Thursday, 12 September 2019

Prepara-se a Greve Mundial pelo Clima

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Prepara-se a Greve Mundial pelo Clima


Marcada para 20/09, ela promete reforçar a face contemporânea da luta ambiental: muito jovem, indignada, claramente anticapitalista. Pode ser maior que nunca. Brasil – onde Bolsonaro lança ataque inédito à natureza – participará?
A reportagem é publicada por Outras Palavras, 01-08-2019. A tradução é de Simone Paz.

Foto: Reprodução
A estranha ausência do Brasil nas mobilizações globais em defesa do planeta – contra a mudança climática e as corporações que a promovem – pode ter fim em breve. Está marcada para o próximo 20 de setembro uma nova greve em defesa do ambiente. Será, provavelmente, a maior já realizada. É convocada, em 125 países, por milhares de organizações, redes internacionais, coletivos locais, grupos de cidadãos indignados. Sua preparação coincidirá, em nosso país, com um momento de efervescência entre a juventude. A partir de 13 de agosto, recomeçarão as grandes manifestações em defesa da Educação, da Universidade e da Ciência, ameaçadas pelo governo obscurantista e reacionário. É uma chance de articular as lutas de oposição a Bolsonaro com uma agenda igualmente política – porque capaz tanto de aprofundar a crítica ao capitalismo quanto de expor o atraso patético dos grupos que controlaram ao poder em Brasília.
As greves pelo clima são um fenômeno recente e em rápida expansão. Estão marcadas por duas características: fortíssima presença de adolescentes e jovens – que parecem não se conformar nem com a inação dos governos, nem com o amortecimento dos adultos… – e politização crescente. Um movimento precursor ocorreu às vésperas da Conferência sobre o Clima em Paris, em novembro de 2015. Em mais de cem países, cerca de 50 mil pessoas foram às ruas, já defendendo bandeiras que articulavam o ambiental com o social. Havia, então, três reivindicações básicas: redução drástica do uso de combustíveis fósseis, desenvolvimento de fontes energéticas alternativas e garantia dos direitos dos refugiados climáticos – em oposição à xenofobia hoje crescente no mundo eurocêntrico.
Mas uma nova fase, muito mais densa, teve início no final do ano passado. Foi desencadeada por uma garota sueca – Greta Thumberg – então com 15 anos. Em agosto de 2018, Greta, cuja história e formação mental singulares podem ser conhecidas na Wikipedia, iniciou um protesto pessoal. Durante as três semanas que precederam as eleições legislativas de seu país, ela dirigiu-se todos os dias ao Parlamento, no horário de aulas, portando um cartaz onde se lia “greve estudantil pelo clima”. Passado o pleito, anunciou que manteria a ação todas as sextas-feiras, e denominou-as Fridays for Future.
Num mundo interconectado e intranquilo, também as ações de crítica ao sistema podem espalhar-se rapidamente. Já em novembro, ações semelhantes (porém coletivas) espalharam-se por diversos países europeus – mas também pela ÍndiaÁfrica do SulRuanda e Colômbia. Em dois momentos, neste ano – 15/3 e 24/5 – houve greves estudantis globais. Nelas, os estudantes não se limitam a deixar as aulas: ocupam as ruas, em atos sempre indignados, porém criativos e esperançosos. Em países como a Inglaterra, o movimento adquiriu características próprias e autonomia: surgiu daí a Extinction Rebellion, cuja multiplicidade de ações parou Londres, em abril.
O foco central de tais greves não é o sistema social, e sim o risco de destruição do planeta. Mas o caráter anticapitalista que o movimento rapidamente assume é claro. Basta ver os cartazes das manifestações, que claramente se voltam contra as corporações transnacionais e os governos lenientes a elas. Ou, então, ouvir as falas de Greta. “Nosso futuro foi entregue para que um pequeno número de pessoas possa acumular quantidades inimagináveis de dinheiro (…) Agora, as pessoas estão aos poucos se tornando mais conscientes, mas as emissões [de CO²] continuam a crescer. Não podemos nos contentar com pouco. No essencial, nada mudou (…). Não se trata apenas de gente jovem cansada de políticos. É uma crise existencial. É algo que afetará o futuro de nossa civilização”, disse ela em Londres, durante os protestos da Extinction Rebellion.
Assim como os protestos anteriores, a próxima, em setembro, não tem uma coordenação central. As atividades – que começam no dia 20, mas se estenderão por uma semana – podem ser registradas num site, traduzido em diversos idiomas, inclusive o português. Lá é possível atualizar-se, recolher material de divulgação, obter um interessante guia prático para organização de eventos e registrar atividades programadas. Elas podem ser múltiplas: de grandes manifestações de rua a debatesaulas públicas, pressão sobre os políticos, pequenas intervenções de conscientização local.
O mais interessante, é claro, é organizar de forma coletiva. O texto abaixo é um exemplo disso. Na Espanha, um leque vasto de organizações, articuladas por quatro redes (Juventud por el ClimaFridays for future Espanha2020 Rebelión por el ClimaAlianza por el clima e Emergencia climática ya) juntou-se, organizou uma agenda comum, lançou um manifesto. Está publicado a seguir. Basta sua leitura para compreender a radicalidade possível da luta (A.M.)

