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Friday, 8 July 2022

Texto atual do Estatuto do Pantanal é insuficiente para proteger o bioma

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REPORTAGENS

Texto atual do Estatuto do Pantanal é insuficiente para proteger o bioma

Em tramitação no Senado, proposta defende exploração sustentável, mas não indica restrições ao uso do bioma. Especialistas apontam necessidades de aprimoramentos no projeto

MICHAEL ESQUER · 
7 de julho de 2022

A Constituição Federal de 1988 prevê que a proteção e regulação das atividades econômicas no Pantanal, considerada a maior planície de inundação contínua do mundo, deve ocorrer mediante legislação específica. Três décadas depois de sua promulgação, porém, o bioma ainda carrega essa lacuna legislativa em âmbito federal. 

Nos últimos anos, pelo menos três projetos de leis (PLs) que dispunham sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal já tramitaram no Congresso, sendo um na Câmara dos Deputados e dois no Senado Federal. O primeiro deles (PL nº 750/2011) foi arquivado, em 2018, no Senado. O segundo (PL nº 9.950/2018) foi arquivado, desarquivado e, desde 2020, está estagnado na Câmara dos Deputados. 

O terceiro, e mais recente deles, foi protocolado em 2020 e sua última tramitação foi em fevereiro deste ano, quando teve o seu relator designado na Comissão de Meio Ambiente (CMA) do Senado Federal. Trata-se do PL nº 5.482/2020, também conhecido como “Estatuto do Pantanal”, de autoria do senador Wellington Fagundes (PL-MT), que dispõe sobre a conservação, proteção, restauração e a exploração sustentável do Pantanal e altera o artigo 36º da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). 

((o))eco escutou de especialista que acompanha a questão, que o projeto, apesar de necessário, ainda é insuficiente e apresenta lacunas que devem ser aprimoradas. Entre os apontamentos sobre onde a proposta deve avançar, está, por exemplo, a inserção de dispositivos que restrinjam o uso do bioma – principalmente no que diz respeito a novos empreendimentos que possam alterar o fluxo de água – , e a proteção das nascentes que formam a planície inundável do Pantanal. 

Além desses, também aparecem como pontos críticos na matéria a questão da mineração, a não menção às políticas de saneamento básico e à manutenção de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente (APPs) do bioma. 

Pantanal: mais seco e suscetível ao fogo 

O Pantanal brasileiro possui cerca de 150.355 quilômetros quadrados – 1,76% da área total do país – , dos quais 65% estão no estado de Mato Grosso do Sul (MS) e 35% em Mato Grosso (MT). O bioma é o lar de pelo menos 4,7 mil espécies conhecidas, entre animais e plantas  Apesar da grande integração com outros biomas, como o Cerrado, a Amazônia e a Mata Atlântica, a principal característica do Pantanal é sua planície inundável.

A planície do bioma integra a Bacia do Alto Paraguai (BAP), região transfronteiriça que abrange áreas na Bolívia, Brasil e Paraguai. A BAP, por sua vez, também aloja o Planalto, onde nascem os demais cursos d’água que alimentam a bacia pantaneira. Toda essa complexidade conferiu o título de Patrimônio Natural Mundial à região pela Unesco, em 2000. Essa realidade, no entanto, tem sofrido alterações por conta de secas severas nos últimos anos, como revela  análise do MapBiomas feita a partir de imagens de satélite. Entre a cheia de 1988/1989 e a de 2018, por exemplo, o total da área coberta por água e campos alagados foi 29% menor. Na primeira cheia registrada na série histórica, a água cobria uma extensão de 5,8 milhões de hectares. Em 2018, foram  apenas 4,1 milhões de hectares. Já em 2020, essa área cobria  1,5 milhões de hectares, a menor dos últimos 36 anos.

Tuiuiís em área queimada no Pantanal. Foto: Iberê Périssé/Projeto Solos.

Ainda conforme o Mapbiomas, de todos os biomas brasileiros, o Pantanal foi o que mais queimou nos últimos 36 anos. Mais da metade (57%) de seu território foi queimado pelo menos uma vez no período, o equivalente a 86.403 quilômetros quadrados. Áreas de vegetação campestre e savanas foram as mais afetadas, respondendo por mais de 75% das áreas queimadas. Ao todo, 93% do fogo no período ocorreu em vegetação nativa e apenas 7% ocorreu em área antrópica – ambiente cuja vegetação original foi alterada, perturbada ou destruída em relação à vegetação inicial. Em 2020, foram mais de 2,3 milhões de hectares queimados, segundo maior número desde 1985.

