Friday, 31 May 2013

HARDWARE LIVRE: UM SUPERCOMPUTADOR POR $99

jc
http://www.sbpcpe.org/index.php?dt=2013_05_31&pagina=noticias&id=08258

HARDWARE LIVRE: UM SUPERCOMPUTADOR POR $99
Fonte: Site Inovação Tecnológica de 23/05/2013

-- Um supercomputador ao alcance de todos.[Imagem: Parallella]

Supercomputador livre

Há mais um participante de peso no mundo do hardware livre, um esforço para compartilhar projetos de equipamentos que qualquer um possa fabricar, usar ou vender.
Sem patentes e sem royalties, os ativistas dessa Era das Máquinas Livres acreditam que será possível contar com equipamentos mais robustos e mais baratos, tornando-os acessíveis a camadas maiores da população e tornando as pessoas independentes de empresas ávidas por lucros trimestrais.
O campo da eletrônica e da informática conhece o sistema de hardware livre há tempos, com o Arduino e o Raspberry Pi sendo os exemplos mais famosos, ocupando espaço equivalente ao que o Linux ocupa no campo do software livre.

O novo membro da turma é o Parallella, um computador completo baseado em uma plataforma projetada para ter múltiplos núcleos e múltiplos processadores.

O grande atrativo da plataforma são processadores maciçamente paralelos, baseados na tecnologia RISC, com 16 ou 64 núcleos, capazes de atingir impressionantes 45 GHz.


-- O grande atrativo da plataforma são os processadores Epiphany, maciçamente paralelos. [Imagem: Parallella]

Mais impressionante ainda é o consumo desse verdadeiro supercomputador do tamanho de um cartão de crédito: ele consome meros 5 Watts de energia.

Tudo livre
O pacote completo é pouco maior do que um cartão de crédito, e já vem com Linux Ubuntu e rodando as linguagens de programação C, C e Python.

Com seu alto poder de processamento, o "supercomputador Parallella", como seus criadores o chamam, deverá conquistar áreas como a visão de máquina, controle de robôs, processamento de imagens etc.
Os idealizadores do projeto levantaram recursos por meio do site de doações KickStater - eles pediram US$750 mil e doadores anônimos de todo o mundo contribuíram com quase US$900 mil.

Os primeiros kits do Parallella deverão estar à venda em breve, pelos prometidos US$99,00.

As capitais brasileiras que mais cresceram no último século

eco
http://www.oeco.org.br/datacidades/27232-as-capitais-brasileiras-que-mais-cresceram-no-ultimo-seculo?utm_source=newsletter_724&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco


Em 2007, pela primeira vez na história, o número de moradores de áreas urbanas do planeta superou o das áreas rurais. O crescimento acelerado das cidades é uma questão que tem preocupado ambientalistas de todo planeta, conforme detalhado na análise "o crescimento urbano é o problema do século", publicado nesta semana por Cristiane Prizibisczki. A previsão, conforme aponta o texto, é de que o maior crescimento aconteça em países em desenvolvimento, em especial em países latino-americanos, onde, em 2050, estima-se que 91,4% da população viva em cidades. 

No Brasil, tal crescimento é uma tendência acelerada e tem se revelado em um desafio crescente para os gestores públicos preocupados com equilíbrio ambiental. Como administrar o aumento populacional e o crescente uso de recursos naturais? Como garantir a manutenção de áreas verdes frente à demanda por espaço? Como gerir os resíduos dessa massa crescente de gente vivendo no mesmo espaço? E o saneamento básico? E o lixo? No infográfico abaixo, baseado em dados do IBGE, é possível visualisar como se deu a evolução das capitais brasileiras no último século e ter uma ideia do quê se projeta para os próximos anos. 

  

E, quando se trata de evolução populacional, é importante ter em mente também a distribuição espacial de tanta gente. No infográfico abaixo é possível observar as capitais que mais concentram pessoas. Enquanto na Região Norte sobre espaço, em capitais do Sudeste e Nordeste vive-se cada vez mais apertado.

  

Fonte das informações desta reportagem 
As informações sobre evolução populacional das capitais brasileiras são da série de especial de estatísticas do IBGE, que, por sua vez, se baseia nos levantamentos "Recenseamento do Brazil 1872-1920. Rio de Janeiro: Directoria Geral de Estatística, 1872-1930"; e "IBGE, Censo Demográfico 1940/2010".  Mais informações sobre os municípios brasileiros podem ser encontradas na páginas especial do IBGE sobre cidades.

