Monday, 12 April 2021

DELEUZE: Obra (quase) completa para download PDF

 conexões clínicas

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DELEUZE: Obra (quase) completa para download

Deleuze foi um dos maiores pensadores do século XX. Sua obra é repleta de conceitos inovadores que se entrecruzam para criar mais do que uma teoria, uma postura de vida. Através da releitura absolutamente original de autores como Bergson, Nietszche, Espinosa Proust, entre outros, Deleuze foi capaz de romper com o pensamento hegemônico e suas ideias atravessam as artes, a psicanálise, a filosofia, a psicologia, a literatura, o cinema. Não é à toa que Foucault disse que um dia o século será Deleuzeano.

Vasculhamos a internet em busca de seus livros e após algum esforço acreditamos ter conseguido reunir todos, inclusive um inédito. Compilamos a obra de Deleuze cronologicamente, visando facilitar a localização no seu conjunto. Eis o resultado, bom divertimento.

Empirismo e Subjetividade  (1953)

Instinto e Instituições (1955)

Nietzsche e a Filosofia (1962)

 A Filosofia Crítica de Kant (1963)

Proust e os signos (1964)

Nietzsche (1965)

Bergsonismo (1966)

Presentación de Sacher-Masoch (espanhol) (1967)

Espinosa e o Problema da Expressão (1968)

Diferença e repeticao (1968)

Lógica do Sentido (1969) *direitos autorais reivindicados pela editora Perspectiva (link para compra: https://loja.editoraperspectiva.com.br/filosofia/logica-do-sentido/)

Espinosa – filosofia prática (1970)

O Anti-Édipo com Félix Guattari (1972)

Kafka – para_uma_literatura_menor com Félix Guattari (1975)

Diálogos com Claire Parnet (1977)

Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia, vol. 01 com Félix Guattari (1980)

Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia, vol. 02  com Félix Guattari (1980)

 Mil platôs – Capitalismo e Esquizofrenia, vol. 03 com Félix Guattari (1980)

 Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia vol. 04  com Félix Guattari (1980)

 Mil Platôs – Capitalismo e Esquizofrenia vol. 05 com Félix Guattari (1980)

Francis-Bacon-Logica-Da-Sensação (1981)

Cinema – imagem movimento (1983)

 Cinema 2 – Imagem e Tempo (1985)

Foucault (1986)

O ato de Criação (1987)

A dobra: Leibniz e o Barroco (francês) (1988)

Conversações (1990)

O que é a filosofia com Félix Guattari (1991)

L’Epuisé (inglês) (1992)

Crítica e Clínica (1993)

Derrames entre el capitalismo y la esquizofrenia: curso (espanhol)  (2005)

A Ilha Deserta e outros textos (2010)

Bruno Mangolini, Bruno Espósito e Tomás Bonomi


Saturday, 10 April 2021

FREIRE E EDUCAÇÃO POPULAR COM BRANDÃO

 http://eadfreiriana.org/curso-pfep/

DOWNLOAD DO AVISO

http://eadfreiriana.org/curso-pfep/

Gente amiga, especialmente as pessoas vinculadas à educação e à educação popular,

 

Este não é apenas um ano de "pandemia-e-pandemônio".

É  também um ano de esperanças e de algumas coisas boas. Neste 2021 estamos relembrando os “100 anos de Paulo Freire”

Para algumas pessoas enviei alguns escritos meus ao redor de Paulo e da Educação Popular.

O INSTITUTO PAULO FREIRE estará lançando um Curso sobre a “educação popular freireana”. 

Entre outras pessoas, estarei participando dele. 

Gravei em 2020 umas 13 aulas que no todo ou em parte estarão “indo ao ar” no Curso.

 

Envio a vocês o link com dados dele e parte da carta enviada por Paulo Padilha, do IPF.

 

Um abraço amigo,

Estejamos juntas/os!

 

Carlos Brandão

 

http://eadfreiriana.org/curso-pfep/

 

 

VEJAM  ANEXOS

 

 




Carlos

 

Veja abaixo o link da landing-page do curso. Este é o material de divulgação para a venda do curso.

