Monday, 23 June 2014

minutos de orientação - TABELAS E GRÁFICOS

MINUTOS DE ORIENTAÇÃO – Tabelas e Gráficos

Embora o GPEA não privilegie a pesquisa quantitativa, muitos de vocês têm usado gráficos e tabelas para revelar alguns resultados. Para além dos números, contudo, estará a capacidade CRÍTICA de interpretação, argumentação e compreensão desta representação gráfica.

Embora não seja pesquisa quantitativa, mas mera representação gráfica, estes recursos obedecem um arcabouço teórico matemático. O cientista Gauss utilizou estes “dados” como probabilidade de ocorrência de certos eventos, representadas no eixo x (abscissa) e no eixo y (ordenada).

IMPORTANTE:
O que se busca, na interpretação matematizada, é a “curva de Gauss”, ou seja, diversos eventos que possibilitem uma curva normal de eventos – estes são considerados válidos do ponto de vista matemático. Por isso, ao plotar os eventos numa tabela, o essencial do gráfico são os resultados que juntos confiram uma curva (figura 1). Por isso, tabelas ou gráficos com apenas 2 variáveis não são recomendados, já que a curva normal deve ser obtida com mais informações.

Figura 1: Curva normal de Gauss

Fonte: http://alfaconnection.net/pag_avsm/est0401.htm



Portanto, ao usarem tabela ou gráficos, é preciso também compreender um pouco de análise quantitativa! Exemplifico abaixo, como se tivesse entrevistado pessoas para saber qual melhor tática de lutas contra o agronegócio em MT.

Exemplo: Para uma boa tática de luta, os entrevistados responderam frases livres, sem interferência. Destas diversas frases, podemos sistematizar as respostas em quatro grandes grupos (Tabela 1):
(a)   Os que consideram a experiência prévia importante, bem como organização e logística somam 5 respostas;
(b)   Os que consideram a articulação, parceria e companheirismo fundamental totalizam 7 réplicas;
(c)   Aqueles que acreditam que a formação dos sujeitos, a educação dinâmica (sem a necessidade de ser acadêmica, podendo ser popular) e os processos pedagógicos da luta estão com 11 revides;
(d)   E finalmente aqueles que apontam a capacidade de reação, participação e mobilização com majoritárias 13 respostas.

Organização da tabela por ordem ALFABÉTICA
Organização da tabela por ordem NUMÉRICA

Educação      11
Experiência    5
Mobilização   13
Parcerias         7


Experiência     5
Parcerias         7
Educação       11
Mobilização    13

Gráfico gerado em excel

 

Gráfico gerado em excel

Não há curva “normal”


Curva de Gauss



mimi
23/06/2014
Macielj, Poland: labyrinth

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MINUTOS DE ORIENTAÇÃO - Pesquisa bibliográfica e investigação teórica

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MINUTOS DE ORIENTAÇÃO - Pesquisa bibliográfica e investigação teórica


Tenho verificado que os pesquisadores incluem nas suas pesquisas a PESQUISA BIBLIOGRÁFICA, muitas vezes equivocadamente. A pesquisa bibliográfica é uma verdadeira “análise” do conteúdo ou do discurso, com procedimentos estruturados e exame do teor do texto já publicado. Requer uma sistematização das leituras e obras realizadas, muitas vezes com aplicação de software para estudar as “representações” contidas nas publicações. É uma pesquisa que quer esgotar as fontes e o que elas possuem, mas basicamente por meio da ANÁLISE (fragmentação das informações).

A PESQUISA DOCUMENTAL é o estudo de fontes primárias, documentos que ainda não foram publicados, analisados ou examinados à luz das ciências.

O que absolutamente a maioria faz é a INVESTIGAÇÃO TEÓRICA, isto, estudamos determinado assunto em diversas obras. Isso pode vir explicitado quando o esforço teórico foi muito intenso, contudo, este “procedimento” não é metodologia de pesquisa, sendo apenas parte inerente das pesquisas qualitativas.

A pesquisa qualitativa é uma forma genérica de se fazer pesquisa no campo da educação, e possui diferencial de não ser matematizada, nem apresentar dados estatísticos. Alguns autores chamam de “paradigmas da pesquisa: quanti e qualitativo”. E exatamente pela abrangência genérica, toda pesquisa necessita vir com uma metodologia específica, pois é ela que vai explicitar a travessia e os processos da pesquisa. Por isso, quem opta por alguma metodologia específica, não precisa descrever a qualitativa, já que compreende-se que a metodologia privilegiada encerra o mesmo arcabouço teórico.
  
