Thursday, 19 April 2012

CRESCE VALORIZAÇÃO DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

sbpc
http://www.sbpcpe.org/index.php?dt=2012_04_19&pagina=noticias&id=07263


 Quinta-feira, 19 de Abril de 2012
CRESCE VALORIZAÇÃO DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA
Fonte: Fábio de Castro, Agência FAPESP de 17.04.2012
Editor de Ciência do Financial Times há duas décadas, o jornalista britânico Clive Cookson acredita que os temas científicos têm se tornado mais familiares e mais valorizados para o público, graças a uma cobertura jornalística que se revela pouco a pouco mais profunda e mais precisa que no passado.
Essa transformação, de acordo com Cookson, deve-se em parte às novas tecnologias que facilitaram o trabalho do jornalista nos últimos anos. Mas, segundo ele, a principal razão para que o noticiário de ciência ganhasse mais qualidade está em uma mudança de atitude dos próprios cientistas, que perceberam a importância da comunicação.

Cookson, que atua há mais de 30 anos na cobertura dos temas de ciência e tecnologia, em diversos países e diferentes veículos e contextos, participou nesta segunda-feira (16/4) do seminário “Ciência na Mídia”, promovido pela FAPESP na sede da Fundação, em São Paulo.

O evento teve o objetivo de estimular a reflexão, por parte de todos os envolvidos na produção e divulgação científicas, sobre as maneiras de propiciar um espaço para a troca de conhecimentos e a proposição de novos modos de pensar a divulgação desses temas na sociedade. Em entrevista exclusiva à Agência FAPESP, Cookson comentou esses temas. 

Agência FAPESP – Como tem evoluído a cobertura jornalística sobre ciência, considerando os seus 30 anos de experiência na área? 
Clive Cookson– Apesar de existirem muitos blogs e sites de ciência, as pessoas continuam obtendo a maior parte de suas informações sobre o que está acontecendo no mundo científico por meio da mídia tradicional: jornais impressos, revistas, TV e rádio. Assim, o cientista se comunica com o público por meio desses veículos não especializados em ciência. Essa não é uma relação trivial. Mas sou muito otimista, porque, olhando com essa perspectiva de 30 anos, percebo que os cientistas estão se tornando muito melhores na tarefa de se comunicar com a mídia.

Agência FAPESP – O que mudou nessa relação, da perspectiva dos cientistas? 
Clive Cookson– Eles estão se tornando muito mais proativos, mais abertos. Perderam o medo do contato com os repórteres. É uma mudança muito grande se você olha em uma perspectiva de longo tempo. E acredito que se trata de algo até certo ponto generalizado. Aqui no Brasil percebi que os cientistas são muito abertos.

Agência FAPESP – Qual pode ter sido a razão para essa transformação? 
Clive Cookson– Os cientistas perceberam – certamente nos Estados Unidos e Europa, mas acho que no Brasil também – que é mais provável conseguir investimentos públicos e auxílios para fazer suas pesquisas na medida em que eles se tornam bons comunicadores. Na Grã-Bretanha os conselhos de pesquisa incluem explicitamente a comunicação dos resultados científicos como um dos critérios importantes para conseguir investimentos. De modo geral, podemos dizer que você tem mais facilidade para conseguir o investimento se você estiver preparado para comunicar. Isso é verdade para os pesquisadores, de forma individual, mas também em uma perspectiva mais geral: os pesquisadores sabem que a ciência como um todo terá mais apoio público se os cientistas gastarem um pouco de tempo e esforço para falar com jornalistas.

Agência FAPESP – Além dessas mudanças do lado da comunidade científica, houve também evolução do lado da produção da notícia? A qualidade do jornalismo melhorou? 
Clive Cookson– Houve melhora, mas nada que justificasse um aumento muito grande da confiança dos pesquisadores nos jornalistas. A qualidade do jornalismo melhorou, mas não acho que isso tenha acontecido porque os jornalistas se tornaram melhores. O que ocorreu é que ficou muito mais fácil escrever uma matéria sobre ciência, agora que podemos ter acesso a artigos científicos na internet, podemos obter comentários por e-mail e coisas assim. Quando eu comecei no ofício, se quiséssemos ter acesso a um artigo era preciso ir às bibliotecas e para um simples comentários era preciso ter muita sorte e localizar os pesquisadores por telefone na hora certa.

