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Wednesday, 27 May 2020

A carta de 40 milhões de médicos aos líderes do G20: “É necessário um planeta saudável para recomeçar depois do Covid”

http://www.ihu.unisinos.br/599366-a-carta-de-40-milhoes-de-medicos-aos-lideres-do-g20-e-necessario-um-planeta-saudavel-para-recomecar-depois-do-covid

A carta de 40 milhões de médicos aos líderes do G20: “É necessário um planeta saudável para recomeçar depois do Covid”
27/05/2020

Pela nossa saúde, devemos recomeçar pela saúde do planeta. Isso é o que escrevem e falam, em alto em bom som, 40 milhões entre médicos e profissionais de saúde de todo o mundo, de 90 países. Em uma declaração conjunta lançada nesta terça-feira, 26-05-2020, com a hashtag #HealthyRecovery, os profissionais de saúde pediram aos líderes dos países do G20 que se engajassem concretamente na batalha contra a crise climática, por um mundo menos poluído e mais verde, com uma pegada sustentável de forma a tentar evitar futuras pandemias.

A reportagem é de Luca Fraioli, publicada por La Repubblica, 26-05-2020. A tradução é de Luisa Rabolini.

Os médicos, representados por várias associações (na Itália, por exemplo, o ISDE Médicos pelo Meio Ambiente e Federação de Médicos de Cirurgia e Dentistas do FNOMCeO), pedem aos governos que priorizem os investimentos em saúde pública, em ar e água limpa, em investimentos capazes de reduzir as emissões que provocam mudanças climáticas. O objetivo é convidar os líderes mundiais a pensar em uma retomada pós-Covid-19 que coloque no centro a saúde humana, começando com o que podemos fazer para criar maior resiliência para as futuras pandemias. E, portanto, os profissionais pedem investimentos para a redução da poluição atmosférica que mata milhões de pessoas no mundo e enfraquece os nossos corpos, por exemplo, em nível pulmonar, como observado durante a emergência do coronavírus. Mas também investir em agricultura sustentável, para dar um adeus aos combustíveis fósseis em favor de fontes renováveis, por uma mobilidade com baixas emissões de carbono.

"Se os governos fizessem grandes reformas nos atuais subsídios aos combustíveis fósseis, deslocando a maioria deles para a produção de energia renovável e limpa, nosso ar seria mais saudável e as emissões que afetam o clima seriam drasticamente reduzidas, alimentando uma retomada econômica que, de hoje até 2050, daria estímulos aos ganhos globais do PIB em quase 100 trilhões de dólares", consta no texto da carta.

No total, os signatários da carta representam mais da metade da força de trabalho médica e sanitária. O apelo deles é para que no futuro voltemos a ser "mais fortes, saudáveis e resistentes" e por um maior envolvimento da comunidade médica e científica no desenvolvimento de pacotes úteis para redesenhar um mundo melhor.

Milhares de médicos, enfermeiros e profissionais de saúde em todo o mundo morreram durante a pandemia de Covid-19. Os signatários desse apelo pedem que, pela dor provocada pela perda dos colegas, possamos recomeçar raciocinando para construir um planeta diferente, pronto para enfrentar outras eventuais epidemias, melhor na gestão da saúde pública e do meio ambiente.

Os médicos dizem que os serviços de saúde também terão que impulsionar a revolução no futuro para reduzir as emissões: exemplos já vêm do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, que já reduziu suas emissões em quase um quinto na última década (e anunciou zero emissões de carbono antes de 2050), ou da American Medical Association e do Royal College of General Practitioners, que aprovaram resoluções solicitando o desinvestimento de empresas que utilizam ainda combustíveis fósseis, ou ainda os hospitais em Boston e de Wisconsin que estão gerando sua própria energia elétrica com eficiência energética. Eles argumentam que, com um esforço conjunto de todos, podemos projetar um planeta saudável para uma vida saudável.

A carta – For a #HealthyRecovery.

Aqui segue o texto do apelo assinado por 40 milhões de médicos e endereçado a todos os líderes do G20 e para conhecimento de todos os consultores científicos, médicos, sanitários do G20.

“Os profissionais de saúde estão unidos no apoio a uma abordagem pragmática baseada na ciência para gerenciar a pandemia do COVID-19. Nesse mesmo espírito, também nos mantemos unidos no apoio a uma recuperação saudável da crise.

Testemunhamos em primeira mão como as comunidades são frágeis quando sua saúde, segurança alimentar e liberdade de trabalho são interrompidas por uma ameaça comum. As diversas faces dessa tragédia em andamento são muitas e ampliadas pela desigualdade e pelo subinvestimento nos sistemas de saúde pública. Testemunhamos morte, doença e sofrimento mental em níveis não vistos há décadas.

Esses efeitos poderiam ter sido parcialmente mitigados ou possivelmente até evitados por investimentos adequados em preparação para pandemia, saúde pública e gestão ambiental. Devemos aprender com esses erros e voltar mais fortes, saudáveis e mais resilientes.

Antes da COVID-19, a poluição do ar - principalmente originária do tráfego, uso residencial ineficiente de energia para cozinhar e para aquecimento, usinas a carvão, queima de resíduos sólidos e práticas agrícolas - já estava enfraquecendo nossos corpos. A poluição aumenta o risco de desenvolvimento e a gravidade de: pneumonia, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, doenças cardíacas e derrames, levando a sete milhões de mortes prematuras a cada ano. A poluição do ar também causa resultados adversos na gravidez, como baixo peso ao nascer e asma, colocando mais pressão em nossos sistemas de saúde.

Uma recuperação verdadeiramente saudável não permitirá que a poluição continue a deteriorar o ar que respiramos e a água que bebemos. Não permitirá que as mudanças climáticas e desmatamento continuem avançando, potencialmente desencadeando novas ameaças à saúde de populações vulneráveis.

Em sociedades e economias saudáveis, os mais vulneráveis são cuidados. Os trabalhadores têm acesso a empregos bem remunerados que não exacerbam a poluição ou a degradação da natureza; as cidades priorizam pedestres, ciclistas e transporte público, e nossos rios e céus são protegidos e limpos. A natureza prospera, nosso corpo é mais resistente a doenças infecciosas e ninguém é levado à pobreza por causa dos custos excessivos com a saúde.

Para alcançar essa economia saudável, precisamos usar incentivos e desincentivos mais inteligentes a serviço de uma sociedade mais sadia e resiliente. Se os governos fizessem grandes reformas nos atuais subsídios aos combustíveis fósseis, deslocando a maioria para a produção de energia renovável limpa, nosso ar seria mais limpo e as emissões climáticas reduziriam massivamente, possibilitando uma recuperação econômica que estimularia ganhos globais de quase 100 trilhões de dólares até 2050.

Ao direcionar sua atenção para a resposta pós-COVID, solicitamos que o ministro da saúde e o ministro da ciência/ atual chefe da saúde e chefe da ciência estejam diretamente envolvidos na produção de todos os pacotes de estímulo econômico, avaliem as repercussões de curto e longo prazo na saúde pública que esses estímulos podem ter e deem seu aval de aprovação.

Os enormes investimentos que seus governos farão nos próximos meses em setores-chave como assistência médica, transporte, energia e agricultura devem ter a proteção e promoção da saúde incorporadas em seu núcleo.

O que o mundo precisa agora é de uma recuperação saudável (#HealthyRecovery). Os planos de estímulo para recuperação pós-pandemia devem ser uma receita para alcançar isso.

Com os melhores cumprimentos.

 

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Wednesday, 13 May 2020

Pandemia exacerba desigualdades na Saúde

https://blog.scielo.org/blog/2020/05/12/pandemia-exacerba-desigualdades-na-saude-a-ser-publicado-na-cienc-saude-coletiva/#.Xrwnf2hKjSE

Pandemia exacerba desigualdades na Saúde [a ser publicado na Ciênc. saúde coletiva]

May 12, 2020 16:45 , Leave a Comment , Ciência & Saúde Coletiva
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Por Maria Cecília de Souza Minayo e Neyson Pinheiro Freire

Vivemos uma pandemia global sem precedente em nossa geração. Atravessamos uma tempestade sanitária, guiados por diretrizes ainda experimentais – extraídas de um conhecimento científico rudimentar, em construção – ao tempo em que tentamos conter a pulsão de morte dos que boicotam o isolamento social, com a propagação de notícias falsas que encorajam a população a ignorar recomendações sanitárias, e relutam em garantir os investimentos indispensáveis para fazer frente à pandemia. São tempos difíceis para os trabalhadores da Saúde.

Estamos todos sob a mesma tempestade e participamos do mesmo esforço coletivo para não deixar a população à deriva. Mas não estamos no mesmo barco. A desigualdade social encontrada no Brasil é um terreno fértil para a disseminação da COVID-19, dificultando o isolamento social, restringindo acesso a insumos básicos para higiene e proteção, e dificultando a própria assistência aos serviços de Saúde. A disparidade entre o número de leitos e respiradores per capita na rede pública e privada gera distorções que dificultam a distribuição eficaz de recursos, contribuindo para a mortalidade.

Imagem: United Nations COVID-19 Response.

A desigualdade influencia, também, a forma como cada categoria da Saúde é atingida pelo novo coronavírus. O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) contabiliza mais de 13 mil afastamentos associados à COVID-19 e 101 mortes de profissionais de Enfermagem1. O risco é agravado pela escassez de Equipamentos de Proteção Individuais (EPIs), subdimensionamento das equipes e manutenção de profissionais integrantes dos grupos de maior risco na linha de frente do atendimento. Os dados coletados são apenas a ponta do iceberg, alerta o Conselho, que aponta subnotificação. Sem acesso a testes, muitos casos de coronavírus entre enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem não são contabilizados. A própria capacidade de processamento dos dados varia conforme a região.

Expostos ao contágio na linha de frente do combate ao novo coronavírus, os técnicos e auxiliares sentem, de forma desproporcional e alarmante, os efeitos da pandemia. São mais de 1,3 milhão de técnicos e quase 420 mil auxiliares de enfermagem2, que realizam cuidados essenciais em unidades de Saúde e não contam com a retaguarda assistencial e financeira para mitigar os efeitos da COVID-19 sobre si e seus familiares.

A situação é ainda mais grave quando consideramos que oito em cada dez destes profissionais são mulheres, que além de serem provedoras também assumem, na maioria das vezes, o papel de cuidadoras primárias de crianças, idosos e enfermos em suas famílias. Os baixos salários dificultam o acesso a alternativas mais seguras de transporte e cuidado para seus dependentes. Beiram, às vezes, a insegurança alimentar. É esta a realidade da maioria dos profissionais que mantêm o sistema de Saúde funcionando, em plena pandemia.

É indecente que os profissionais acima de 60 anos e integrantes de grupos de risco não tenham, ainda, sido afastados das funções que exigem contato direto com casos suspeitos e confirmados de COVID-19, contrariando diretrizes do próprio Ministério da Saúde. Vitória judicial garantiu, liminarmente, o afastamento daqueles que atuam em hospitais e institutos administrados diretamente pela União. São uma ínfima parcela do contingente. Será mesmo preciso judicializar o óbvio?

Seguimos juntos na tempestade, mas não estamos no mesmo barco. As embarcações mais frágeis levam aquelas que são, quase sempre, as primeiras a receber os pacientes em unidades de Saúde, que estão ao seu lado 24h por dia. Aquelas que, após longos plantões, seguem em transportes coletivos até a periferia, onde enfrentam dupla jornada, ainda mais árdua com o necessário fechamento das escolas. A velha lei do mar, incorporada a todas as convenções e legislações posteriores, obriga embarcações a prestarem socorro mútuo.

Sejamos solidários!

Notas

1. Observatório da Enfermagem [online]. Cofen. 2020 [viewed 12 May 2020]. Available from: http://observatoriodaenfermagem.cofen.gov.br/

2.Enfermagem em Números. [online]. Cofen. 2020 [viewed 12 May 2020]. Available from: http://www.cofen.gov.br/enfermagem-em-numeros

Links externos

Cofen – Enfermagem em Números <http://www.cofen.gov.br/enfermagem-em-numeros>

Cofen – Observatório da Enfermagem <http://observatoriodaenfermagem.cofen.gov.br/>

Maria Cecília de Souza Minayo <https://orcid.org/0000-0001-6187-9301>

Neyson Pinheiro Freire <https://orcid.org/0000-0002-9038-9974>

Sobre Maria Cecília de Souza Minayo

Professora e Pesquisadora titular da Fundação Oswaldo Cruz/CLAVES/ENSP. Graduada em Sociologia, Ciências Sociais, Mestre em Antropologia Social, Doutora Saúde Pública. Editora científica da revista Ciência & Saúde Coletiva da (ABRASCO) desde 1997. É bolsista 1A de produtividade do CNPQ e pesquisadora emérita da FAPERJ e da Fiocruz.

Sobre Neyson Pinheiro Freire

Graduação em Tecnologia em Gestão Pública, com MBA em Gestão Pública, Mestrando em Ciência EPE/UNIFESP. Jornalista. Assessor de comunicação do COFEN. Editor de Comunicação e Divulgação Científica da Revista Ciência & Saúde Coletiva. Editor de comunicação Revista Enfermagem em Foco. Pesquisador Colaborador Fiocruz.

 

Como citar este post [ISO 690/2010]:

MINAYO, M.C.S. and FREIRE, N.P. Pandemia exacerba desigualdades na Saúde [a ser publicado na Ciênc. saúde coletiva] [online]. SciELO em Perspectiva, 2020 [viewed 13 May 2020]. Available from: https://blog.scielo.org/blog/2020/05/12/pandemia-exacerba-desigualdades-na-saude-a-ser-publicado-na-cienc-saude-coletiva/
Posted in: COVID-19
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Labels: pandemia, saúde

Tuesday, 7 April 2020

PANDEMIA COVID-19 E DIREITOS HUMANOS NO BRASIL





PANDEMIA COVID-19 E DIREITOS HUMANOS NO BRASIL
 
A pandemia de Covid-19 que assola o mundo atualmente impacta com muita força nos direitos humanos, atingindo mais fortemente grupos e populações que vivem, historicamente, em condição de maior vulnerabilidade.

A crise tem exigido dos Estados e Governos uma atenção séria, coordenada e equilibrada, com ações rápidas e eficazes para salvar vidas e conter a pandemia. No entanto, há no Brasil um descompasso entre os governos locais e federal, assim como entre as orientações de instituições técnicas e as declarações públicas e medidas adotadas pelo Presidente da República.

De um lado, o Ministério da Saúde tem feito um esforço para acatar as recomendações e orientações técnicas emitidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e, de outro, o Presidente da República, Jair Bolsonaro, tem mantido uma postura irresponsável de negar ou minimizar a situação de emergência de saúde pública internacional. O presidente tem propagado informação infundada e sem embasamento científico, desrespeitado as orientações de isolamento social, indo ao encontro físico com grupos e aglomerações de pessoas, e feito pronunciamentos públicos em cadeia nacional contra o isolamento social horizontal e em defesa de medicamentos sem eficácia comprovada.

Diante a inércia do Poder Executivo Federal, as medidas de enfrentamento à pandemia, como normas sobre isolamento social, têm sido adotadas em âmbito local, por governadores e prefeitos.

Dessa forma, ao invés de zelar pela proteção da população, o chefe do Poder Executivo Federal tem concretamente exposto a população ao fomentar aglomerações e participar delas, assim como tem comprometido a eficácia das orientações de isolamento. Além disso, o Governo Federal tem questionado judicialmente as autoridades locais que adotaram providências enérgicas de combate à disseminação do novo coronavirus e aproveitado a oportunidade para enfraquecer ainda mais a rede de proteção social de trabalhadores e trabalhadoras.


Neste sentido, as organizações abaixo signatárias, somam-se a outras ações e vozes, para insistir perante a comunidade internacional que:

É necessário que todas as medidas adotadas no país para conter a disseminação do COVID-19 e tratar as pessoas enfermas estejam orientadas para a proteção de todos os direitos humanos de todas as pessoas, em especial dos grupos e populações mais vulneráveis, como as mulheres, idosos, crianças, encarcerados, migrantes, pessoas em situação de rua, pessoas com deficiência, povos indígenas e povos e comunidades tradicionais, grupos e comunidades das periferias, população negra, população LGBTIQA+ entre outros;

É fundamental que as autoridades públicas responsáveis pelas ações de enfrentamento à pandemia de Covid-19 no país preservem e fortaleçam o SUS e sigam as recomendações técnicas e científicas dos órgãos internacionais de direitos humanos e, em especial, da Organização Mundial da Saúde;

Em observância às recomendações da Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, de diversas Relatorias Especiais da ONU, da Organização Mundial de Saúde, da Organização Internacional do Trabalho e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, é fundamental que a proteção à dignidade e aos direitos humanos estejam no centro de todas as ações do Estado, em todos os níveis, federal, estadual e municipal, e nos três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário,  e que a crise provocada pelo novo coronavírus não seja utilizada para violar direitos laborais ou outros direitos humanos;

Que o Estado brasileiro, sendo signatário de documentos jurídicos que o vincula ao sistemas internacionais de direitos humanos da ONU - Organização das Nações Unidas e da OEA - Organização dos Estados Americanos, cumpra com suas obrigações e compromissos em matéria de direitos humanos, com especial destaque para o Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - Protocolo de São Salvador, incorporado ao ordenamento jurídico através do Decreto nº 3.321 de 30 de dezembro de 1999. Assim, ao invés de desacreditar os Organismos Internacionais, é necessário que o Brasil reafirme o seu compromisso com as obrigações assumidas perante a comunidade internacional mediante assinatura e ratificação dos tratados internacionais de proteção de direitos humanos;

É urgente que o Estado brasileiro garanta e viabilize concreta e rapidamente o acesso a uma renda mínima a todas as pessoas em situação de miséria e pobreza no país, bem como às/aos trabalhadoras/es, que encontram-se em situação de vulnerabilidade agravada pela atual crise econômica decorrente da crise sanitária;

É fundamental que o Estado brasileiro fortaleça o investimento público e garanta todos os direitos fundamentais da população, exigindo-se, para isto, a revogação imediata da EC 95/2016 e de todas as medidas que impedem a progressividade na disponibilização de todos os meios para fazer frente à pandemia. Faz-se também imperativo que o governo reoriente a economia do país priorizando os trabalhadores e trabalhadoras e faça justiça social adotando medidas administrativas e tributárias, para que haja desconcentração de renda e os mais ricos contribuam mais para a superação da crise e suas consequências.

Que o Estado brasileiro, através de todos os seus poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, atue com transparência, fazendo a prestação de contas pública da situação, informando amplamente a população, de modo a viabilizar a adesão às medidas, inclusive mantendo e ampliando a qualidade da informação disponibilizada por meio da Lei de Acesso à Informação;

Que o parlamento brasileiro, funcionando por meios eletrônicos, garanta condições de transparência das discussões e votações e o acesso da sociedade civil aos processos de elaboração normativa por canais de ampla participação, ainda que nos meios eletrônicos;
Que o Poder Judiciário, mais do que nunca, cumpra o seu papel de garantidor dos direitos, sobretudo, das pessoas e grupos mais vulneráveis; Assim, é urgente e necessária a suspensão de despejos e remoções que podem aumentar a vulnerabilidade das pessoas afetadas e impedir o cumprimento das medidas sanitárias de combate à pandemia;  É necessário zelar pela saúde e segurança das pessoas em situação de rua e privadas de liberdade, priorizando medidas alternativas de cumprimento de pena e de medidas cautelares;

Que sejam criados comitês nacional e estaduais de gestão da crise com a participação da sociedade civil, especialmente os Conselhos de políticas públicas, notadamente dos campos da saúde e dos direitos humanos;

Considerando que o combate à pandemia requer um esforço coletivo de amplitude global, as entidades signatárias conclamam aos Organismos e à comunidade internacional para que chamem o Estado brasileiro à responsabilidade, exortando-o a respeitar as recomendações das autoridades de saúde internacionais e nacionais, em respeito à população brasileira e internacional, sob pena de responsabilização por crimes contra a humanidade;

Não se faz a proteção da saúde e da vida sem o cuidado com a proteção dos direitos humanos de todas e todos. Todas as vidas valem e devem ser cuidadas, sempre com maior atenção àquelas que estão em condição de maior precariedade e vulnerabilização em decorrência da desproteção dos direitos humanos. É hora de proteger e cuidar!

Assinam:
Articulação Brasileira de Gays – ARTGAY
Articulação Brasileira de Jovens Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ArtJovem LGBT
Articulação Brasileira de Lésbicas – ABL
Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil - AMDH
Artigo 19
Assembleia de Deus Ministério Primavera – ADEMP/PI
Associação Agroecológica Tijupa
Animação dos Cristãos do Meio Rural do Munim
Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos - ABGLT
Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME
Associação Comunitária de Desenvolvimento Econômico, Sócio Cultural, Educativo e Agrícola de Baixa Grande do Ribeiro – ACODE/PI
Associação das Costureiras do Dirceu II
Associação das Mulheres do Bairro São Joaquim
Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente – AMENCAR
Associação de Conselheiros e Ex Conselheiros Tutelares do Estado do Paiauí – ACONTEPI
Associação de Pesquisa Xaraiés
Associação dos (as) Amigos(as) do Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes – AAMOBEP
Associação dos Grupos Educativos de Batalha – PI
Associação dos Produtores de Artesanato de Teresina – ASPROARTE
Associação dos Psicultores e Produtores Rurais de Ribeiro Gonçalves –APIRG/PI
Associação dos Retireiros do Araguaia
Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso - AEEC-MT
Associação Evangélica Piauiense - AEPI
Associação Interdenominacional de Pastores – ASSIPI/PI
Associação Juízes para a Democracia – AJD
Associação Nacional de Direitos Humanos, Pesquisa e Pós-graduação – ANDHEP
Associação Nacional de Travestis e Transexuais – ANTRA
Associação para o Desenvolvimento Comunitário de Ribeiro Gonçalves - ADEC/PI
Associação Sociocultural Fé e Vida
Brigadas Populares
Campanha Nacional pelo Direito a Educação
Cáritas Diocesana do Brejo
CDES Direitos Humanos
Central de Cooperativas Unisol Brasil
Centro Burnier Fé e Justiça – CBFJ
Centro de Assessoria e Apoio a Iniciativas Sociais - CAIS
Centro de Defesa da Cidadania e dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã i – MS
Centro de Defesa da Criança e Adolescente - Proame
Centro de Defesa de Direitos Humanos – Col
Centro de Defesa de Direitos Humanos Elda Regina
Centro de Defesa de Direitos Humanos Heróis do Jenipapo
Centro de Defesa de Direitos Humanos Nenzinha Machado
Centro de Defesa dos Direitos Humanos da Serra – CDDH Serra
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno – Marapé
Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular do ACRE – CDDHEP
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Pedro Reis – CDDH Pedro Reis
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Teresinha Silva
Centro de Defesa e Promoção dos Direitos da Cidadania de Santa Quitéria
Centro de Direitos Humanos de Barreirinhas
Centro de Direitos Humanos de Londrina - PR
Centro de Direitos Humanos de Sarandi – PR
Centro de Direitos Humanos Dom Máximo Biennes – MT
Centro de Direitos Humanos Dom Pedro Casaldaliga - MT
Centro de Direitos Humanos e Memória Popular – CDHMP
Centro de Direitos Humanos Henrique Trindade – CDDHHT
Centro de Educação e Assessoramento Popular – CEAP
Centro de Estudos, Pesquisa e Ação Cultural – CENARTE
Centro de Estudos, Pesquisa e Direitos Humanos – Caxias do Sul/RS
Centro de Pastoral para Migrantes – COM
Centro de Promoção da Cidadania e Defesa dos Direitos Humanos Pe. Josimo – Imperatriz-MA
Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social – CENDHEC
Centro Dom José Brandão de Castro – CDJBC
Centro Estadual de Educação em Direitos Humanos do Piauí
Circulo Palmarino
Coletiva As Outras Amélias
Coletiva Militância Materna
Coletivo de Afroativistas da América Latina
Coletivo de Jovens Negras Acotirene
Coletivo de Mulheres Defensoras de Direitos Humanos
Coletivo Plural Feminino
Coletivo QG Feminista
Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB - CBJP/CNBB
Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo – CDHPF
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 1a Região / DF
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 21a Região / PI
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 20a Região / AM e RR
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 11a Região / CE
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 23a Região / TO
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 19a Região / SE
Comissão de Direitos Humanos dos Conselho Regional de Psicologia da 8a Região / PR
Comissão de Direitos Humanos do Conselho Regional de Psicologia da 17a Região / RN
Comissão Pastoral da Terra – CPT MT
Comissão Pastoral da Terra – CPT Nacional
Comitê da América Latina e do Caribe para a Defesa dos Direitos das Mulheres – CLADEM Brasil
Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduino
Comitê Popular do Rio Paraguai
Conselho Indigenista Missionário – CIMI MT
Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil - CONIC
Coordenadoria Ecumênica de Serviços – CESE
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE/ES
Federação Nacional de Estudantes em Ensino Técnico
FIAN Brasil
Fórum da Amazônia Oriental – FAOR
Fórum de Direitos Humanos e da Terra – FDHT MT
Fórum de Mulheres do Mercosul Seção Lages – SC Capítulo Brasil
Fórum Ecumênico ACT Brasil – FE ACT Brasil
Fórum Gaúcho de Saúde Mental
Fórum Gaúcho de Saúde Mental - FGSM
Fórum Grita Baixada
Fórum Inter-religioso e Ecumênico do RS
Fórum Justiça no Rio Grande do Sul
Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento - Formad
Frente de Mulheres do Cariri
Frente pela Legalização do Aborto
Fundação de Defesa dos Direitos Margarida Maria Alves
Fundação Luterana de Diaconia / Conselho de Missão entre Povos Indígenas / Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (FLD-COMIN-CAPA)
Fundação Nereu Ramos – FINER
Grupo de Mulheres Negras Nzinga Mbandi
Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte - GPEA, UFMT
Grupo Unificado de Apoio a Diversidade Sexual de Parnaíba - GUARÀ
Instituto Braços
Instituto Brasil Central – IBRACE
Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas - IBASE
Instituto Brasileiro de Direito Urbanístico – IBDU
Instituto Caracol - ICA
Instituto Dakini
Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos – IDDH
Instituto de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais – IDHESCA
Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC
Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos Sociais – IPDMS
Instituto Gentes de Direitos – IGENTES
Instituto José Ricardo - Pelo bem da Diversidade
Instituto José Ricardo – Pelo bem da Diversidade
Instituto Samara Sena – ISENA
Instituto Silvia Lane - Psicologia e Compromisso Social
Instituto Terramar – CE
Jornalistas Livres
KOINONIA Presença Ecumênica e Serviço
Liga Brasileira de Lésbicas – LBL
Marcha Mundial de Mulheres – SC
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas
Movimento de Mulheres Campo e Cidade do Pará
Movimento de Mulheres Olga Benario
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST
Movimento Luta de Classes
Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH
Movimento Nacional de Luta Antimanicomial
Movimento Nacional Mães pela Igualdade
Núcleo de Estudos Rurais e Urbanos – NERU
Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas em Direitos Humanos da Universidade Federal de Goiás - NDH/UFG
Observatório da Educação Ambiental – Observare
Observatório da Juventude
Observatório da Violência Obstétrica no Brasil
Ocupação Baronesa, Centro de Referência Afroindigena do RS
ODH Projeto legal
omissão de Direitos Humanos dos Conselho Regional de Psicologia da 7a Região / RS
ONG LGBTI
Plataforma Dhesca Brasil
Processo de Articulação e Diálogo Internacional – PAD
Programa de Pós Graduação Interdisciplinar em Direitos Humanos da  Universidade Federal de Goiás
Rede Afro LGBT
Rede Ambiental do Paiauí – REAPI
Rede CANDACES
Rede feminista de saúde, direitos sexuais e reprodutivos - RFS
Rede Gay Brasil
Rede Internacional de Educação Ambiental e Justiça Climática - REAJA
Rede Lésbi Brasil de ativistas e pesquisadoras Lésbicas e Bissexuais do Brasil
Rede Mato-grossense de Educação Ambiental - REMTEA
Rede Nacional de Mulheres Negras no Combate à Violência
Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial - RENILA
Serviço de Paz – SERPAZ
Sindicato dos Trabalhadores Telefônicos de Mato Grosso – SINTTEL MT
Sociedade Maranhense de Direitos Humanos – SMDH
SOS Corpo – Instituto feminista pela Democracia
Terra de Direitos
Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos
By mimi sato - April 07, 2020 No comments:
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Labels: pandemia, saúde

