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Thursday, 11 March 2021

curso de 2020: postando APENAS para registro histórico

PASSADO!

postando APENAS para registro histórico

2020


Em função da pandemia, nosso curso foi alterado para termos condições de continuidade. Ele será um curso a distância, com a programação abaixo.

CURSO DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Objetivos
Debater as diversas abordagens da educação ambiental (EA), com pertinência da investigação científica, como epistemologia, metodologia ou vivências políticas na construção da EA.

Metodologia
Microsoft teams, Google Meeting, outros online
Textos disponíveis no blog do GPEA e demais

Entidades participantes
1.    Instituto Federal de Mato Grosso, IFMT []
2.    SENAC - Cuiabá
3.    Universidade de Brasília, UnB [Clima e Água nas escolas: práticas pedagógicas]
4.    Universidade do Sul de Santa Catarina, Unisul [AnPAP-EA]
5.    Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT [GPEA]
6.    Universidade Federal de Rondonópolis, UFRO [GPEA]
7.    Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, Unirio [GEASur]
8.    Universidade Federal do Pará, UFPA [GEAM]

.................................................
II SEMESTRE 2020
(quartas quinzenais às 14:30 – 17:00h)

*01/07* 
Reunião ampliada 
GPEA-UFMT, GEASur-UNIRIO, GEAC-IFMT 
Provocador: Celso Sánchez 
Evento cultural 

*15/07* 
Política ambiental
Fernando Xavier & Flávia Bertier (ICMBio) 
Provocadora: Déborah Santos 

*29/07* 
Livro: O que será o amanhã? 
Educação ambiental na América Latina e Caribe, justiça ambiental e COVID-19 
Vilmar Alves Pereira (pesquisador CNPq) 
Provocadora: Marilene Loureiro Silva 

*12/08* 
Aprendizagens e processos formativos
Irineu Tamaio, Marilene Silva & Giselly Gomes
Provocador: Ronaldo Senra

*19/08* 
Crianças e infâncias confinadas
Elni Willms & Tatiane Nardi
Provocadora: Cristiane Soares 

*26/08* 
Ensino de geografia
Nazareno, IFMT, Eronaldo Valle e Giseli Dalla-Nora 
Provocadora: Priscilla Amorim 

*09/09* 
Passando a boiada: os ataques ao ambiente e aos povos em tempos de pandemia 
Lindalva Novaes Garske (UFMT), 
Celso Sánchez UNIRIO, 
Deborah Moreira, doutoranda do PPGE UFMT 
Provocadora: Regina Silva UFMT CUR 

*23/09* 
Cultura cigana
Priscilla Amorim, Aluizio Azevedo e convidado da Associação Cigana de MT 
Povocador: Carlos Roberto Ferreira 

*07/10* 
Percurso da pesquisa - Romário Jales
Autoritarismo brasileiro - Roberta Simione
Provocador: Nazareno, IFMT 

*21/10* 
Trilha da Vida: Pensamentos, sentimentos, vivências 
José Matarezi – UNIVALI, SC 
Provocadora: Michèle Sato 

*04/11* 
Migrações
Cristiane Soares, Bárbara Mellado
Provocadora: Cássia Souza 

*18/11* 
Transmídia na pesquisa em EA
Thiago Luiz, Ronaldo Senra, Marcela IFMT 
Provocadora: Giseli Dalla-Nora 

Avaliação dos encontros. 
Festa virtual. 

REFERÊNCIAS
[txt 1] DALLA-NORA, Giseli; SATO, Michèle. Pontes nas securas das águas: reflexões sobre as mudanças climáticas e justiça climática em comunidades quilombolas. Ciência Geográfica - Bauru - Ano XXIII - Vol. XXIII - (1): Jan.-Dez., 2019

[txt 2] FERREIRA, Carlos; SATO, Michèle. Fogo no Quilombo: aceiro de resistência no cotidiano de Mata Cavalo. Revista Sergipana de Educação Ambiental, Revisea, Sergipe, v.7, n2, p. 46-57, 2019.

[txt 3] GOMES, Giselly; SATO, Michèle; SILVA, Regina. Mudanças Climáticas e as Pessoas com Deficiência Visual: reflexões sobre a (in)acessibilidade na Informação e na Comunicação. Rev. Eletrônica Mestr. Educ. Ambiental. Rio Grande, v. 36, n. 1, p. 129-145, jan./abr. 2019.