Thursday, 30 May 2013

A energia suja, cara e opressora das hidrelétricas

eco
http://www.oeco.org.br/paulo-barreto/27219-a-energia-suja-cara-e-opressora-das-hidreletricas?utm_source=newsletter_721&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco

Lago e vertedouro da hidrelétrica de Itaipu. Foto: International Hydropower Association/Arquivo
Em 2008, entrevistei produtores rurais sobre a situação fundiária em Novo Progresso, no oeste do Pará. Um produtor que estava lá desde o fim da década de 1970, reassentado para a construção da hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, me disse, frustrado, que ainda não tinha o título de sua terra. Contou-me do sofrimento dos imigrantes com a falta de infraestrutura no Pará e com doenças como a malária. Sentia-se traído pelo governo. Pensei: Uau! os efeitos negativos de Itaipu persistem após mais de 30 anos e a 2.400 quilômetros de distância. Aquele produtor já está fora do radar das preocupações sobre geração de energia no país. Mas a geração de energia continua em debate e precisa melhorar.

Recentemente, visitei a hidrelétrica de Itaipu como parte de um evento sobre energia e meio ambiente. No evento, especialistas repetiram a afirmação frequente de que nossa energia é limpa. Segundo o governo federal, 44 % provêm de energias renováveis, especialmente hidrelétricas; enquanto que a média mundial de renováveis é de apenas 13,3%. 

Os especialistas também argumentam que a geração hidrelétrica é barata comparada com outras fontes. Então poderíamos ficar tranquilos: nossa energia é limpa e barata. Uma consequência desta crença é o desperdício de energia. 

No hotel do evento, em Foz do Iguaçu, constatei esse desperdício em pelo menos duas situações. Apesar de a temperatura ambiente estar amena, condicionadores de ar resfriavam os corredores, iluminados por lustres com quatro lâmpadas incandescentes de alto consumo. Ao mesmo tempo, em alguns momentos, a lareira era acesa para aquecer o salão de entrada do hotel. 

Na rabeira da eficiência energética

Sem planos robustos para poupar energia, o Brasil continua projetando a demanda de energia com base na ineficiência do passado e do presente.
Infelizmente o desperdício e ineficiência são generalizados no país. Em consequência disso, em 2012 o Brasil ficou em décimo lugar no desempenho de eficiência energética entre as 12 maiores economias do mundo, segundo o Conselho Americano para uma Economia de Energia Eficiente (Aceee)Dentre os 25 indicadores avaliados, o Brasil ficou em último lugar no item esforços nacionais, que considera iniciativas que estimulam o uso consciente da energia. 

Especialistas brasileiros também reconhecem o desinteresse em eficiência energética. Durante a Rio+20, em julho de 2012, a subsecretária de Economia Verde do Rio de Janeiro afirmou que faltam defensores deste setor. As empresas geradoras fazem lobby para gerar mais energia, não para poupar. Segundo ela, o governo deveria liderar as políticas de eficiência. 

Sem planos robustos para poupar energia, o Brasil continua projetando a demanda de energia com base na ineficiência do passado e do presente. Assim, a demanda projetada para o futuro é maior do que seria em um cenário com crescimento de eficiência.

Para suprir a energia futura, o governo e vários especialistas continuam defendendo que o Brasil deverá privilegiar a construção de novas hidrelétricas, e o governo projeta nove na Amazônia entre 2017 e 2021. Novamente o argumento é de que essa fonte é limpa e barata.

Porém, os custos socioambientais têm sido negligenciados. Pior ainda, governos e empresas não têm feito tudo que poderiam para mitigar os impactos negativos das hidrelétricas.


Sem consulta aos indígenas

A hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, que atualmente ocupa as manchetes, diminuirá o fluxo do Rio Xingu no limite das Terras Indígenas Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu, o que afetará a navegação e pesca praticadas por esses povos.

A situação tende a piorar se mantidas as formas do governo de atuar. Segundo o Instituto Acende Brasil, 82% do potencial de geração do Plano Decenal de Energia do governo para 2017-2021 afetará seis Terras Indígenas na Amazônia. Segundo a Constituição, os indígenas deveriam ser consultados sobre a construção das hidrelétricas. Porém, a forma de fazer a consulta sequer foi regulamentada.

Mesmo com a regulamentação, o potencial de conflitos é significante. No evento em Itaipu, o representante do Acende Brasil disse que mesmo com as consultas, o governo tem a última palavra. O instituto sugere que os índios sejam compensados com parte dos royalties. Mas o que ocorreria se eles dissessem não? Se o governo desconsiderasse o não dos índios, imaginem a quantidade de protestos durante a construção e os meios de comunicação transmitindo imagens dos índios oprimidos no dia do alagamento de suas áreas.