Enquanto 83,8% da planície estava coberta por vegetação nativa em 2020, no planalto apenas 43,4% do território ainda preserva a vegetação. Ainda conforme o levantamento do Mapbiomas, o uso antrópico no Pantanal cresceu 261% entre 1985 e 2020, expandindo-se por mais 1,8 milhão de hectares. Nesse período, a área de pastagens na BAP dobrou de 15,9% em 1985, para 30,9% em 2020.  A agricultura, por sua vez, quadruplicou, passando de 1,2% em 1985 para 4,9% em 2020. Já a formação savânica, caiu de 24,4% em 1985, para 18% em 2020. Em 2020, 40% da BAP possuía uso agropecuário. 

Legislação própria é uma necessidade  

O Pantanal é denominado patrimônio nacional pela Constituição Federal de 1988. No parágrafo 4 do artigo 225º, a carta constitucional prevê que a utilização do bioma deve ocorrer “dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais”. Trinta e quatro anos depois, o Pantanal segue sem uma legislação específica para proteção e regulamentação de atividades. 

((o))eco conversou com Warner Bento Filho, especialista em Políticas Públicas do WWF-Brasil, organização que integra o Observatorio Pantanal – coalizão composta por 43 instituições socioambientais atuantes na BAP no Brasil, Bolívia e Paraguai. Warner explica que é dever do Congresso Nacional a aprovação de lei que trate da conservação do bioma pantaneiro, principalmente para a garantia da sua existência e da prestação de seus serviços para gerações futuras.  

“Além da riqueza de espécies da fauna e da flora, o Pantanal também oferece serviços ambientais como manutenção e purificação de mananciais, proteção dos recursos do solo, habitats de plantas e animais de valor comercial, controle biológico, recarga de aquíferos e regulação do clima local. Também permite o desenvolvimento de práticas de ecoturismo e é fonte de recursos genéticos”, conta o especialista.

Ele ressalta, entretanto, que toda essa riqueza é muito frágil e está cada vez mais ameaçada. “Principalmente pela expansão da agricultura nas proximidades dos rios, pelo uso de agrotóxicos e pela multiplicação de projetos de infraestrutura, como hidrelétricas e hidrovias. Além disso, a região sofre com desmatamento e queimadas descontroladas”, alerta. 

O especialista alerta que alterações nos cursos d’água podem provocar grandes danos ambientais ao bioma e o uso de agrotóxicos na área alagável pode acarretar em prejuízos irreversíveis para plantas e animais, inclusive peixes. Neste último, reside também o risco de impacto para o turismo e economia, uma vez que trata-se de componente que integra o rol de atividades que movimentam a cadeia produtiva da região. 

Por conta disso, Warner reforça que apenas uma legislação específica, que abranja suas diferentes conformações, é capaz de preservar o Pantanal em sua totalidade. “O país precisa ter uma legislação própria para cuidar do Pantanal. É um bioma único, com paisagens, habitats e fitofisionomias diversas e únicas, como corixos, arbustais inundáveis e savanas”, completa. 

Outras tentativas

Em 2018, o Congresso chegou a ter duas propostas em tramitação simultaneamente, ambas com o objetivo de legislar sobre o bioma pantaneiro e preencher essa lacuna. O PL nº 750/2011, mais antigo, foi protocolado no Senado Federal em 2011 pelo então senador Blairo Maggi (PL-MT) e dispunha sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal. E o PL nº 9.950/2018, do deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) que também dispunha sobre a conservação e o uso sustentável do Pantanal. 

Entre o fim de 2018 e o começo de 2019, no entanto, os dois PLs foram arquivados. 

O PL nº 750/2011, por conta do término do mandato de Maggi, foi arquivado em dezembro de 2018, antes mesmo de chegar ao Plenário do Senado. O PL nº 9.950/2018, por sua vez, foi arquivado em janeiro de 2019, mas em fevereiro do mesmo ano foi desarquivado por solicitação de Molon. A proposta, porém, está parada na Câmara dos Deputados desde outubro de 2020. 

Estatuto do Pantanal não protege nascentes do bioma 

Para o especialista da WWF , apesar de necessário e estabelecer uma série de regras, o PL nº 5.482/2020 ainda é insuficiente para a proteção do Pantanal e, por isso, deve ser aprimorado. Conforme o especialista, a proposta deixa de lado uma das questões mais importantes para a conservação do bioma: a proteção das nascentes dos rios que formam o Pantanal. 

A própria Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH)  prevê que “a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da PNRH e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH)”. No caso da BAP, essa definição permite que, para a implementação de políticas de recursos hídricos, seja abrangida não apenas a planície inundável, mas também o planalto, onde nascem os principais cursos d’água que alimentam o do Pantanal.

Rio Cuiabá. Foto: Gabriel Schlickmann.

“A proposta se ocupa apenas da planície inundável, deixando de proteger as nascentes dos rios que formam o Pantanal. O entendimento da Ciência é de que a gestão do bioma deve abranger toda a extensão da BAP, desde as suas nascentes, pois é lá, na verdade, que o Pantanal começa. Hoje, estas regiões sofrem com desmatamento, garimpo e uso de agrotóxicos”, alerta o especialista. 