27 de Setembro: Greve Mundial pelo Clima

Os relatórios mais recentes sobre a situação da biodiversidade, do IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos), e sobre o aquecimento global de 1,5ºC, do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), alertam sobre os rumos que levam ao desgaste de um grande número de ecossistemas — terrestres e marinhos — e à extinção de um milhão de espécies que se encontram gravemente ameaçadas pela atividade humana. Também, estamos quase chegando ao ponto de não retorno das mudanças climáticas.
Uma crise climática que é consequência de um modelo de produção e consumo que já demonstrou que não é o mais adequado para satisfazer as necessidades de muitas pessoas, que põe em risco a nossa sobrevivência e afeta de maneira injusta, principalmente, as populações mais pobres e vulneráveis do mundo. Não responder com rapidez e força suficientes à emergência ecológica e civilizatória, suporia a morte de milhões de pessoas, além da extinção irreversível de espécies imprescindíveis para a vida na Terra, considerando as complexas inter-relações do ecossistema.
A solidez dos dados demonstra como as regiões mediterrâneas são as mais vulneráveis às mudanças climáticas, portanto, não limitar o aquecimento global em 1,5ºC sairá bem caro para as gerações presentes e futuras. A responsabilidade das instituições europeias e do governo espanhol, bem como dos governos das diversas comunidades autônomas e das prefeituras alinhadas com todos os grupos políticos, é de estar à altura das necessidades que o momento exige.
As organizações signatárias pedem que, na nova etapa política, seja declarada de forma imediata a emergência climática e que sejam tomadas as medidas efetivas necessárias para reduzir rapidamente até o ponto zero as emissões dos gases de efeito estufa, alinhados com os critérios estabelecidos pela ciência e pela justiça climática. Evitar que a temperatura aumente mais de 1,5ºC deve ser a prioridade da humanidade. É preciso reduzir urgentemente as emissões de CO²eq, reajustando o rastro ecológico à biocapacidade do planeta.

Para conquistar esses objetivos, eis os requerimentos necessários:

Honestidade: assumir a urgência da situação atual, reconhecendo o diagnóstico, as indicações e os caminhos de redução indicados no último relatório sobre os 1,5ºC, com o aval da comunidade científica. Reconhecer o hiato de carbono existente entre os compromissos espanhóis e as indicações científicas. Os meios de comunicação possuem um papel fundamental para transmitir essa realidade.
Compromisso: declarar a emergência climática, assumindo compromissos políticos reais e efetivos, muito mais ambiciosos do que os atuais, com a conjunta designação de recursos para encarar a crise. Garantir as reduções dos gases de efeito estufa, respeitando o relatório do IPCC, o qual estabelece uma faixa de redução das emissões globais entre 40% e 60% para 2030, em comparação com 2010 — para que o aumento da temperatura global não ultrapasse os 1,5ºC. Além disso, é fundamental deter a perda da biodiversidade para evitar um colapso de todos os sistemas naturais, inclusive o do humano.
Ação: abandonar os combustíveis fósseis, apostar numa energia 100% renovável e reduzir a zero as emissões líquidas de carbono, com urgência e prioridade, o antes possível. Exigimos que os governos analisem formas de cumprir com esse objetivo e que proponham os planos de atuação necessários: impedindo novas infraestruturas fósseis (centrais, escavações, grandes portos, etc); reduzindo os níveis de consumo de materiais, a energia e as necessidades de mobilidade; mudando o modelo energético sem soluções falsas, como a energia nuclear; reorganizando os sistemas de produção; educando e adotando outras medidas eficazes. Tudo isso deve ficar registrado na Lei de Mudança Climática e Transição e no Plano Nacional Integrado de Clima e Energia.
Solidariedade: o desgaste ambiental das condições de vida é sentido de formas desiguais, dependendo da classe social, do sexo, da origem e das capacidades. Defendemos que a transição enfrente essas hierarquias e defenda e reconheça de forma diferenciada a população mais vulnerável.
degradação do planeta e a crescente desigualdade têm uma origem em comum e se alimentam entre elas. Assim, por exemplo, muitas grandes empresas e bancos obtêm enormes benefícios por meio da especulação imobiliária, dos despejos, da gentrificação e da turistificação que expulsa famílias de suas casas e vizinhos de seus bairros. Embora existam cada vez mais investimentos em tecnologia para realizar a transição energética, continuam existindo muitos fundos que sustentam e financiam as grandes empresas do oligopólio energético que exploram o planeta — cujo resultado acaba num aumento da pobreza, inclusive da energética.
Não podemos deixar que a situação dos coletivos mais desfavorecidos continue a piorar, portanto, a transição deve se dar com justiça social. No caso dos territórios e trabalhadores e trabalhadoras afetados, é preciso adotar medidas para garantir empregos alternativos em setores sustentáveis, enfrentar a crise energética, reduzir a jornada de trabalho, melhorar a distribuição dos empregos e do desenvolvimento de outros mecanismos, em torno de uma Transição Justa que consiga que ninguém fique para trás.
Democracia: a justiça e a democracia devem ser os pilares fundamentais de todas as medidas aplicadas, motivo pelo qual devem ser criados mecanismos adequados de participação e controle, do ponto de vista da cidadania, para abordar as questões sociais mais complexas e ser parte ativa da solução, mediante a democratização dos sistemas energéticos, alimentares, de transporte, etc. Nestes processos deve-se garantir a igualdade de gênero na tomada de decisões.
Dar um giro de 180º nas políticas comerciais internacionais, acabando com os tratados de comércio e investimento que aprofundam o problema do aumento dos gases de efeito estufa, por incrementarem o transporte marítimo interoceânico, bem como o da aviação civil, que dificulta a luta contra as mudanças climáticas através das cláusulas de proteção aos investimentos (ISDS). As medidas do mercado não devem interferir no planejamento adequado da transição ecológica.
Os países pobres são que têm a menor responsabilidade sobre a degradação do planeta. Porém, são os mais vulneráveis às consequências da violação dos limites. Os países mais ricos são os que mais acumulam dívida ambiental, por isso, e atendendo aos critérios da justiça climática, devem ser países como os europeus os que devem adquirir os maiores compromissos. É imperioso reverter o fato de que 20% da população mundial consuma o 80% dos recursos naturais.
Em defesa do futuro, de um planeta vivo e de um mundo justo, as pessoas e coletivos signatários aderimos à convocatória internacional de Greve Mundial pelo Clima, uma mobilização que será greve estudantil, do consumo, de mobilizações nos centros de trabalho e nas ruas, com fechamentos em apoio à luta climática… e convidamos todos os cidadãos, agentes sociais, ambientais e sindicais para apoiarem esta chamada e para se somarem às diversas mobilizações que acontecerão no dia 27 de setembro.

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Tuesday, 10 September 2019

'Chaos, chaos, chaos': a journey through Bolsonaro's Amazon inferno




'Chaos, chaos, chaos': a journey through Bolsonaro's Amazon inferno



A 2,000km road and river odyssey in Brazil reveals consensus from all sides: Bolsonaro has ushered in a new age of wrecking
by  in Palmeiras, Rondônia state with photographs by Avener Prado
From afar, it resembles a tornado: an immense grey column shooting thousands of feet upwards from the forest canopy into the Amazonian skies.
Up close it is an inferno: a raging conflagration obliterating yet another stretch of the world’s greatest rainforest as a herd of Nelore cattle looks on in bewilderment.
“It started this morning,” said Valdir Urumon, the chief of an indigenous village in this isolated corner of Rondônia state, as the vast pillar of smoke loomed over his settlement’s palm-thatched homes.
By late afternoon, when the Guardian arrived on the scene, the fire had intensified into a catastrophic blaze, streaking north through a strip of jungle perhaps two miles long.
Huge plumes of smoke drifted skywards as if this sweep of woodland near Brazil’s north-western border with Bolivia had been subjected to a ferocious bombing campaign.
At the farmhouse nearest to the blaze the lights were on but not a soul was to be seen – much less anyone who might extinguish the giant pyre.
But two empty petrol barrels and a cluster of plastic jerrycans dumped at its entrance hinted at a possible culprit – a cattle rancher torching yet another swath of the Brazilian jungle in order to expand his Amazon domain.
Three weeks after Brazil’s unusually severe burning season sparked an international storm, the far-right government of Jair Bolsonaro has launched a global PR campaign to try to convince the world everything is under control.
Palmeiras, Rondônia, Brazil, September 4, 2019: A forest fire near the community of Palmeiras, an isolated settlement in the Amazon state of Rondônia. Three weeks after Brazil’s unusually severe burning season sparked an international storm, the far-right government of president Jair Bolsonaro has launched a global PR campaign designed to convince the world the situation is under control. “The Amazon is not burning, not burning at all,” Brazil’s foreign minister, Ernesto Araújo, insisted in an interview with CNN. Foto: Avener Prado/The Guardian
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 A forest fire near Palmeiras, an isolated Amazon settlement in Brazil’s Rondônia state.
“The Amazon is not burning, not burning at all,” Brazil’s foreign minister, Ernesto Araújo, insisted in an interview with CNN.
Rondônia’s governor, the Bolsonaro ally Marcos Rocha, took an identical line, dismissing the “fuss” over the fires as a foreign ruse to shackle Brazil’s economy.
Rocha, a retired police colonel, said: “If we look at the situation in other countries, their forests are burning much more than here in our Brazil. You go to London, or other countries, and what do you see?
“It’s not fog – it’s smoke! Smoke from burning; from industry. So how can they demand of us what they haven’t done themselves?”
João Chrisóstomo, a Bolsonarian congressman in Rondônia’s capital, Porto Velho, rejected claims that Brazil was entering a new era of Amazon devastation and insisted – contrary to a growing body of evidence – that conservation was a top priority in Bolsonaro’s Brazil.
A billboard in support of João Chrisóstomo, a Bolsonarian congressman in the Amazon state of Rondônia, who rejects claims that under his leader Brazil is entering a new era of destruction.
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 A billboard in support of João Chrisóstomo, a Bolsonarian congressman in the Amazon state of Rondônia.
Statistics produced by Brazil’s own space institute – whose director was sacked last month after clashing with Bolsonaro – show deforestation has surged in recent months with a Manhattan-sized area lost every day in July.
But Chrisóstomo maintained Bolsonaro was “making every effort to stop unbridled deforestation” and chastised European leaders, such as Emmanuel Macron, who have questioned Bolsonaro’s vision for the Amazon.
Chrisóstomo seethed: “He’s not Brazil’s president. He’s not even from the Americas. This forest isn’t shared, as he claims. It belongs to a nation which enjoys complete autonomy and authority to decide what happens to the forest and takes every possible care to preserve it.”
That last claim rang hollow this week as the Guardian travelled almost 2,000km by road and river through two of the Amazon states worst affected by this year’s fires, Rondônia and Amazonas.
Main street of the small village of Palmeiras. The orange sun indicates the amount of smoke in the air.
 The main street of the small settlement of Palmeiras. The orange sun indicates the amount of smoke in the air.
Along the way, an almost identical refrain emerged from the mouths of indigenous leaders, wildcat goldminers, environmental activists and government officials: that Bolsonaro’s stripping back of protections and anti-environmental rhetoric had contributed to the scale of the fires – more than 30,000 of which were recorded in August alone – and set in motion a new age of wrecking that looks set to continue beyond the end of the annual burning season next month.
“It is chaos. Chaos, chaos, chaos,” lamented one senior official from Brazil’s environmental agency, Ibama, who spoke on the condition of anonymity.
“If we go on like this, things will get worse and worse,” predicted the official, diplomatically blaming the spike in Amazon deforestation during Bolsonaro’s first eight months in power on the “political situation” in Brazil.
Life has never been easy for the activists and government agents seeking to slow rainforest destruction in a vast region many still call Brazil’s “faroeste” (wild west).
In the riverside town of Humaitá in Amazonas state, Ibama’s former headquarters lies in ruins two years after it was stormed, ransacked and burned to the ground by illegal goldminers in retribution for a crackdown.
Now, as the dismantling of Brazil’s environmental protection system gathers pace, its operations there are to halt altogether.
Three regional Ibama offices – in Humaitá, Parintins and Tabatinga – are in the process of being deactivated, leaving only one central command post in the capital, Manaus, to tackle environmental crime in a state three times the size of Spain.
In a recent letter to Ibama’s new president, several hundred officials voiced “immense concern” over the direction environmental protection was taking.
Márcio Tenharim, an indigenous leader from a reserve near Humaitá, said he feared the influx of soy farmers, ranchers and mining companies would accelerate as Brazil’s president pushed for such activities to be allowed on previously protected areas.
“We aren’t ready for this,” said Tenharim, predicting such “development” would bring “nothing but misery” for his people.
Bolsonaro denies that will be the case – and many in the region see his Amazon blueprint as a boon.
“He’s our hope for improvement,” said Martins Tavares, 33, a goldminer who said he and virtually all of his colleagues backed Bolsonaro, believing his promises to open up the Amazon would help them feed their families.
Rui Souza, the owner of waterside petrol station in Humaitá that sells to goldseekers, said he was also optimistic Bolsonaro would do away with environmental and indigenous reserves so they could be commercially exploited.
Indigenous village of Urumon ethnicity near the community of Palmeiras.
 An indigenous village called Panual near the community of Palmeiras in Rondônia state
“Our Amazonia is so rich, my friend. But we’re not allowed to use any of it,” the 65-year-old complained.
In Rondônia – where 72% of voters backed the far-right candidate in last year’s election – support is even more widespread. Bolsonarian billboards dot the highways declaring: “Together we will change the destiny of Rondônia and Brazil!”
“Nearly everyone here voted for him,” said Vicente Costa, a 69-year-old restaurant owner in the town of Araras, whose silver SUV was plastered with Bolsonaro stickers reading: “Change Brazil for real.”
That delight contrasts with the growing despair of many forest dwellers whose lives were upended in the 1960s when Brazil’s military dictatorship bulldozed roads through the Amazon.
The forest burns near the community of Palmeiras in the Amazon state of Rondônia.
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 A forest fire near Palmeiras, an isolated town in the Amazon state of Rondônia.
“During his campaign Bolsonaro promised to divide up indigenous lands. That’s why the ranchers voted for him. But we don’t want to share our land,” said Valdillene Urumon, 28, as the fire continued to rage near her village.
“We felt sad [when Bolsonaro won]. But now we have to fight, don’t we?”
Chrisóstomo insisted fears for the future of Brazil’s forests were “totally misplaced”.
But on the rural outskirts of Humaitá another fire had broken out and as night fell two local firefighters battled in vain to contain it.
“The environment is so crucial to us, isn’t it?” one firefighter said as he paused from smothering the flames with a rubber damper. “It saddens us to see it being destroyed like this.”
Firefighters from Amazonas state fight to put out a fire on the rural outskirts of Humaitá.
 Firefighters from Amazonas state fight to put out a fire on the rural outskirts of Humaitá.
It was, as usual, impossible to know who had started the fire, or why. But the men struggling to douse it suspected criminal intent, warning the Guardian to leave in case the firestarter still lurked in the shadows.
As the flames ripped across a prairie his hose was not long enough to reach, the sergeant looked on in exhaustion and dismay.
“Every year we do campaigns [against fire-starting] but it’s as if the more campaigns you do the worse it gets,” he said. “It leaves us with little faith humans will ever understand they need to protect the environment.”

As the crisis escalates…

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