Agência FAPESP – No Brasil os jornalistas de ciência, com frequência, têm formação em jornalismo, mas não uma formação científica. Qual é a característica dos divulgadores na Inglaterra? 
Clive Cookson– Na Inglaterra há uma mistura. A maior parte dos jornalistas de ciência tem uma formação em ciência. Eu, por exemplo, sou formado em química. Mas há outros ótimos jornalistas de ciência que têm seu background em artes ou humanidades e depois começaram a trabalhar com ciência e foram excepcionalmente atraídos pela área. Acho que há prós e contras em ambos os casos.

Agência FAPESP – Em uma situação hipotética: se o senhor tivesse que contratar um repórter, iria preferir um indivíduo com uma formação científica, que escreve bem, mas não tem nenhuma experiência prévia em jornalismo, ou alguém que é um jornalista capaz e talentoso, mas sem qualquer envolvimento com ciência, nem experiência em jornalismo científico? 
Clive Cookson– Se eu estivesse contatando essa pessoa para um trabalho de reportagem de ciências em um jornal, por exemplo, não hesitaria: escolheria o jornalista que tem experiência em reportagem, em vez de escolher o cientista. Acho que a capacidade para ser um bom jornalista é de fato o mais importante. Não adianta ser um bom cientista que escreve corretamente. Porque a ciência realmente requer um texto diferente, vívido. Prefiro um excelente jornalista que um excelente cientista para fazer isso.

Agência FAPESP – A percepção do público em relação à importância da ciência também tem mudado? 
Clive Cookson– Minha impressão é que o conhecimento sobre ciência em meio ao público geral melhorou sim. Ainda não é o suficiente, mas acho que, em geral, a população ficou mais alfabetizada em ciência que há alguns anos atrás. Muita gente passou a entender melhor as bases da ciência. As pessoas têm mais intimidade com temas e termos centrais no mundo científico. Até certo ponto a internet contribuiu com isso, mas não sei se há grande potencial para melhorar muito mais, porque na rede também temos muito ruído e desinformação.

Agência FAPESP – Os jornalistas procuram fazer a ciência mais atraente para o público. Ao mesmo tempo, tendem a mostrar exclusivamente os resultados de sucesso, deixando em segundo plano o processo de produção da ciência. Com isso não se corre o risco de mistificar a ciência junto ao público? 
Clive Cookson– Tem toda razão, esse é um problema absolutamente fundamental na relação entre jornalismo e ciência. No noticiário não há tempo nem espaço para descrever todos os passos da produção da ciência, mostrando ao público que não se trata de mágica, mas de um processo difícil, pontuado de dificuldades e fracassos momentâneos. O que deixa essa situação pior é que mesmo que você privilegie as pesquisas de qualidade, publicadas em revistas de prestígio, os artigos científicos também não lhe darão pistas sobre o processo de como a ciência funciona. Você só conseguiria dar ao público uma educação científica se fosse possível acompanhar o trabalho por meses a fio no laboratório. Geralmente isso é impossível.

Agência FAPESP – Além disso os insucessos raramente são publicados, não é? 
Clive Cookson– Sim, essa é outra questão. A publicação, em particular na área de saúde, normalmente descreve apenas os resultados positivos. Os resultados negativos quase nunca têm espaço em publicações. É preciso estar atento a isso para não dar uma falsa impressão de que a ciência é feita só de acertos.

Agência FAPESP – Quando se noticia os resultados de um novo estudo, pode ser difícil repercutir a notícia com outros cientistas, porque muitas vezes eles alegam que ainda não tiveram contato com o artigo. Como o senhor lida com essa situação? 
Clive Cookson– É uma situação extremamente difícil. Em primeiro lugar porque os cientistas normalmente não indicam seus competidores que trabalham na mesma área e que poderiam contribuir com um comentário. Além disso, geralmente é difícil conseguir um comentário sobre um artigo que acaba de sair e que não foi lido por quase ninguém. Na Inglaterra temos uma organização é muito útil, nesse sentido, para os jornalistas da área de saúde: o Science Media Centre.