Além do desconto de 50% para estudantes e de 20% para ex-cursistas da EaD Freiriana, oferecemos também algumas bolsas de estudo para que organizações ligadas à educação popular indiquem pessoas interessadas em participar gratuitamente do curso.

Abra o link abaixo com todas as informações, querido poeta.

Tenha ótima noite e um ótimo sábado.

 

abraços. 

 

Padilha.


http://eadfreiriana.org/curso-pfep/

*

Carlos Rodrigues Brandão

Paulo Freire e a Educação Popular





*

Friday, 9 April 2021

O vírus, a vida


O vírus, a vida
-- por Carlos Rodrigues Brandão

Van Lieshout

Um vírus novo nos habita, e ele é vida
e, como nós, deseja ser eterno
e em nosso corpo semeia a sua herança.
Estranhos tempos, indesejados dias.
As ruas desertas, e do alto dos pinheiros
as aves espiam e se perguntam: “e elas
as pessoas, para onde foram
entre praças sem cachorros e crianças?”


Nos bares o vinho de ontem envelhece
enquanto em casa moramos, como em celas.
Entre amigos o abraço proibido
e o beijo entre amantes, condenado.
Sofrem sem aulas velhas professoras
e as prostitutas fogem das esquinas.
Há em tudo um ar de mundo antigo,
portas fechadas como se a Idade Média
de novo fosse agora, entre castelos.

Mas não, somos modernos, e internautas
nos amamos de longe, entre telas.
O ar que é tanto e é livre e democrático,
e existe na mansão e no barraco
falta no peito da mulher que morre
e sonha com anjos, azuis e o paraíso.

A palavra “vírus” viaja e viraliza
e na tela da TV seu corpo é quase como
um divertido brinquedo de criança.
Um ser invisível e o mais livre viajante
que os nossos corpos ameaçam mais que um tigre.
Cobrimos meio rosto com três máscaras
e as moças são todas agora muçulmanas.
Escondidos esperamos quem nos salve.

E a vida, a casa amada em que vivemos
nos acolhe ainda e vela, e nos pergunta:
“O que fizeram do mundo em que vivemos?”
“E o que fazem de mim, que os amo tanto?”


*

Friday, 2 April 2021

Coletivo cria frente com sociedade civil para discutir enfrentamento da pandemia em MT

 https://www.pnbonline.com.br/geral/coletivo-cria-frente-com-sociedade-civil-para-discutir-enfrentamento-da-pandemia-em-mt/75398

Coletivo cria frente com sociedade civil para discutir enfrentamento da pandemia em MT

Discussão contará com a participação de representantes de entidades e do governo, além de cientistas, profissionais da saúde e políticos do estado.

Safira Campos

Da Redação

Tchélo Figueiredo - SECOM/MT

centro de triagem covid 19 arena pantanal.jpg

 

O coletivo Amigos do Pantanal, criado por ativistas e cientistas de Mato Grosso em 2020, está organizando uma frente para discutir o combate à pandemia de covid-19 no estado. A ideia é que a iniciativa dê protagonismo à sociedade civil organizada no debate sobre a elaboração de estratégias e medidas para barrar o avanço da doença que já matou mais de 7 mil pessoas em Mato Grosso. 

 

No próximo dia 10, o grupo realiza um fórum com pesquisadores, profissionais da saúde, e representantes de entidades e dos governos municipal e estadual. Um dos organizadores da iniciativa é o indigenista Sebastião Moreira, também responsável pela criação do coletivo. Tião do Cimi, como é conhecido, conta que a ideia é que a frente de mobilização pressione as autoridades a tomar iniciativas mais contundentes em relação à pandemia. 

 

“Vamos discutir sobre a aquisição de vacinas, que é algo primordial para que possamos sair dessa condição que estamos agora. Fora isso, é nítido que precisamos de um lockdown logo, urgentemente. Autoridades no assunto têm apontado cenários ainda mais assustadores se nada for feito. Temos que trabalhar em uma perspectiva de isolamento social, com distribuição de auxílios. Com o corte do Governo Federal, esperamos que o Município e o Estado ajam”, afirma Sebastião.  