Warner explica que o PL tem que considerar que a conservação da planície inundável só é possível com a restauração e conservação das áreas onde nascem os rios que a formam. “Justamente no encontro entre a planície e o planalto está a região com maiores taxas de conversão da vegetação nativa atuais e previstas, área identificada como ‘arco do desmatamento do Pantanal”, pontua.

((o))eco questionou o senador Wellington Fagundes sobre esta fragilidade do PL. O parlamentar concordou que as duas regiões estão intimamente ligadas e reconheceu que o PL nº 4.582 dá foco exclusivo ao Pantanal, por ter sido mais impactado pelas queimadas de 2020. 

“Entendemos que a necessidade das regiões dos biomas Pantanal e Cerrado não são exatamente as mesmas e que tratar de tudo em um mesmo projeto poderia desviar a atenção do debate e acabar por dificultar mais ainda a sua aprovação”, justifica o senador. 

Exploração deveria indicar restrições

Outro aspecto proposto pelo PL nº 5.482/2020 é a “Exploração Economicamente Sustentável do Bioma Pantanal”, conforme estabelecido originalmente no Código Florestal. 

“Será feita [a exploração ecologicamente sustentável] de  forma a garantir a manutenção da diversidade da paisagem e a conservação da diversidade biológica, dos processos ecológicos e dos serviços ecossistêmicos, conforme dispuser o regulamento”, diz trecho da proposta.

Para o especialista da WWF-Brasil, a exploração sustentável, de fato, deve ser respeitada em qualquer bioma. No caso específico do Pantanal, Warner defende que o PL que se proponha a legislar a região deve ater-se aos princípios da precaução e prevenção como base para o regramento, apontando também metas e percentuais para unidades de conservação.  

Entre os pontos-chaves para a preservação está a restrição do uso com veto a  atividades ou obras potencialmente perigosas para o bioma. Tais como: o plantio de variedades transgênicas; transporte de cargas perigosas; introdução ou cultivo de espécies exóticas de peixes; construção de diques; poços de draga; tanques; barragens; ou outras intervenções que impeçam ou prejudiquem o fluxo das águas. 

“Todas essas são medidas importantes para garantir a dinâmica da vida na BAP. O projeto […] precisa vedar explicitamente empreendimentos que causem riscos de mudanças da dinâmica de inundação. Precisa, ainda, oferecer alternativas às pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), que representam uma grande ameaça para o Pantanal”, enfatiza o especialista do Observatorio Pantanal.

No PL nº 750/2011 de Maggi, arquivado em 2018, a proposta vedava uma série de atividades, entre elas a instalação e funcionamento de atividades de médio e alto grau de poluição e/ou degradação ambiental na Planície Alagável. Em seu texto atual, o PL nº 5482/2020 não proíbe nenhuma das atividades mencionadas acima. 

A única menção proibitiva da proposta, no âmbito da exploração sustentável, está no artigo que proíbe o corte ou supressão de vegetação nativa para o uso alternativo do solo nos seguintes casos: imóveis rurais que possuam área desmatada passível de utilização; proprietários ou posseiros irregulares com os dispositivos da legislação ambiental; ou em casos onde a legislação estadual imponha vedação de forma suplementar. 

O autor da proposta, porém, defende que a proibição não é a melhor saída para a questão. Wellington também destacou que o Legislativo Estadual possui competência para suplementar a proposta para impor as restrições mencionadas pelo especialista. 

“Os órgãos ambientais em todos os níveis federativos possuem competência para aprovar (ou não) a instalação de determinados empreendimentos, a depender do seu potencial poluidor e da fragilidade do bioma e dos ecossistemas envolvidos. A proibição genérica e irrestrita não nos parece ser a melhor saída e poderá trazer grandes dificuldades para a aprovação da matéria no Congresso Nacional”, afirma o senador. 

Passe livre para a mineração?

A mineração também é normatizada dentro do capítulo que trata da exploração sustentável do bioma. O PL condiciona a atividade ao licenciamento ambiental, apresentação de Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) e, ainda, à adoção de medidas de recuperação ambiental das áreas impactadas.

A proposta, no entanto, acrescenta uma novidade: libera a mineração sem necessidade de EIA/RIMA. Para isso, o texto da matéria define que seja necessário o reconhecimento da atividade de mineração como não causadora de “significativa degradação do meio ambiente” pelo órgão ambiental competente.

O Pantanal Matogrossense. Foto: Carl de Souza/AFP

Neste caso, o PL prevê que o empreendimento se sujeite a outros estudos ambientais, não especificados no texto, pertinentes ao processo de licenciamento. “Da maneira como está, o projeto também permite mineração em toda a região, sem distinção, restrição ou limitação”, alerta Warner ao ((o))eco.