No mundo das ciências, geralmente não gostamos de misturas. Uma, e muito cuidadosamente duas metodologias já bastam. Quando aparece uma 3ª metodologia, os cabelos arrepiam, EXCETO se há vários objetivos propostos, e cada um seguiu de forma diferente. Por isso, é preciso estudar bem qual escola metodológica vamos alicerçar nossa travessia e esmiuçar os campos conceituais conjuntamente com o campo axiomático -- teoria, práxis e ética.

Abraços

mimi
19/06/2014


Macielj, Poland: labyrinth
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fonte: pós-graduando
http://posgraduando.com/blog/como-fazer-uma-revisao-bibliografica

A revisão bibliográfica é a base que sustenta qualquer pesquisa científica. Acredite: algumas horas a mais na biblioteca podem poupar alguns meses de trabalho no laboratório ou a campo. Para conseguir avançar em determinado campo do conhecimento é preciso primeiro conhecer o que já foi desenvolvido por outros pesquisadores.
Realizar uma pesquisa bibliográfica faz parte do cotidiano de todos os estudantes e pesquisadores. É uma das tarefas que mais impulsionam nosso aprendizado e amadurecimento na área de estudo. Atualmente, as bibliotecas digitais têm facilitado e simplificado muito essa tarefa, pois trazem recursos de busca e cruzamento de informações que facilitam a vida de todos.
Mas as novas tecnologias não resolvem tudo. Por isso, preparamos este guia com algumas considerações importantes sobre as revisões de literatura.
1. Saiba aonde quer chegar
Todo texto acadêmico precisa de um “fio condutor”, uma linha de raciocínio que guie a leitura do texto, levando o leitor das premissas às conclusões. Assim, antes de começar a revisão de literatura, leia os chamados “livros clássicos” sobre o tema, para descobrir/relembrar os conceitos e as ideias principais relacionados ao seu trabalho.
Com uma visão geral sobre o tema, e com os pontos principais em mente, é possível elaborar um roteiro para a revisão de literatura, com os itens e subitens que o texto deverá ter para chegar à sua conclusão. Este roteiro é de grande ajuda para manter o foco e não se perder em meio à enorme quantidade de informações a que temos acesso.
O segredo de uma boa revisão de literatura é a organização e o planejamento.
2. Selecione as fontes de referência
As principais fontes a serem consultadas para a elaboração da revisão de literatura são artigos em periódicos científicos, livros, teses, dissertações e resumos em congresso.
Como atualmente existe uma exacerbada pressão por publicação de artigos científicos, é bem provável que aquela tese ou dissertação tenha sido publicada também na forma de artigo, assim como os resumos de congressos.
Desta forma, recomenda-se a preferência por artigos publicados em periódicos científicos, com comitê de editores e processo de revisão por pares. Uma boa dica é observar com cuidado as referências bibliográficas de textos já publicados sobre o tema e, desta forma, identificar os autores e os periódicos que são referência na área.
Dê prioridade (nesta ordem) a:
(i) artigos publicados em periódicos internacionais;
(ii) artigos publicados em periódicos nacionais reconhecidos;
(iii) livros publicados por bons editores;
(iv) teses e dissertações,
(v) anais de conferências internacionais;
(vi) anais de conferências nacionais.
Tome cuidado com referências antigas. A ciência traz novidades em um ritmo relativamente rápido, por isso deve-se evitar utilizar referências com mais de dez anos. Se possível, e isso irá depender do tema pesquisado, tente concentrar a maior parte das citações com menos de cinco anos.
3. Escreva de forma clara e objetiva
Evite apresentar a revisão da literatura no formato de ficha de leitura (isto é, o autor “A” disse isso, o autor “B” disse aquilo, o autor “C” disse outra coisa, etc.). Encontre os pontos de concordância e divergência entre os autores e conte a história da pesquisa. Um exemplo de texto do tipo “ficha-de-leitura” é:
Segundo Shingo (1996), a idéia central do Sistema Toyota de Produção é promover um fluxo harmônico dos materiais entre os postos de trabalho, produzindo componentes nas quantidades e nos momentos em que são necessários. Para tanto, a comunicação entre postos de trabalho deve ser promovida de forma eficiente.
Para Ohno (1994), o Sistema Toyota de Produção pode ser resumido como “produzir nas quantidades certas e no momento em que as partes são necessárias”. O autor frisa a importância do fluxo de informações entre os trabalhadores nas diferentes células ou postos de trabalho.