 

O fórum será dividido em duas mesas. Na primeira, que acontece pela manhã e será moderada pela pesquisadora e professora Michele Sato, as contribuições vêm do campo científico, com médicos, biólogos e cientistas, além do secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo. Para Sato, que tem estudado a pandemia no pós-doutorado realizado atualmente no Rio de Janeiro, o fórum será uma oportunidade de debater aspectos diversos da disseminação da doença no mundo. 

 

“Trabalho com a hipótese de que a pandemia não pode ser encarada como uma crise sanitária pontual, mas proveniente de uma crise ambiental prolongada da humanidade destruindo a natureza. O agronegócio e o aumento do consumo energético são pontos muito relevantes na discussão. Há autores que defendem que o agronegócio é um dos maiores propagadores de patógenos, por exemplo. De alguma maneira, a Organização Mundial da Saúde já tinha como saber que aconteceria uma pandemia, mas não sabia quando e nem que seria nessa intensidade”, afirma. 

 

À tarde a discussão centra-se no aspecto político do enfrentamento à pandemia. Foram convidados para o debate o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), e o  Várzea Grande, Kalil Baracat (MDB); os presidentes das Câmaras Municipais das duas cidades, Juca do Guaraná (MDB) e  Fábio José Tardin (DEM); o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (PDB); a deputada federal Rosa Neide (PT) e o senador Wellington Fagundes (PL), além do Secretário-geral da OAB-MT, Flávio José Ferreira. 





Descoberta no deserto do Kalahari leva a revisão da origem humana

 https://www.revistaplaneta.com.br/descoberta-no-deserto-do-kalahari-leva-a-revisao-da-origem-humana/

Descoberta no deserto do Kalahari leva a revisão da origem humana

Segundo evidências encontradas por pesquisadores, os primeiros humanos do Kalahari eram tão inovadores quanto seus vizinhos do litoral

Escavações arqueológicas em Ga-Mohana Hill North Rockshelter, onde as primeiras evidências de comportamentos complexos do Homo sapiens foram recuperadas. Crédito: Jayne Wilkins

Evidências arqueológicas em um abrigo rochoso na borda do deserto do Kalahari, na África do Sul, estão desafiando a ideia de que as origens da nossa espécie estavam ligadas a ambientes costeiros. Um artigo sobre esse estudo foi publicado na revista “Nature”.

Uma equipe internacional liderada pela drª Jayne Wilkins, do Centro de Pesquisa Australiano para Evolução Humana da Universidade Griffith (Austrália), encontrou evidências longe de locais costeiros dos complexos comportamentos simbólicos e tecnológicos que definem os humanos modernos, remontando a 105 mil anos.

“Nossas descobertas nesse abrigo rochoso mostram que modelos excessivamente simplificados para as origens de nossa espécie não são mais aceitáveis. As evidências sugerem que muitas regiões do continente africano estiveram envolvidas, sendo o Kalahari apenas uma delas”, disse Wilkins.

Distância da costa

“As evidências arqueológicas dos primeiros Homo sapiens foram amplamente descobertas em locais costeiros da África do Sul, apoiando a ideia de que nossas origens estavam ligadas a ambientes costeiros”, prosseguiu ela. “Poucos sítios arqueológicos datáveis ​​e bem preservados no interior da África Meridional podem nos contar sobre as origens do Homo sapiens fora da costa. Um abrigo rochoso no Monte Ga-Mohana que fica acima de uma vasta savana no Kalahari é um desses locais.”

O abrigo rochoso é usado hoje para atividades rituais pela comunidade local. A pesquisa arqueológica revelou ali uma longa história de um lugar de significado espiritual.

Os pesquisadores escavaram 22 cristais de calcita branca e fragmentos de casca de ovo de avestruz, usados ​​como recipientes de água, de depósitos datados de 105 mil anos atrás no local denominado Ga-Mohana Hill North Rockshelter. Naquela época, esse ambiente era muito mais úmido do que hoje.

Sítio arqueológico em abrigo rochoso no deserto do Kalahari: mais de 100 mil anos atrás, as pessoas usavam o chamado Ga-Mohana Hill North Rockshelter para atividades espirituais. Crédito: Jayne Wilkins
Uso espiritual ou cultural

“Nossa análise indica que os cristais não foram introduzidos nos depósitos por meio de processos naturais, mas foram objetos coletados deliberadamente, provavelmente ligados a crenças espirituais e rituais”, disse Wilkins.

“Os cristais apontam para o uso espiritual ou cultural do abrigo 105 mil anos atrás”, disse o dr. Sechaba Maape, da Universidade de Witwatersrand (África do Sul). “Isso é notável, considerando que o local continua a ser usado para a prática de atividades rituais hoje.”

Os pesquisadores ficaram maravilhados ao descobrir que o conjunto de cristais coletados por humanos e fragmentos de casca de ovo de avestruz no Monte Ga-Mohana eram significativamente mais antigos do que o relatado em ambientes internos em outros lugares.

“Em locais costeiros, as primeiras evidências para esses tipos de comportamento datam da mesma época, 105 mil anos atrás”, disse Wilkins. “Isso sugere que os primeiros humanos do Kalahari não foram menos inovadores do que os da costa.”

Impacto minimizado

A cronologia de Ga-Mohana North Rockshelter foi determinada pela equipe de pesquisa usando datação por luminescência.

“Essa técnica mede os sinais de luz natural que se acumulam ao longo do tempo nos grãos sedimentares de quartzo e feldspato”, disse o dr. Michael Meyer, da Universidade de Innsbruck (Áustria). “Você pode pensar em cada grão como um relógio miniaturizado. A partir dele podemos ler essa luz natural ou sinal de luminescência, nos dando a idade das camadas de sedimentos arqueológicos.”

Devido ao significado espiritual contínuo do Monte Ga-Mohana, os pesquisadores estão conscientes de minimizar seu impacto no uso do abrigo de rochas pelas comunidades locais após cada temporada.

“Não deixar rastros visíveis e trabalhar com a comunidade local é fundamental para a sustentabilidade do projeto”, disse Wilkins. “Para que o Monte Ga-Mohana possa continuar a fornecer novos conhecimentos sobre as origens e a evolução do Homo sapiens no Kalahari.”

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Como controlar as mudanças climáticas na era do tecnofatalismo?

 https://tab.uol.com.br/colunas/ricardo-abramovay/2021/04/02/as-mudancas-climaticas-na-era-do-tecnofatalismo.htm

RICARDO ABRAMOVAY

ANÁLISE

Como controlar as mudanças climáticas na era do tecnofatalismo?

Umidade alta do ar, névoa, poluição, aquecimento global, calor, mudança climática, baixa visibilidade - Getty Images
Umidade alta do ar, névoa, poluição, aquecimento global, calor, mudança climática, baixa visibilidadeImagem: Getty Images
Ricardo Abramovay

Colunista do UOL

02/04/2021 04h00

A pandemia expôs de maneira clara o maior desafio do esforço global contra a crise climática. Ele pode ser assim resumido: em 2020, ao mesmo tempo em que as emissões globais caíram cerca de 7% (algo sem precedentes na história humana, segundo a Agência Internacional de Energia), a acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera bateu novo recorde.

É fácil explicar o aparente paradoxo. Embora as emissões tenham declinado em virtude da contração na economia, o estoque de gases de efeito estufa na atmosfera é muito maior e duradouro que seu fluxo anual. As emissões precisariam cair de 20% a 30% durante um período de seis a 12 meses para que a redução incidisse nas medidas que mostram a acumulação de gases de efeito estufa na atmosfera num determinado ano.

Isso não quer dizer que a meta norte-americana e europeia de reduzir pela metade as emissões líquidas de gases de efeito estufa nos próximos dez anos (e de zerá-las até 2050) seja irrelevante ou inócua. Carros elétricos, energias renováveis modernas, fortalecimento dos transportes coletivos, mudanças nos padrões produtivos e de consumo são transformações que atingem a infraestrutura do mundo contemporâneo — e que estão sendo levadas adiante em boa medida.

O problema é que este empenho, mesmo que bem-sucedido, não livra a humanidade dos efeitos catastróficos dos eventos climáticos extremos, em virtude daquilo que já está na atmosfera e vai permanecer por séculos. A interferência sobre os processos naturais (como a extração e o uso de combustíveis fósseis e o desmatamento) produziu impactos disruptivos no sistema climático que não poderão ser eliminados apenas pelas importantes mudanças nas políticas e nos comportamentos atuais.