Incentivo ao desmatamento

(...) o governo federal reduziu 1.500 km2 de 7 UCs para facilitar o licenciamento das hidrelétricas do Tapajós.
As hidrelétricas na Amazônia também ajudam a aumentar o desmatamento, pois as obras atraem imigrantes que estimulam a economia local. Estimamos que este desmatamento indireto atingiria 5.100 km² em 20 anos na região de Belo Monte. Isso equivaleria a 10 vezes o tamanho da área que será alagada. No caso das hidrelétricas do Tapajós, a área desmatada indiretamente chegaria a cerca de 11.000 km². Assim, cerca de 815 milhões de árvores seriam derrubadas em torno destes dois projetos devido o desmatamento indireto.

No caso de Belo Monte, o governo ainda não criou as Unidades de Conservação (UC) sugeridas para reduzir o risco de desmatamento. Pior ainda, o governo federal reduziu 1.500 km² de 7 UCs para facilitar o licenciamento das hidrelétricas do Tapajós. E até agora não criou as UCs que prometeu para compensar a redução destas.

Em resumo, nossa energia não é barata e nem limpa e pode ser muito opressora. Se tomarmos consciência disso e cobrarmos, talvez nossos iluminados políticos instituam políticas fortes de eficiência energética e se comprometam, de fato, com as medidas para redução dos impactos da geração de energia. 

Tuesday, 28 May 2013

Sebastião Salgado: The silent drama of photography


Speakers Sebastião Salgado: Photojournalist


Sebastião Salgado
Sebastião Salgado captures the dignity of the dispossessed through large-scale, long-term projects.

Why you should listen to him:

A gold miner in Serra Pelada, Brazil; a Siberian Nenet tribe that lives in -35°C temperatures; a Namibian gemsbok antelope. These are just a few of the subjects from Sebastião Salgado’s immense collection of work devoted to the world’s most dispossessed and unknown.
Brazilian-born Salgado, who shoots only using Kodak film, is known for his incredibly long-term projects, which require extensive travel and extreme lifestyle changes. Workers took seven years to complete and contained images of manual laborers from 26 countries, while Migrations took six years in 43 different countries on all seven continents. Most recently Salgado completedGenesis, an ambitious eight-year project that spanned 30 trips to the world’s most pristine territories, land untouched by technology and modern life. Among Salgado’s many travels for Genesis was a two-month hike through Ethiopia, spanning 500 miles with 18 pack donkeys and their riders. In the words of Brett Abbott, a Getty Museum curator, Salgado’s approach can only be described as “epic.”
"Other photojournalists go in and out for a day. Sebastião goes and lives with his subjects for weeks before he even takes a picture."
Peter Fetterman, in The New York Times

Quotes by Sebastião Salgado

  • “I wished to photograph the other animals … to photograph us, but us from the beginning, the time we lived in equilibrium with nature.”
  • “[I want my photography] to create a discussion about what we have that is pristine on the planet, and what we must hold on this planet if we want to live.”



    Sebastião Salgado: The silent drama of photography


    Economics PhD Sebastião Salgado only took up photography in his 30s, but the discipline became an obsession. His years-long projects beautifully capture the human side of a global story that all too often involves death, destruction or decay. Here, he tells a deeply personal story of the craft that nearly killed him, and shows breathtaking images from his latest work, Genesis, which documents the world's forgotten people and places.
    Sebastião Salgado captures the dignity of the dispossessed through large-scale, long-term projects.

    FILMED FEB 2013 • POSTED MAY 2013 • TED2013
    TED2013

    TED CONVERSATIONS

    Got an idea, question, or debate inspired by this talk? Start a TED Conversation.






Monday, 27 May 2013

escola,comunidade e educação ambiental - SEDUC, 2013


SATO, Michèle; GOMES, Giselly; SILVA, Regina (Orgs.). Escola, comunidade e educação ambiental: reinventando sonhos, construindo esperanças. Cuiabá: Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (SEDUC-MT), 2013, 356p. [ISBN 9788586422386].



O livro possui 6 clusters: 
I. Cluster HUMANIDADES
(1) CLUSTER DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL: DO EU ISOLADO AO NÓS COLETIVO
Michèle Sato

Este é o primeiro capítulo porque trata-se de uma breve introdução à educação ambiental, além de apresentar os demais capítulos.