Agência FAPESP – Como funciona? 
Clive Cookson– É um serviço que foi criado há exatos 10 anos e reúne cientistas que atuam como se fosse assessores de imprensa. Eles pegam qualquer estudo e avaliam se é controverso, ou interessante o suficiente para render uma manchete. Então usamos seus contatos, que fazem comentários com grande qualidade. Acho que o SMC fez mais que qualquer outra instituição para melhorar a cobertura jornalística de ciência na Inglaterra. Eles têm excelentes bases de dados e uma incrível lista de contatos especializados. É muito eficiente.

Agência FAPESP – Muita gente vê os repórteres de ciência como tradutores de uma linguagem especializada para a linguagem do senso comum. O que o senhor acha dessa noção? 
Clive Cookson– Parte do que fazemos pode ser visto como uma espécie de tradução, mas espero que nosso trabalho seja algo mais criativo e complexo que isso. Acho que os jornalistas são capazes de colocar novas maneiras de se olhar para a ciência que os próprios cientistas não poderiam proporcionar. É algo mais que simplesmente traduzir. Podemos gerar imagens, comparações, que os cientistas não conceberiam. Não se trata apenas de questão de simplificar uma linguagem, mas de fornecer uma interpretação nova de ideias, contextos e visões. E, mesmo no campo da linguagem, acho que esse trabalho extrapola a simples tradução: devemos ser autores capazes de tornar o conhecimento mais vívido, mais interessante para o público.

Agência FAPESP – Como foi sua trajetória? Por que se interessou por ciência? 
Clive Cookson– Sempre me interessei por ciência e me formei em Química em Oxford. Mas dois fatos mudaram minha trajetória. Um deles é que notei que o jornalismo científico na Inglaterra não era bom. Ao mesmo tempo, percebi que eu não seria brilhante o suficiente para fazer um bom doutorado em química. Eu sabia que se não fosse tão brilhante, um doutorado em química poderia se transformar em algo não muito criativo, uma espécie de trabalho braçal para um orientador. Eu sabia que não era na verdade bom o suficiente para me tornar um grande cientista. Mas percebi que poderia escrever bem sobre ciência.

Agência FAPESP – E como começou de fato a atuar como jornalista? 
Clive Cookson– Fui aceito em um programa de treinamento de um jornal local, em Londres. Depois de dois anos, tive a oportunidade de ir para Washington, nos Estados Unidos, por quatro anos, para trabalhar no suplemento de Educação Superior do Times. Foi uma experiência fantástica, eu escrevia sobre as universidades e institutos de pesquisa norte-americanos. Depois voltei para Londres para me tornar repórter de tecnologia do Times. Comecei, na década de 1980, a trabalhar na rádio BBC, como correspondente da área da saúde. E de lá fui para o Financial Times, onde tenho atuado como editor de ciência nos últimos 20 anos.

Thursday, 5 April 2012

Yáskara Camila Albernaz Vandoni & Iara Cristina Gauer Barcelos

Relatório de pesquisa de campo
15 e 18 de março de 2012
São Pedro de Joselândia (SPJ) - MT.


Yáskara Camila Albernaz Vandoni
Iara Cristina Gauer Barcelos
(Escola Livre Porto Cuiabá)



INAU- INSTITUTO NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM ÁREAS ÚMIDAS

LABORATÓRIO 5: EDUCAÇÃO, SOCIOECONOMIA E PRÁTICAS CULTURAIS
PROJETO 5: CIÊNCIA E CULTURA NA REINVENÇÃO EDUCOMUNICATIVA
Subprojeto 5.3: Avaliação Ecossistêmica do Milênio