Wellington Fagundes discordou e disse que os dispositivos incluídos no PL apenas reforçam o que está disposto na legislação ambiental e em atos infralegais. Ele defendeu que não há flexibilização da legislação vigente.

“A mineração, como sabemos, é atividade que tem potencial de causar graves impactos ao meio ambiente. Por isso, ela se sujeita ao licenciamento ambiental e consta na lista de atividades do Anexo VIII da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 (Política Nacional do Meio Ambiente)”, aponta. O parlamentar também citou a exigência do EIA/RIMA, conforme determina o Conselho Nacional do Meio Ambiente. 

A proposta ainda prevê a permissão de compensação de degradação, causada pela mineração ou novos empreendimentos, em outra área, o que, segundo o especialista da WWF-Brasil, não contribui para a conservação do bioma. O senador rebateu que a medida é excepcional e evita o “engessamento” da compensação ambiental. 

Manutenção de APPs e outras carências 

O PL nº 5.482/2020 traz ainda outras lacunas consideradas importantes por aqueles que estudam o bioma. Segundo Warner, entre elas está a menção à manutenção da Reserva Legal e das Áreas de Preservação Permanente (APPs) e o saneamento básico. “Sem sistemas de coleta e tratamento, os dejetos humanos contaminam águas superficiais, solo e o lençol freático”, diz Warner.

Sobre a manutenção de Reserva Legal e de APPs, o senador argumentou que o assunto já é disciplinado pelo Código Florestal e, neste caso, sua proposta é uma “lei especial” que deve se aplicar de forma complementar ao código. 

Quanto ao saneamento básico, Wellington Fagundes explicou que não há menção porque o projeto debruça-se sobre as “maiores necessidades” do bioma, oriundas da destruição causada pelas queimadas em 2020, para oferecer saídas à recuperação econômica e ambiental do bioma.

“Foi dada maior ênfase em instrumentos de planejamento, manejo integrado do fogo, organização institucional para enfrentamento de incêndios florestais, Política de Desenvolvimento do Turismo no bioma, instrumentos financeiros para desenvolvimento sustentável, assuntos que entendemos ser de primeira necessidade para o bioma e para o povo pantaneiro”, explica o senador. 

Outro aspecto importante é a captação de recursos para conservação do Pantanal. O PL não cria uma nova fonte de recursos como um fundo para ações de conservação, para pagamento por serviços ambientais ou para o desenvolvimento de atividades de conservação.

Ao ((o))eco o senador disse que a Constituição Federal reserva ao presidente da república esta competência, mas argumentou que foram incluídos os instrumentos financeiros possíveis para fomentar programas de pagamentos de por serviços ambientais e a indicação de fundos. 

“Para evitar incidirmos em inconstitucionalidades, apresentamos um conjunto de recomendações ao presidente da República para recuperação ambiental e econômica do Pantanal”, disse Wellington Fagundes.

Leia a entrevista completa de ((o))eco com o senador

O senador Wellington Fagundes (PL-MT), autor do projeto de lei do Estatuto do Pantanal. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Tramitação no Senado

O PL nº 5.482/2020 foi protocolado no Senado Federal em dezembro de 2020. Depois disso, a proposta, ainda em tramitação inicial, foi encaminhada à Comissão de Meio Ambiente (CMA) para apresentação de emendas. Ao final do prazo, em novembro do ano passado, nenhuma emenda foi apresentada. 

Em fevereiro deste ano, em sua última tramitação, a matéria foi distribuída ao seu relator na CMA, o senador Jayme Campos (União Brasil-MT). O parlamentar, no entanto, licenciou-se em março e deve retornar ao exercício do cargo apenas no começo de agosto. 

No Senado, Wellington, que preside a Subcomissão Permanente de Proteção ao Pantanal, atua com os parlamentares que fazem parte da CMA para garantir a rápida tramitação da proposta. Durante o Fórum Internacional do Turismo do Pantanal, realizado no mês passado em Cuiabá (MT), o senador disse que o PL surgiu juntamente com outras iniciativas após os grandes incêndios registrados em 2020 no bioma pantaneiro.

“Essa proposta de Estatuto não está concluída, continuamos recebendo inúmeras contribuições e estaremos reunidos com a Federação de Agricultura de Mato Grosso e outras instituições como a Aprosoja. Nossa intenção é contemplar todos os setores da sociedade”, disse durante o evento.

Saturday, 2 April 2022

Pantanal: último grande refúgio de fauna do Brasil tem futuro incerto

 

foto: G1, MT

Pantanal: último grande refúgio de fauna do Brasil tem futuro incerto

https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2021/11/pantanal-ultimo-grande-refugio-de-fauna-do-brasil-tem-futuro-incerto


Pela primeira vez desde sua construção, em 1965, as vigas de sustentação da ponte Marechal Rondon, em Cáceres (MT), ficaram completamente expostas devido ao baixo nível do rio Paraguai.