Sunday, 30 December 2018

Vacinas funcionam. Aqui estão os fatos.

intercept
https://theintercept.com/2018/12/27/vacinas-funcionam-aqui-estao-os-fatos/

Vacinas funcionam. Aqui estão os fatos.

Maki Naro

27 de Dezembro de 2018, 8h00
Dependemos do apoio de leitores como você para continuar fazendo jornalismo independente e investigativo. Junte-se a nós
By mimi sato - December 30, 2018 No comments:
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Labels: ciências, saúde

Tuesday, 15 July 2014

Climate Justice and the Right to Health – A Special Issue*

health and human right journal
http://www.hhrjournal.org/


Volume 16, Issue 1

Climate Justice and the Right to Health – A Special Issue*

smoke stacks
Front Matter
Table of Contents and Masthead
Editorial
The Great Procrastination
HTML | PDF

Jay Lemery, Carmel Williams, and Paul Farmer
Foreword
HTML | PDF
Mary Robinson, President of the Mary Robinson Foundation-Climate Justice
Advancing Climate Justice and the Right to Health Through Procedural Rights
Abstract | HTML | PDF

Margaux J. Hall 
Climate Change, Children’s Rights, and the Pursuit of Intergenerational Climate Justice
Abstract | HTML | PDF

Elizabeth D. Gibbons 
Collective Violence Caused by Climate Change and How It Threatens Health and Human Rights
Abstract | HTML | PDF
Barry S. Levy and Victor W. Sidel
Prioritizing Health: A Human Rights Analysis of Disaster, Vulnerability, and Urbanization in New Orleans and Port-au-Prince
Abstract | HTML | PDF
Jean Carmalt
Climate Change and the Right to Health for Māori in Aotearoa/New Zealand
Abstract | HTML | PDF

Rhys Jones, Hayley Bennett, Gay Keating, and Alison Blaiklock
Rising Oceans, Climate Change, Food Aid, and Human Rights in the Marshall Islands
Abstract | HTML | PDF

Ingrid Ahlgren, Seiji Yamada, and Allen Wong
Wrong Side of the Tracks: The Neglected Human Costs of Transporting Oil and Gas
Abstract | HTML |PDF

Lloyd Burton and Paul Stretesky
Social Justice, Climate Change, and Dengue
Abstract | HTML | PDF

Aileen Y. Chang, Douglas O. Fuller, Olveen Carrasquillo, and John C. Beier
Chikungunya, Climate Change, and Human Rights
Abstract | HTML | PDF

Braden Meason and Ryan Paterson
Emerging Roles of Health Care Providers to Mitigate Climate Change Impacts: A Perspective from East Harlem, New York
Abstract | HTML | PDF

Perry E. Sheffield, Kathleen T. Durante, Elena Rahona, and Christina Zarcadoolas 

General Health and Human Rights Articles

The Impact of Reliance on Private Sector Health Services on the Right to Health
Abstract | HTML | PDF

Audrey R. Chapman
Human Rights and the Global Fund to Fight AIDS, Tuberculosis, and Malaria
Abstract | HTML | PDF

Sara L.M. Davis
Using a Reporting System to Protect the Human Rights of People Living with HIV and Key Populations: A Conceptual Framework
Abstract | HTML | PDF

R. Taylor Williamson, Peter Wondergem, and Richard N. Amenyah
Data-Driven Human Rights: Using the Electronic Health Record to Promote Human Rights in Jail
Abstract | HTML | PDF

Sarah Glowa-Kollisch, Kelly Andrade, Richard Stazesky, Paul Teixeira, Fatos Kaba, 
Ross Macdonald, Zachary Rosner, Daniel Selling, Amanda Parsons, and Homer Venters
Women, E-waste, and Technological Solutions to Climate Change
Abstract | HTML | PDF

Lucy McAllister, Amanda Magee, and Benjamin Hale
Increased Depressive Symptoms among Arab Bedouin Women Under Threat of House Demolition in Southern Israel
Abstract | HTML | PDF

Nihaya Daoud and Yousef Jabareen

*This special issue on climate justice and the right to health was co-edited by Jay Lemery, president of the Wilderness Medical Society. The publishers of Health and Human Rightsthank the Wilderness Medical Society for their support of this issue.
WMSLogoFull2

Photo: Graeme Maclean. Image used with permission from the photographer under Creative Commons license 2.0. 
By mimi sato - July 15, 2014 No comments:
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Labels: clima, justiça climática, referências, saúde
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