(2) O QUE É ISSO DE FILOSOFIA HONESTA E DECENTE?
Luiz Augusto Passos

É um denso convite à filosofia, com especial foco na fenomenologia. É um passeio geral nas teorias filosóficas com linguagem mais simples e bastante importante às reflexões necessárias à educação ambiental, às pessoas, ao mundo e à vida.

(3) TEXTO E IMAGEM DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Michèle Sato e Imara Quadros

Originalmente foi concebido para contar a educação ambiental por meio de imagens, mas depois as autoras acabaram mudando de ideia, trazendo um histórico imagético bastante elucidativo da dimensão ambiental; desde o seu surgimento, alguns eventos e fenômenos que foram marcantes na trajetória da educação ambiental.

(4) ARTE-EDUCAÇÃO-AMBIENTAL
Ivan Belém, Herman Hudson, Imara Quadros, Michèle Sato

Neste capítulo, trouxemos o corpo, o som e a imagem nos enredos da arte-educação-ambiental, buscando trançar a arte como um componente essencial da educação ambiental. Não apenas no lúdico, nas dinâmicas ou na mera “instrumentação pedagógica”, mas de forma intrínseca e orgânica.



II. Cluster LINGUAGENS
(5) EDUCAÇÃO AMBIENTAL E LÍNGUA PORTUGUESA NO ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO
Sonia Palma

Quando o assunto é a língua portuguesa, diversas atividades são possíveis no contexto da educação ambiental: poesia, contos, narrativas, atividades extraclasses ou vários enredos que tornem as diversas linguagens conectadas ao mundo expressivo da educação ambiental.

(6) LA LENGUA ESPAÑOLA Y SUS APLICACIONES PARA EDUCACIÓN AMBIENTAL EN ENSINO MEDIO
Itziar Fernández Cortés, Sonia Palma, Aitana Salgado Carmona, José Miguel Vicente Espinosa

Brasileira e espanhóis de uniram neste enredo que traz o surrealista Salvador Dalí na introdução de um texto cheio de atividade e criação para que a língua espanhola consiga fazer parte desta grande orquestra da educação ambiental. Inúmeros exemplos e boas práticas são considerados neste capítulo de idioma estrangeiro.

(7) A EDUCOMUNICAÇÃO E A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ESPAÇO ESCOLAR
Benedito Diélcio Moreira, Maria Liete Alves Silva

Rompendo com a tradicional forma da comunicação de privilegiar o emissor da notícia, a educomunicação chega dando a ênfase no receptor da mensagem, aliando a formação com a informação. Para a educomunicação ser belamente concretizada, é essencial as intervenções participativas com os sujeitos envolvidos.



III. Cluster DIVERSIDADES
(8) INCLUIR A DIVERSIDADE: COMPROMISSO ÉTICO DA EDUCAÇÃO
Angela Maria dos Santos, Débora Eriléia Pedrotti-Mansilla

Ambas são professoras da SEDUC, e elas conversam sobre a importância das diversidades (no plural), no respeito à autonomia dos povos, comunidades tradicionais ou grupos sociais diversos que necessitam ser incluídos nos processos das tomadas de decisão de forma igualitária e justa.

(9) EDUCAÇÃO QUILOMBOLA: UMA EXPERIÊNCIA EM MATA CAVALO
Denize Amorim, Imara Quadros, Ivan Belém, Liete Alves, Michelle Jaber, Regina Silva

Por meio de um estudo de caso em Mata Cavalo, projeto de pesquisa do GPEA, os autores tecem as considerações sobre a comunidade quilombola, o indesejado racismo ambiental, a noção de justiça ambiental e a proposta da educação quilombola.

(10) EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍGENA
Adriana Werneck Regina e Artema Lima

Iniciando um belo trajeto histórico da educação escolar indígena, inclusive com fotografias da época, o texto se desloca no tempo à atualidade, revelando os limites e os potenciais da educação indígena, na tradição e inovação de uma educação que sempre manteve intrínseca conexão com a natureza.

(11) EDUCAÇÃO AMBIENTAL EMANADA COM A EDUCAÇÃO DO/NO CAMPO
Ronaldo Senra e Giseli Dalla Nora

O campo merece especial consideração no contexto da educação ambiental, não apenas porque a paisagem natural é mais presente, mas também porque as pessoas que habitam esta paisagem têm diferentes modos de vida e que a proposta educativa deve ser moldada com as características da educação do campo.