FOTOS DE JULIANA ARINI E ROGÉRIO FLORENTINO
PUBLICADO 12 DE NOV. DE 2021 09:28 BRT

De Porto Jofre, Poconé e Cáceres, em Mato Grosso | O Pantanal é um bioma que se originou de um rio, o Paraguai. Portanto, se há algo errado nesse rio, todo o bioma vai mal. E a situação desse curso de água em Cáceres, a 220 km da capital de Mato Grosso, é um sinal de emergência. Na ponte Marechal Rondon, a cena é catastrófica para a maior área úmida do mundo, com 195,7 km2, parte de um dos maiores sistemas hidrológicos, a Bacia do Paraná/Paraguai. Com chuvas irregulares há três anos, pesquisadores alertam sobre o que poderá acontecer se nada for feito.

As vigas de sustentação da ponte são vistas pela primeira vez desde a sua construção, em 1965. Ali, o pequeno barco de alumínio mal navega entre tantos bancos de areia. Na maior parte de seu leito, o antes gigante Paraguai não cobre os joelhos de quem tenta atravessá-lo. Uma tempestade de poeira – algo cada vez mais corriqueiro na região – silencia um grupo que faz um churrasco no meio do rio. Como se caçoassem da doma das águas, os homens rapidamente retomam à churrasqueira assim que o vento desaparece.

Em minutos, um pequeno incêndio surge na margem esquerda do rio, na forma de um redemoinho de fogo. Mas nem a ventania ou o fogo interrompem por completo a população que busca algum alívio para o calor de 40ºC daquela tarde de outubro, um dos meses mais quentes do Pantanal.  

A grande praia que alegra a população é resultado da pior seca já registrada no ponto conhecido como Tramo Norte do rio Paraguai, entre as cidades de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e Cáceres, Mato Grosso. A seca nessa região é um alerta importante para quem não acredita nos sinais de esgotamento do bioma.

A falta de chuvas é um dos primeiros problemas. O bioma – que conecta três países: Brasil, Bolívia e Paraguai – padece há três anos sem chuvas regulares. Estudos indicam que a região enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos.

Wednesday, 23 February 2022

Ibama analisa processos para autorização de hidrovia entre Cáceres e Corumbá

 https://correiodoestado.com.br/cidades/ibama-analisa-processos-para-autorizacao-de-hidrovia/396854


Ibama analisa processos para autorização de hidrovia entre Cáceres e Corumbá

Entidades ambientais apontaram que o órgão federal tem a possibilidade de ampliar uma licença atual

RODOLFO CÉSAR

23/02/2022 09:30

    

A autorização para dragagem do Rio Paraguai, para permitir que a Hidrovia Paraguai-Paraná possa ser viabilizada, está sob análise do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), informou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT).  

Conforme a pasta, são dois processos em andamento, os quais correspondem ao trecho I da hidrovia, que é de Cáceres, onde tem a nascente do rio, até Corumbá, que está no meio do Pantanal.  

A viabilização desse modal de transporte tem sido questionada por órgãos ambientais, ongs e universidades, pela falta de estudos que detalhem os impactos. O trecho já possui navegação, mas de embarcações de turismo e de menor porte.  

Para haver o transporte de cargas, o rio terá de ter estrutura para a navegação de embarcações de 140 metros de comprimento por 24 metros de largura, no período de 24 horas, 8 meses por ano.

Análises anteriores da Embrapa Pantanal e do Ministério Público Federal de MS indicaram que uma dragagem necessária para o transporte de cargas no trecho entre Cáceres e Corumbá tem o risco de mudar o ciclo de cheia nas regiões da Estação Ecológica Taiamã, no Parque Estadual do Guirá (Rio Cuiabá) e no Parque Nacional Pantanal Mato-Grossense, que é considerado um sítio de área úmida de importância internacional (Sítio Ramsar) desde 1993.

De acordo com a Sema-MT, como o funcionamento da hidrovia em si é de competência da União, a regulamentação da navegação fluvial precisa passar por licenciamento do Ibama e todos os procedimentos legais estão sendo seguidos.

“O Ibama tem a competência de licenciar eventuais obras necessárias no curso da hidrovia, como obras de engenharia e dragagens, o que já vem sendo feito pelo órgão com dois processos de dragagem do rio”, afirmou a secretaria em nota enviada ao Correio do Estado.

O jornal publicou o assunto na edição do dia 14 deste mês, apontando o alerta de que 168 entidades, muitas delas ligadas ao grupo Observatório Pantanal, fizeram os processos de licença ambiental tanto para uso da hidrovia como para a construção do porto Barranco Vermelho, a ser erguido às margens do Rio Paraguai, em Cáceres.  

PREOCUPAÇÃO

Uma carta de manifesto foi divulgada para questionar a falta de critérios técnicos de autoridades de Mato Grosso para autorizar a obra de construção de armazéns do porto, concedida em 26 de janeiro.

Atualmente, há uma licença concedida pelo Ibama para a dragagem do Rio Paraguai, porém, essa intervenção é voltada para permitir que embarcações de turismo e de pequeno porte possam navegar com segurança.  

Essa autorização serve, inclusive, para a realização de dragagem até a região de Corumbá. Ela tem validade até 2023 e anualmente passa por renovação, desde 2021.

Conforme apurado com entidades que atuam no monitoramento do Pantanal tanto em Mato Grosso como em Mato Grosso do Sul, a atual licença do Ibama dá margem para que seja solicitada uma ampliação, que permitiria a dragagem com dimensão que viabilizaria a navegação de grandes embarcações.  

Quem faria esse pedido seria o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Juridicamente existe essa possibilidade e, caso isso seja autorizada pelo Ibama, essa medida acaba não sendo obrigatória para ser publicada no Diário Oficial da União.

Apesar da possibilidade de ampliação da licença, oficialmente não existe confirmação de que esse pedido já foi feito.  

A reportagem contatou o Ibama, mas não obteve retorno. Conforme entidades que têm acesso a sistemas de autorização e monitoram publicações oficiais, não houve ainda notificação.

O que gera alerta sobre esse cenário de ampliação da dragagem é o avanço de obras em torno do porto Barranco Vermelho, em Cáceres.  

O pedido de licenciamento para o empreendimento existia desde outubro de 2016, no entanto, só avançou em janeiro deste ano. 

De acordo com a Sema-MT, todos os procedimentos legais foram observados para haver a autorização da licença prévia para a obra.

 
 

Saiba

A Sema-MT apontou que a licença prévia para construção do porto Barranco Vermelho exigiu da Líneas Panchita – multinacional paraguaia ligada ao LPG Group, responsável pela construção do empreendimento – a compensação a ser feita na região com 14 atividades distintas, entre as quais estão o Programa de Controle de Processos Erosivos; de Ruídos; de Afluentes e Monitoramento das Águas Superficiais. 

Tuesday, 8 February 2022

INTERNACIONAL: ENTIDADES SE UNEM PARA BARRAR INSTALAÇÃO DE PORTO NO PANTANAL MATO-GROSSENSE DESTAQUE




Terça, 08 Fevereiro 2022 12:16

INTERNACIONAL: ENTIDADES SE UNEM PARA BARRAR INSTALAÇÃO DE PORTO NO PANTANAL MATO-GROSSENSE DESTAQUE

Escrito por Imprensa


Imagem: Flávio André

A Adufmat-Ssind protocolou, nessa terça-feira, 08/02, ofícios solicitando audiências com autoridades locais para tratar do assunto e a carta denúncia será divulgada em coletiva de imprensa na quinta-feira, 10/02

Mais de cento e sessenta entidades assinam uma carta denúncia contra a instalação do Porto Barranco Vermelho no município de Cáceres, região do Pantanal mato-grossense. Apesar das cento e onze pendências apontadas pela Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema/MT) e dos riscos, apontados por técnicos e especialistas, ao bioma de importância internacional, autoridades e deputados ligados ao Agronegócio se articulam para viabilizar o projeto.

A maior superfície alagável do mundo, que abrange três países e tem áreas reconhecidas internacionalmente desde a década de 1990 pela ConvençãoRamsar, que reúne sítios de áreas úmidas de importância internacional que precisam ser preservados, está ameaçada.

Para escoar a produção do Agronegócio, o setor empresarial e seus agentes públicos já aprovaram a licença prévia para a instalação, via Conselho Estadual do Meio Ambiente do Mato Grosso (Consema-MT), e movimentam o Projeto de Lei 03/2022, na Assembleia Legislativa, com o objetivo de alterar a Lei no 8.830/08, que dispõe sobre a Política Estadual de Gestão e Proteção à Bacia do Alto Paraguai no Estado de Mato Grosso.

Preocupadas com as consequências dessa investida, apontada por diversos estudos, mais de cento e sessenta entidades marcarão presença, essa semana, em diversas frentes, para evitar mais este ataque ao Pantanal, que ainda sofre as consequências dos prováveis atentados dos últimos dois anos – vide Operação Mataá, deflagrada pela Polícia Federal.

Na carta - que será lançada em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, 10/02, às 9h, no auditório da Adufmat-Ssind -, um dos documentos de base é o parecer técnico sobre a Hidrovia Paraguai-Paraná, elaborado pela pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal/UFMT, Dra. Débora Fernandes Calheiros. “Nas conclusões, a pesquisadora nomeia de forma profunda e detalhada que a criação da hidrovia colocará em risco: a Unidade de Conservação Federal – Estação Ecológica de Taiamã; o Parque Estadual do Guirá localizado junto a foz do Rio Cuiabá; o Parque Nacional Pantanal Mato-grossense (Parna), este considerado como Sítio Ramsar em 1993 – sítio de área úmida de importância internacional pela Convenção Ramsar de Conservação de Áreas Úmidas”.


Por que a correria?

A professora da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat/ Cáceres), Solange Ikeda Castrillon, doutora em Ecologia e Recursos Naturais, tem acompanhado de perto o processo e afirma que há uma contrariedade na aprovação da Licença Prévia pelo Consema/MT. “Está sendo aprovada uma licença pontual, mas que dependerá do uso do rio como uma via para escoamento. Licenciar estes processos separadamente não faz sentido. É preciso mensurar os impactos que a ampliação do escoamento pelo rio vai causar. Além deste porto, ainda se propõe o licenciamento e a reativação de mais dois portos, na mesma região”, alerta.

Além disso, a especialista observa que o pantanal é regido pelo pulso de inundação, e a biodiversidade do sistema depende deste pulso. “Para a implementação não de um porto, mas das atividades no rio, como uma via que terá seu tráfego ampliado, haverá necessidade de adequações, principalmente relacionada à dragagem em pontos sensíveis, como próximo a Estação Ecológica de Taiamã e Parque Nacional do Pantanal. Mudanças que naturalmente ocorrem como nas curvas dos leitos dos rios, se ampliam com a pressão de maiores embarcações. Estes impactos podem mudar o pulso de inundação. Como comunidade científica, devemos exigir que, como lançamos em uma declaração internacional, no dia das áreas úmidas, os estudos de viabilidade socioambiental devem incluir informações que contemplem toda a navegação, tanto nos trechos imediatamente comprometidos do rio quanto em toda a bacia. Deve também incorporar o caráter internacional do rio Paraguai, que envolve as populações e territórios dos países inevitavelmente interessados e afetados pelos impactos de um rio e bacias compartilhadas”, critica a docente.



Imagem: Flávio André


Além das entidades que assinam a carta denúncia, ligadas ao campo científico, social, político e até religioso, a comunidade local também demonstrou contrariedade ao projeto, realizando manifestações no dia da reunião em que o Consema aprovou a licença. Entre os grupos presentes, comunidades tradicionais do pantanal, pescadores e ribeirinhos exigiram ser ouvidos e criticaram a inexistência de consulta pública.


“Os habitantes do Pantanal estão muito preocupados, porque reconhecem que não se trata somente de um prejuízo trabalhista, mas por não dissociarem cultura e natureza, reconhecem que há um perigo biocida, além da morte de porções não vivas, porém vitais à dinâmica ecológica planetária”, afirma a professora Michèle Sato, pesquisadora do Grupo Pesquisa em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA), da Universidade Federal de Mato Grosso.


Também como lutadora social, a professora destaca que, muito embora a instalação tenha um local demarcado, os problemas não serão limitados. “Sabemos que os problemas originados deste Porto não terão ação somente local, mas se espalharão pelos Pantanais, pelos territórios mato-grossenses e quem sabe, pelo mundo, já que somos um sistema conectado na Terra, sem confins demarcados quando consideramos os dilemas socioambientais. O ambiente não possui fronteiras”, aponta.


“Temos diversos exemplos de descaso e maltrato às comunidades tradicionais, povos indígenas ou diversos outros grupos sociais em situação de vulnerabilidade em todo o mundo. Há diversos exemplos em regiões de mineradoras que colocam o Brasil em terceiro lugar de conflitos socioambientais, além de ser o campeão em assassinatos de ambientalistas. Trabalho escravo pelo agronegócio, as disputas de terras por grileiros principalmente na Amazônia, ou os conflitos indígenas gerados pelo acesso à água são alguns exemplos. No Brasil, estes conflitos se avolumam e se intensificam nos últimos 3 anos em função da má política do governo federal”, destaca ainda a professora.


Argumentos falsos
As reações de alguns entes públicos e parte da população que defende a instalação do Porto como sinônimo de “progresso” também preocupam os especialistas. Sobre isso, Sato e Ikeda são taxativas: é falsa a concepção de que o Porto traria desenvolvimento à região.

“O avanço econômico é tido como positivo, mas é uma noção equivocada, principalmente porque a riqueza do agronegócio não é solidária, muito menos compartilhada. Uma dúzia de pessoas controlam 50% do planeta, segundo o último relatório de desigualdades da Oxfam”, diz Sato.

Para Ikeda, o discurso de avanço econômico para a proposição de grandes empreendimentos não beneficia a todos. “A pergunta é sempre avanço econômico para quem? Vemos essa história repetindo, constroem os empreendimentos, não ouvem os atingidos, a população local, fazem promessas de empregos e desenvolvimento. No final quem está no território é quem sofre as consequências dos impactos. Certamente os empresários que nem sempre ficam expostos ou são da região, terão os lucros. Mas se, nesse caso, impactar de forma irreversível o rio Paraguai e consequentemente o Pantanal, o que sobra para a população local?”, questiona.