No dia 15 de março de 2012, saímos de Cuiabá em direção ao Sesc Pantanal, para enfim chegarmos à comunidade de São Pedro de Joselândia para estudarmos a relação entre os nativos e anfíbios. O caminho foi longo e até por cavalos fomos puxados em pontos mais razos do trajeto.
Mimi Sato, março de 2012 – São Pedro de Joselândia.
No dia 16 realizamos também o censo socioeconômico, dividindo o grupo para que pudéssemos abranger grande parte da comunidade. 49 questões sobre a rotina e qualidade de vida compuseram este formulário.
Mimi Sato, março de 2012 – São Pedro de Joselândia.
No dia 17 fizemos um pouco diferente: pela manhã, cada um saiu em busca de respostas para questões relacionadas ao tema do próprio trabalho. Junto da parceira Iara e Herman, fomos à casas aleatórias para realizar nosso questionário. No período vespertino, continuamos nossas pesquisas individuais e concluímos o censo em partes mais afastadas da comunidade.
Mimi Sato, março de 2012 – São Pedro de Joselândia.
No dia 18, retornamos da viagem como fomos!
Mimi Sato, março de 2012 – São Pedro de Joselândia.

Tuesday, 3 April 2012

Dimensão Geográfica do Campo



Relatório de trabalho de Campo
Giseli Dalla Nora e Herman de Oliveira
Projeto: CIÊNCIA E CULTURA NA REINVENÇÃO EDUCOMUNICATIVA

O trabalho de campo para pesquisa do projeto “Ciência e Cultura na reinvenção educomunicativa” realizou-se nos dias 15, 16, 17, e 18 de março de 2012 na comunidade de São Pedro localizada no distrito de Joselândia, município de Barão do Melgaço localizado no Pantanal de Mato Grosso.
Anteriormente à viagem construímos um questionário estruturado e que agregou questões diversas tangentes á gênero, mitologia local, relações com a água e alguns aspectos no tocante à história de vida. A aplicação deste questionário a partir da organização do Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (Gpea) pela própria ótica de um grupo pesquisador promoveu a inter-relação entre questões inerentes ao universo geral ao invés de ater-se exclusivamente às pesquisas individuais.
Isso permitiu que a visada destes pesquisadores se ampliasse, pois, durante a entrevista, nos vimos na contingência de abordar questões outras pertinentes ao grupo pesquisador e, portanto, recorrendo constantemente a reflexões e trocas durante os dias da pesquisa.
Esta viagem contou com alguns objetivos enquanto pesquisadores do GPEA: 
·         Conhecer e identificar as características físicas, econômicas, culturais e sociais da comunidade de São Pedro no distrito de Joselândia, no município de Barão do Melgaço;
·         Realizar um levantamento da realidade socioeconômica da comunidade de São Pedro a partir da aplicação do questionário estruturado;
·         Promover uma reunião de planejamento junto aos professores e técnicos administrativos da Escola Estadual Maria Silvino Peixoto de Moura;
No cumprimento dos objetivos contamos com o instrumento construído prévia e coletivamente e, assim, realizamos levantamento inicial sobre a estrutura e realidade de São Pedro de Joselândia o que requereu um mapeamento ilustrado a seguir:

 
A área circundada em vermelho representa o perímetro urbano da comunidade de São Pedro em Joselândia. Esta área fica localizada no município de Barão de Melgaço, mas um dos seus acessos durante enchente e cheia é pelo município de Poconé, próximo a Estância Ecológica SESC Pantanal.




As imagens de satélite apresentadas neste estudo datam o ano de 2010 e foram retiradas do banco de imagens do Google Earth e apresentam uma região com forte desmatamento da vegetação nativa e forte ocupação humana com a presença de estradas de terra bem como construções. Vale lembrar também que a área alaga periodicamente.





A comunidade de São Pedro é característica de uma comunidade ribeirinha, possui campos alagadiços e uma paisagem deslumbrante que se difere de acordo com o ponto da comunidade que se localiza o expectador e se difere ainda de acordo com o regime das chuvas.
A comunidade apresenta, em termos de infra-estrutura, igrejas, pousadas, escola, posto de saúde, pista de pouso e vários pequenos empreendimentos comerciais.




