Thursday, 21 October 2021

O caminho da CPI da Pandemia: da instalação ao relatório final Fonte: Agência Senado

 O caminho da CPI da Pandemia: da instalação ao relatório final  Fonte: Agência Senado

RELATÓRIO FINAL

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Da Agência Senado

Publicado em 19/10/2021

Em quase seis meses de trabalho, a CPI da Pandemia colheu mais de 50 depoimentos, quebrou 251 sigilos, analisou 9,4 terabytes de documentos e fez mais de 60 reuniões, marcadas por intensos embates. Cabe agora ao senador Renan Calheiros (MDB-AL) apresentar nesta quarta-feira (20) o relatório final, que será votado pelos integrantes da comissão.

Caso aprovadas pela CPI, as propostas de indiciamento contidas no relatório devem ser encaminhadas ao Ministério Público, à Câmara dos Deputados e até ao Tribunal Penal Internacional, em Haia (Holanda), para que se promova a eventual responsabilização civil, criminal e política dos acusados. Se o documento recomendar mudanças legislativas, elas passam a tramitar como projetos de lei no Congresso Nacional.

No entendimento do presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), a comissão já deu certo em dois propósitos básicos: buscar justiça e estimular a vacinação. O percentual da população totalmente imunizada com vacinas saltou de 6,6% no início dos trabalhos, em abril, para 49% agora em outubro. Além disso, "a CPI já municiou a abertura de, ao menos, oito investigações, mesmo sem ainda ter apresentado o relatório", escreveu Omar em uma rede social.

Os requerimentos que deram origem à comissão, instalada em 27 de abril, previam diligências em duas frentes: além de apurar ações e omissões do governo federal, a CPI deveria fiscalizar o eventual desvio de recursos repassados da União para estados e municípios no enfrentamento à pandemia.

Para os senadores governistas, como Marcos Rogério (DEM-RO), a CPI focou apenas o governo federal, com o objetivo de desgastar o presidente Bolsonaro. Eduardo Girão (Podemos-CE), que se declara independente e é autor do requerimento para a investigação nos estados, diz que a comissão fechou os olhos à atuação de governos estaduais e prefeituras. Eles prometem relatórios alternativos ao de Renan.

Mesmo senadores que se posicionaram contra a atuação do governo na pandemia poderão submeter suas contribuições para análise da CPI. Caso de Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que na sexta-feira (15) protocolou um documento de 149 páginas, com críticas à gestão Bolsonaro e propostas de mudança na legislação.

De qualquer modo, o acompanhamento da pandemia não acaba com o fim da comissão de inquérito. Deve ser criada uma frente parlamentar para monitorar os desdobramentos da investigação (PRS 53/2021). A formação do “observatório” atende uma sugestão da senadora Zenaide Maia (Pros-RN).

— Um trabalho da dimensão que foi essa comissão parlamentar de inquérito poderia simplesmente acabar? — diz o vice-presidente do colegiado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que propôs a criação da CPI. — Nós ainda teremos as consequências do relatório do senador Renan Calheiros — afirma.

Em homenagem às mais de 600 mil vítimas da pandemia, números computados até o momento, Renan Calheiros propôs e o Senado aprovou o PRS 46/2021, que prevê a construção de um memorial no espelho d’água do Congresso. Na segunda-feira (18), a CPI recebeu parentes de vítimas da covid-19, que relataram suas experiências de perda durante a pandemia. Os senadores se comprometeram em aprovar propostas de apoio às vítimas da doença, a seus parentes e aos chamados "órfãos da covid".

Vacinação, uso de máscaras e distanciamento social, “gabinete paralelo”, “kit covid” e “tratamento precoce” foram alguns dos temas sobre os quais a CPI se debruçou. Veja a seguir um balanço dos assuntos e personagens que marcaram o trabalho da comissão.

 

Fontes: Coordenação de Comissões Especiais, Temporárias e Parlamentares de Inquérito e CPI da Pandemia (Dados consolidados entre 27 de abril e 8 de outubro de 2021)

 

Colapso em Manaus e ex-ministro Pazuello

O colapso de oxigênio em Manaus (AM) ocupou os dois dias de depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. Em janeiro, dezenas de pacientes morreram devido à falta do insumo na capital amazonense. Pazuello disse ter sido informado sobre o risco de desabastecimento apenas no dia 10 daquele mês. Mas, segundo o ex-secretário de Saúde do Amazonas Marcellus Campêlo, a pasta foi informada três dias antes. Pazuello também foi questionado sobre o aplicativo TrateCov, lançado pelo Ministério da Saúde em Manaus. O programa recomendava o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para pacientes com sintomas da doença. Segundo o ex-ministro, a plataforma nunca chegou a ser lançada oficialmente por ter sido atacada por hackers. A secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, afirmou, no entanto, que “o sistema era seguro”. Em depoimento à CPI, ela defendeu o uso da cloroquina contra a covid-19.


Pazuello, Mayra Pinheiro, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e o senador Eduardo Braga (MDB-AM)

Velocidade da vacinação no país

Em depoimento à CPI em julho, a ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde Francieli Fantinato responsabilizou o presidente da República pelo atraso na vacinação contra o coronavírus. Segundo ela, Bolsonaro lançou dúvidas sobre a eficácia dos imunizantes.

— Quando o líder da nação não fala favorável, a minha opinião pessoal é que isso pode trazer prejuízos.

No dia 7 de outubro, o senador Renan Calheiros, relator da CPI, disse que a comissão cumpriu seu papel, entre outros motivos, por forçar a aceleração do processo de vacinação no país. Ele destacou que, no começo dos trabalhos, em abril, apenas 6,6% dos brasileiros tinham a imunização completa, enquanto hoje mais de 45% estão vacinados com as duas doses ou a dose única.

Em nota na sexta-feira (15), o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) rebateu as acusações de negacionismo contra o governo. "É preciso lembrar que todas as vacinas aplicadas no país, sem exceção, foram compradas pelo governo Bolsonaro. E que, apesar da CPI insistir no rótulo de negacionista, foi o governo Bolsonaro que aplicou mais de 254 milhões de doses de vacina”, escreveu.


A ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações Francieli Fantinato, o relator da CPI, Renan Calheiros, e o senador Flávio Bolsonaro

Queiroga, vacinas e distanciamento social 

O médico Marcelo Queiroga foi o quarto ministro da Saúde a assumir o enfrentamento à pandemia, após as demissões de Luiz Henrique Mandetta, Nelson Teich e Eduardo Pazuello. Queiroga prestou o primeiro depoimento à CPI em maio. Ele defendeu a vacinação em massa contra o coronavírus, mas evitou comentar declarações de Jair Bolsonaro contra o isolamento social e a favor da cloroquina. Em junho, o ministro prestou novo depoimento à comissão. Voltou a destacar a importância de medidas não farmacológicas, como o distanciamento social e o uso de máscaras. Questionado sobre aglomerações promovidas pelo presidente, Queiroga afirmou que seguir as recomendações de isolamento seria uma decisão de cada um. “Eu sou ministro da Saúde. Não sou um censor do presidente da República. O presidente da República não é julgado pelo ministro da Saúde. As recomendações sanitárias estão postas. Cabe a todos aderir a essas recomendações”, afirmou.


Queiroga no primeiro depoimento em maio, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues, e novamente o ministro em junho

'Gabinete paralelo' e bula da cloroquina

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta foi o primeiro a depor. Ele denunciou a existência de um “gabinete paralelo” para orientar Jair Bolsonaro no enfrentamento à pandemia. Em reunião no Palácio do Planalto, o grupo teria sugerido mudar a bula da cloroquina por meio de decreto para incluir o tratamento contra a covid-19. Segundo o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, a proposta partiu da médica Nise Yamaguchi. Em depoimento à CPI, ela defendeu o uso da cloroquina. Embora tenha negado a existência do “gabinete paralelo”, Nise admitiu ter integrado um “grupo de médicos” que esteve “quatro ou cinco vezes” com o presidente da República. Outro entusiasta da hidroxicloroquina, o deputado federal Osmar Terra (MDB-RS) confirmou ter participado de um encontro em que Bolsonaro recebeu médicos defensores do “tratamento precoce”. Terra, no entanto, classificou a existência do “gabinete paralelo” como “falácia”, “absurdo” e “ficção”. Amparado por um habeas corpus, o empresário Carlos Wizard negou ter financiado o suposto “gabinete paralelo”.

Nise Yamaguchi, Carlos Wizard e deputado Osmar Terra, defensores do "tratamento precoce"; ex-ministro Mandetta e presidente da Anvisa, Barra Torres

Opiniões divergentes sobre cloroquina e ‘tratamento precoce’

A CPI ouviu especialistas a favor e contra o uso da cloroquina no “tratamento precoce” de pacientes com covid-19. A infectologista Luana Araújo classificou essa discussão como “esdrúxula”.

— Ainda estamos discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que borda da Terra plana a gente vai pular. Não tem lógica — afirmou.

Segundo os médicos Claudio Maierovitch e Natalia Pasternak, estudos científicos reconhecidos mostram que a cloroquina e outros medicamentos do “tratamento precoce” não funcionam contra a covid-19.

— A cloroquina, infelizmente, nunca teve plausibilidade biológica para funcionar — disse Natália.

Já os médicos Francisco Cardoso e Ricardo Zimerman defenderam o uso da droga.

— A equipe com a qual trabalhamos em São Paulo já atendeu mais de 4 mil casos com pouquíssimos desfechos fatais. Nós temos resultados — disse Cardoso.

Zimerman destacou que o “tratamento precoce” não se resume à cloroquina. Ele defendeu o uso de drogas como budesonida inalatória, colchicina, nitazoxanida e proxalutamida.


Cardoso e Zimerman defendem a cloroquina no "tratamento precoce", enquanto Mairerovitch, Luana e Natalia avaliam que a droga não funciona contra a covid

Denúncia contra a Prevent Senior por suposto uso forçado do 'kit covid'

Médicos acusaram a operadora de saúde Prevent Senior de forçar a prescrição de drogas do chamado "kit covid". Mensagens e áudios divulgados por ex-funcionários sugerem que a empresa pretendia evitar internações e reduzir custos usando o “tratamento precoce” de clientes. Em outra frente, familiares acusaram a Prevent de sugerir que pacientes com chances de recuperação fossem transferidos da UTI para o chamado tratamento paliativo, recomendado apenas aos casos terminais. As denúncias foram apresentadas pela advogada Bruna Mendes Morato, representante de 12 médicos que trabalharam em hospitais da rede, e reiteradas durante o depoimento do plantonista Walter Correa de Souza Neto e do paciente Tadeu Frederico Andrade. O diretor-executivo da Prevent Senior, Pedro Batista Júnior, negou as denúncias. Ele afirmou que documentos repassados à CPI foram furtados sem autorização dos pacientes e adulterados deliberadamente para deturpar a imagem da empresa.

A advogada Bruna, o médico Walter, o diretor Batista Júnior e o paciente Tadeu, que denunciou a empresa

Monitoramento da Prevent por parte da ANS

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciou na CPI a instauração de um regime especial de direção técnica na operadora Prevent Senior. Segundo o presidente da ANS, Paulo Rebello Filho, a medida será aplicada por conta das “denúncias novas e extremamente graves” reveladas pela comissão. A ANS vai investigar a pressão indevida sobre médicos para a prescrição do chamado "kit covid" e a realização de tratamentos experimentais em pacientes com covid-19. Questionado pelo relator Renan Calheiros, Paulo Rebello Filho disse que a ANS apura denúncias de que pacientes da Prevent Senior teriam sido tratados com ozônio, terapia que não tem eficácia comprovada contra a covid-19. O empresário Luciano Hang, defensor do “tratamento precoce” contra a covid-19, admitiu que a mãe dele, Regina Modesti Hang, usou medicamentos do kit covid e morreu internada em uma das unidades da Prevent Senior. Apesar disso, o atestado de óbito emitido com base em informações do hospital não faz referência à covid-19. Luciano Hang atribuiu a ausência da informação a um "erro do plantonista".


O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Paulo Rebello Filho, e o empresário Luciano Hang, defensor do "tratamento precoce"

Salto no faturamento de fabricante de ivermectina

Integrantes da CPI acusaram a farmacêutica Vitamedic de se beneficiar, durante a pandemia, com o crescimento do uso de ivermectina, medicamento sem eficácia comprovada contra a covid-19. A CPI revelou que a Unialfa, empresa que pertence ao grupo do empresário José Alves, dono da Vitamedic, patrocinou um manifesto da Associação Médicos pela Vida sobre "medicamentos contra a covid-19". O diretor-executivo da Vitamedic, Jailton Batista, alegou em depoimento que a empresa não tinha como interferir no conteúdo do informe publicitário da associação. Ele também disse que não poderia avaliar o impacto das falas do presidente Bolsonaro favoráveis à ivermectina, já que a procura pelo remédio aumentou com a eclosão da pandemia. O faturamento da empresa com a ivermectina saltou de R$ 15,7 milhões em 2019 para R$ 470 milhões em 2020.

A comissão também apurou a eventual participação do Itamaraty na aquisição de insumos que seriam usados na produção de cloroquina no Brasil. O ex-ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo confirmou à CPI que a pasta enviou ao governo da Índia um telegrama pedindo a liberação dos produtos. Segundo Araújo, no primeiro semestre de 2020 havia expectativa sobre estudos que analisavam o efeito da droga no tratamento de pacientes acometidos pela covid-19.


Batista, da Vitamedic, senador Alessandro Vieira e Araújo, que confirmou tratativas para a importação de insumos destinados a produzir cloroquina

Divulgação de texto com suposta supernotificação de casos

O presidente Bolsonaro foi criticado por integrantes da CPI pela divulgação de um documento privado como se fosse um relatório oficial do Tribunal de Contas da União (TCU). Produzido informalmente pelo auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, o texto sugere que o número de mortes por covid-19 estaria sendo supernotificado pelos governo estaduais. Segundo o auditor, o documento "inconclusivo, superficial e embrionário" foi enviado indevidamente pelo pai dele ao presidente da República, que o divulgou em redes sociais. O pai do auditor, Ricardo Marques, foi colega de Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras e no Exército. Para o presidente da CPI, Omar Aziz, a atitude de Marques e a do pai dele foram um desserviço à sociedade.


Alexandre Marques, senador Marcos do Val e a sala de reuniões da CPI durante o depoimento do auditor do TCU

Críticas à ausência de investigação nos estados 

Parlamentares governistas e independentes devem apresentar relatórios alternativos sobre os trabalhos da CPI. O senador Marcos Rogério (DEM-RO) criticou o fato de a comissão não ter convocado testemunhas para depor sobre o Consórcio Nordeste. Segundo ele, respiradores comprados e pagos por governos estaduais não foram entregues pela entidade. O senador Eduardo Girão (Podemos-CE), que se declara independente, também promete um voto em separado, em oposição ao relatório oficial que será apresentado por Renan. Segundo Girão, a intenção é sugerir um texto equilibrado que aponte eventuais irregularidades cometidas pelo governo federal, mas também destaque as denúncias sobre o desvio de recursos da União transferidos a estados e municípios.

— Para os oposicionistas, tudo o que acontece é culpa do governo federal. Eles se recusaram a ver os escândalos dos governos estaduais e municipais — criticou Girão.


Senadores Marcos Rogério, Eduardo Girão, Jorginho Melo e Luis Carlos Heinze, que criticam a CPI for focar investigação apenas sobre o governo federal

Atuação da bancada feminina

Mesmo sem vaga formal na CPI, senadoras participaram de todas as reuniões da comissão de inquérito. A presença da bancada feminina chegou a ser questionada em maio pelo então senador Ciro Nogueira (PP-PI), que se licenciou do mandato em agosto para chefiar a Casa Civil. Na ocasião, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (MDB-AM), assegurou a participação das mulheres no colegiado. A força da bancada feminina foi reafirmada no depoimento do ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário. Confrontado pela senadora Simone Tebet (MDB-MS), que acusou a CGU de omissões e ações indevidas durante a negociação da vacina Covaxin, o ministro disse que a parlamentar estava “totalmente descontrolada”. Simone reagiu e teve o apoio de senadores e senadoras, que acusaram Wagner Rosário de cometer “machismo explicito”.

— Quando a mulher tenta, desde o início do século passado, buscar espaços de poder; quando ela abria a boca para divergir, era chamada de louca, histérica e exaltada. Toda vez que ousa enfrentar, ela é chamada de descontrolada. Essa palavra é inadmissível. É emblemática e não pode ser dirigida enquanto uma mulher está se posicionando e defendendo suas ideias — disse Simone no dia seguinte, ao receber a solidariedade dos colegas durante reunião da Comissão de Constituição e Justiça.


Eliziane Gama, Soraya Thronicke, Leila Barros, Zenaide Maia e Simone Tebet: mesmo sem vaga formal na CPI, senadoras têm atuação de destaque

Tempo para compra de vacinas da Pfizer

O ex-secretário de Comunicação da Presidência da República Fabio Wajngarten confirmou que o Palácio do Planalto levou dois meses para responder uma carta em que a farmacêutica Pfizer prometia fornecer doses de vacinas ao Brasil. Segundo Wajngarten, a empresa enviou uma carta a autoridades brasileiras em setembro do ano passado, mas a resposta ocorreu em novembro. Chamado a depor à CPI um dia depois de Wajngarten, o presidente da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, disse que os primeiros contatos com o governo brasileiro teriam ocorrido, na verdade, entre maio e junho de 2020. Segundo ele, a Pfizer ofereceu 1,5 milhão de doses a serem entregues ainda naquele ano. Mas isso não ocorreu, de acordo com o empresário, devido à falta de resposta. A primeira entrega de doses do imunizante ao Brasil aconteceu em abril de 2021.


A revelação de Wajngarten sobre o tempo de resposta à Pfizer foi confirmada por Murillo. Tasso Jereissati conduz uma das sessões da CPI

Resposta do governo à proposta da CoronaVac

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, contou à CPI que a primeira oferta do imunizante CoronaVac ao governo ocorreu em julho de 2020, quando o Ministério da Saúde era comandado por Eduardo Pazuello. Segundo Covas, a proposta previa a entrega de 60 milhões de doses no último trimestre daquele ano. Mas isso não ocorreu. A primeira dose só foi aplicada no Brasil em janeiro. O ex-secretário-geral do Ministério da Saúde Antônio Elcio Franco Filho foi convocado pela comissão para depor em junho. Senadores questionaram por que a pasta resistiu à compra da CoronaVac. Segundo Elcio Franco, o imunizante ainda não havia sido submetido à terceira fase de estudos clínicos.

— Ela [terceira fase] é considerada como o cemitério de vacinas, porque pode haver um insucesso no desenvolvimento — justificou.


Dimas Covas, ao lado de Omar e Renan, Elcio Franco e o senador Humberto Costa

Denúncia de irregularidades em processo de compra da Covaxin

O deputado Luis Miranda (DEM-DF) denunciou irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin. Ele prestou depoimento ao lado do irmão, Luís Ricardo Miranda, que é servidor do Ministério da Saúde e afirmou ter sofrido “pressão atípica” para agilizar a compra do imunizante. Segundo os irmãos, o caso foi levado ao presidente Bolsonaro, que teria atribuído as irregularidades ao líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), leu uma nota para apontar que o presidente Bolsonaro, assim que foi alertado pelo deputado Luis Miranda, levou o fato ao  Ministério da Saúde, que teria concluído que o contrato estava correto. Em outro depoimento, o consultor do Ministério da Saúde William Santana afirmou ter feito alertas sobre erros em faturas apresentadas para a compra da Covaxin. Ele identificou divergências como número menor de doses, prazo maior de entrega, pagamento antecipado e presença de intermediários. A fiscal do contrato, Regina Célia Oliveira, negou as irregularidades. Mas admitiu que foi nomeada para o cargo na gestão de Ricardo Barros no Ministério da Saúde. Barros prestou depoimento à CPI em agosto. Em uma reunião tumultuada, ele disse que Bolsonaro não o acusou.

— O presidente nunca afirmou que eu estava envolvido no caso Covaxin. Ele perguntou — disse o deputado.


Irmãos Miranda (os dois ao lado de Omar e Renan), William Santana, Regina Célia e o deputado Ricardo Barros

Intermediação e suspeita de superfaturamento pela Precisa

As tratativas para compra de 20 milhões de doses da Covaxin pelo Ministério da Saúde levaram a CPI a investigar a suspeita de que a intermediária Precisa Medicamentos tenha tentado superfaturar o negócio com a farmacêutica indiana Bharat Biotech. Segundo parlamentares, o imunizante chegou a ser oferecido ao governo brasileiro por US$ 10. Mas, no contrato, o valor unitário foi fixado em US$ 15. A diretora executiva da Precisa, Emanuela Medrades, negou a oferta de US$ 10. Segundo ela, as atas da reunião entre o Ministério da Saúde e a intermediária eram “imprecisas”. O dono da empresa, Francisco Maximiano, foi convocado a depor em agosto. Amparado por um habeas corpus, ele se recusou a responder a maior parte das perguntas. Senadores questionaram o empresário sobre uma emenda, sugerida pelo deputado Ricardo Barros, à medida provisória 1.026/2021. A mudança facilitaria a importação da Covaxin pelo governo brasileiro. Maximiano reconheceu que a proposta era de interesse da Precisa. Mas negou ter discutido o assunto com o parlamentar.


O dono da Precisa, Francisco Maximiano, o senador Otto Alencar e o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra

Garantia do FIB Bank para compra da Covaxin

A empresa FIB Bank ofereceu uma carta de garantia — considerada irregular por integrantes da CPI — para a Precisa negociar a compra da Covaxin pelo governo. O presidente da FIB Bank, Roberto Pereira Ramos Júnior, prestou um depoimento avaliado como contraditório pelos parlamentares. A CPI levantou a informação de que, apesar de informar um capital social de R$ 7,5 bilhões, a FIB Bank faturou apenas R$ 1 milhão no último ano. Os parlamentares denunciaram ainda o uso de “laranjas” para a formalização da empresa. Roberto Pereira Ramos Júnior negou ter envolvimento com integrantes do Ministério da Saúde ou com o deputado Ricardo Barros. Quem também prestou depoimento à CPI foi o advogado Marcos Tolentino, apontado como sócio oculto da FIB Bank. Ele negou ter participação societária na empresa, mas foi confrontado com uma procuração que concede poderes para representar a firma Pico do Juazeiro, uma das sócias da FIB Bank. Questionado sobre a procuração, Tolentino ficou em silêncio. Ele admitiu manter uma relação de “respeito e amizade” com Ricardo Barros.


Senador Rogério Carvalho, Roberto Ramos Júnior, da FIB Bank, e Marcos Tolentino, apontado como sócio oculto da empresa

Suposta lavagem de dinheiro

Um dos desafios da CPI foi desvendar a intrincada relação financeira entre a Precisa Medicamentos e outras empresas. Uma dessas firmas é a Primarcial Holding e Participações, registrada em nome de Danilo Trento, diretor institucional da Precisa. Protegido por um habeas corpus, ele se recusou a prestar o compromisso de dizer a verdade. Confrontado com fluxogramas de transferência de dinheiro entre empresas dele e de Francisco Maximiano — o que de acordo com a direção da CPI sugere um esquema de lavagem de dinheiro — Trento calou-se. Quem também optou pelo silêncio foi o lobista Marconny Albernaz de Faria. Apontado como intermediário entre a Precisa e o Ministério da Saúde, ele deixou de responder perguntas alegando não se lembrar dos fatos questionados. Usando mensagens de textos de Marconny, obtidas pela CPI, senadores procuraram identificar relações do depoente com pessoas próximas ao presidente Jair Bolsonaro. Marconny admitiu conhecer Jair Renan, filho do presidente, e Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher de Bolsonaro e mãe de Jair Renan. A CPI chegou a aprovar um requerimento de convocação para Ana Cristina, mas o depoimento não foi marcado.


Danilo Trento, diretor da Precisa Medicamentos, e o lobista Marconny Albernaz durante os depoimentos

Acusação de pedido de propina para compra da AstraZeneca

O policial militar Luiz Paulo Dominguetti acusou o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias de ter pedido propina para viabilizar a compra do imunizante da farmacêutica AstraZeneca pelo governo. Dominguetti disse trabalhar para a empresa Davati na intermediação do negócio. Chamado a depor uma semana depois, Roberto Dias negou a denúncia. Mas deixou a comissão preso, sob a acusação de mentir aos senadores, e foi solto horas depois. A CPI também ouviu Cristiano Carvalho, representante da Davati no Brasil. Carvalho admitiu ter sido procurado por Roberto Dias, por meio de telefonemas e mensagens. Questionado sobre a denúncia de propina, o representante da Davati disse que foi informado por Luiz Paulo Dominguetti. Segundo Carvalho, o pedido de “comissionamento” teria sido feito com o conhecimento do tenente-coronel Marcelo Blanco, ex-assessor de Roberto Dias. Em depoimento à CPI, Blanco negou a acusação. A AstraZeneca informou oficialmente que não vende imunizantes à iniciativa privada nem autoriza intermediários a negociar vacinas em nome da empresa.


Dominguetti, Roberto Dias e Marcelo Blanco, que negou conhecer pedido de comissionamento

Encontros para negociação de vacinas com religioso, coronel e empresário 

A CPI descobriu que um religioso sem credenciais para atuar na área da saúde teria sido recebido em uma secretaria do Ministério quando também tentou negociar a venda de 400 milhões de doses da AstraZeneca, sem autorização da farmacêutica. O reverendo Amilton Gomes de Paula disse ter sido procurado e “usado de maneira ardilosa” pelo policial militar Luiz Paulo Dominguetti para agendar três reuniões com o Ministério da Saúde. Quem também apareceu na negociação foi o coronel da reserva Helcio Bruno de Almeida, presidente da ONG Instituto Força Brasil (IFB). Ele admitiu ter compartilhado com representantes da empresa Davati uma agenda previamente marcada no Ministério da Saúde, mas negou ter pedido vantagens na negociação. Um terceiro personagem citado no episódio foi o empresário José Ricardo Santana. Ele participou do jantar ocorrido em um shopping center em Brasília em que Roberto Ferreira Dias teria cobrado propina do policial militar Luiz Paulo Dominguetti. Ouvido pela CPI em agosto, Santana disse que não presenciou nenhum pedido de vantagem indevida durante o encontro.


Reverendo Amilton, coronel Helcio Bruno e empresário Ricardo Santana, que cumprimenta o relator

Investigação por fake news e homofobia

O empresário Otávio Fakhoury foi chamado a depor sobre fake news disseminadas pelo Instituto Força Brasil (IFB), do qual é vice-presidente. Segundo a CPI, a entidade também tentou intermediar a negociação de vacinas entre a Davati e o Ministério da Saúde. Fakhoury admitiu que financiou o IFB e exerce um cargo de direção simbólica. Mas afirmou que não participa e não tem responsabilidade por atos de gestão. Durante o depoimento, parlamentares criticaram a participação do empresário na transmissão de notícias falsas sobre a eficácia do imunizante contra o coronavírus e do uso de máscaras. O senador Fabiano Contarato (Rede-ES) foi além e acusou Otávio Fakhoury de cometer crime de homofobia. Em referência ao parlamentar, o empresário havia publicado o seguinte texto em uma rede social: “O delegado homossexual assumido talvez estivesse pensando no perfume de alguma pessoa ali daquele plenário. Qual seria o perfumado que o cativou?”. O comentário surgiu após uma postagem em que Contarato cometeu um erro de grafia: ele escreveu “fragrancial” em vez de “flagrancial”.

Senado Fabiano Contarato, o empresário Otávio Fakhoury e o plenário da CPI

Pagamento de boletos de ex-diretor do Ministério da Saúde

Acusado de pedir propina para a compra de vacinas, o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias teve o nome envolvido em outra situação investigada pela CPI. Segundo documentos obtidos pela comissão, ele teria tido contas pessoais pagas pela VTCLog, que presta serviços de logística para o governo federal. Ivanildo Gonçalves da Silva, um motoboy da empresa, admitiu realizar saques e pagamentos em dinheiro na boca do caixa. Segundo a comissão, os saques totalizam mais de R$ 4,7 milhões desde 2018. Um dos boletos pagos estava em nome de Roberto Dias. Um dos sócios e a diretora executiva da VTCLog, Raimundo Nonato Brasil e Andreia Lima, negaram ter beneficiado o ex-diretor do Ministério da Saúde para obter vantagens. Mas integrantes da CPI questionaram o fato de a VTCLog ter assegurado aditivos contratuais durante a gestão de Roberto Ferreira Dias, mesmo com parecer contrário de outros setores da pasta. 


O motoboy da VTCLog Ivanildo Gonçalvez, o sócio da empresa Raimundo Nonato Brasil e a diretora Andreia Lima

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Reportagem: Agência Senado

Edição: Maurício Müller e Silvio Burle

Edição e tratamento de fotos: Marri Nogueira e Bernardo Ururahy

Fotos de capa e abertura: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Fonte: Agência Senado

 


Thursday, 14 October 2021

8 imagens revelam como aumento da temperatura

 

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-58905965

8 imagens revelam como aumento da temperatura vai afetar várias cidades do mundo

  • André Biernath e Camilla Costa
  • Da BBC News Brasil em São Paulo e Londres
Simulação Salvador

CRÉDITO,CLIMATE CENTRAL

Legenda da foto,

Na simulação do que pode acontecer com Salvador caso a temperatura suba 3 °C, a região da marina e do Mercado Modelo da cidade seria totalmente tomada pelas águas

Como o aumento da temperatura global e a elevação do nível do mar vai afetar na prática diferentes regiões do planeta?

Essa foi a pergunta que guiou uma pesquisa conduzida pelo Climate Central, uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, em parceria com a Universidade Princeton, também nos EUA, e o Instituto Potsdam de Pesquisa de Impacto do Clima, na Alemanha.

O trabalho, publicado na revista científica Environmental Research Letters, identificou as regiões do mundo que podem sofrer inundações "sem precedentes", caso as políticas para combater as mudanças climáticas não sejam colocadas em prática agora pelos países.

De acordo com o estudo, centenas de áreas costeiras, que abrigam atualmente mais de 1 bilhão de pessoas, estão sob risco.

O cientista Benjamin Strauss, líder da Climate Central e autor principal do artigo, destaca que "os líderes mundiais têm a oportunidade de ajudar ou trair o futuro da humanidade com suas decisões atuais sobre as mudanças climáticas".

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"Nossa pesquisa, e as imagens criadas a partir dela, ilustram o que está por trás das negociações sobre o clima em Glasgow. Medidas robustas e imediatas para uma economia mundial limpa e segura para o clima podem ajudar bilhões de pessoas e preservar cidades e nações inteiras para o futuro. As escolhas de hoje definirão nosso caminho", completou o especialista.

Ao citar Glasgow, na Escócia, Strauss faz referência à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-26, que será realizada nesta cidade entre os dias 31 de outubro e 12 de novembro de 2021.

Já Anders Levermann, professor de dinâmicas de sistemas climáticos do Instituto Potsdam, na Alemanha, avalia que "o aumento do nível do mar é uma ameaça à nossa herança".

"E não apenas às nossas heranças antigas, mas das cidades em que vivemos hoje. São esses locais nas quais as ações de agora deixam o mundo preparado para a próxima geração", completou.

E há uma diferença considerável no que pode acontecer com essas regiões de acordo com o aumento da temperatura: se ocorrer uma elevação de até 3 °C nas próximas décadas (em comparação com a média pré-industrial), o risco de danos é praticamente o dobro do que seria observado numa subida ligeiramente menor, entre 1,5 °C e 2 °C.

No cenário mais otimista, esse aumento de 1,5 °C aconteceria se diminuíssemos aos poucos a emissão de gases do efeito estufa, até alcançarmos zero emissões em 2050.

Já a elevação de 3 °C será realidade caso o ritmo atual continue como está ou até piore nas próximas décadas.

Para ilustrar o tamanho do problema, o Climate Central montou uma série de imagens, com o auxílio de programas de edição e fotos de satélites, que revelam como podem ficar cerca de 100 cidades costeiras de 39 países diferentes, incluindo o Brasil.

Os locais mais atingidos estão na Ásia: China, Índia, Indonésia e Vietnã teriam partes de seu território afetados, onde milhões de pessoas vivem atualmente.

As projeções, que levam em conta os cálculos feitos pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), fazem parte do projeto Picturing Our Future (Imaginando Nosso Futuro, em tradução literal).

Efeitos do aumento da temperatura no Brasil

Nas imagens a seguir, arraste a seta para os lados e veja como algumas cidades brasileiras poderão ser afetadas com o aumento da temperatura, segundo o estudo do Climate Central.

À esquerda, é possível conferir a situação caso a elevação seja de apenas 1,5°C. À direita, a projeção leva em conta uma subida de 3°C nos termômetros (e, claro, o efeito disso no aumento do nível dos oceanos).

O primeiro exemplo da lista é Salvador, capital da Bahia. O aumento de 1,5°C já faria o mar avançar sobre parte do centro e outros bairros da Cidade Baixa. Agora, caso a elevação da temperatura chegue a 3°C, a imagem mostra que toda a área onde fica o Mercado Modelo até a frente do Elevador Lacerda seria tomada pelas águas.

Um cenário parecido pode ser observado no bairro de Casa Amarela, na região Norte de Recife. Com 1,5°C, é possível observar um possível aumento do nível do rio Capibaribe. Com 3°C, boa parte das ruas e das avenidas seriam tomadas.

Um dos cartões postais de Fortaleza, o Farol do Mucuripe é uma das únicas estruturas a permanecer intocada pelas águas do oceano com o aumento de 3°C na temperatura. Mas, mesmo com um aumento de 1,5°C, o mar já cobriria as praias do Titanzinho e do Futuro.

Às margens do rio Jacuí e na beira do Lago Guaíba, a Usina do Gasômetro, em Porto Alegre, também ficaria inacessível com a subida das águas no cenário mais pessimista. E, mesmo na possibilidade otimista (de aumento de 1,5°C na temperatura), já é possível notar algumas modificações na configuração da capital gaúcha.

Com a subida de 1,5°C na temperatura, o Aqueduto da Carioca (os populares Arcos da Lapa) são pouco afetados. Agora, com o acréscimo de 3°C nos termômetros, já é possível observar algumas inundações na parte inferior do mapa.

E no mundo?

Em Havana, em Cuba, Dhaka, em Bangladesh e Lagos, capital da Nigéria, as projeções do Climate Central mostram um cenário drástico. O aumento de 3°C poderia submergir parcialmente ou totalmente edifícios e praças no coração das cidades.

Você pode conferir as 180 projeções e imagens (que incluem outros cenários brasileiros) no site oficial do projeto.

Why banning financing for fossil fuel projects in Africa isn’t a climate solution

 https://theconversation.com/why-banning-financing-for-fossil-fuel-projects-in-africa-isnt-a-climate-solution-169220

Why banning financing for fossil fuel projects in Africa isn’t a climate solution


Today’s global energy inequities are staggering.

Video gamers in California consume more electricity than entire nations. The average Tanzanian used only one-sixth the electricity consumed by a typical American refrigerator in 2014.

Globally, the top 10% of countries consume 20 times more energy than the bottom 10%. And 1.1 billion sub-Saharan Africans share the same amount of power generation capacity as Germany’s 83 million people. At least half have no access to electricity at all.

These stark energy inequalities are fueling thorny debates around financing Africa’s energy future as world leaders and their negotiators prepare for COP26, the United Nations climate conference in Glasgow, Scotland, in November.

One increasingly common theme from wealthy countries – including those responsible for the majority of greenhouse gas emissions over time – is a vow that they will cease public funding for all (or nearly all) fossil fuel projects in less developed countries, even as they continue financing, and in many cases heavily subsidizing, fossil fuels in their own.

It is generally easier for countries that offer overseas development finance for energy projects to make low-carbon rules for others, rather than for themselves. For example, ChinaJapan and South Korea – some of the world’s highest coal-consuming nations – have each recently pledged to stop funding coal projects overseas and increase investments in renewables. But they have made no equivalent commitments at home.

The U.S. Treasury and the United Kingdom’s development finance institution, CDC Group, have taken a more nuanced approach. They are limiting all coal and oil-based power generation projects and leaving a narrow window available for natural gas projects in poor countries that pass a rigorous screening process. This is roughly similar to the approach of the World Bank.

As experienced clean energy policy researchers, we believe the blunt exclusion of all nonrenewable energy projects from development finance is an inequitable and ineffective climate strategy that gaslights over 1 billion Africans.

Tiny climate gains, major development losses

Focusing on limiting the emissions of the world’s poorest countries while emissions continue to rise in industrialized countries is clearly misdirected in our view. Given stark inequalities in energy use and emissions, this could instead entrench poverty and widen inequality induced by worsening climate change, while simultaneously accomplishing very little to reduce global greenhouse gas emissions.

Together, the U.S., U.K., European Union, Japan and Russia have almost the same population – 1.1 billion people – as sub-Saharan Africa, but 35 times more gas-fired power plants in operation or under development, and 52 times more coal plants.

When it comes to carbon dioxide emissions, sub-Saharan Africa is collectively responsible for barely half a percent of all global emissions over time, while the U.S., U.K., E.U., Japan and Russia are responsible for more than 100 times that amount, or about 57%.

The upper bound for Africa’s future growth in power sector emissions is also negligible. If the region’s electricity demand hypothetically tripled tomorrow, rather than doubling by 2040 as the International Energy Agency recently forecast, and if only natural gas was used to meet the new demand, annual global emissions would increase by only 0.62%, according to one estimate. That’s equivalent to the state of Louisiana’s annual emissions today.

What’s more, the share of renewable power in many sub-Saharan African national grids is already higher than for nearly all the big greenhouse gas emitters. In at least six countries – Kenya, Ethiopia, Malawi, Mali, Mozambique and Uganda – renewables make up more than 50% of their annual generation. In 2018, hydropower, geothermal, solar and wind made up about 20% of the continent’s total power generated.

Most of the region will find renewable power to be the fastest and cheapest way to expand their generation capacity, but some areas may still need to rely on some fossil fuels in various sectors of the economy as they develop.

It has been clear for decades that the world needs to rapidly and aggressively cut its greenhouse gas emissions to keep global warming below 1.5 degrees Celsius and avoid the worst impacts of climate change. Many regions in Africa, including the Sahel and Mozambique, are already facing the effects of climate change, including worsening droughts, food insecurity and severe storms. Adapting to climate change and building resilience requires the very energy, economic development and infrastructure currently lacking in some of the most affected regions and those least prepared to adapt.

Climate colonialism and legacies of colonization

Other experts agree that this direction of climate policy is not just ineffective, it’s rooted in the historic inequities of colonialism.

The philosopher Olúfẹ́mi O. Táíwò defines climate colonialism as the “deepening or expansion of foreign domination through climate initiatives that exploits poorer nations’ resources or otherwise compromises their sovereignty.”

Colonialism’s legacy is a contributing factor to a wide range of issues, from conflict to corruption, and to the poor state of electricity access across much of Africa today.

While industrializing nations in the 1900s were building electricity grids through massive public spending campaigns, like Franklin Roosevelt’s New Deal in the United States and the Electricity Supply Act of 1926 in the U.K., most of Africa was being actively pilfered of its rich natural resources. Much of the infrastructure built in colonial Africa during that time was built only to facilitate resource extraction operations, such as mined commodities, oil, timber, rubber, tea, coffee and spices.

In 1992, a coalition of low-income nations successfully advocated for the U.N.‘s climate mitigation pathways to include their right to development, and a “common but differentiated responsibility” to address the dual problems of development and climate change. This language has long been the basis of equity considerations in climate policy, including in the 2015 Paris Agreement, which expects deeper emissions cuts from developed countries based on their “respective capabilities”.

A transition from what?

Nigerian Vice President Yemi Osinbajo recently described “energy transition” as “a curious term” when applied universally, given the energy shortfalls in countries like Nigeria. He has argued for an energy transition in which Africa can develop quickly and grow. Increasing electricity in industrializing regions of sub-Saharan Africa would first power income-generating activities and public services, both drivers of economic growth.

Equitable and effective climate negotiations will require nuanced policy considerations that balance the priorities of alleviating energy poverty with urgent climate change mitigation and adaptation. A just energy transition would leave African governments to make and implement policies and deliver on their own national climate commitments under the Paris Agreement rather than shouldering the West’s.

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