Para o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), cujo mandato representa uma das entidades que assinam a carta denúncia, a hidrovia é insustentável inclusive do ponto de vista econômico. “O processo de escassez progressiva de água compromete qualquer possibilidade de navegação nessa escala no Pantanal. E outra coisa, é um tipo de atividade que concentra renda e riqueza, não gera emprego, não gera trabalho, não distribui renda e riqueza. A planície pantaneira tem outra vocação, que é o ecoturismo, a navegação de turismo pelas chalanas, a pesquisa científica, a conservação de uma relação saudável com a biodiversidade. Há muitos outros caminhos para tornar a vida tanto da população pantaneira quanto dos municípios do entorno do Pantanal, há outras alternativas para gerar emprego e renda, com qualidade, para a população”.

O argumento de que as tecnologias atuais incidiriam o mínimo possível sobre o Pantanal também não é aceito tanto pelos pesquisadores quando pelos movimentos sociais, tanto que o esforço para alterar da Lei estadual 8.830/08 visa modificar, justamente, o trecho que impede a instalação de empreendimentos de “atividades de médio e alto grau de poluição e/ou degradação ambiental”.

“Veja como há necessidade de uma avaliação ambiental integrada de todo o rio para a instalação da navegação de grande porte neste tramo norte. É uma região com baixa declividade e muitos meandros que determinam um escoamento lento das águas contribuindo para a existência desta imensa área úmida. Até discursos como estes dos que defendem o empreendimento demonstram isso. Se há tecnologia que permita isso, não foi discutida, precisa ser debatida, e licenciar os portos separadamente não engloba os estudos necessários sobre os impactos da hidrovia ou mesmo propostas que amenizem estes impactos”, destaca Ikeda.

E quanto às autoridades?
Enfático, Cabral afirma que a instalação de um terminal portuário no rio Paraguai representa um golpe final na existência do Pantanal. “O rio Paraguai é o principal provedor de águas para a planície alagável do Pantanal e as intervenções que teriam que ser feitas para retificar o leito do rio, explodir os obstáculos naturais ao fluxo de água, elevariam a velocidade desse fluxo e, na prática, esvaziariam o pantanal. Ele ficaria sem água e deixaria de existir como bioma. Um bioma que já sofre várias outras ameaças, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), o desmatamento da Amazônia que altera o ciclo das águas das chuvas, a escassez progressiva de águas nos rios, a destruição do Cerrado, que armazena a água da chuva ao longo do ano, a destruição das nascentes pela expansão da monocultura ao lado tanto da destruição do Cerrado quanto da Amazônia, a mineração. Há um conjunto de ameaças sofridas pelo Pantanal que precisam ser denunciadas. Por isso o fato de nós nos mobilizarmos: sociedade civil, academia, pesquisadores, ambientalistas, parlamentares, para poder denunciar esse projeto.

Para o deputado, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso poderia barrar o projeto, mas não quer. “O Pantanal é um patrimônio da humanidade, não pode ser tratado dessa forma. O rio Paraguai é federal, não faz sentido construir um Porto sem antes a hidrovia existir. Na verdade, essa é uma tática para criar fatos e tornar irreversível a ideia da hidrovia. O parlamento estadual deveria, em defesa do meio ambiente, colocar freios a essas iniciativas, o que infelizmente não acontece porque há um comprometimento político da maioria do parlamento com os interesses econômicos que governam o estado. A Assembleia teria todas as condições para corrigir esses erros e evitar esse processo, mas a vinculação aos mesmos interesses econômicos da maioria do parlamento impede isso”.

Além da carta denúncia, que será protocolada em diversos órgãos públicos e divulgado na imprensa local e nacional, as entidades estão reunindo documentos para propor ações na esfera judicial, e o próprio deputado pretende debater a possibilidade de propor um projeto de lei que proíba esse tipo de iniciativa. No entanto, o mais importante, destacam, é mobilizar a população, a consciência pública, a sociedade civil toda para não deixar que esse processo siga adiante.

Nesse sentido, a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), uma das entidades que assinam a carta denúncia, protocolou, nessa terça-feira, 08/02, ofícios solicitando audiências para tratar do assunto com o Governo do Estado, Assembleia Legislativa, Ministério Público Estadual (MPE), Ministério Público Federal (MPF) e Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Outras instituições também serão provocadas nos próximos dias.

“Estamos fazendo esses protocolos na expectativa de poder apresentar todos esses documentos, denunciando ações orquestradas para exploração de um território que pertence a um bioma importante para todo o mundo e, assim, possamos pensar formas não só de barrar a instalação desse tipo de empreendimento, mas principalmente fortalecer a preservação desse Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera Mundial reconhecido pela Unesco”, afirma o diretor geral da entidade, Reginaldo Araújo.

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind