, mestrado e doutorado.
  • Privilegiar a formação aos membros das comunidades envolvidas, e em diversos territórios.
  • Há necessidade de debates conceituais e alguns verbetes carecem de nossa atenção: ceticismo, antropoceno, aquecimento, gases estufa, riscos, vulnerabilidade, desastre, injustiça climática, resiliência, adaptação, mitigação, resistência, rebeliões, táticas.

COMUNICAÇÃO
  • Potencializar as diferentes linguagens da cultura científica. Temos: lista de discussão, grupo “what’s up”, facebook, blogs e sites. Exemplo para explorar mais: Research Gate, Academia Edu, Google Scholar.
  • Intensificar os meios de formação e informação na divulgação científica.
  • Realizar uma oficina sobre os princípios REAJA para produção de um vídeo de até 5 minutos.
  •  “marketing” e visibilidade da REAJA.

PESQUISA
  • É preciso explicitar os objetivos diretamente relacionados ao campo da educação ambiental e justiça climática, com metodologias que coadunem com os marcos conceituais.
  • Serão necessárias algumas linhas orientadoras às pesquisas? Quais são elas?
  • Debater a discussão sobre metodologia quanti e qualitativa na REAJA.

PUBLICAÇÕES
  • Ampliar a visibilidade em periódicos nacionais e estrangeiros.
  • Publicar livros ou capítulos.
  • Escrever em conjunto, entre os membros da REAJA, estabelecendo as conexões da rede.
  
ENCONTROS FUTUROS
  • Para os próximos eventos, é melhor ter um relator em cada mesa-redonda, que garanta não apenas um relatório do debate, mas também os destaques dos principais pontos em comum entre as apresentações e as divergências (se o caso). Todas as apresentações do evento de setembro/17 foram salvas em PDF e se encontra em:
  • É preciso sistematizar o evento por meio de uma relatoria atenta em cada atividade. O resultado deve ser apresentado no fórum final, como importante etapa de avaliação e planejamento.
  • Aproveitar-se de outros eventos para promover um encontro dos membros da REAJA, mesmo que parcialmente.

PLANEJAMENTOS-PROPOSIÇÕES
  • Construir uma agenda para o desenvolvimento das pesquisas de 5 anos.
  • Projeto “Amador” e estudos de viabilidade pela União Europeia.
  • Repensar meios para transversalizar a dimensão climática nos currículos universitários.
  • É possível manter a REAJA sem capital?
  • É possível mudar o sistema, e não o clima?
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 25/10/2018 - CEMAT-MT





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  26 e 27 de setembro de 2017




Encontro Internacional da Rede de Pesquisadores em Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA)
Cuiabá: UFMT
Auditório CCBS 1 - Biologia
26 e 27 de setembro de 2017

PROGRAMA PÚBLICO

 26 e 27 de setembro de 2017
tempo
atividade
responsáveis

26/09
8:00h
Mesa-redonda 1: Mudanças climáticas

Pablo Meira, Pierre Girard, Irineu Tamaio e Solange Ikeda

10:00
Mesa-redonda 2:
Justiça climática
Marcos Sorrentino, Ivo Poletto e Michèle Sato

14:00
Mesa-redonda 3:
Desastres e tópicos climáticos
Araceli Boli Serantes, Ramiro Camacho, Édgar Gonzales, e Victor Marchezini

16:00
Mesa-redonda 4:
tópicos etnográficos
Artema Lima, Heitor Medeiros, Lidío Ramires e Herman Oliveira


27/09
8:00
Mesa-redonda 5:
Educação, arte e comunicação
Joaquim Pinto, Rachel Trajber, Lindalva Gorske, Dielcio Moreira, Débora Pedrotti, Imara Quadros e Ronaldo Senra




INFORMAÇÕES - INSCRIÇÕES
65 3615 8443, sala 66 do Instituto de Educação da UFMT


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Programação fechada somente aos pesquisadores REAJA
24/setembro - integral
Trabalho de campo - Chapada dos Guimarães

25/setembro (8 - 18 horas)
Reunião de trabalho, fórum de diálogos

27/setembro (14 - 19h)
Sistematização, avaliação e celebração de 20 anos do GPEA

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REDE INTERNACIONAL DE PESQUISADORES EM JUSTIÇA CLIMÁTICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Financiamento: FAPEMAT
EDITAL REDES DE PESQUISA EM MATO GROSSO Nº. 037/2016
PROPEq - UFMT 139/2018


Coordenação
Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT
Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte – GPEA

Universidade de Estado de Mato Grosso – UNEMAT
Grupo de Pesquisa: Conceitos Ecológicos e Etnoecológicos Aplicados a Conservação da Água e da Biodiversidade do Pantanal

Entidades participantes
  1. Associação Portuguesa de Educação Ambiental, ASPEA (Portugal)
  2. Centro de Controle e Monitoramento de Acidentes e Desastres Naturais – CEMADEN
  3. Instituto Caracol - ICA
  4. Instituto Federal de Mato Grosso – IFMT (Cuiabá, São Vicente e Cáceres)
  5. Operação Amazônia Nativa, OPAN
  6. Universidad Veracruzeana – UV (México)
  7. Universidade Católica Dom Bosco - UCDB
  8. Universidade da Coruña – UDC (Galícia, Espanha)
  9. Universidade de Brasília - UnB
  10. Universidade de Estado de Mato Grosso - UNEMAT
  11. Universidade de Estado do Rio Grande do Norte - UERN
  12. Universidade de Santiago de Compostela -USC (Galícia, Espanha)
  13. Universidade de São Paulo – USP (ESALQ)
  14. Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT (Cuiabá e Rondonópolis)
PARCEIROS
- Fórum de Mudança Climática e Justiça Social (FMCJS)
- Fórum de Direitos Humanos e da Terra (FDHT)

O presente projeto propõe a formação de uma Rede de Educação Ambiental e Justiça Climática (REAJA), envolvendo pesquisadores de 13 entidades, que representam 10 universidades, 2 entidades governamentais e 1 entidade não governamental, num total de 10 instituições brasileiras e 3 estrangeiras. É possível ainda, que tenhamos mais uma universidade, caso a Universidade Federal de Rondonópolis seja oficialmente criada. Fazem parte das universidades: a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT, campi Cuiabá e Rondonópolis), tendo o Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA), os 3 campi do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), que agrega a educação básica (Cuiabá) e o ensino superior de São Vicente e de Cáceres, a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), a Universidade de São Paulo (USP) no campus em Piracicaba, especificamente pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), a Universidade de Estado de Mato Grosso (UNEMAT) e a Universidade de Estado do Rio Grande do Norte (UERN). As 3 universidades internacionais são a Universidade de Veracruzana (UV), na capital federal do México, e as Universidades espanholas da Coruña (UDC), e a de Santiago de Compostela (USC), ambas da região da Galícia. As entidades governamentais são o Centro de Controle e Monitoramento de Acidentes e Desastres Naturais (CEMADEN), em SP e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA) em MT. A Organização Não Governamental (ONG) é o Instituto Caracol (ICA), tradicionalmente forte no campo da educação ambiental.

Uma vez aceita a teoria de que o Homo sapiens é um dos grandes causadores das mudanças globais na Terra, compreendemos que as mudanças climáticas serão dramáticas e as consequências serão catastróficas. Contudo, reconhecemos que as calamidades socioambientais não afetarão a humanidade de forma homogênea, senão contraditória, desigual, injusta e comprometerão muito mais as parcelas economicamente desfavorecidas, como os povos indígenas, ribeirinhos, canoeiros, pescadores artesanais, mulheres, crianças e idosos, entre outros grupos sociais expostos aos riscos em função da vulnerabilidadeeconômica.

Por meio de diálogos permanentes, este coletivo quer fortalecer as políticas públicas em justiça climática, nos repertórios da pesquisa, da formação e da comunicação. No tocante à pesquisa, 5 linhas temáticas compõem a proposição investigativa:

[1] JUSTIÇA CLIMÁTICA – que transcende o debate da mudança climática, incidindo o foco no modelo insustentável de desenvolvimento e consequente geração de desigualdades. Os efeitos drásticos desta alteração terão proporção, magnitude e escala de forma desigual e injusta, acometendo mais as camadas economicamente desprivilegiadas, os que vivem na periferia, aqueles que estão à margem da história ou de maneira inviabilizada pela sociedade competitiva e que ainda mantém o modelo de crescimento econômico como meta do bem-estar humano. Buscamos interpretar os conflitos socioambientais e os desastres relacionados às mudanças climáticas, identificando os grupos sociais que são mais acometidos por estes agravos, estudando suas táticas de lutas, seus mecanismos de resistência e de que modo conseguem enxergar um futuro mais feliz. Um mapeamento dos conflitos, dos desastres e a identificação dos grupos sociais é a proposta básica das pesquisas relacionadas com a justiça climática.

[2] CULTURA – A rede busca dar o foco nos grupos sociais vulneráveis, povos e comunidades tradicionais que estão invisibilizados e que certamente serão os mais afetados pelos desastres provocados pelo clima. Para uma enorme quantidade de pessoas, a cultura local se mantém também pelas crenças, fé e mitos que se entrelaçam com a natureza. Buscamos construir uma epistemologia popular, que alicerçada na potência etnográfica, consiga revelar as entidades ou valores imateriais que frequentemente determinam as escolhas e os caminhos políticos do bem-viver comunitário. Além dos povos tradicionais, há diversos grupos sociais que são mais vulneráveis às mudanças climáticas, como é o caso das mulheres, responsabilizadas pelo uso e acesso das águas, a exemplo das cozinheiras, pescadoras artesanais, marisqueiras (mariscadoras galegas), ou simplesmente das mães que cuidam dos banhos das crianças, da comida e da limpeza das casas. Será cada vez mais comum vermos as cenas de mulheres com latas de água na cabeça, baldes pesados nos ombros e, com elas, levam junto as crianças ao trabalho de acesso da água em poços artesianos, cisternas, cacimbas ou rios.

[3] FORMAÇÃO – Temos experiências nos processos formativos, fomentando que a escola dialogue com seu entorne por meio dos Projetos Ambientais Escolares Comunitários (PAEC), que ressignificam o currículo e o projeto político pedagógico à luz da realidade de cada escola. Examinaremos diversas possiblidades como as escolas sustentáveis, o projeto ciência pés no chão do Cemaden, a pegada ecológica e outras boas propostas da educação científica que somam oferecendo uma sinergia aos processos de aprendizagem escolar. No âmbito das comunidades, propomos a educação popular de inspiração totalmente Freireana, considerando que todo saber é igual por direito e que nem só o saber científico pode ensinar. Há um campo fértil de saberes, fazeres e sentires nas comunidades, que intitulamos por “epistemologia popular”, que transcendem significados das letras ou grafias, incidindo na construção das aprendizagens mais significativas, como a sabedoria em escutar a natureza e compreender suas linguagens.

[4] COMUNICAÇÃO – A poética comunicacional se reinventa em duas grandes proposições: a primeira que busca construir uma cultura científica por meio da mídia e do jornalismo científico, interpretando os signos e as mensagens emitidas pelos grandes veículos de comunicação que noticiam a abordagem do clima. Porém, para além de um signo duro, podemos comunicar a poesia dos sentidos, sem convenções semânticas ou semiológicas, mas com a interpretação do leitor-ouvinte, que interpreta a imagem, o som ou o texto na liberdade de sua própria percepção. Nos processos da transmídia ou educomunicação, há um campo de construção de sentidos que rompe as funções fixas do destinatário e do remetente, na reinvenção da conversação. Na comunicação poética, o outro é sempre um poema.

[5] POLÍTICAS PÚBLICAS – os estudos no campo das políticas públicas buscam compreender o significado lato da governança e da governabilidade, na exigência de que elas devam ser construídas em processos dialógicos entre governos e a sociedade civil. Cientes que a maioria da população ainda está à margem dos processos históricos, e sem conseguir fazer o enfrentamento contra os agravos da mudança climática, a governança aqui proposta visa a superação das desigualdades sociais e das destruições ecológicas. Buscamos construir uma pesquisa que consiga ser essencial ao fortalecimento das comunidades capazes de cuidar de seus próprios ambientes com autonomia e responsabilidade, estudando seus mecanismos de resistência ao capital e as táticas de lutas capazes de revirar do avesso as injustiças socioambientais na democratização das esperanças. Por meio da fenomenologia, nossa proposta ainda possui duas outras dimensões: os processos de realização de cursos e momentos de aprendizagens com as escolas e fora delas, no âmbito da formação escolarizada e da educação popular. Somado a este processo formativo, a educomunicação tem a proposta da geração de mídias alternativas, por meio de blogs, redes sociais, vídeos, cadernos pedagógicos e outros equipamentos que possam fortalecer as estruturas educadoras. As 3 dimensões juntas buscam fortalecer as políticas públicas em justiça climática e educação ambiental, em constante processo de fórum de discussão, construindo táticas educativas que possam enfrentar os efeitos drásticos da mudança climática, defendendo os direitos humanos e da Terra à construção de sociedades sustentáveis.
Palavras-Chave: educação ambiental * justiça climática * políticas públicas

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