Já que não há como voltar atrás — e que mesmo a mudança estrutural nos padrões de produção e consumo é insuficiente para o equilíbrio do sistema climático —, será que o melhor caminho é seguir em frente e usar mais e mais ciência, engenharia e tecnologia no intuito de moderar o controle da espécie humana sobre a natureza? Não é preciso ser especialista no tema para imaginar que essa ideia possa levar a uma espiral tecnológica bem perigosa.

É daí que vem o título do livro de Elizabeth Kolbert ao qual o público brasileiro terá acesso em alguns dias: "Sob um céu branco. A natureza no futuro". Kolbert recebeu o prestigioso prêmio Pulitzer por sua obra "A Sexta Extinção", em que mostra as atividades humanas como vetores de uma eliminação de espécies num ritmo que a Terra nunca conheceu antes.

Agora, numa espécie de continuidade do trabalho anterior, Kolbert faz uma reportagem que a conduz a uma rica reflexão sobre a relação entre as sociedades humanas e as tecnologias em que apoiam suas atividades. O livro é um antídoto contra a ideia de que problemas complexos possam ser solucionados com fórmulas simples e balas de prata. Que se trate do desvio do curso de rios, da introdução de peixes exóticos para controlar águas eutrofizadas, da tentativa de salvar a barreira de corais ou o sistema climático, o sincero empenho de cientistas e engenheiros acaba, com imensa frequência, sendo vítima de efeitos imprevistos não antecipados e virtualmente contrários a suas intenções.

Se zerar as emissões de gases efeitos estufa faz parte das mais construtivas utopias contemporâneas (envolvendo justiça climática, redução de desperdício, consciência do consumidor, responsabilidade empresarial e lutas sociais decisivas para a emergência de uma economia regenerativa) o mesmo, nem de longe, pode ser dito das diferentes técnicas até aqui conhecidas para retirar o carbono da atmosfera.

Captar carbono da atmosfera, injetá-lo na água e mineralizá-lo (um processo que levaria milhares de anos, mas para os quais há técnicas que permitem fazê-lo em meses), instalar fazendas solares do tamanho do território da Nigéria para converter carbono em pedra numa extensão correspondente mais ou menos ao tamanho da Venezuela — sem que se saiba onde esta gigantesca pedra seria enterrada — são exemplos de projetos vindos de alguns dos mais importantes laboratórios do mundo, que Kolbert expõe em seu livro.

Plantar árvores em quantidade semelhante à extensão do território norte-americano (incluindo o Alaska), mas com a ajuda da engenharia genética, alterando a cor das plantas para que reflitam e não absorvam a luz solar é outra ideia exposta no livro. Preencher a estratosfera com partículas de diamante que refletem a luz solar também é parte destas soluções. A geoengenharia solar é hoje, nos Estados Unidos, um dos mais avançados temas de pesquisa. Os trabalhos nesta direção são frequentemente financiados por alguns dos mais destacados bilionários globais, como Bill Gates e Elon Musk.

O que mais chama a atenção no livro de Kolbert é que os cientistas por ela entrevistados não manifestam qualquer triunfalismo otimista com relação às soluções em que atuam. Ao contrário, ela os caracteriza como tecnofatalistas. Um deles, Alan Robock, que lidera o Geoengineering Model Intercomparison Project da Rutgers University lista vinte e oito objeções ao avanço da disciplina em que trabalha — desde os impactos que estas tecnologias teriam sobre o regime de chuvas até os efeitos negativos de um céu branco na geração de energia solar. Mas a mais importante objeção está numa pergunta: será que temos o direito de fazer isso?

Nas centenas de modelos em que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas desenha cenários futuros, a elevação da temperatura global média só se limita a 1,5 ºC com o uso de técnicas de geoengenharia. Mas isso não representa um endosso científico a este tipo de intervenção no sistema climático.

Ainda não existe qualquer governança global sobre estas tecnologias — cujo uso em larga escala pode desencadear um ciclo infinito em que o controle sobre o controle da natureza exigirá mais controles, cada vez mais perigosos e distantes da compreensão e das capacidades de gestão por parte das sociedades. Esta é talvez a mais emblemática expressão da natureza inevitavelmente angustiante de nossa relação com as tecnologias de que dependemos cada vez mais.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL