Wednesday, 1 May 2013

lendas e mistérios

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LENDAS E MISTÉRIOS


Seja Brasil afora ou em várias regiões de Mato Grosso do Sul, contos populares são gerados por mitos, que falam de personagens fantásticos e são transmitidos de geração em geração, em pleno século 21
Mesmo com os avanços da ciência e da tecnologias, algo do passado se mantém quase intacto em várias regiões: as lendas em torno de seres e situações fantásticas. A prova recente é Barra Longa, cidade do interior de Minas Gerais, sacudida com histórias do aparecimento de um ser que sairia dos rios e atacaria aqueles que ultrajassem a natureza.
Na verdade, o tal ser nem é tão novo assim, há muito habita o imaginário da população do interior do Brasil – com feição que une elementos humanos e de animais selvagens. No caso específico dessa lenda, não está restrita somente a Minas Gerais e chega até Mato Grosso do Sul. Abaixo é possível conhecer algumas lendas que se espalham por pontos do nosso Estado.
Negro D’Água - A pesquisadora Marlei Sigrist conta que na região do Bolsão – Costa Rica, Cassilândia, entre outros – aparece o Negro D’água, que é uma variação do Caboclo D’água. “As lendas migram conforme as pessoas também migram. Como essa região do Estado tem influência grande de Goiás e Minas Gerais, locais onde o Cabocl D’Água é mais popular, a história também ganha tradução local. Quando fiz levantamento para o livro ‘Chão Batido’, que lancei em 2000, ouvi vários moradores da região que diziam ter visto o Negro D’água. Teve até o caso de uma senhora dizendo que seu pai decepou dois dedos do bicho na hora que foi atacado’, lembra Marlei.
A pesquisadora conta que essa lenda é uma variação em torno do lobisomem. “Normalmente, há um desdobramento em torno dessas histórias. A partir de uma surgem outras, que vão ganhando cor local”, aponta.
Outro aspecto importante é a descrição de casa lenda. Segundo ela, conforme o medo de quem diz que vê o ser a história ganha característica específica. O Negro D’água seria um homem de grande proporção, próxima da feição de um animal, com muitos pelos. Na versão mineira, ele também seria grande e teria apenas um olho.
Come Língua: Trata-se de um jovem com uma grande língua, adquirida dos bovinos que mataria. “A história em torno dele diz que era um garoto que levava diariamente marmita para o pai, que trabalhava no campo. Um dia, antes de chegar até o local onde o pai trabalhava, abriu a marmita e comeu quase por completo a língua bovina preparada pela mãe. O pai, que era muito bravo, chegou em casa e surrou a mulher, achando que ela não tinha preparado a língua na quantidade sugiciente. O filho não falou era que ele quem tinha comido. Por causa disso a mãe jogou-lhe uma praga. Como dizem que ‘praga de mãe pega’, o filho passou a vagar pelo campo com sua maldição”. Em Goiás, a lenda recebe o nome de Arranca Língua.
Minhocão: Os ribeirinhos da região do Pantanal contam as históricas de uma cobra de grande proporção. Nos relatos, ela atacaria quem navega ou se aproxima das margens dos rios. Segundo Marlei, a lenda se assemelha a de outros pontos como da Amazônia, onde são contados relatos sobre uma grande cobra, a anaconda. “Também há relatos parecidos em outros locais da América Latina”, destaca a pesquisadora.
Pé de garrafa: Outra lenda do Pantanal. Ele seria um protetor das matas. Há variações em torno da sua descrição. Em determinado momento surge com uma perna e, em outra, com duas. Seu ponto fraco seria o umbigo, onde apresenta poucos pelos.
Mulher no Banheiro: A história da loira com algodão no nariz e que apareceria nos banheiros das escolas não é um lenda restrita a Campo Grande, mas teve muita repercussão na cidade, lembra Marlei. “As lendas surgem para estabelecer limites. Da mesma forma que as leis existem para destacar as regras da sociedade ou, entãoi, a igreja católica, que estabelece o pecado como forma de punição, as lendas servem para dizer o que pode ou que não pode. No caso da mulher no banheiro das escolas, é uma forma encontrada para controlar a ida das crianças ao local”, lembra a pesquisadora.
Ervais
O escritor e pesquisador Hélio Serejo (1912/2007) – que se dedicou ao resgate da memória do período em que a exploração da erva-mate foi importante na economia de Mato Grosso uno – registrou várias lendas existentes até hoje na região sul do Estado. O material pode ser encontrado em um dos tomos de sua obra completa, publicada pelo Instituto Histórico e Geográfico de MS. Histórias de lobisomem, mula sem cabeça e bruxas povoam o imaginário popular da região. Algumas têm características próprias e representam bem os acontecimentos ocorridos nos ervais, como a do Cavalo Preto. Segundo o autor, a lenda se inicou em 1925 depois de conflitos desenvolvidos na região. “O bicho aparecia ao entardecer e com seu enorme rabo se arrastando no chaõ, ofegante, voando rente ao solo, a soltar tochas de fogo pelas narículas, cortava o campo assustando os animais, fazendo tropelias, num pandemônio que não se pode descrever. Só uma coisa amolecia a fúria do cavalo: era a lua cheia”, destacou Hélio.
Marlei explica que muitas lendas nasceram de acontecimentos reais, porém, sofrem alterações a partir de coda pessoa que releva o fato. Outro aspecto importante: muitas lendas sobreviventes até hoje têm origem na Idade Média europeia, quando as normas estabelecidas pela Igreja Católica eram rígidas e norteavam o cotidiano das pessoas. As lendas traziam muito dos medos e desejos surgidos nesse cenário.
Publicado em 08/07/2011 
correiodoestado.com.br
Autor: Oscar Rocha
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