A comunidade é toda cortada por ruas de terras que se tornam precárias para os deslocamentos durante as chuvas. Uma das espécies da flora mais utilizada pela comunidade é o Cambará, importante pela sua riqueza e por ser a árvore utilizada na confecção da canoa, principal meio de transporte na comunidade no período de enchente e cheia.




A escola Estadual Maria Silvino Peixoto de Moura nasceu em 1978, foi autorizada em 1992, e tem a sua criação em 1995. Frequentam a escola aproximadamente 291 alunos, incluindo as salas anexas de Pimenteira e Estirão Comprido.
Compõem o quadro docente na sede15 professores e mais 4 em Estirão Comprido.
No setor administrativo a equipe gestora conta com 6 profissionais; mais
6 profissionais na equipe de manutenção e secretaria; e
12profissionais na equipe de limpeza e apoio administrativo.
O posto de saúde tem atendimento limitado e fica localizado já na saída para Barão de Melgaço.

O segundo objetivo da viagem foi realizado no levantamento da realidade socioeconômica da comunidade a partir da aplicação do questionário estruturado e discutido anteriormente,cujos dados levantados estão em processo de tabulação.
Promovemos uma reunião de planejamento junto aos professores e técnicos administrativos da Escola Estadual Maria Silvino Peixoto de Moura visando, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação – SEDUC, realizar um curso de formação continuada em educação ambiental.
Neste sentido algumas aflições foram sentidas durante a reunião como a necessidade de trabalhar efetivamente a educação no campo, pois a escola se esforça no sentido de se adequar às normas da SEDUC.
De acordo com o relato dos profissionais da escola há a percepção de que alguns projetos desenvolvidos pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema) e pelo Serviço Social do Comércio representado pela unidade Sesc Pantanal, são trabalhos de educação ambiental. Especificamente trabalham com coleta de lixo, horta escolar e jardinagem.
Um dado preliminar e curioso, mas que necessita de investigação mais aprofundada, diz respeito às diferentes percepções entre homens e mulheres em relação ao que sentem e como se sentem em relação às condições de vida em São Pedro. De maneira geral os homens se sentem bem e afirmam que viver em São Pedro é muito bom em função da tranquilidade e da segurança de que desfrutam, além de possuírem momentos de lazer e descontração (pescar, andar a cavalo, jogar futebol, entre outros). Por outro lado, as mulheres afirmam que a vida em São Pedro não é muito boa, pois as condições de vida são ruins em função da falta de lazer, por não terem perspectivas de crescimento pessoal, entre outros fatores.
Contudo, ambos concordam que uma das maiores dificuldades enfrentadas pela comunidade diz respeito ao transporte (mobilidade) notadamente na referência que fazem às condições da estrada e na aquisição de alguns gêneros alimentícios, ainda que a grande maioria possua hortas de subsistência o que permite avaliar algumas condições que fragilizam a economia local no tocante a seu aquecimento.






Monday, 2 April 2012

ANIMAIS DO PANTANAL



INAU- INSTITUTO NACIONAL DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM ÁREAS ÚMIDAS 
LABORATÓRIO 5: EDUCAÇÃO, SOCIOECONOMIA E PRÁTICAS CULTURAIS
PROJETO 5: CIÊNCIA E CULTURA NA REINVENÇÃO EDUCOMUNICATIVA
Subprojeto 5.3: Avaliação Ecossistêmica do Milênio 

ANIMAIS DO PANTANAL
 
Relatório de pesquisa de campo 

15 e 18 de março de 2012 
São Pedro de Joselândia (SPJ) - MT.