[txt 4] HARAWAY, Donna. Anthropocene, Capitalocene, Plantationocene, Chthulucene: Making Kin. Environmental Humanities, vol. 6,  pp. 159-165, 2015.
Tradução: ClimaCom Cultura Científica - pesquisa, jornalismo e arte Ι Ano 3 - N. 5 / Abril de 2016 / ISSN 2359-4705

[txt 5] LUIZ, Thiago; SATO, Michèle. Devaneio em chamas: Bachelard põe a mão no fogo pelo imaginário. R. Educ. Pública., Cuiabá, v. 28, n. 69, p. 703-716, set./dez. 2019.

[txt 6] SANTOS, Déborah; SATO, Michèle; GOMES, Giselly; MARTINE, Rafael. Colapso climático no olho do furacão. In: WERNER, I.; SATO, M.; SANTOS, D. (Orgs.) Relatório Estadual no. 5, 2019 do Fórum de Direitos Humanos e da Terra. Cuiabá: Fórum dos Direitos Humanos e da Terra & Associação Antônio Vieira, p. 90-96, 2019.

[txt 7] SATO, Michèle; SILVA, Regina; JABER-SILVA, Michelle. Educação ambiental - tessituras de esperanças. Cuiabá: Ed, Sustentável & Ed. UFMT, 2018, 101 p, il.

[txt 8] SENRA, Ronaldo; SATO, Michèle; MEDEIROS, Heitor. Entre os desafios da governabilidade e da governança: quais desdobramentos do Projovem Campo, MT? Revista Vozes dos Vales – UFVJM – MG – Brasil – Nº 14 – Ano VII – 10, 2018

[txt 9] SILVA JR, Antônio et al. Indicadores de vulnerabilidade, risco socioambiental e ordenamento territorial no bairro Montese, Belém-PA. COSTA, R. (Org.) Riscos, vulnerabilidades e condicionantes urbanos (Série Estudos Reunidos, v. 8). Jundiaí: Paco Ed., p. 45-64, 2019.

[txt 10] SOUZA, Cássia; SATO, Michèle. Justiça climática e educação ambiental. In: PEREIRA, V.; MADEIRA, M.; SOUZA, E.; STEUCK, E. (Orgs.) Educação Ambiental em tempos de crise: por uma Ontologia da Esperança. Juiz de Fora: Garcia Edizioni, p. 59-74, 2019.
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CURSO DE FORMAÇÃO PRESENCIAL
Emergência Climática 
e os desafios da Educação Ambiental

todas as quartas de 04/03/2020 - 10/06/2020
Cuiabá: IE, UFMT
auditório 121, 1o. piso, 13:30 horas

APRESENTAÇÕES
Capitaloceno
Michèle Sato - 04/03/2020

Rede Pan-Amazônica
Marilena Loureiro - 04/03/2020
[download parte 1]
[download parte 2]

Processos formativos em tempos de emergência climática
Elni Willms
Giselly Gomes
Irineu Tamaio
[download]




LISTA DE APROVADOS EXTERNOS
1 Alessandra Lucas Boa Sorte
2 Cleverson Carlos El Hage
3 Djane Gomes Marquardt
4 Giancarlo Boaventura Batista
5 Gilberto Rezende de Almeida França
6 Hermógenes Benevides
7 José Vitor Botter Fasoli
8 Josiane do Espirito Santo Santana
9 Julianne Yukie da Silva Fukushima
10 Katiuska Tereza Azambuja Salgado
11 Marcela Marques Silva
12 Maria Aparecida do Nascimento
13 Maria da Guia de Campos
14 Naielly Christhiny Paz Rodrigues
15 Priscila Letícia França de Morais
16 Rozélha Barbosa da Silva
17 Rosemil Conceição do Bom Despacho
18 Selma de Souza Nunes
19 Sikes Gomes
20 Thiago Fernandes
.....
APROVADOS INTERNOS
Adriana Barbosa Sales
Aleth da Graça Amorim
Aluizio Azevedo
Barbara Yadira Mellado-Perez
Carlos Roberto Ferreira
Cássia Fabiane Santos Souza
Cristiane Carolina de Almeida Soares
Débora Pedrotti-Mansilla
Déborah Luiza Moreira Santana Santos
Denize Aparecida Rodrigues Amorim
Elni Elisa Willms
Eronaldo Assunção Valles
Flavia Lopes Bertier
Giseli Dalla-Nora
Giselly Rodrigues das Neves Silva Gomes
Irineu Tamaio
Jéssica Prudencio Trujillo Souza
Kathy de Freitas Marinho dos Reis
Marilena Loureiro
Michèle Sato
Priscilla Mona de Amorim
Raquel Batista Ramos
Roberta Moraes Simione
Romário Jales
Ronaldo Eustáquio Senra
Tatiani do Carmo Nardi
Thiago Cury Luiz
Vitor Maciel Mello

1) DADOS GERAIS
Universidade Federal de Mato Grosso, UFMT
Instituto de Educação, IE
Programa de Pós-Graduação em Educação, PPGE
Linha de Pesquisa: Movimentos sociais, política e educação popular
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA
Título do Seminário: Emergência climática e os desafios da educação ambiental
Carga Horária: 40h
Curso: aberto ao público [30 vagas]
Data(s):
MARÇO: 4, 11, 18, 25
ABRIL: 15, 22, 29
MAIO: 13, 20, 27
JUNHO: 10

Horário(s): 14-18 horas
Sala: auditório 121 [1º. piso, próximo ao curso de Psicologia]
Palestrante(s) Externos Convidado(s):
·        Irineu Tamaio, UnB: Clima e água no contexto da escola
·        Marilena Loureiro, UFPA:  Rede Pan-amazônica de justiça climática


2) EMENTA
O Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) tem desenvolvido pesquisas sobre a crise climática desde o ano de 2012, e hoje lidera uma rede internacional de 5 países e 17 entidades. Nossas pesquisas com diversos grupos sociais revelam que a população desconhece a crise climática, fruto de uma política que invisibiliza os desastres do clima em função de interesses econômicos da minoria. Com as pesquisas fortalecidas pelas dissertações e teses, o projeto visa comunicar o clima por meio de processos formativos.   O GPEA busca promover um fórum de debate com temáticas atuais, com os atores das escolas e das comunidades, professores, técnicos, estudantes ou atuantes das organizações não-governamentais.  Como forma de sustentabilidade de ações, o projeto visa continuar os diálogos com a Rede Mato-grossense de Educação Ambiental (REMTEA), que possui conexões com educadores ambientais do Brasil e mundo. Buscamos uma perspectiva de fortalecer a “Coalizão pelo Clima”, construído em setembro de 2019, que trouxe diversos parceiros atuantes na dimensão climática, tendo a UFMT como coordenadora das atividades.


3) OBJETIVOS
Proporcionar oportunidades formativas no contexto da invisibilização climática, por meio de argumentos científicos, resultados de investigações e vivências sociais. Contextualizar a emergência climática como fato, ocasionado pela grande aceleração desenvolvimentista, seus desastres, agravos e grupos sociais em situação de vulnerabilidade. Debater a possibilidade da educação ambiental, seus desafios e suas contribuições.


4)  CONTÉÙDO PROGRAMÁTICO
·        Era geológica: antropoceno, capitaloceno e cthulhuceno
·        Negacionismo e ceticismo: a política e a ciência
·        Escola: formação de professores, ensino e aprendizagem, ambientalização curricular e pessoas com deficiências (pcd)
·        Arte, saúde e comunicação: escolas, ciganos e transmídia
·        Pan-amazônia: rede de diálogos
·        Campo: decolonialidade e comunidades
·        Quilombo: clima e educação popular
·        Mulheres: negras e haitianas
·        LGBT: ambiente, migração e psicologia social
·        Migração climática: histórico, crianças, Cuba, Venezuela, Moçambique e Ciganos


5) PROCEDIMENTOS DE ENSINO (técnicas, recursos e avaliação)
Exposição teórica, fórum de debates, diálogos de aprendizagens.


6) COMISSÃO ORGANIZADORA (Docentes e Discentes)
Cássia Souza (professora IE)
Déborah Santos (doutoranda PPGE)
Michèle Sato (professora IE, Coord.)
Priscilla Amorim (doutoranda PPGE)
Tatiani Nardi (graduação, Pedagogia)


7) RECURSOS (humanos, técnicos e materiais necessários para o ensino a serem viabilizados pelo Departamento/Unidade).
Auditório, data show, microfone, caixa de som.

8) AVALIAÇÃO
Processual, por meio de diálogos, debates e aprendizagens coletivas. Assiduidade, sociabilidade e participação.

0) INSCRIÇÃO
O curso e a inscrição são gratuitos, mas haverá seleção conforme os critérios:
1.       Preenchimento completo da ficha de inscrição (anexo A)
2.      Envio para gpea@ufmt.br
3.       Ter vivência prévia no campo da educação ambiental

* IMPORTANTE: É preciso dar download do documento em anexo, preencher o anexo A e encaminhá-lo para: gpea@ufmt.br até o dia 2 de março.  no dia 3 de março, soltaremos a lista de aprovados.


MINISTRANTES
Adriana Barbosa Sales
Aleth da Graça Amorim
Aluizio Azevedo
Barbara Yadira Mellado-Perez
Carlos Roberto Ferreira
Cássia Fabiane Santos Souza
Cristiane Carolina de Almeida Soares
Débora Pedrotti-Mansilla
Déborah Luiza Moreira Santana Santos
Denize Aparecida Rodrigues Amorim
Elni Elisa Willms
Eronaldo Assunção Valles
Flavia Lopes Bertier
Giseli Dalla-Nora
Giselly Rodrigues das Neves Silva Gomes
Irineu Tamaio
Jéssica Prudencio Trujillo Souza
Kathy de Freitas Marinho dos Reis
Marilena Loureiro
Michèle Sato
Priscilla Mona de Amorim
Raquel Batista Ramos
Roberta Moraes Simione
Romário Jales
Ronaldo Eustáquio Senra
Tatiani do Carmo Nardi
Thiago Cury Luiz
Vitor Maciel Mello

COMISSÃO ORGANIZADORA
Cássia Souza
Déborah Santos (doutoranda PPGE)
Michèle Sato (coordenadora)
Priscilla Amorim (doutoranda PPGE)
Tatiani Nardi (graduação, Pedagogia)


Cuiabá, 12/02/2020.

 ANEXO A - FICHA DE INSCRIÇÃO




* IMPORTANTE
É preciso dar download do documento em anexo, preencher o anexo A (ficha de inscrição) e encaminhá-lo para: gpea@ufmt.br






download:



___________________________________

Nome completo:
RG:
CPF:
E-mail:
Celular/Telefone:
Local que trabalha (ou estuda):
Formação:

Escreva uma breve narrativa sobre sua vivência prévia em Educação Ambiental (palestra, aula, evento, laboratório, atividades pontuais, pesquisa).
* O texto deve conter até 500 caracteres com espaço – usar contagem de palavras no word.
___________________________________
























ORGANIZAÇÃO
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte - GPEA
Rede Mato-grossense de Educação Ambiental - REMTEA
Rede Internacional de Educação Ambiental e Justiça Climática - REAJA
Universidade Federal  de Mato Grosso - UFMT


  



 
















Friday, 12 July 2013

A formação política e a capacidade de análise dos jornalistas é débil

IHU
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/a-debil-formacao-politica-dos-jornalistas-entrevista-especial-com-a-professora-roseli-figaro/521826-a-debil-formacao-politica-dos-jornalistas-entrevista-especial-com-a-professora-roseli-figaro

A formação política e a capacidade de análise dos jornalistas é débil. Entrevista especial com Roseli Figaro

“Se o jornalista não tem consciência do seu próprio trabalho, é claro que isso vai aparecer no produto que ele vai oferecer.”
Um estudo realzado com 538 jornalistas que trabalham em São Paulo revelou profundas mudanças no perfil da profissão. A pesquisa realizada pela professora da Universidade de São Paulo – USP Roseli Figaro mostrou que a formação política e a postura crítica dos jornalistas foram prejudicadas nas últimas gerações. As razões são diversas, mas as que pesam mais estão relacionadas ao enxugamento das redações e ao aumento do volume de trabalho, sem contar a falta de racionalização sobre a prática. “Uma questão que nos preocupou foi que uma minoria, em torno de 30%, tem noção de que o trabalho do jornalista é fundamental para preservar o direito do cidadão à informação. A maior parte vê a informação como um produto, um negócio. Quando colhemos os depoimentos, alguns deles chamaram a atenção pelo despreparo ou desinteresse desses profissionais com relação aos grandes temas e ao discernimento do papel do jornalista”, aponta Roseli na entrevista concedida por telefone à IHU On-line.
A pesquisa completa, que começou a ser feita em 2010 e realizada pela professora Roseli Figaro, junto com os doutorandos Rafael Grohmann e Cláudia Nonatom será lançada no próximo mês no livro intitulado As mudanças no mundo do trabalho dos jornalistas (Atlas, 2013). Resumidamente, o que o estudo indica é que os profissionais de imprensa são majoritariamente não sindicalizados, de formação política débil e com pouca capacidade de análise. “O jornalismo surge justamente no nascimento do racionalismo, na constituição do Estado frente à Igreja, no momento em que se constituem a república, a democracia e os conceitos de liberdade. São essas questões que são pouco vislumbradas por estes profissionais”, avalia a pesquisadora.
Roseli Aparecida Figaro Paulino é professora livre-docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP. Possui pós-doutorado pela Universidade de Provence, França. Ela é coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa da USP/Comunicação e Censura e do Grupo de Pesquisa do Arquivo Miroel Silveira. Dedicou seus estudos à comunicação relacionada ao mundo do trabalho. É também autora de outros seis livros, entre eles, citamos: Comunicação e Análise do Discurso (São Paulo: Contexto, 2012).
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Quais foram os principais indícios que motivaram a realização da pesquisa?
 
Roseli Figaro – O nosso Centro de Estudos em Comunicação e Trabalho está voltado ao mundo dos comunicadores desde 2008, quando fizemos uma pesquisa com empresas que contratam jornalistas, publicitários, relações públicas, enfim, pessoas que tiveram como formação a área da comunicação. Nela foi onde percebemos haver uma coisa muito nova acontecendo com os jornalistas. Foi então que, depois do término desta primeira investigação em 2010, começamos um novo estudo com os jornalistas.
Nosso centro de estudo foi conversar com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, cuja mostra inicial foram os jornalistas associados. A pesquisa trata de métodos quantitativos e qualitativos. Primeiro, aplicando um questionário fechado para que pudéssemos conhecer o perfil socioeconômico e cultural dos investigados. Feito esse primeiro mapa, selecionamos aleatoriamente jornalistas e fizemos entrevistas em profundidade e formamos grupos de discussão. Nesse primeiro levantamento verificamos que a maioria dos associados eram homens, com perfil acima da 35 anos e a maior parte deles com registro em carteira ou vínculo fixo. O que se percebeu é que esse perfil era diferente da primeira pesquisa e, por isso, realizamos outras amostras.
Em um segundo momento buscamos jornalistas em redes sociais da internet e em redes sociais de jornalistas para também responderem a um questionário. O retorno aqui já mostrava uma mudança em relação à pesquisa com os jornalistas sindicalizados. Então fizemos mais amostras com jornalistas freelancers e com empregados de uma grande empresa de comunicação de São Paulo.
Perfil
Com essas quatro amostras, pudemos verificar que o perfil atual do jornalista é feminino e que a maior parte destas jovens tem até 35 anos. Um outro dado é que os vínculos de trabalho não são tão estáveis e que as formas precárias de contração são por meio de contratos com Pessoa Jurídica e freelancer fixo. Todos eles com diploma de jornalista, mas não sindicalizados. Uma grande parte dos entrevistados já tinha especialização, além do curso de ensino superior. Investiram na formação apesar dos vínculos de trabalho serem precários. Os salários, sobretudo dos freelancers (40% do total), chegam até R$ 2 mil e a maioria recebe entre R$ 2 mil e R$ 6 mil.
Visão crítica
 
Na fase qualitativa da pesquisa, percebeu-se que um número pequeno dos entrevistados tem visão um pouco mais crítica sobre o trabalho e sobre sua situação profissional. A maioria dos entrevistados trabalha de 8 a 10 horas por dia. Frequentemente os freelancers precisam de maior rendimento, o que os faz buscar mais e mais trabalhos. Isso para garantir o sustento e condições mínimas de bem-estar. Essas condições de trabalho aparecem de maneira muito reduzida quando os jornalistas vão falar das origens dos problemas de trabalho.
IHU On-Line – A pesquisa também alerta para a falta de postura crítica dos novos jornalistas. Quais as razões dessa postura?
Roseli Figaro – Uma questão que nos preocupou foi que uma minoria, em torno de 30%, tem noção de que o trabalho do jornalista é fundamental para preservar o direito do cidadão à informação. A maior parte vê a informação como um produto, um negócio. Quando colhemos os depoimentos, alguns deles chamaram a atenção pelo despreparo ou desinteresse desses profissionais com relação aos grandes temas e ao discernimento do papel do jornalista. São poucos os que declararam uma preocupação em relação ao seu papel profissional, com a cidadania e democracia, ou seja, preocupação com seu papel de mediador social. Apareceu em alguns depoimentos, sobretudo dos mais jovens, uma falta de consciência crítica do papel social do jornalista.
IHU On-Line – Na pesquisa é apontado que há poucos jornalistas sindicalizados. Por quê?
Roseli Figaro – Nós não perguntamos por que razão isso acontece. Mas nos grupos de discussão e nas entrevistas apareceu uma falta de clareza quanto ao papel social dos jornalistas. Essa falta de sindicalização me parece uma decorrência disso, um sintoma desta situação. Há uma situação empregatícia muito precária e não se conseguem vislumbrar alternativas coletivas, mas apenas uma perspectiva muito individual – o que também é um sintoma de nossa época.
IHU On-Line – O que os dados dizem sobre a formação profissional? Que tipo de jornalista tem se formado?
Roseli Figaro – Como dito, todos têm diploma, sobretudo os mais jovens. A maioria deles busca cursos de especialização, mas o que se verifica é que a ideia da prática, da técnica, é ainda muito presente. As “críticas” pontuais às escolas e cursos de jornalismo vão no sentido de que os alunos fugiam das aulas de filosofia ou de teoria. Pior ainda, houve pessoas que disseram: “Se a gente fosse direto para o mercado aprenderíamos mais”. Vendo as práticas, o que percebemos é exatamente o contrário. O jornalismo não é um problema técnico, de saber operar com um manual, por exemplo, mas exatamente entender seu papel como mediador social, sobretudo na defesa do direito à informação. O jornalismo surge justamente no nascimento do racionalismo, na constituição do Estado frente à Igreja, no momento em que se constituem a república, a democracia e os conceitos de liberdade. São essas questões que são pouco vislumbradas por estes profissionais.
IHU On-Line – Onde a falta de formação humanística e política se torna visível nos produtos jornalísticos?
 