Observe como os dois autores estão dizendo essencialmente a mesma coisa, apesar de manifestarem suas ideias de maneira diferente. O seu trabalho como pesquisador é compreender qual a ideia central, identificar os pontos divergentes e pontos em comum entre os autores e escrever de forma clara e objetiva. Os parágrafos acima poderiam ser resumidos da seguinte forma:
A ideia central do Sistema Toyota de Produção é promover um fluxo harmônico de materiais entre os postos de trabalho, produzindo componentes nas quantidades e nos momentos em que são necessários. Neste sentido é importante promover um fluxo eficiente de informações entre trabalhadores nas diferentes células ou postos de trabalho (SHINGO, 1996; OHNO, 1994).
Veja como o texto fica mais fácil de ler, contendo as ideias comuns a ambos os autores expostas de maneira direta, sem repetições. Além disso, os parágrafos não iniciam com “Segundo Ohno (1994)” ou “Para Shingo (1996)”, ou “De acordo com Shingo (1996)”, que são formas não muito elegantes de redação.
4. Organize os trabalhos consultados
Para a elaboração de uma boa revisão de literatura é preciso pesquisar, selecionar e ler uma grande quantidade de artigos, livros e resumos. E uma boa organização deste material irá facilitar encontrar determinada ideia ou um autor específico em meio aquela salada de PDFs.
Existem várias ferramentas que permitem gerenciar sua coleção de referências bibliográficas e que podem facilitar seu trabalho. São os Gerenciadores de Referências. Exemplos importantes são o JabRef, ferramenta em código aberto e muito útil especialmente para quem trabalha com LaTex, e o EndNote.
Essas ferramentas permitem obter os dados das referências diretamente nas bibliotecas digitais, criam uma base de dados com essas informações, permitem inserir as citações e referências diretamente nos textos que estão sendo editados, e também organizam a coleção de textos originais dos artigos. A longo prazo, sua base de dados mantida por um gerenciador de referências é um recurso muito valioso para procurar referências para citar em seus textos.
5. Evite os principais erros
Errar é humano, mas a banca avaliadora do seu trabalho normalmente desconsidera este tipo de fato. Sendo assim, consulte sempre o seu orientador sobre a possibilidade de estar cometendo algum dos erros abaixo:
>> Revisão muito breve (por pressa, falta de tempo, desinteresse, etc.); obras e autores essenciais não foram incluídos no trabalho.
>> Revisão construída em cima de muito poucos autores ou estudos. Normalmente, este erro ocorre em paralelo com o primeiro erro, acima.
>> Áreas afins não foram abordadas.
>> Referências incompletas ou erradas, indicando que você na realidade não conseguiu encontrar um fio condutor nas obras que consultou.
>> Ausência de uma seção de conclusões que reúna as ideias principais abordadas no texto.
>> Má organização do material: revisão com seções muito curtas (com um ou dois parágrafos, apenas), com repetição de ideias (o estilo “ficha-de-leitura”), ou sem uma estrutura ou lógica identificável de apresentação.
>> Interpretação ou adaptação de ideias de outros autores para que elas fiquem parecidas ou reforcem as suas.
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Texto adaptado por José Luis Duarte Ribeiro a partir do original elaborado por Flavio Fogliatto e Giovani da Silveira.

Minutos de Orientação - DIAGNÓSTICO & PROGNÓSTICO


Minutos de Orientação - DIAGNÓSTICO & PROGNÓSTICO


No dicionário etimológico da língua portuguesa (MACHADO, 2003), a palavra “diagnóstico” apresenta-se como um ato capaz de julgar ou discernir um contexto ou fenômeno, gerando capacidade de decisão e conclusão. Por outro lado, a palavra “prognóstico” é um sinal precursor, uma previsão ou um estudo antecipado. Inscrito na incompletude da fenomenologia, o GPEA assume que este texto versa sobre informações a priori consideradas – trata-se de um prognóstico inicial que exige um debate a posteriori mais denso das particularidades qualitativas, já que os números também podem ser lidos de maneira diferentes, ou agrupados (propositadamente) em uma classe estatística para se obter uma bela curva de Gauss. No contexto fenomenológico da incompletude humana, nada é conclusivo e está sempre sujeito à transmutação. Assim, elegemos a palavra “prognóstico”, ainda que soe estranha à tradição ambiental ou educativa, gerando possiblidades de novas reinvenções investigativas. 


MACHADO, José P. Dicionário etimológico da língua portuguesa. Lisboa: Livros Horizontes, 2003.

mimi
23maio2014


Macielj, Poland: labyrinth
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Minutos de orientação - FONTE & AUTORIA



Minutos de orientação - FONTE & AUTORIA
23maio2014


Aos que escrevem textos acadêmicos:

A palavra FONTE significa que algo foi publicado e serve como fonte de consulta. Se ainda não foi publicado, não existe fonte!!! Portanto, nunca escreva numa fotografia que nunca foi publicada "fonte". AUTORIA É DIFERENTE SE FONTE!!!

Houaiss:
AUTORIA = qualidade ou condição do autor (publicado ou não)
FONTE = onde se produz algo, procedência (necessariamente já publicado)

A construção de tabelas, ou quadros, ou imagens, também vai pela mesma lógica. Se foi publicado em algum lugar, usar "fonte". Se você construiu durante a pesquisa, não há necessidade de colocar autoria, pois supõe-se que todo texto seja seu, excetuando as citações. Daí a importância em citar autores para evitar plágio! Assume-se que o que não foi citado a autoria, pertença ao autor de quem escreve o texto!

Se a tabela (ou imagem) foi modificada, adicionar:
Modificado de Sato (2014).

Nas fotos, para quem desejar, adicionar a autoria entre parêntesis (Foto: MSato) ou em algum lugar no início do trabalho explicitar que as fotos são do pesquisador, exceto as que estão demarcadas pelas autorias diferenciadas.

Abraços
mimi


labyrinth by snugsomeone (Maciej, Poland)

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Sunday, 22 June 2014

A Semana de 22, por Oswald de Andrade

op
http://outraspalavras.net/destaques/a-semana-de-22-por-oswald-de-andrade/

A Semana de 22, por Oswald de Andrade

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Os protagonistas da Semana encontram-se no Hotel Therminus, em S.Paulo. Oswald é o primeiro, sentado no chão
Os rotagonistas da Semana encontram-se no Hotel Therminus, S.Paulo. Oswald é o primeiro, sentado no chão
Num texto de 1954, a construção do movimento modernista, o papel de seus protagonistas, a interminável vaia que elite paulista lhes dirigiu… 
Por Oswald de Andrade
O modernismo” de Oswald de Andrade, publicado em 1954, na revista Anhembii, conta o surgimento e a consolidação das idéias da Semana de Arte Moderna.
O artigo apresenta uma visão sem grandes parcialismos, embora recheada de opiniões contundentes, por vezes agressivas, tão comuns no escritor: “Ninguém imagina o esforço feito para liquidar em mim essa primeira timidez. Quando dela saí, saí por explosão.” Embora isso possa parecer paradoxal, exprime com precisão a própria personalidade do escritor paulista, tão complexa, quanto contraditória, conforme escreve lindamenteAntonio Candido sobre ele.
Há elementos importantes no artigo, como chama a atenção Maria Eugenia Boaventura, em seu ensaio “Do órfico e mais cogitações”. Nesse sentido, vale registrar “o papel desempenhado por cada uma das figuras modernistas mais representativasii”, como foi o caso de Graça Aranha, Paulo Prado, Mário de Andrade, além da precisão com que o escritor nomeia os financiadores da festa.
topo-posts-margem
A autora assinala ainda uma contradição curiosa nesse artigo, ao deixar claro que Oswald de Andrade pressupõe a “existência de uma unidade política no movimento mesmo depois do surgimento da devastadora Antropofagiaiii”.Ora, parece que o escritor se esquecera da grande dissidência ocorrida na segunda fase da Revista de Antropofagia, justamente em função na “condução política do movimentoiv”.
Por último, e esse é um palpite nosso, o artigo nos ajuda a estabelecer um diálogo com um outro texto, “O movimento modernista”, de Mário de Andrade, publicado pelo Outras Palavras, em duas parte: [aqui] e [aqui]. (Theotonio de Paiva, editor da seção especial “Oswald60”)
[Na próxima semana:“Quereis saber com certeza como é que se produziu a Semana de Arte de 22? Vou dizer:” (Oswald de Andrade)]

O Modernismo

Na garçonnière da Praça da República1, começou o Modernismo. Arrastei para lá Mário de Andrade. Ali estiveram Di Cavalcanti, Menotti del Picchia, Ribeiro Couto e até uma vez o futuro acadêmico Gustavo Barroso.
Como qualquer movimento literário, esse se processou no início sem esquema, sem passaporte e sem justa definição. Tratava-se apenas de oposição e de revolta que, refletindo as agitações da Europa, se erguia sobre o marasmo das letras e das artes nacionais.
Mário de Andrade era um show. Sua alta estatura, sua mulatice risonha exprimindo-se numa dentadura faustosa, sua voz cálida e cantarolada, seu amor pela música e pelo folclore e sua cultura incipiente esplendendo no deserto letrado de Piratininga, tudo fazia com que em torno dele se congregassem amigos e medrassem devotações. A confusão reinava. Ninguém sabia ao certo o que era ser moderno. Este conceito vinha se propondo através das mutações do século. Mas nossas forças, abafadas pelo servilismo colonial, procuravam dele se libertar.
No livro excelente e fartamente documentado que Mário da Silva Brito está publicando sobre o Modernismo2, fica patente que a renovação se anunciava de há tempos atrás. Eu mesmo dera, pelos jornais e revistas onde colaborava, sinais da inquietação que tomava conta de nossa época.
A literatura e as artes eram o que havia de frustrado e cadavérico. Um longo reinado içara sem contestação, ao topo das gloríolas, a dupla Bilac-Coelho Neto. Lembro-me de que, quando ainda meninote, viajara com meus pais para a Caxambu, aí fui encontrar nas moçoilas locais um apaixonado êxtase pelos versos de Bilac. Havia uma certa Corruxa que recitava pasma a versalhada bem medida e lânguida do poeta. Não se conhecia outra coisa.
No Rio, a Academia Brasileira de Letras, que com o reinado de Machado de Assis alcançara seu apogeu, agora tinha decaído lamentavelmente. A eleição de Amadeu Amaral, para que contribuí, ainda procurou levantar suas forças. Mas o critério de fechar a porta aos novos e só admitir lá dentro os expoentes esclerosavas a instituição.
Quem eram os novos? Apareceu Gustavo Barroso com seus contos regionais, e melhor que ele, uma figura centralizou as atenções. Foi Monteiro Lobato. João do Rio fizera sua aparição fulgurante. Lobato teve a imensa “chance” de ser lançado pela mais alta voz do país, a de Rui Barbosa. E tinha O Estado de S. Paulo para a divulgação de sua literatura.
Foi em Lobato que a renovação teve de fato o seu impulso básico. Ele apresentava, enfim, uma prosa nova. Sua curiosidade como sua cultura, ambas limitadas, não lhe permitiam ir além do seu esforço pessoal. Talvez tivesse receito de se encantar no movimento modernista. Isso trazia, sem dúvida, responsabilidades culturais. Era para homens que haviam sofrido Paris na pele como eu, Di Cavalcanti e Sérgio Milliet. Era para um audacioso original como Mário de Andrade, que arrastava pela sua sedução pessoal inúmeros seguidores. Lobato sofreu sem dúvida a timidez de suas origens provincianas, apesar das leituras que teve, o que demonstra A Barca de Gleyre3Mas seu terrível orgulho não o deixou fazer fila com gente desconhecida que se aventurava numa empresa temerária e incerta. Ele trazia em si o “Mal de Taubaté”. Nascera para ser promotor de Justiça, advogado ou fazendeiro. Mas, desastrado nos negócios como todo homem votado à literatura, viu logo grandes dificuldades em seu caminho. Foi então que, na utilização de sua poderosa imaginativa que o fez o precursor entre nós, tanto da literatura infantil como dos problemas do petróleo e do ferro, ele se lembrou de fazer uma editora. Ligara-se àRevista do Brasil, centralizava largo círculo de escritores, tinha fãs por toda parte. Mas o comércio não lhe sorriu. A Editora Monteiro Lobato faliu quase arrastando em sua queda o autor de Urupês. Quem o herdou foi um sabido que batia à máquina no escritório, pequeno empregado que se tornou o grande editor Octales Ferreira. Lobato não foi tocado na sua literatura pelo desastre. Ao contrário, seu nome subiu por todo o Brasil.
O Modernismo medrou ao seu lado. Já em 1915, pela revista O Pirralho, que eu fundara muitos anos atrás eu havia publicado um artigo reclamando uma pintura nacional contra as cópias litográficas que abafavam toda nossa intervenção. É verdade que meu artigo trazia um endereço errado. Minhas esperanças se fixavam no pintor Wasth Rodrigues. Não havia outro no momento.
Posso afirmar e já afirmo que sem a presença catalítica de Mário de Andrade o Modernismo teria sido, pelo menos, retardado. Expliquei em minhas Memórias a minha formação tímida, incapaz de afrontar mesmo qualquer situação normal. Na Escola Modelo Caetano de Campos, com sete anos de idade, incumbiram-me de recitar para a professora uma versalhada, feita por um poetastro do nordeste que se hospedara em casa de minha tia Carlota. Eu fiz um escândalo. Chorei, berrei e não me exibi em público. O que me importava era minha casa e minha mãe. Fora dessa dupla tutela me sentia um inútil. Ninguém imagina o esforço feito para liquidar em mim essa primeira timidez. Quando dela saí, saí por explosão. E isso explica muito de minhas atitudes agressivas e insólitas. Era o meio de me recuperar.
Minha longa amizade com Guilherme de Almeida o coloco ao meu lado no movimento modernista. Com ele veio gente do Rio, Ronald de Carvalho, Ribeiro Couto, este trazido por Di Cavalcanti. O movimento engrossava. Mas sem a publicação de Pauliceia Desvairada, o grande livro de versos de Mário, nada se teria precisado.
Mesmo antes da publicação de Pauliceia, eu abri o escândalo, lancei pelas colunas doJornal do Comércio, edição de São Paulo, um artigo sobre o inédito Mário de Andrade. Esse artigo intitulava-se “O Meu Poeta Futurista”. Era a palavra da época. O “futurismo” se desitalianizara. Em Portugal, por exemplo, Fernando Pessoa lançava nesse momento o seu “Ultimatum Futurista”.
A princípio, aceitou-se sem hesitação o epíteto “futurista”. Depois, começaram os escrúpulos partidos, sobretudo, de Mário de Andrade. Ele, nacional e nacionalista como era, não se sentia à vontade dentro do rótulo estrangeirante. Assim, pouco a pouco, foi encontrada a palavra “modernista”, que todo mundo adotou.
Nunca será demais exaltar uma figura central do movimento modernista. Foi Paulo Prado. A sua modéstia de fidalgo, a sua dupla personalidade de escritor e comerciante, o fato de ter aparecido tarde em nossas letras e mais possíveis complexos fizeram com que Paulo Prado nunca desejasse o primeiro plano. Ele colocava em sua frente Graça Aranha, geralmente confuso e parlapatão, filho duma abominável formação filosofante do século XIX, mas grande homem nacional, pertencente à nossa Academia de Letras, e autor de um livro tabu, Canaã, que ninguém havia lido e todos admiravam.
Era evidente que para nós sobretudo o apoio oficial de Graça Aranha representava um presente do céu. Com seu endosso, seríamos tomados a sério. Do contrário, era difícil.
Sem a inteligência e a compreensão de Paulo Prado, nada teria sido possível. Ele foi o ativo agente de ligação entre o grupo que se formara e o medalhão Graça Aranha.
Paulo Prado abriu-nos sua casa em Higienópolis. Recebia magnificamente. Os seus almoços dos domingos eram faustosos. Além de se comer e beber dentro duma grande tradição civilizada, ali se debatiam os problemas candentes da transformação das letras e das artes.
Pode-se dizer que, depois da pobreza de minha garçonnière na Praça da República, foi a casa de Paulo Prado o centro ativo onde se elaborou o Modernismo.
Acredito que foi Di Cavalcanti que teve a ideia de realização de uma Semana de Arte Moderna. Num paradoxo, muito peculiar a São Paulo, quem prestigiou a Semana revolucionária foi um grupo conservador. Dele faziam parte Samuel Ribeiro e René Thiollier4. Conseguiram eles para nós, de graça, o Teatro Municipal, o primeiro da cidade.
Os elementos do Rio tinham entrado em contato conosco através de Di Cavalcanti. Ele nos tinha revelado um músico estranho que tocava piano num bar e compunha coisas espantosas. Chamava-se Heitor Villa-Lobos.
A esse tempo eu, muito ligado a Menotti del Picchia, que era redator-chefe do Correio Paulistano, fazia com ele grandes descobertas. Tínhamos desencavado, num atelier, do Palácio das Indústrias, um escultor que nos pareceu tímido e pessimista, querendo mudar-se para a República Argentina, pois não encontrava aqui nem repercussão nem mercado para as suas obras. Esse homem, chamado Victor Brecheret, que deve sobretudo a mim a sua carreira e a sua ascensão, tornou-se, depois de milionário, o mais sórdido avarento da história do Brasil. Sem deixar, no entanto, a sua ascensão de artista. O que significa que nada tem a ética com a inspiração e a maestria da fortuna. Dizem, aliás, que Celini foi um miserável assassino. Está certo!
Menotti e eu nos tomamos de paixão pelo escultor e sua obra. O Correio Paulistano, órgão oficial do governo, ficou em matéria de arte e literatura uma pura subversão. Aí, com o pseudônimo Hélios, Menotti desancava o passadismo. Tendo mesmo tido um pega físico na rua com o matusalém da literatura, Aristeo Seixas5.
Desse modo, por toda parte alentava-se o movimento que eclodiu no movimento de 22. Esse foi o instante útil. Festejava-se o centenário da nossa independência política. Exposições e festas por toda parte. Brecheret exibia com escândalo as suas novidades que não passavam, no entanto, de arrojos copiados do balcônico Mestrovick6.
Marcou-se a Semana para o começo do ano. Teve ela início no Teatro Municipal a 13 de fevereiro. Sala cheia, galerias repletas. Graça Aranha, com seu prestígio, fez o discurso de abertura7, um bom discurso que se acha publicado no O Estado de S. Paulo da época. Não houve nenhuma manifestação hostil. Mas nos dias subsequentes produziu-se a estralada.
Nos corredores do Municipal, achavam-se pendurados quadros modernistas, particularmente de Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Rego Monteiro, Nina Aira, Moya8.
Anita Malfatti celebrizara-se por um episódio ocorrido antes, em 1917. Tinha ela, de regresso de seus estudos nos Estados Unidos, onde sofrera o contato da pintura moderna, exposto seus trabalhos num salão da Rua Líbero Badaró. São Paulo, com seu espírito de acampamento, sem tradição nem lei, aceitou aquilo como aceitava os ocasos inflamados do pintor Bassion ou as mediocridades floridas de Paulo Rossi9. Todo mundo ia, gostava, deixava o nome no livro. Acontece, porém, que um dia surge num jornal uma diatribe terrível assinada por Monteiro Lobato, cuja autoridade crescia nas letras nacionais. O título do artigo era simplesmente este: “Cinismo ou Paranóia”10. Lobato xingava de todos os nomes a pintura de Anita.
Essa posição de Lobato em face da arte moderna, ele a conservou até a morte. Foi a posição de um inculto rebelde. Aliás, numa curiosa confissão, ele contou com muita verve como tinha querido ser pintor e fracassado desde a primeira experiência, quando confundiu óleo com aquarela. Ficou, sem dúvida, o complexo, e ele, não tendo nem o instinto nem a cultura necessários à compreensão das transformações plásticas do mundo, arrepiou-se logo com o que lhe feria a embotada sensibilidade provinciana.
Anita, menina nesse momento, sofreu um grande choque. Houve compradores que devolveram os seus quadros. E ficou no ar a onda de hostilidade que depois continuou a persegui-la. Pelas colunas do Jornal do Comércio11eu tentei defendê-la, mas fi-lo timidamente, pois não tinha autoridade para enfrentar Lobato e sua grei. Meu artigo era assinado pelas iniciais O.A.
