Friday, 18 November 2011

cultura científica

fonte - sbpc
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80165



 Modelo propõe compreender a dinâmica da cultura científica
 
A dinâmica da cultura científica de países como o Brasil e os ibero-americanos pode ser representada na forma de uma espiral que, acompanhando o desenvolvimento de suas instituições voltadas para a prática e produção da ciência, contribui para visualizar e entender seus traços comuns.

A proposta foi apresentada por Carlos Vogt, professor titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em artigo publicado no fim de outubro na revista Public Understanding of Science.

No artigo, Vogt apresenta o conceito da "espiral da cultura científica", que elaborou enquanto presidiu a Fapesp no período de 2002 a 2007, em que iniciou uma reflexão sobre o papel da divulgação da cultura científica e instituiu em 2003 a Agência Fapesp com o lema "Divulgando a cultura científica".

Com base nessa reflexão, Vogt esboçou a ideia da espiral da cultura científica e escreveu a primeira versão do texto sobre o conceito, que foi publicado no Boletim de Ideias nº 3, da Fapesp, em dezembro de 2005.

"A ideia era construir uma forma de representação da dinâmica da cultura científica desde o momento da produção do conhecimento científico até a apropriação e a circulação dele pela sociedade em geral, demonstrando como esse processo, que tem características muito particulares, ocorre de forma organizada, com diferentes atores atuando em cada uma de suas fases", disse Vogt.

Para representar esse movimento contínuo da produção e circulação do conhecimento científico, o pesquisador criou uma espiral que gira sobre dois eixos e quatro quadrantes, que agrupam fatos e acontecimentos institucionais coincidentes no tempo em países como o Brasil e outros da América Latina.

Dispostos sobre o movimento da espiral, esses fatos e acontecimentos possibilitam marcar pontos e delinear traços comuns entre esses países com características econômicas, culturais e sociais similares, além de apontar especificidades em relação ao relacionamento,às atitudes e a compreensão de suas sociedades sobre ciência e tecnologia.

"A espiral da cultura científica pode ser lida como uma grande metáfora que ajuda a compreender o processo de construção do conhecimento e de suas transformações em um determinado espaço geopolítico", disse.

Na figura da espiral da cultura científica do Brasil e da América Latina que ilustra o artigo, no primeiro quadrante - o da produção e da difusão da ciência, que representa o ponto de partida da espiral - estão relacionados próximos ao período de fundação da Fapesp, em 1962, a criação do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet, na sigla em espanhol) da Argentina, em 1958, e da Comissão Nacional de Pesquisa Científica e Tecnológica (Conicyt, na sigla em espanhol) do Chile, em 1968.

Já no segundo quadrante, do ensino da ciência e da formação de cientistas, estão listadas como acontecimentos coincidentes em 1999 a criação da revista Pesquisa Fapesp, do Programa José Reis de Incentivo ao Jornalismo Científico (MídiaCiência) da Fapesp e da revista eletrônica ComCiência, do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) da Unicamp, que Vogt coordena.

Por sua vez, no terceiro quadrante, do ensino para ciência, foram destacadas a criação da Estação Ciência, da Universidade de São Paulo (USP), e do Museu Experimental de Ciências em Rosário, na Argentina, ambos em 1987.

Por fim, no último quadrante, referente ao ensino de ciências e formação de cientistas, são listadas a fundação da USP, em 1934; da Unicamp, em 1966; e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em 1976.

"Ao evoluir por cada um desses quatro quadrantes, a espiral da cultura científica retorna ao seu ponto de partida de uma forma diferente da original devido, exatamente, à própria dinâmica das transformações pelas quais passa o conhecimento científico", explicou.

Segundo Vogt, o conceito da espiral da cultural científica pode funcionar como modelo explicativo e descritivo e uma espécie de princípio de classificação e organização da cultura científica de diferentes países, e integra os chamados indicadores culturais de ciência e tecnologia.

Relacionados a estudos sobre a percepção pública da ciência, esses indicadores têm sido levantados em projetos que envolvem diversos países, buscando estabelecer relações entre ciência e sociedade, como, por exemplo, o nível de informação, conhecimento e atitudes de seus cidadãos em relação à ciência e tecnologia.

"Esses indicadores visam identificar traços comuns entre países que têm uma série de características similares, do ponto de vista econômico, cultural e social, e especificidades na questão do relacionamento, das atitudes e da compreensão de suas sociedades em relação aos temas de ciência e tecnologia", explicou.

Vogt coordenou o estudo sobre indicadores culturais de ciência e tecnologia referentes especificamente ao Estado de São Paulo, intitulado Percepção pública da ciência e da tecnologia no Estado de São Paulo, publicado no capítulo 12 dos Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2010, lançado pela Fapesp em agosto de 2011.

O artigo também introduz o termo bem-estar cultural, segundo Vogt, "um tipo de conforto, além do bem-estar social, que tem a ver com as relações da sociedade com as tecnociências, envolvendo valores e atitudes, hábitos e informação, e que pressupõe uma participação ativamente crítica por parte da sociedade na totalidade das relações".

O artigo The spiral of scientific culture and cultural well-being: Brazil and Ibero-America, de Carlos Vogt, pode ser lido por assinantes da Public Understanding Science emhttp://pus.sagepub.com/content/early/2011/10/21/0963662511420410.
(Exame.com com informações da Agência Fapesp)

sobre o quadrante da cultura científica:



Alunos analfabetos

fonte - sbpc
jornal da ciencia
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=80158



 Alunos analfabetos
 
Artigo de Frei Betto no Correio Braziliense de hoje (18).

No primeiro semestre deste ano, aplicou-se a Prova ABC (Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização) em turmas de alunos que concluíram o 3º ano do ensino fundamental, em todas as capitais do País. Uma iniciativa do movimento Todos pela Educação com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

O resultado é alarmante. Constatou-se que 43,9% dos alunos são deficientes em leitura e 46,6% em escrita. Ou seja, são semialfabetizados. Não captam o significado do que leem e redigem uma simples carta com graves erros de sintaxe e concordância.

Quanto à leitura, quase metade (48,6%) dos alunos da rede pública correspondeu ao resultado esperado. Na rede de escolas particulares, o desempenho foi bem melhor: 79%. No item escrita, tiveram bom resultado apenas 43,9% dos alunos da rede pública. Na rede particular, 86,2% dos alunos se saíram bem em redação.

Os índices demonstram que, no Brasil, a desigualdade social se alia à desigualdade educacional. Alunos da rede pública, oriundos, na maioria, de famílias de baixa renda, não trazem de berço o hábito da leitura. Seus pais possuem baixa escolaridade e o livro não é considerado um bem essencial a ser adquirido, como ocorre em famílias de renda mais elevada.

De qualquer modo, é preocupante o fato de alunos, tanto da rede pública quanto da particular, não atingirem 100% de alfabetização ao concluir o 3º ano do ensino fundamental. O que demonstra falta de método de alfabetização, embora esta seja a nação que gerou Paulo Freire.

Uma criança que, aos 8 anos, tem dificuldade de leitura e escrita sente-se incapaz de lidar com os textos de outras disciplinas escolares, o que prejudicará seu aprendizado. Uma alfabetização incompleta constitui incentivo ao abandono da escola ou a uma escolaridade medíocre.

É hora de se perguntar se a progressão automática, isto é, fazer o aluno passar de ano sem provar estar em condições, é uma pedagogia recomendável. Com certeza, no futuro, o adulto com insuficiente escolaridade não merecerá aprovação automática em empregos que exigem concurso e qualificação.

Priscila Cruz, do Todos pela Educação, frisa a importância da educação infantil (creches, jardim da infância etc.) para dar à criança uma boa alfabetização. Para que se desperte na criança a facilidade de síntese cognitiva é importante que ela comece a ouvir histórias ainda no ventre materno.

O Brasil é um país às avessas. A Constituição de 1988 cometeu o erro de incumbir a União do ensino superior; o estado, do ensino médio; e o município, do ensino fundamental. Ora, uma nação se faz com educação. E a base reside no ensino fundamental. Dele devia cuidar o MEC.

Nenhum governo implementou, ainda, a revolução educacional sonhada por Anísio Teixeira, Lauro de Oliveira Lima, Paulo Freire e tantos outros educadores. Como acreditar que apenas quatro horas de permanência na escola são suficientes para uma boa educação? Por que os alunos não permanecem de seis a oito horas por dia na escola, como ocorre em tantos países?

No Brasil, 10% da população adulta é considerada analfabeta. No Chile, 3,4%. Na Argentina, 2,8%. No Uruguai, 2%. Em Cuba e na Bolívia, 0%. Outros fatores que contribuem para a semialfabetização são o desinteresse dos pais pelo desempenho escolar do filho e o longo tempo que este dedica à tevê e a navegar aleatoriamente na internet. Nessa era imagética, há o sério risco de se multiplicar o número de analfabetos funcionais ou de alfabetizados iletrados, aqueles que sabem ler, mas não interpretar o texto, e muito menos evitar erros primários na escrita.

O governo deve à nação uma eficiente campanha nacional de alfabetização, inclusive entre alunos dos 3º e 4º anos. Para isso, há que ter método. Há vários. Quem se interessar por um realmente eficiente, basta indagar do deputado Tiririca como ele se alfabetizou em dois meses, a tempo de obter seu diploma na Justiça Eleitoral.

Frei Betto é escritor.

O preço da longevidade

fonte - fapesp
http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4549&bd=1&pg=1&lg=



CIÊNCIA
| ENVELHECIMENTO
O preço da longevidade
Aumento da expectativa de vida faz surgir novos problemas nas pessoas com deficiência mental
© REPRODUÇÃO EDUARDO CESAR
Desenhos e ilustrações feitos por crianças e adultos atendidos na Apae de São Paulo
As pessoas com deficiência intelectual, que há 40 anos morriam na adolescência, hoje podem viver mais de 60 anos. Como estão vivendo mais, outros problemas orgânicos estão surgindo. Reunidos durante dois dias em agosto na Associação de Paes e Amigos dos Excepcionais (Apae) de São Paulo, médicos e pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade de São Paulo (USP), psicólogos, terapeutas, advogados, assistentes sociais e outros profissionais da saúde reconheceram um dos graves problemas emergentes, a possibilidade de envelhecimento precoce.
Em um levantamento preliminar feito em 2009 em seis instituições da cidade de São Paulo, de um grupo de 373 pessoas com deficiência intelectual (ou DI; a expressão deficiência mental não é mais recomendada) e mais de 30 anos de idade, 192 apresentavam pelo menos três sinais de provável envelhecimento precoce, de acordo com um questionário que avaliava eventuais perdas de memória, de autonomia nas tarefas do dia a dia, de interesse por atividades ou de visão e audição. Para dimensionar esse problema, está sendo preparado um levantamento mais abrangente e detalhado, com cerca de 500 pessoas com DI e idade entre 30 e 59 anos da Grande São Paulo.
Os estudos em andamento são essenciais para “vermos o que pode ser feito, em termos de atendimento médico e de políticas públicas”, diz Regina Leondarides, coordenadora do grupo de estudo de envelhecimento precoce das pessoas com deficiência intelectual, que reúne 10 instituições de atendimento. “Temos muitas políticas de saúde voltadas para a criança, mas as políticas para o envelhecimento estão começando a ser construídas”, comenta Esper Cavalheiro, professor da Unifesp e presidente do conselho científico do Instituto Apae de São Paulo. “Estamos atrasados, em vista do envelhecimento acelerado da população brasileira.”
Um estudo da Espanha publicado em 2008 indicou que as pessoas com DI envelhecem prematuramente – as com síndrome de Down, de modo mais intenso. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores acompanharam a saúde de 238 pessoas com DI e mais de 40 anos de idade durante cinco anos. Não se trata, aparentemente, de um fenômeno inevitável. O envelhecimento precoce das pessoas com DI leve e moderada resulta da falta de programas de promoção de saúde e do acesso reduzido a serviços médicos e sociais. As pessoas com DI se mostraram com maior tendência à obesidade (apenas 25% tinham peso considerado normal), à hipertensão arterial (25% do total) e a distúrbios metabólicos, como diabetes e hipotireoidismo (10% do total).
“O envelhecimento precoce, se confirmado, pode ter causas genéticas ou ambientais, independentemente da deficiência intelectual”, comenta Dalci Santos, gerente do Instituto Apae de São Paulo. Matemática de formação, com doutorado em andamento na Unifesp, ela acrescenta: “Não conseguiremos avançar muito até esclarecermos melhor a origem das deficiências intelectuais”. As causas podem ser genéticas, como na síndrome de Down, ou ambientais (causas não genéticas), incluindo infecções, baixa oxigenação do cérebro do feto, alcoolismo, radiação, intoxicação por chumbo durante a gravidez ou prematuridade – muitas vezes, vários fatores em conjunto.
Causas ambientais ou genéticasEm um artigo no primeiro número da Revista de Deficiência Intelectual DI, publicação do Instituto Apae lançada em outubro, João Monteiro de Pina-Neto, médico geneticista da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, apresenta os resultados de um estudo sobre as causas da deficiência intelectual em 200 pessoas atendidas nas Apaes de Altinópolis e Serrana, dois municípios da região de Ribeirão Preto. Esse estudo faz parte de um levantamento maior, com cerca de  mil pessoas com DI atendidas em quatro Apaes, que Pina-Neto e sua equipe pretendem concluir em meados de 2012. Os resultados obtidos até agora indicam o predomínio de causas ambientais (42,5% do total), seguidas pelas genéticas (29%) e indeterminadas (20%).
Um estudo similar feito com 10 mil pessoas na Carolina do Sul, Estados Unidos, apresentou o mesmo percentual de causas genéticas, mas apenas 18% de causas ambientais e 56% de causas desconhecidas. Alguns contrastes chamam a atenção. Enquanto a deficiência intelectual causada por falta de oxigenação cerebral responde por 5% do total das causas de DI nos Estados Unidos, em São Paulo é 16,5%; a prematuridade, de 5% nos Estados Unidos, foi de 14,5% no estudo paulista; o efeito das infecções, de 5%, é quase o dobro aqui, 9%.


http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4549&bd=1&pg=2&lg=
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© REPRODUÇÃO: EDUARDO CESAR
A conclusão que emerge dessa comparação é que o número de nascimentos de bebês com DI poderia ser reduzido por meio de algumas medidas preventivas. “Melhorar o atendimento pré-natal e a qualidade do parto são uma prioridade”, ressalta Pina-Neto. “Ainda temos casos de deficiência causada por sífilis, rubéola ou toxoplasmose contraída durante a gestação e meningites pós-natais”, lamenta. Segundo ele, outro problema que pode ser controlado é o alcoolismo. “De 20% a 30% das mulheres da região de Ribeirão Preto consomem bebida alcoólica em excesso e, como resultado, de cada 100 gravidezes, nasce uma criança com DI causada por síndrome alcoólica fetal”, diz ele. “Não fazemos ainda a adequada prevenção das causas da deficiência intelectual.”
As causas genéticas podem ser controladas, já que o risco de uma criança nascer com síndrome de Down aumenta muito com a idade dos pais. “As mulheres estão tendo filhos após os 35 anos de idade, portanto mais propen­sas a terem filhos com Down, e os homens estão se casando várias vezes, tendo filhos em cada ca­samento”, diz Pina-Neto. Segundo ele, homens estéreis que procuram as clínicas de reprodução deveriam ser mais informados sobre a possibilidade de terem alterações genéticas que podem ser transmitidas aos filhos caso se tornem férteis.
As pessoas com DI apresentam capacidade de raciocínio bastante abaixo da média e limitações para aprender, se cuidar ou se comunicar com outras, mas atualmente são muito mais integradas socialmente, autônomas e produtivas, com mais oportunidades para expressar a criatividade do que há algumas décadas. Frequentam escolas regulares, com outras crianças e adultos, participam de competições esportivas e conquistam mais postos de mercado de trabalho. Crianças e adultos com DI não vão mais à Apae de São Paulo para aprender todo dia, mas aparecem algumas vezes por semana para atendimento educacional especializado ou para consultas médicas. O serviço de apoio ao envelhecimento atende 132 pessoas com idade entre 30 e 67 anos.
Ainda há muitas dúvidas sobre como lidar com os novos problemas. Crianças e adultos com de­­­­ficiência precisam de hábitos e horários para se sentir calmos e confortáveis. Ao mesmo tempo, hábitos imutáveis podem favorecer o surgimento da doença de Alzheimer, doença neurológi­ca que se agrava com o envelhecimento. Vem daí um impasse: manter a rotina inalterada poderia alimentar a propensão ao Alzheimer, mas quebrar a rotina pode ser perturbador.
Propensão ao alzheimerO cérebro das pessoas com Down pode exibir um dos sinais típicos do Alzheimer: o acúmulo de placas amiloides, que dificultam o funcionamento adequado dos neurônios. Uma equipe da Universidade da Califórnia em Los Angeles, Estados Unidos, encontrou placas amiloides em quantidade mais elevada no cérebro de pessoas com Down do que em pessoas com Alzheimer já diagnosticado e em pessoas normais.
“Os sinais biológicos de Alzheimer podem surgir antes dos sinais clínicos”, observa Orestes Forlenza, professor da Faculdade de Medicina da USP. “Ter amiloide não significa ter demência futura. Qual a melhor intervenção futura? Não sabemos. Talvez via nutrição ou atividade física seja mais seguro do que por medicamentos.” Ira Lott e sua equipe da Universidade da Califórnia em Irvine fizeram um estudo duplo-cego durante dois anos com 53 pessoas com síndrome de Down para ver se a complementação da dieta com compostos antioxidantes poderia melhorar o funcionamento mental ou estabilizar a perda da capacidade cognitiva. Os resultados, publicados em agosto na American Journal of Medical Genetics, indicaram que não.
Esper Cavalheiro apresentou três perguntas ainda sem resposta. De que modo as alterações próprias do envelhecimento, como as doenças cardiovasculares, diabetes e câncer, se apresentam nas pessoas com DI? Como alterações frequentes nessas pessoas, a exemplo de demências e osteoporose, se comportam no envelhecimento? Os medicamentos usados para tratar hipertensão, diabetes e outras doenças típicas do envelhecimento funcionam nas pessoas com DI do mesmo modo que em outros indivíduos?
Outra dúvida: as estratégias de controle dos fatores de risco de doenças cardiovasculares recomendadas para pessoas normais, como o estímulo a atividades físicas, têm o mesmo impacto sobre a saúde das pessoas com e sem deficiência intelectual? “Supomos que sim, mas não sabemos ao certo”, diz Ricardo Nitrini, da USP.
Segundo Cavalheiro, as pessoas com DI com 65 anos ou mais correspondiam a 4% da população total no Censo de 2000; hoje respondem por 5,5% da população total. “Não podemos nos contentar apenas com estatísticas e diagnósticos”, alerta. “Temos de enfrentar esse problema com rapidez. Quanto mais gente dialogando e pensando nesses problemas, melhor.”

Monday, 14 November 2011

rapadura

QUANDO SE TEM DOUTORADO
O dissacarídeo de fórmula C12H22O11, obtido através da fervura e da
evaporação de H2O do líquido resultante da prensagem do caule da gramínea
Saccharus officinarum, (Linneu, 1758) isento de qualquer outro tipo de
processamento suplementar que elimine suas impurezas, quando apresentado sob a forma geométrica de sólidos de reduzidas dimensões e restas-retilíneas,
configurando pirâmides truncadas de base oblonga e pequena altura, uma vez
submetido a um toque no órgão do paladar de quem se disponha a um teste
organoléptico, impressiona favoravelmente as papilas gustativas, sugerindo
impressão sensorial equivalente provocada pelo mesmo dissacarídeo em estado
bruto, que ocorre no líquido nutritivo da alta viscosidade, produzindo nos
órgãos especiais existentes na Apis mellifera. (Linneu, 1758) No entanto, é
possível comprovar experimentalmente que esse dissacarídeo, no estado
físico-químico descrito e apresentado sob aquela forma geométrica, apresenta
considerável resistência a modificar apreciavelmente suas dimensões quando
submetido a tensões mecânicas de compressão ao longo do seu eixo em
conseqüência da pequena capacidade de deformação que lhe é peculiar.


QUANDO SE TEM MESTRADO
A sacarose extraída da cana de açúcar, que ainda não tenha passado pelo
processo de purificação e refino, apresentando-se sob a forma de pequenos
sólidos tronco-piramidais de base retangular, impressiona agradavelmente o
paladar, lembrando a sensação provocada pela mesma sacarose produzida pelas
abelhas em um peculiar líquido espesso e nutritivo.
Entretanto, não altera suas dimensões lineares ou suas proporções quando
submetida a uma tensão axial em conseqüência da aplicação de compressões
equivalentes e opostas.


QUANDO SE TEM GRADUAÇÃO
O açúcar, quando ainda não submetido à refinação e, apresentando-se em
blocos sólidos de pequenas dimensões e forma tronco-piramidal, tem sabor
deleitável da secreção alimentar das abelhas; todavia não muda suas
proporções quando sujeito à compressão.


QUANDO SE TEM ENSINO MÉDIO
Açúcar não refinado, sob a forma de pequenos blocos, tem o sabor agradável
do mel, porém não muda de forma quando pressionado.


QUANDO SE TEM ENSINO FUNDAMENTAL
Açúcar mascavo em tijolinhos tem o sabor adocicado, mas não é macio ou
flexível.


QUANDO SE TEM SABEDORIA POPULAR
Rapadura é doce, mas não é mole, não!

Lanseria, na África do Sul.


Este guarda florestal tem a missão de prevenir a caça furtiva em toda a área de refúgio de vida selvagem de Lanseria, na África do Sul. 

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clima e os anglo-saxões

fonte - o eco
http://www.oeco.com.br/guardian-environmental-network/25436-sera-que-o-ceticismo-climatico-e-largamente-um-fenomeno-anglo-saxao


Leo Hickman

Uma banca em Moscou vende jornais e revistas internacionais. Foto: Natalia Kolesnikova/AFP/Getty Images
Durante uma viagem à Itália, há alguns meses, perguntei a um jornalista local se as visões dos céticos climáticos conseguiam uma difusão substancial na mídia italiana. Minha pergunta foi recebida com um ar de leve surpresa, seguido de um pedido de explicação sobre o que eu queria dizer com o termo "ceticismo climático". As expressões faciais me mostraram que esse era um conceito estranho a eles.

O resultado corroborava uma suspeita que, fazia tempo, eu acreditava ter substância: o ceticismo climático é predominantemente um fenômeno Anglo-Saxão. Ou, melhor, é um fenômeno que tende a ser mais amplificado nos veículos de língua inglesa espalhados pelo mundo - particularmente nos EUA, Reino Unido e Austrália - do que em outras línguas ou países.

Até agora, não existia nada além de suposição que amparasse a teoria. Mas essa hipótese está agora sobre uma base mais firme graças a um novo relatório publicado pelo Instituto Reuters para o Estudo do Jornalismo, localizado na universidade de Oxford, que solidifica achados semelhantes publicados no ano passado.

Em "Pólos aparte: a maneira internacional de cobrir o ceticismo climático", um grupo de pesquisadores, liderado porJames Painter, um ex-jornalista do BBC World Service, especializado em analisar como as mudanças climáticas são retratadas na mídia, conduziu um estudo comparativo sobre a prevalência das vozes dos céticos na mídia impressa do Brasil, China, França, Índia, Reino Unido e os EUA.

Mais de 3.000 artigos de pelo menos dois jornais diferentes em cada país (10 do Reino Unido) foram analisados durante dois períodos não consecutivos de três meses: de fevereiro a abril de 2007 e de meados de novembro de 2009 até meados de fevereiro de 2010. Esse último período incluiu, ambos, o encontro de Copenhague e o vazamento dos emails roubados da universidade de East Anglia. A "inclinação política" de cada jornal (exceto na China) também foi levada em consideração.

O relatório se preocupa com a importante e necessária tarefa de definir e discutir os vários tipos de ceticismo climático - algo que, em seguida, enfatiza, deveria ser mais bem caracterizado pelos jornalistas. Por exemplo, existem os "céticos quanto a tendência" (que negam que exista uma tendência de aquecimento), os "céticos quanto a atribuição" (que aceitam a tendência, mas a atribuem a causas naturais) e os "céticos sobre o impacto" (aqueles que aceitam que o ser humano causa o aquecimento, mas acreditam que o impacto será benigno ou trará benefícios).

Depois deles, existem os céticos sobre as políticas; aqueles que, por uma variedade (política ou ideológica) de razões, discordam das políticas regulatórias que estão sendo promovidas para enfrentar as mudanças climáticas; ou aqueles - de novo, por várias razões - acreditam que a ciência do clima não é confiável.

O relatório também lista quatro exemplo de céticos diferentes - Pat MichaelsSteve McIntyreLord Monckton e Bjørn Lomborg - para ilustrar as diferentes motivações e metodologias e os seus igualmente variados tipos de ceticismo.

No todo, o relatório (que infelizmente só é acessível a assinantes. Veja aqui o sumário executivo em pdf) realiza um ótimo trabalho de sumarizar as inclinações políticas dos céticos e dos veículos de mídia que relatam, hospedam ou rejeitam suas visões. Ele também mostra porque o florescimento do ceticismo nos EUA está ligado ao financiamento de políticos americanos, feito por grupos da indústria e a difundida prática e poder dos lobbys.

Com relação ao Reino Unido, estabelece o quão "particularmente bem-sucedida" foi a Global Warming Policy Foundation (GWPF) em divulgar a sua voz entre os dez jornais mais pesquisados do relatório, mostrando que os céticos mais citados,Lord Lawson e Benny Peiser, pertencem à instituição. (Ian Plimer, o geólogo de minas australiano, foi o quarto mais citado - provavelmente porque ele estava divulgando um livro no fim de 2009. Ele também tem relações com GWPF, assim como o economista canadense Ross McKitrick, o quinto mais citado.)

Entretanto, tudo isso nós sabíamos ou poderíamos concluir por nós mesmos. O relatório oferece uma contribuição genuína de novos insights quando compara a cobertura do ceticismo climático nos outros seis países escolhidos. Aí ele descobre, por exemplo, que o caso chamado de "Climategate" recebeu muito mais atenção no Reino Unido e nos EUA quando comparado a Brasil, China, França e Índia. E também nota que “um número maior significativo” de céticos são mencionados no Reino Unido e nos EUA comparado aos outros quatro países da amostra.

Acrescenta que foi “interessante notar que os céticos tipo (ii) – aqueles que questionam a contribuição antropogênica para o aquecimento global – foram bem mais assíduos na mídia impressa do Brasil, China, Índia e França, representando 45 das 51 vezes em que céticos foram citados ou mencionados, o equivalente a 88%. Nos países anglo-saxões, o percentual de céticos tipo (ii) foi menor (57%)”.

Outro importante contraste entre países anglo-saxões e os outros quatro foi que céticos que são políticos foram citados ou incluídos com muito mais frequência no Reino Unido e nos EUA (86%) do que no Brasil, China, Índia e França. A mídia chinesa não mencionou quaisquer políticos céticos, enquanto a mídia da Índia e do Brasil mencionaram apenas nomes estrangeiros.

O relatório conclui que um fator explica a ausência comparativa de vozes céticas na mídia do Brasil, França e Índia: não há “partidos conservadores, ou membros individuais de importância entre eles, que seguem com energia aquele tipo de ideologia conservadora que a mídia impressa (inclinada à direita) possa citar”.

Entretanto, o trabalho diz que existe o perigo de “exagerar o papel da ideologia”:

Resultados são normalmente determinados pela interação entre processos internos ou fatores dentro dos jornais (como práticas jornalísticas, cultura editorial ou influência de editores e proprietários, tanto quanto ideologia política) e fatores sociais externos (como o poder ou a presença de grupos de lobby céticos, cientistas céticos, partidos políticos céticos, ou leitores céticos que temam impostos ou contas de energia maiores). Também tem seu peso uma série de outros fatores, como o perfil energético do país, a boa representação do ceticismo na internet e a experiência direta do país com as mudanças climáticas.

Por fim, faz a observação curiosa que na França, onde, diz o relatório, todos os fatores acima tem um papel possível, também existe uma forte cultura racionalista, "pró-ciência", a qual é "provavelmente um prisma adicional através do qual se pode avaliar a condução, por lá, das reportagens sobre mudanças climáticas”.

Os próprios autores admitem que o escopo e a extensão (amostra de países) do estudo são limitadas. Seria interessante verificar como o ceticismo climático é coberto em uma extensão maior de línguas -- alemão, espanhol, japonês, italiano, árabe, para citar só algumas. (Por favor, compartilhe os seus próprios pensamentos e observações abaixo se você fala estas ou qualquer outra língua.)

O que esse estudo faz é lembrar aqueles que estão engajados no "debate climático" que - por várias razões - ele é predominantemente anglo-saxão. Uma complicada matriz de cultura, geografia e influências ideológicas levou o ceticismo climático a florescer no Reino Unido e nos EUA em comparação a outros lugares, provando mais uma vez que "A Ciência" com frequência tem apenas um papel menor.

 
Esse artigo foi publicado através da Guardian Environmental Network, da qual ((o))eco é membro. Leia a versão original aqui.