(12) YO NO CREO EN LAS BRUJAS, PERO…
Adriana Werneck Regina, Artema Lima, Ivan Belém, Michèle Sato

Não existe um país sem mitos e eles se fazem intensamente interessantes à educação ambiental, já que os fenômenos da mitologia constantemente associam a natureza humana aos elementos da natureza. Destacando o mito africano e o indígena, o texto narra sobre as origens, fenômenos sociais e naturais.



IV. Cluster EDUCAÇÕES
(13) A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E OS PRINCÍPIOS DA CARTA DA TERRA: UM PROFÍCUO DIÁLOGO NA BUSCA DA JUSTIÇA SOCIAL
Edna Lopes Hardoim, Debora E. Pedrotti-Mansilla, Giselly Rodrigues Gomes; Tatianne F. Lopes Hardoim

Incluir todas as pessoas, inclusive os deficientes físicos é também a proposta da educação ambiental inclusiva, que além de ancorar as perspectivas na belíssima Carta da Terra, narra o histórico, dá pistas, informações e conceitos gerados na construção das políticas públicas que sejam, de fato, para todos.

(14) EDUCAÇÃO INFANTIL EM DIÁLOGO COM O TRATADO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA SOCIEDADES SUSTENTÁVEIS E RESPONSABILIDADE GLOBAL
Lúcia Shiguemi Izawa Kawahara

A beleza do Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e de Responsabilidade Global alia-se à educação infantil, tornando o vigor da educação ambiental necessária desde a tenra idade, em processos pedagógicos da ética do cuidado.

(15) EDUCAÇÃO FÍSICA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL: REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO DO CORPO E A NATUREZA
Beleni Salete Grando, Marcia Cristina Rodrigues da Silva Coffani, Cleomar Ferreira Gomes

O corpo está em evidência neste capítulo sobre a educação física, que traz a corporeidade para além da noção física, entrelaçada no bojo das discussões interdisciplinares que envolvem a cultural, o esporte e o lazer nos enredos da educação ambiental.



V. Cluster SOCIAIS
(16) SOCIOLOGIA
Adriana Werneck Regina, Camila Emanuella Pereira Neves, Edson Caetano, Ema Maria Silveira

Estará a cultura separada da natureza? Esta é uma pergunta frequente na educação ambiental, que tem o legado do pensamento Moderno em segregar corpo e mente, buscando decodificar a complexidade da realidade social. Sem a pretensão de esgotar o debate, o texto em sociologia traz ainda outras questões práticas muito interessantes.

(17) HISTÓRIA: SEU CAMINHAR AO LADO DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Ivan Belém e Rosana Manfrinate

O sujeito histórico atuante no campo da educação ambiental busca conciliar os temas ecológicos com os aportes sociais. Deste diálogo, os autores fazem emergir a importância da história na constituição dos sujeitos, na construção da sociedade, nos avanços científicos, nas cirandas artísticas e nas dimensões ambientais.

(18) A EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O POT-POURRI DA GEOGRAFIA URBANA
Giseli Dalla Nora, Valdiney Vieira da Silva

Os geógrafos se intitulam “administradores do espaço” pela prerrogativa de terem em sua formação o forte enfoque do planejamento e da organização territorial. Percebendo o espaço como ambiente, a geografia dá sua contribuição à educação ambiental, com especial destaque à região urbana.

(19) IDENTIDADES, TERRITÓRIOS E CONFLITOS SOCIOAMBIENTAIS DO ESTADO DE MATO GROSSO
Michelle Jaber, Regina Silva e Michèle Sato

Uma vez que estamos nos referindo ao estado de MT, quem são as pessoas que habitam este território? Como vivem? Quais problemas e sonhos carregam? Estas são algumas perguntas respondidas pelo texto por meio da metodologia do mapeamento social, que une identidade, território e educação ambiental.


VI. Cluster NATUREZAS
(20) O DIÁLOGO DO ENSINO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA E DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL, UM OLHAR SOBRE AS MUDANÇAS AMBIENTAIS GLOBAIS
Giselly Gomes, Michelle Jaber e Regina Silva

A porta de entrada a este complexo mundo das ciências ocorre pelas mudanças ambientais globais, em especial à mudança climática. Alicerçando o discurso em todas as áreas das ciências naturais, as autoras transcendem esta dimensão incorporando também a sociedade como proposta da educação ambiental.

(21) MODELAGEM MATEMÁTICA: UMA PERSPECTIVA METODOLÓGICA PARA INTEGRAR QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS À MATEMÁTICA EM SALA DE AULA
Evilásio José de Arruda, Ivo Pereira da Silva, Jacqueline Borges de Paula

Se alguém considerava que a matemática não tinha relação com o ambiente, os autores deste capítulo sugerem diversas experiências possíveis por meio da modelagem matemática. Simulando a realidade, a matemática mantém suas características e dialoga com as dimensões socioambientais nas longas páginas das vivências pedagógicas.

(22) A FÍSICA DO OPRIMIDO
Guilherme Tomishiyo Teixeira de Sousa

O capítulo inicia com a crítica de que a ciência esteve sempre atrelada aos interesses do capital e da elite, dando exemplos clássicos como a bomba nuclear. No paralelo com Paulo Freire (pedagogia do oprimido), o autor reivindica por uma física cotidiana, capaz de subverter a ordem hegemônica e ousar uma física do oprimido.

(23) EDUCAÇÃO AMBIENTAL E O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM DE BIOLOGIA
Regina Silva, Michelle Jaber e Giselly Gomes

Entre tantos temas possíveis, principalmente à guisa das revoluções genéticas, a escolha pela biodiversidade foi acertada nas considerações da biologia no ensino médio. Tecendo considerações sobre o ensino médio, as autoras fazem emergir o ensino da biologia no contexto das responsabilidades socioambientais.


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A ameaça vem do planalto

fapesp
http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/05/14/a-ameaca-vem-do-planalto/

A ameaça vem do planalto

Ocupação e uso desordenado do solo, ao lado da instalação de usinas hidrelétricas, dificultam o fluxo migratório de espécies no pantanal
RODRIGO DE OLIVEIRA ANDRADE | Edição 207 - Maio de 2013

© JOSÉ SABINO/NATUREZA EM FOCO
Anfiteatro natural: planícies alagáveis, cercadas por uma região de planalto
Anfiteatro natural: planícies alagáveis, cercadas por uma região de planalto
“Imaginem um enorme anfiteatro no coração da América do Sul”, disse o biólogo José Sabino ao se referir ao mosaico geográfico que dá forma às planícies pantaneiras, na região Centro-Oeste do Brasil. Com 140 mil quilômetros quadrados (km2) e uma dinâmica que alterna ciclos anuais de seca e alagamento que influenciam as interações ecológicas e os padrões de biodiversidade, o pantanal é a maior planície inundável do mundo. Está rodeado por serras que podem atingir 1.400 metros de altitude, “as quais dão vida à paisagem, mas também estão ligadas às principais ameaças à diversidade biológica da região”, afirmou o biólogo. Sabino é pesquisador da Universidade Anhanguera-Uniderp e foi um dos convidados do Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação, realizado em São Paulo em 18 de abril. Além dele, participaram o veterinário Walfrido Tomas, do Laboratório de Vida Selvagem da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Pantanal), e o agrônomo Arnildo Pott, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
A ocupação e o uso desordenado da terra por meio da agricultura e da pecuária nas regiões adjacentes às planícies, muitas vezes estimuladas por políticas públicas, são hoje uma das principais ameaças à conservação da biodiversidade local, destacaram os pesquisadores. “A utilização não sustentável da terra nos planaltos tem provocado a erosão do solo e, como consequência direta, o assoreamento dos rios”, disse Sabino. Segundo ele, o caso mais emblemático ocorreu na bacia do rio Taquari. “A partir da década de 1970, a intensificação da agropecuária sem a devida conservação dos solos culminou no assoreamento quase completo do baixo curso do rio.” O resultado foi o rompimento de suas margens e a inundação permanente de mais de 5 mil km2 de uma área onde a inundação era sazonal (ver Pesquisa FAPESP nº 116). “Isso inviabilizou atividades econômicas próprias da região, reduziu a produção pesqueira e mudou substancialmente a composição local da fauna e da flora”, ressaltou. De acordo com o biólogo, apesar de tradicionalmente se basear no uso de pastagens nativas, a pecuária desenvolvida nas planícies sempre foi considerada de baixo impacto à biodiversidade pantaneira. Mas a tendência à intensificação da produção nos últimos anos tem levado pecuaristas a cultivarem pastagens exóticas, o que implica o desmatamento de matas nativas.
© EDUARDO CESAR
A partir da esquerda: Walfrido Tomas, Arnildo Pott e José Sabino
A partir da esquerda: Walfrido Tomas, Arnildo Pott e José Sabino
Outras atividades também ameaçam o bioma. É o caso da indústria, da mineração e da produção de energia por usinas hidrelétricas, as quais têm potencial para alterar a dinâmica natural dos ecossistemas que compõem o pantanal. “As hidrelétricas podem comprometer o fluxo de nutrientes transportados pela água e o funcionamento hidrológico que alimenta as planícies pantaneiras, bem como promover alterações no hábitat de espécies aquáticas e semiaquáticas e, consequentemente, nos serviços ecossistêmicos que essas espécies desempenham na região”, ressaltou Tomas.
Mesmo assim, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) tem realizado licitações para a construção de pequenas centrais hidrelétricas na bacia hidrológica do Alto Paraguai, alertou Sabino. “A construção dessas usinas pode comprometer o fluxo migratório de certas espécies de peixes da região”, disse. Já a mineração impõe risco de contaminação ao ambiente. “A mineração de manganês e ferro, por exemplo, pode levar à perda da vegetação característica do pantanal, afetando diversas espécies e comprometendo a disponibilidade de recursos hídricos fundamentais para a manutenção da diversidade biológica local”, destacou o biólogo. O garimpo de ouro no norte do pantanal já poluiu áreas significativas com mercúrio, disse.
Assim, por se tratar de uma área natural moldada pela disponibilidade de água, sobretudo do rio Paraguai e de uma extensa rede de afluentes com nascente nos planaltos vizinhos, a implementação bem-sucedida das estratégias de conservação deve passar pela mudança da unidade de gestão pantaneira para a bacia hidrográfica do Alto Paraguai, concluiu Tomas. “As políticas públicas de preservação precisam integrar o bioma às nascentes dos rios que o alimentam.” Para ele, estratégias de remuneração, desoneração e certificação de práticas adequadas de gestão para proprietários que conservam a diversidade das paisagens pantaneiras também devem ser incentivadas. “O cultivo de pastagens para aumentar a produção tornou-se algo constante no pantanal. É preciso investir na premiação de pecuaristas que não intensificaram sua produção por meio desse tipo de plantação. Afinal, o fazendeiro que cria seu boi sem alterar a paisagem está contribuindo para a conservação do bioma”, disse.
Cerca de 5% do pantanal está protegido por áreas de conservação. Embora essa abordagem seja bem aceita pelo poder público, na prática ela tem se mostrado ineficaz no que diz respeito à preservação da fauna. “A conservação de espécies mais críticas depende mais do manejo sustentável das fazendas do que das unidades de conservação existentes”, destacou Tomas. Ele se referia a espécies como a onça-pintada, a ariranha e a arara-azul, encontradas com mais frequência além das fronteiras das unidades de conservação. “As espécies não se distribuem de forma homogênea na planície. Por isso, a preservação desses animais requer estratégias mais amplas do que a simples gestão dessas unidades de conservação.”
