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Thursday, 26 September 2019

Anatomia e imagens do grande protesto global

OP
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Anatomia e imagens do grande protesto global

Não foi apenas a maior manifestação já realizada contra a destruição do planeta. Foi um sinal claro de que aumenta a consciência sobre as causas do problema e de que o movimento pode tornar-se ator central na contestação do capitalismo
Se não é possível ocultar um protesto, tente esvaziá-lo de sentido. A Greve Global pelo Clima estava convocada há dois meses, mas a velha mídia brasileira fez o possível para não vê-la – muito menos, narrá-la.
Agora que isso tornou-se impossível, pois milhões foram às ruas no primeiro dia da semana de ações, as fotos se espalharão pelos portais, jornais e noticiários de TV. Os textos tomarão, no entanto, o cuidado de omitir três pontos centrais. Primeiro: cresce, junto com as marchas, a consciência de que o planeta não é ameaçado “pelo ser humano” – mas por um sistema que obriga multidões a devastarem a natureza (ao privá-las de outro modo de subsistência) e que promove, em busca do lucro, o consumismo, o desperdício e a obsolescência programada. Segundo: esta consciência deixou de ser um fenômeno restrito às sociedades ricas ou às classes com mais acesso à informação. À medida em que as consequências do aquecimento global espalham-se, surgirá talvez um fenômeno oposto: as maiorias pobres, principais vítimas, podem converter-se na grande força a tomar as ruas e exigir mudança. Terceiro: a omissão dos políticos tem um preço. Embora tenha se difundido pelo mundo, os protestos foram e tendem a ser maiores e mais ácidos nos países cujos governantes desdenham da crise.

Oceania

Austrália
A jornada desta sexta-feira começou na Oceânia, quando o resto do planeta ainda dormia. Na Nova Zelândia, onde a primeira ministra Jacinta Ardern defende a imigração e a luta contra o aquecimento global, as manifestações ocorrerão no próximo dia 27. Mas a Austrália, onde governa Scott Morrison, um primeiro-ministro alinhado à direita e aos planos geopolíticos de Trump, viveu talvez os maiores protestos de rua de sua história. Multidões formaram-se nas principais cidades – Sidney, Camberra, Adelaide, Brisbane – e uma centena de centros urbanos menores. Reuniram 300 mil pessoas, num país de população nove vezes menor que a brasileira. Muitas portavam cartazes contra Morrinson. Outras lembravam: “negação não é política”, referindo-se ao fato de que o enorme litoral australiano e a concentração dos habitantes na costa torna o país especialmente vulnerável à elevação dos mares.
Austrália
Situadas a Nordeste da Austrália, as Ilhas Salomão também foram palco manifestações. Lá, uma população de 560 mil pessoas está ameaçada de desaparecer rapidamente. A altitude média é de centímetros acima do mar. Muitas casas são montadas sobre palafitas fincadas diretamente no solo oceânico. Ciclones, antes inexistentes, estão se tornando cada vez mais comuns. Houve protestos em que se lia: “Não estamos afundando. Estamos lutando”.
Ilhas Salomão

S

Sudeste Asiático

Manila, Filipinas
Filipinas e Indonésia, arquipélagos no Pacífico Sul, tiveram manifestações em condições difíceis. No primeiro país, apesar da feroz ditadura de Rodrigo Duterte, ocorreram 13 protestos. Na Indonesia, eles também ocorreram e lembraram uma tragédia real (e quase desconhecida em todo o mundo). A capital, Jakarta, está afundando – devido tanto à elevação dos mares quanto, em especial, ao esgotamento do lençol freático que, vazio, cede rapidamente ao peso da cidade. Em alguns bairros, o afundamento do solo chega a 20cm ao ano. Estima-se que, em 2030, 90% do território será inabitável. Há semanas, constrangido, o presidente Joko Widod anunciou a tranferência da capital para a ilha de Bornéu. Como Jakarta possui mais de 10 milhões de habitantes, teme-se que o colapso apenas seja transferido. Ainda houve manifestações na Tailândia, onde estudantes muito jovens cercaram a casa do ministro do meio-ambiente e simularam estar mortos.
Indonésia
Tailândia

Ásia das Monções

Na Índia, os protestos ocorreram em Dehli, Mumbai, Hyderabad, Guwahati e dezenas de outras cidades. Uma multidão de estudantes bloqueou ruas na capital, onde se prevê o esgotamento das águas subterrâneas em 2020. As monções, que marcam o clima do país e trazem as chuvas, agora falham.
Índia
Dehli, Índia
Dehli, Índia
Paquistão
Mas também Paquistão (34 cidades), Bangladesh e Afeganistão mobilizaram-se. Neste último país, vítima há 18 anos da mais longa guerra já realizada pelos Estados Unidos, soldados armados protegeram os jovens manifestantes.
Bangladesh
Afeganistão

África

Wakiso, Uganda
Das dezenas de países africanos onde houve manifestações, destacam-se África do SulNigériaQuênia, Uganda Senegal. Aqui, a injustiça climática é extrema. O continente todo produz apenas 7% das emissões globais de CO² – embora reúna 14% da população do planeta. Porém, será, segundo o IPCC-ONU, o mais atingido pela elevação das temperaturas. Haverá secas e inundações extremas. A agricultura tradicional, mais vulnerável e sem recursos, será dramaticamente atingida. O deslocamento de populações, fugindo das intempéries, tenderá a provocar tragédias sociais de grandes proporções, no continente e fora dele, se as sociedades de todo o mundo não multiplicarem sua pressão.
Nairobi, Quênia
Nigéria
Johannesburgo, África do Sul
Uganda
Quênia

Leste europeu

Cracôvia, Polônia
O Leste Europeu foi às ruas. PolôniaRomêniaAlbânia e Ucrânia, onde o socialismo real também produziu desastres ambientais – por não ter se livrado das visões de mundo que enxergam a natureza como “recurso”, a ser domado e explorado pela humanidade. Em Cracóvia e Kiev, cidades cujos países são governados pela extrema direita, dezenas de milhares manifestaram-se.
Kiev, Ucrânia
Albânia

Europa Ocidental

Berlin, Alemanha
Já na Europa Ocidental, destacaram-se FrançaReino Unido e, em especial, Alemanha – mas também houve protestos muito importantes na HolandaBélgica e Grécia. Na Espanha, onde manifestações igualmente gigantescas ergueram-se contra o feminicídio, Itália e Portugal, as manifestações ocorrerão no dia 27.
Bélgica
Dezenas de cidades alemãs encheram suas ruas contra o sistema que provoca o aquecimento global. Calcula-se que 1,4 milhões de pessoas manifestaram-se, em mais de cem cidades. A chanceler Angela Merkel, pressionada, anunciou um pacote de 54 bilhões de euros para medidas “ambientais”. A coalizão “Fridays for Future” respondeu de pronto, considerando as medidas pouco ambiciosas e afirmando: “Querida chanceler, isso não é uma ruptura, é um escândalo”.
Berlin, Alemanha
Berlin, Alemanha
Na Inglaterra, também governada por um primeiro-ministro de direita próximo a Trump (Boris Johnson) dezenas de cidades também protestaram. Em Londres, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn falou a cerca de 100 mil pessoas. Acenou com a hipótese de uma “revolução industrial ambientalista”, orientada para novo tipo de produção e de consumo. Em Paris, 10 mil pessoas, a grande maioria muito jovens, foram às ruas.
Londres, Inglaterra
Paris, França

Brasil

São Paulo
O protesto em São Paulo estava se adensando, quando este texto foi fechado. Dez mil pessoas concentraram-se a partir das 17h na Avenida Paulista, diante do MASP. Destacou-se a presença de indígenas, de gente muito jovem e de um bloco de catadores. Havia centenas de cartazes de mão estampando o desejo político dos manifestantes. A maior parte condenava Bolsonaro e o capitalismo. Em mais 32 cidades brasileiras estavam previstas ações, de passeatas a pequenos atos. Entre elas, destacaram-se RioFortaleza e São Carlos-SP.

América Latina

Cidade do México
Na América Latina, também México, Bolívia, Colômbia, Chile El Salvador também tiveram protestos importante. Na Cidade do México, milhares de garotas e garotos marcharam até o Zócalo, centro da megametrópole, pedindo que o governo de Lopez Obrador decrete emergência climática.
Colômbia
La Paz, Bolívia

Estados Unidos

EUA
Nada poderia fechar mais simbolicamente o início da semana de greve pelo clima que a vasta série de manifestações nos Estados Unidos. Em dezenas de cidades, multidões desafiaram Trump, expoente e principal articulador da onda de extrema direita que ameaça varrer o planeta. Multidões mostraram que há resistência; que ela é capaz de se tornar majoritária em breve e que se politiza rapidamente. O Green New Deal, proposta radical que articula defesa do ambiente com igualdade e vasta renovação da infraestrutura, foi abraçado pelos movimentos que articularam as manifestações.
EUA
EUA
A jornada foi encerrada por uma fala da garota sueca Greta Thunberg em Nova York. Disse ela, a uma multidão de mais de 150 mil pessoas: “Se você pertence àquele pequeno grupo de pessoas que se sente ameaçado por nós, temos algumas notícias muito más para você, porque é só o começo. A mudança está começando, queiram vocês ou não”.
Greta Thunberg discursa em Nova York
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Sunday, 15 September 2019

GREVE GERAL PELO CLIMA

https://act.350.org/event/globalclimatestrike_attend/20603?nr=1&akid=.3987037.j1_qMg&utm_medium=email&utm_source=actionkit

Remtea

Entre 20 a 27 de setembro, os jovens de todo o mundo estão organizando uma *Greve Global pelo Clima* para exigir ações urgentes e tentar impedir o irreversível colapso climático. Todxs, independentemente da sua idade, são convidados a participar, para que possamos criar um outro mundo possível. Um mundo para que todos tenham acesso ao ar limpo, água potável e alimentos sadios, com nossos municípios livres de poluição, além do cuidado com o outro e com o ambiente.

Você é bem-vindx, mas é necessário também AGIR, da maneira que puder. Se a programação da greve estiver muito cansativa, reserve uns dias de férias no futuro, ou trabalhe meio período. Precisamos de todxs para pressionar as ações do governo sobre a crise climática. Você vai participar?

Compartilhe esta mensagem com todos os seus contatos clicando neste link: http://bit.ly/UKSCNstrike – EN

E encontre a greve mais próxima em: https://ukscn.org/r2/events/wacascade.

A gente se vê por lá!

*Coalizão pelo Clima - Cuiabá, MT*
GPE – NERU – REMTEA – FDHT – FORMAD
*25/09/2019 – a partir das 9h.*
*Instituto de Educação, UFMT*

Global action

Remtea

Observare

Facebook


REDE DO CLIMA

Os jovens do mundo demandam por:
*1) SALVAR O FUTURO*
Construindo a Justiça Climática para todxs por meio de 5 princípios: *a)* diminuir os níveis de CO2, incluindo as mudanças logísticas necessárias para esta guinada; *b)* criar condições de empregos satisfatórios e justos que sejam sustentáveis; *c)* a redução de desigualdades socioeconômicas, com processos de inclusão dos setores atingidos pela colonização hierárquica que eliminou a noção ecológica ou social, privilegiando a economia; *d)* a restauração e conservação do ambiente no sentido amplo da palavra; *e)* promover a justiça climática aos grupos em situação de vulnerabilidade, como indígenas, quilombolas, ribeirinhos, e demais grupos ou comunidades economicamente desprivilegiadas e ecologicamente atingidas.

*2) EDUCAÇÃO DO FUTURO*
Reforma curricular com inclusão da crise climática como prioridade educativa.

*3) NARRE O FUTURO*
A exigência para que os Governos comuniquem a gravidade da crise ecológica, com políticas públicas fortalecidas para todxs, e com compreensão das mensagens ao público.

*4) EMPODERE O FUTURO*

Que os Governantes reconheçam que os jovens são essenciais ao futuro, incorporando as proposições das juventudes às políticas públicas, inclusive com direito ao voto para menores e 16 anos.







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Thursday, 12 September 2019

Prepara-se a Greve Mundial pelo Clima

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591338-prepara-se-a-greve-mundial-pelo-clima
Prepara-se a Greve Mundial pelo Clima


Marcada para 20/09, ela promete reforçar a face contemporânea da luta ambiental: muito jovem, indignada, claramente anticapitalista. Pode ser maior que nunca. Brasil – onde Bolsonaro lança ataque inédito à natureza – participará?
A reportagem é publicada por Outras Palavras, 01-08-2019. A tradução é de Simone Paz.

Foto: Reprodução
A estranha ausência do Brasil nas mobilizações globais em defesa do planeta – contra a mudança climática e as corporações que a promovem – pode ter fim em breve. Está marcada para o próximo 20 de setembro uma nova greve em defesa do ambiente. Será, provavelmente, a maior já realizada. É convocada, em 125 países, por milhares de organizações, redes internacionais, coletivos locais, grupos de cidadãos indignados. Sua preparação coincidirá, em nosso país, com um momento de efervescência entre a juventude. A partir de 13 de agosto, recomeçarão as grandes manifestações em defesa da Educação, da Universidade e da Ciência, ameaçadas pelo governo obscurantista e reacionário. É uma chance de articular as lutas de oposição a Bolsonaro com uma agenda igualmente política – porque capaz tanto de aprofundar a crítica ao capitalismo quanto de expor o atraso patético dos grupos que controlaram ao poder em Brasília.
As greves pelo clima são um fenômeno recente e em rápida expansão. Estão marcadas por duas características: fortíssima presença de adolescentes e jovens – que parecem não se conformar nem com a inação dos governos, nem com o amortecimento dos adultos… – e politização crescente. Um movimento precursor ocorreu às vésperas da Conferência sobre o Clima em Paris, em novembro de 2015. Em mais de cem países, cerca de 50 mil pessoas foram às ruas, já defendendo bandeiras que articulavam o ambiental com o social. Havia, então, três reivindicações básicas: redução drástica do uso de combustíveis fósseis, desenvolvimento de fontes energéticas alternativas e garantia dos direitos dos refugiados climáticos – em oposição à xenofobia hoje crescente no mundo eurocêntrico.
Mas uma nova fase, muito mais densa, teve início no final do ano passado. Foi desencadeada por uma garota sueca – Greta Thumberg – então com 15 anos. Em agosto de 2018, Greta, cuja história e formação mental singulares podem ser conhecidas na Wikipedia, iniciou um protesto pessoal. Durante as três semanas que precederam as eleições legislativas de seu país, ela dirigiu-se todos os dias ao Parlamento, no horário de aulas, portando um cartaz onde se lia “greve estudantil pelo clima”. Passado o pleito, anunciou que manteria a ação todas as sextas-feiras, e denominou-as Fridays for Future.
Num mundo interconectado e intranquilo, também as ações de crítica ao sistema podem espalhar-se rapidamente. Já em novembro, ações semelhantes (porém coletivas) espalharam-se por diversos países europeus – mas também pela ÍndiaÁfrica do SulRuanda e Colômbia. Em dois momentos, neste ano – 15/3 e 24/5 – houve greves estudantis globais. Nelas, os estudantes não se limitam a deixar as aulas: ocupam as ruas, em atos sempre indignados, porém criativos e esperançosos. Em países como a Inglaterra, o movimento adquiriu características próprias e autonomia: surgiu daí a Extinction Rebellion, cuja multiplicidade de ações parou Londres, em abril.
O foco central de tais greves não é o sistema social, e sim o risco de destruição do planeta. Mas o caráter anticapitalista que o movimento rapidamente assume é claro. Basta ver os cartazes das manifestações, que claramente se voltam contra as corporações transnacionais e os governos lenientes a elas. Ou, então, ouvir as falas de Greta. “Nosso futuro foi entregue para que um pequeno número de pessoas possa acumular quantidades inimagináveis de dinheiro (…) Agora, as pessoas estão aos poucos se tornando mais conscientes, mas as emissões [de CO²] continuam a crescer. Não podemos nos contentar com pouco. No essencial, nada mudou (…). Não se trata apenas de gente jovem cansada de políticos. É uma crise existencial. É algo que afetará o futuro de nossa civilização”, disse ela em Londres, durante os protestos da Extinction Rebellion.
Assim como os protestos anteriores, a próxima, em setembro, não tem uma coordenação central. As atividades – que começam no dia 20, mas se estenderão por uma semana – podem ser registradas num site, traduzido em diversos idiomas, inclusive o português. Lá é possível atualizar-se, recolher material de divulgação, obter um interessante guia prático para organização de eventos e registrar atividades programadas. Elas podem ser múltiplas: de grandes manifestações de rua a debatesaulas públicas, pressão sobre os políticos, pequenas intervenções de conscientização local.
O mais interessante, é claro, é organizar de forma coletiva. O texto abaixo é um exemplo disso. Na Espanha, um leque vasto de organizações, articuladas por quatro redes (Juventud por el ClimaFridays for future Espanha2020 Rebelión por el ClimaAlianza por el clima e Emergencia climática ya) juntou-se, organizou uma agenda comum, lançou um manifesto. Está publicado a seguir. Basta sua leitura para compreender a radicalidade possível da luta (A.M.)

27 de Setembro: Greve Mundial pelo Clima

Os relatórios mais recentes sobre a situação da biodiversidade, do IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos), e sobre o aquecimento global de 1,5ºC, do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), alertam sobre os rumos que levam ao desgaste de um grande número de ecossistemas — terrestres e marinhos — e à extinção de um milhão de espécies que se encontram gravemente ameaçadas pela atividade humana. Também, estamos quase chegando ao ponto de não retorno das mudanças climáticas.
Uma crise climática que é consequência de um modelo de produção e consumo que já demonstrou que não é o mais adequado para satisfazer as necessidades de muitas pessoas, que põe em risco a nossa sobrevivência e afeta de maneira injusta, principalmente, as populações mais pobres e vulneráveis do mundo. Não responder com rapidez e força suficientes à emergência ecológica e civilizatória, suporia a morte de milhões de pessoas, além da extinção irreversível de espécies imprescindíveis para a vida na Terra, considerando as complexas inter-relações do ecossistema.
A solidez dos dados demonstra como as regiões mediterrâneas são as mais vulneráveis às mudanças climáticas, portanto, não limitar o aquecimento global em 1,5ºC sairá bem caro para as gerações presentes e futuras. A responsabilidade das instituições europeias e do governo espanhol, bem como dos governos das diversas comunidades autônomas e das prefeituras alinhadas com todos os grupos políticos, é de estar à altura das necessidades que o momento exige.
As organizações signatárias pedem que, na nova etapa política, seja declarada de forma imediata a emergência climática e que sejam tomadas as medidas efetivas necessárias para reduzir rapidamente até o ponto zero as emissões dos gases de efeito estufa, alinhados com os critérios estabelecidos pela ciência e pela justiça climática. Evitar que a temperatura aumente mais de 1,5ºC deve ser a prioridade da humanidade. É preciso reduzir urgentemente as emissões de CO²eq, reajustando o rastro ecológico à biocapacidade do planeta.

Para conquistar esses objetivos, eis os requerimentos necessários:

Honestidade: assumir a urgência da situação atual, reconhecendo o diagnóstico, as indicações e os caminhos de redução indicados no último relatório sobre os 1,5ºC, com o aval da comunidade científica. Reconhecer o hiato de carbono existente entre os compromissos espanhóis e as indicações científicas. Os meios de comunicação possuem um papel fundamental para transmitir essa realidade.
Compromisso: declarar a emergência climática, assumindo compromissos políticos reais e efetivos, muito mais ambiciosos do que os atuais, com a conjunta designação de recursos para encarar a crise. Garantir as reduções dos gases de efeito estufa, respeitando o relatório do IPCC, o qual estabelece uma faixa de redução das emissões globais entre 40% e 60% para 2030, em comparação com 2010 — para que o aumento da temperatura global não ultrapasse os 1,5ºC. Além disso, é fundamental deter a perda da biodiversidade para evitar um colapso de todos os sistemas naturais, inclusive o do humano.
Ação: abandonar os combustíveis fósseis, apostar numa energia 100% renovável e reduzir a zero as emissões líquidas de carbono, com urgência e prioridade, o antes possível. Exigimos que os governos analisem formas de cumprir com esse objetivo e que proponham os planos de atuação necessários: impedindo novas infraestruturas fósseis (centrais, escavações, grandes portos, etc); reduzindo os níveis de consumo de materiais, a energia e as necessidades de mobilidade; mudando o modelo energético sem soluções falsas, como a energia nuclear; reorganizando os sistemas de produção; educando e adotando outras medidas eficazes. Tudo isso deve ficar registrado na Lei de Mudança Climática e Transição e no Plano Nacional Integrado de Clima e Energia.
Solidariedade: o desgaste ambiental das condições de vida é sentido de formas desiguais, dependendo da classe social, do sexo, da origem e das capacidades. Defendemos que a transição enfrente essas hierarquias e defenda e reconheça de forma diferenciada a população mais vulnerável.
degradação do planeta e a crescente desigualdade têm uma origem em comum e se alimentam entre elas. Assim, por exemplo, muitas grandes empresas e bancos obtêm enormes benefícios por meio da especulação imobiliária, dos despejos, da gentrificação e da turistificação que expulsa famílias de suas casas e vizinhos de seus bairros. Embora existam cada vez mais investimentos em tecnologia para realizar a transição energética, continuam existindo muitos fundos que sustentam e financiam as grandes empresas do oligopólio energético que exploram o planeta — cujo resultado acaba num aumento da pobreza, inclusive da energética.
Não podemos deixar que a situação dos coletivos mais desfavorecidos continue a piorar, portanto, a transição deve se dar com justiça social. No caso dos territórios e trabalhadores e trabalhadoras afetados, é preciso adotar medidas para garantir empregos alternativos em setores sustentáveis, enfrentar a crise energética, reduzir a jornada de trabalho, melhorar a distribuição dos empregos e do desenvolvimento de outros mecanismos, em torno de uma Transição Justa que consiga que ninguém fique para trás.
Democracia: a justiça e a democracia devem ser os pilares fundamentais de todas as medidas aplicadas, motivo pelo qual devem ser criados mecanismos adequados de participação e controle, do ponto de vista da cidadania, para abordar as questões sociais mais complexas e ser parte ativa da solução, mediante a democratização dos sistemas energéticos, alimentares, de transporte, etc. Nestes processos deve-se garantir a igualdade de gênero na tomada de decisões.
Dar um giro de 180º nas políticas comerciais internacionais, acabando com os tratados de comércio e investimento que aprofundam o problema do aumento dos gases de efeito estufa, por incrementarem o transporte marítimo interoceânico, bem como o da aviação civil, que dificulta a luta contra as mudanças climáticas através das cláusulas de proteção aos investimentos (ISDS). As medidas do mercado não devem interferir no planejamento adequado da transição ecológica.
Os países pobres são que têm a menor responsabilidade sobre a degradação do planeta. Porém, são os mais vulneráveis às consequências da violação dos limites. Os países mais ricos são os que mais acumulam dívida ambiental, por isso, e atendendo aos critérios da justiça climática, devem ser países como os europeus os que devem adquirir os maiores compromissos. É imperioso reverter o fato de que 20% da população mundial consuma o 80% dos recursos naturais.
Em defesa do futuro, de um planeta vivo e de um mundo justo, as pessoas e coletivos signatários aderimos à convocatória internacional de Greve Mundial pelo Clima, uma mobilização que será greve estudantil, do consumo, de mobilizações nos centros de trabalho e nas ruas, com fechamentos em apoio à luta climática… e convidamos todos os cidadãos, agentes sociais, ambientais e sindicais para apoiarem esta chamada e para se somarem às diversas mobilizações que acontecerão no dia 27 de setembro.

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