 
A pesquisa não tratou disso, mas minha opinião como professora e pesquisadora é a seguinte: quando vamos tratar da grande imprensa que, claro, tem uma linha editorial onde desenha sua opinião sobre o mundo e os fatos, o que se percebe são práticas que extrapolam os editoriais. As matérias, notícias, deveriam pelo menos trazer pontos de vista diferenciados sobre os fatos. As rotinas produtivas neste ritmo de trabalho que é colocado ao jornalista, com as redações enxutas, o excesso de tarefas e a premência do tempo, faz com que ele, às vezes, negligencie esse aspecto que é fundamental de sua profissão. O que vemos muitas vezes são matérias que deixam a desejar no quesito dos diferentes pontos de vista. Isso prejudica e baixa a qualidade do próprio veículo. Daí se percebe que os mais jovens preferem buscar informações na internet, mas isso também não resolve o problema da qualidade. Se o jornalista não tem consciência do seu próprio trabalho, é claro que isso vai aparecer no produto que ele vai oferecer.
IHU On-Line – A que atribui a precária formação política e humanística dos jornalistas recém-formados? Essa formação tem a ver com o momento político e econômico do país?
Roseli Figaro – Essa é uma questão que extrapola a questão dos jornalistas. Estamos acompanhando a movimentação das manifestações; então, o problema da análise do que está acontecendo não deve ser cobrado apenas dos jornalistas. Isso porque todos nós estamos surpresos com o volume dessas manifestações e não podemos exigir que o jornalista tenha condições de fazer uma análise exata do que está acontecendo, pois nem os sociólogos estão sabendo fazer.
São muitas variáveis e componentes e não temos a dimensão exata disso. Agora, certamente, os jornalistas, que estão ali com a tarefa de acompanhar e relatar esse fato, têm muitos elementos, informações. Como organizá-los sem uma consciência crítica tudo isso se torna ainda mais difícil. Análises mais apressadas que menosprezam fatos ou que deem uma dimensão que eles não têm se torna, de fato, uma coisa mais perigosa.
IHU On-Line – Diante da instrumentalização da formação de jornalista, qual a importância do diploma?
Roseli Figaro – Eu sou a favor do diploma. Se nós temos uma conquista na formação do jornalista é exatamente a obrigatoriedade do diploma. A questão é se as escolas e cursos de jornalismo são adequados. É comum que se perceba uma dimensão que separa teoria e prática. Talvez esta perspectiva seja o que tenha prejudicado a visão das novas gerações. Estamos vivendo um momento de convergência de mídias, de gêneros discursivos, etc. Cada vez mais as equipes são multidisciplinares – com jornalistas, publicitários, produtores audiovisuais. Não se pode pensar apenas uma formação técnica. O comunicador não pode pegar um fato e se relacionar com ele de uma maneira descompromissada. Ele precisa entender o processo comunicacional e a força disso em um espaço tão complexo quanto a nossa sociedade contemporânea. Um dos dados da pesquisa apontou que a maioria dos jornalistas se formou em faculdades particulares, e que essa formação mais pragmática é maior nas universidades privadas. Portanto, o jornalista como comunicador tem que entender o processo de comunicação por inteiro.
IHU On-Line – Na tensão entre "interesse público" e "interesse do público" – considerando a prática das corporações de comunicação –, quem ganha e quem perde tendo em conta uma formação política débil dos profissionais?
Roseli Figaro – A linha editorial de cada veículo de comunicação é muito mais tranquila de ser assimilada, ensinada, apreendida por aquele profissional que não tem uma visão crítica própria. Então, ele vai naturalizar a linha editorial do veículo para o qual ele trabalha como uma visão de mundo. Mas o jornalista – até mesmo para fazer um bom trabalho para a empresa a que está vinculado – tem que ter uma perspectiva crítica e mais ampla que a própria linha editorial. Caso contrário, não vão precisar dele. A questão do direito público à informação não tem nada a ver com o público-alvo. Há uma coisa de que o jornalista trabalha para o “cliente-leitor”, e isso é uma exigência das empresas. Muito diferente é a visão que se tem do que é interesse público.
IHU On-Line – Que desafio está posto às universidades, especialmente aos cursos de comunicação, diante de tal contexto? Como resolver tal situação?
Roseli Figaro – Primeiro, é um desafio de que o jornalista se pense como um comunicador e a comunicação como uma área fundamental da sociedade contemporânea. Ela está envolvida em todos os aspectos da economia e da sociedade. É por isso que todos precisam de um jornalista, até salão de beleza contrata jornalista. É uma profissão fundamental na contemporaneidade e não temos dado a devida importância. Não é porque as empresas estão demitindo jornalistas que eles deixaram de ser importantes. Há um período de transição, o jornalista está mudando a forma como ele organiza o trabalho.
Então, são estas questões que precisam ser mais discutidas e sobre as quais o sindicato deve se debruçar. Não do ponto de vista da corporação, mas do que está acontecendo para que não sejamos vítimas do fato dado, no sentido de ser protagonista e discutir mais profundamente esse momento. Por exemplo, a questão das equipes multidisciplinares e a forma como o jornalismo se amplia para outras áreas, além das instituições tradicionais e o papel que isso adquire na questão educacional. Também a forma como ele pode ajudar a desempenhar a educação no país. Na verdade, a profissão do jornalista está se ampliando e não se reduzindo, como muitos pensam.
IHU On-Line – Com quais questões os jornalistas deveriam se preocupar, considerando sua formação e carreira?
Roseli Figaro – Sobretudo diante de tudo que está acontecendo no mundo e no nosso país, considerando essa mudança cultural, o acesso à informação e ao conhecimento é uma preocupação fundamental. Além disso, ter em conta qual é o papel do jornalista diante disso tudo deve ser a principal reflexão dos profissionais.