Luigi Teixeira de Sousa
Péricles Vandoni
(Escola Livre Porto Cuiabá)

Mimi: pássaro pantaneiro


1. Os animais durante a seca

Nas entrevistas feitas pelos pesquisadores mirins Péricles Albernaz Vandoni e Luigi Teixeira de Sousa, foram colhidas diferentes informações. Cada pessoa entrevistada disse uma coisa diferente da outra, na questão: “Quais animais aparecem na seca”?
  • Dona Maria (esposa do Marionei): Cutia, veado, cabeça-seca e tuiuiú. 
  • Seu Fermino: Cutia, tatu, lubinho (lobinho), tuiuiú e cabeça-seca. 
  • Dona Tarsila (esposa do Seu Joaquim): Anta e veado. 
  • Seu Miguel: tuiuiú, cabeça-seca, curica-cá, tentem, anhuma e silimbu (sinimbu). 
  • Seu Pica-Pau (dono de pousada): Veado, porco-monteiro (porco-mateiro), onça e caititu. 
  • Seu Salvador: Cavalo, vaca, tuiuiú, garça, tabuiaiá, cabeça-seca. 
  • Dona Maria: Não soube responder. 
A Figura 1 revela que as aves tuiuiú e a cabeça seca são mais percebidas pelos entrevistados, seguidos da outra ave garça e dos mamíferos veado e cutia. Os demais representantes foram citados apenas uma vez. Embora as aves apareçam mais frequentemente, os mamíferos são os animais mais citados. 


Figura 1: animais mais percebidos na seca pelos moradores de Joselândia

 Mimi: tuiuiú

         
2. Os animais durante a cheia

Na segunda questão, as entrevistas foram sobre os animais durante a cheia. Veja os animais vistos pelos moradores na cheia:
  • Dona Maria (esposa do Marionei): Qua, cafezinho, caranguejo e jacaré. 
  • Seu Fermino: Marreca, pato, caranguejo e jacaré. 
  • Dona Tarsila (esposa do Seu Joaquim): Jacaré. 
  • Seu Miguel: Jacaré, cobra, sucuri, marreca, garça, tabuiaiá e ema. 
  • Seu Pica-Pau (dono de pousada): Cobra, tatu, lobinho, cutia, sapo, caranguejo e jacaré. 
  • Seu Salvador: Jacaré, capivara, lontra, ariranha, caranguejo e sucuri. 
  • Dona Maria: Sapo e cobra. 
A população percebe as diferenças no aparecimento de certos animais, ainda que alguns se mantenham (garça, tabuiaiá e tatu). O jacaré foi citado por quase todas as pessoas, exceto uma entrevistada. Animais aquáticos como caranguejo e ariranha também são frequentes.




Figura 2: animais mais percebidos na cheia pelos moradores de Joselândia

 Mimi: jacaré

3. Quais animais os moradores de SPJ gostam


Na entrevista perguntamos quais animais eles mais gostavam e porque gostavam daquele animal. Veja quem gosta de qual animal e porque gosta daquele animal pela região:

  • Dona Maria (esposa do Marionei): Galinha, por que é alimento; cachorro, por que ele vigia a casa e gato por que ele come insetos e ratos. 
  • Seu Fermino: Gado e cavalo por que trazem renda. 
  • Dona Tarsila (esposa do Seu Joaquim): Cachorro, por que é companheiro. 
  • Seu Miguel: Jacucaca, motun e aranquã, por que são agradáveis. 
  • Seu Pica-Pau (dono de pousada): Cachorro, por que é amigo do homem. 
  • Seu Salvador: Cavalo, por que é um meio de transporte; cachorro, por que é amigo do homem e tuiuiú e aranquã, por que cantam. 
  • Dona Maria: Cavalo e vaca, por que são mansos. 
Mimi: cachorro


4. Importância sobre proteger os animais

Na pesquisa nós também perguntamos às pessoas se elas achavam importante proteger os animais, e por que elas achavam importantes. Veja as opiniões de casa um:

  • Dona Maria (esposa do Marionei): É importante por que os animais são seres vivos e precisam ser preservados. 
  • Seu Fermino: Sim, por que quanto mais se protege eles maior é a renda. 
  • Dona Tarsila (esposa do Seu Joaquim): É, por que eles dão renda. 
  • Seu Miguel: Não, por que ficariam muitos animais. 
  • Seu Pica-Pau (dono de pousada): É importante por que eles devem ser preservados. 
  • Seu Salvador: É importante por que eles não merecem ser maltratados. 
  • Dona Maria: Sim (não soube explicar por que).
Mimi: gado


Mimi: Lui e borboletas

Mimi: Bambam e borboletas