Encruzilhada territorialO pantanal ocupa hoje 1,8% do território nacional. É o menor dos seis biomas brasileiros – o maior é a Amazônia, que se estende por 50% da área total do país. Mas seu tamanho singelo não necessariamente reflete sua complexidade biológica. Geograficamente, as planícies pantaneiras estão localizadas numa encruzilhada territorial. Englobam parte da região sul de Mato Grosso e noroeste de Mato Grosso do Sul, se estendendo também pelo leste da Bolívia e pelo norte do Paraguai. “É o fim do mundo! Ou o começo dele, depende do ponto de vista”, brincou o agrônomo Arnildo Pott. Segundo ele, essa localização privilegiada permitiu ao pantanal interagir com diferentes ecossistemas, como a Amazônia e o cerrado, além de enclaves de mata atlântica. “A flora pantaneira sofre forte influência fitogeográfica desses biomas. Em algumas regiões podemos verificar a presença de vegetações aquáticas a menos de um metro de vegetações próprias da caatinga”, afirmou. Algumas espécies vegetais amplamente distribuídas nos campos do pampa, como a Macrosiphonia velame, e na caatinga, como a Brasiliopuntia brasiliensis, podem facilmente ser identificadas no pantanal.
© JOSÉ SABINO/NATUREZA EM FOCO
Arara-azul
Arara-azul…
O mesmo ocorre com a fauna pantaneira. De acordo com Tomas, grande parte dos mamíferos do pantanal é típica do cerrado, enquanto a maioria das espécies de aves é oriunda da Amazônia e da mata atlântica. “Também é possível verificar a presença de populações de peixes amazônicos por lá”, disse. Constituído, sobretudo, por uma savana estépica, o pantanal é a área úmida com maior riqueza de espécies de aves no mundo. “Ajuda o fato de o bioma estar localizado em uma rota migratória”, destacou. Mas existem lacunas a serem preenchidas em relação ao conhecimento taxonômico e geográfico acerca da diversidade biológica da região. É o caso de grupos menos conhecidos, como crustáceos, moluscos e lepidópteros. “O programa Biota Mato Grosso do Sul, o qual está sendo implantado, nos ajudará a entender melhor a complexidade da diversidade biológica pantaneira”, comentou.
São poucos os registros de espécies endêmicas no bioma. Segundo Tomas, o que marca o pantanal não é o endemismo de espécies, mas a abundância de populações. “Estimamos a existência de 45 mil cervos-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), mais de 3 milhões de jacarés (Caiman yacare), 5 mil araras-azuis (Anodorhynchus hyacinthinus) e de 3 a 5 mil onças-pintadas (Panthera onca). No entanto, esses números podem variar conforme a gangorra sazonal que gerencia os períodos de secas e inundações na planície”, disse. De todo modo, a falta de endemismos no pantanal é compensada pelas interações entre as espécies que por lá vivem e geram processos biológicos próprios da região. “Esses processos são endêmicos e precisam ser conservados, já que têm funções ecossistêmicas importantes para a manutenção da diversidade biológica pantaneira”, destacou Tomas.
© JOSÉ SABINO/NATUREZA EM FOCO
Onça-pintada
… Onça-pintada…
Gestão sustentávelDe acordo com Sabino, a mitigação das ameaças à biodiversidade do pantanal também depende da governança. “Precisamos fazer a interface entre o que produzimos de conhecimento sobre a diversidade biológica pantaneira e como essa produção pode ser útil à sociedade”, ressaltou o biólogo. Para ele, é preciso deixar clara a importância da biodiversidade desse bioma para o país, mostrando como criar condições para a construção de uma relação mais harmoniosa com a natureza. Há algumas iniciativas nesse sentido, destacou Sabino. “O próprio programa Biota-FAPESP é exemplo disso”, disse.
E é nesse cenário de gestão e governança que se inserem as políticas públicas voltadas à organi-zação do ecoturismo na região, destacaram os pesquisadores. “O pantanal tem um potencial enorme para o ecoturismo, mas essa é uma atividade que, infelizmente, ainda é feita de forma amadora”, afirmou Tomas. Somente a Costa Rica, disse Sabino, recebe três vezes mais turistas do que o Brasil. “Nosso país ainda subexplora essa atividade. Precisamos reconhecer nossos potenciais para estimularmos seu aproveitamento de forma adequada.”
No pantanal esse potencial é vasto. Um dos atrativos é a transparência das águas, como as do rio Olho d’Água, “tão ou mais límpidas que as de Fernando de Noronha e do Caribe”, afirmou Sabino. Em boa parte isso se deve à conservação das matas situada às margens dos rios. Essa preservação não só garante a pureza das águas como a integridade de processos ecológicos, como a relação de cumplicidade entre os macacos-prego e as piraputangas (Brycon hilarii), espécie de peixes prateados da famíliaCharacidae.
© JOSÉ SABINO/NATUREZA EM FOCO
... e jacaré-do-pantanal: encontrados com mais frequência fora das unidades de conservação
… e jacaré-do-pantanal: encontrados com mais frequência fora das unidades de conservação
De acordo com Sabino, as piraputangas têm uma capacidade de orientação acústica e visual muito grande, de modo que qualquer barulho vindo da superfície da água atrai sua atenção. Já os macacos-prego, exímios dispersores de sementes, ao se alimentarem, fazem o que os pesquisadores chamam de forrageamento destrutivo. “A cada um ou dois frutos que põem na boca, eles derrubam outros tantos”, explicou o biólogo. Ao cair na água, esses frutos acabam atraindo a atenção das piraputangas, redirecionando-as para onde essas sementes são lançadas. Esses peixes, então, passam a seguir esses macacos, já que eles, indiretamente, alimentam as piraputangas. “Esse é apenas um dos potenciais turísticos do pantanal”, concluiu.
O Ciclo de Conferências Biota-FAPESP Educação é uma iniciativa da coordenação do programa Biota-FAPESP e da revista Pesquisa FAPESP. Seu objetivo é contribuir para a melhoria da qualidade da educação científica e ambiental no Brasil. Até novembro haverá mais seis palestras (ver programação aqui), que irão tratar dos desafios e das principais ameaças relacionadas aos seis biomas brasileiros: cerrado, caatinga, mata atlântica, Amazônia, além dos ambientes marinhos e costeiros e da biodiversidade em ambientes antrópicos, urbanos e rurais.