A Semana, como disse, realizou-se com grande alarido, particularmente a sessão em que foram apresentados ao público os novos poetas e escritores. A ausência de qualquer padrinho nos atirou às feras. No palco, nos alinhamos Menotti del Picchia, eu, Mário de Andrade, Sérgio Milliet, Ronald de Carvalho, o poeta suíço Henri Mugnier e Agenor Barbosa.
A tela subiu e vi que o teatro estava repleto. Menotti, de pé, iniciou a apresentação dos novos escritores, aproveitando o primeiro silêncio. Ouviram-no atenciosamente até o fim, Aí, disse ele, apontando-me, que, para dar um exemplo do que era a prosa nova, ia eu ler um trecho de romance inédito.
Eu levara comigo umas laudas contendo uma página evocativa d’Os Condenados12que nada tinha de excessivamente moderno ou revolucionário. Mas a pouca gente interessava o que eu ia ler e apresentar. O que me interessava era patear. Apenas Menotti se sentou e eu me levantei e o teatro estrugiu numa vaia irracional e infrene. Antes mesmo d’eu pronunciar uma só palavra. Esperei de pé, calmo, sorrindo como pude, que o barulho serenasse. Depois de alguns minutos, isso se deu. Abri a boca então. Ia começar a ler, mas nova pateada se elevou, imensa, proibitiva. Nova e calma espera, novo apaziguamento. Então, pude começar. Devia ter lido baixo e comovido. O que me interessava era representar meu papel, acabar depressa, sair, se possível. No fim, quando me sentei e me sucedeu Mário de Andrade, a vaia estrondou de novo. Mário, com aquela santidade que às vezes o marcava, gritou: “Assim não recito mais”. Houve grossas risadas.
O mais gozado de todos foi o estrangeiro Henri Mugnier, que se exprimiu em francês, meio estonteado, sem compreender e aceitou o que se passava. Ronald de Carvalho, teso, pequenino, reagiu. Gritou para os vaiadores que ladravam e soltavam das galerias bexigas sonoras: “Homenzinho do cachorro! Homenzinho do balão! São versos de Manuel Bandeira! São versos de Ribeiro Couto!”
Os concertos de Villa-Lobos tiveram a mesma acolhida terrível. A música nova parecia estapafúrdia àquela gente educada nas doçuras lânguidas de Puccini e de Verdi. O possante sopro do nosso maior compositor foi completamente desencorajado nas noitadas do Municipal. O barulho era tamanho que Armando Leal Pamplona13 decidiu subir ao galinheiro e me convidou para segui-lo. Lá, gritou: “Quem é que está vaiando assim?” Um sujeito pôs-se de pé e gritou violentamente, batendo no peito: “Eu! Eu!” Retiramo-nos. Eu ria. Ronald, que era grande jornalista, certa tarde interpelou-me à saída do Municipal: “Seu Oswald, vieram me dizer que foi você quem organizou essas vaias!” “Eu? Como?” “É, isso é muito desagradável, principalmente para mim que fui premiado pela Academia Brasileira de Letras!”
Como se vê, todos os movimentos se processam da mesma maneira, confusos, heteróclitos, desiguais. O que importa é o impulso e a meta. Essas foram atingidas pelo movimento de 22.
Se procurarmos a explicação do porquê o fenômeno modernista se processou em São Paulo e não em qualquer outra parte do Brasil, veremos que ele foi uma consequência da nossa mentalidade industrial. São Paulo era de há muito batido por todos os ventos da cultura. Não só a economia cafeeira promovia os recursos, mas a indústria, com sua ansiedade do novo, sua estimulação do progresso, fazia com que a competição invadisse todos os campos de atividade. Desde ginasiano eu me habituara a frequentar uma grande livraria da Rua 15 de Novembro, a Casa Garraux, onde o editor José Olympio iniciou a sua carreira. Aí se encontravam todas as novidades da Europa. Editoras, livros e revistas sempre foram preocupações paulistas. Assim, um conjunto feliz de circunstâncias, entre as quais a presença entre nós de dois bons padrinhos, Graça Aranha e Paulo Prado, fez eclodir a Semana no ano em que se comemorava o primeiro centenário da independência nacional.

Texto publicado na revista Anhembi,São Paulo, nº 49, 1954.
i#A Revista Anhembi foi criada em 1950 e dirigida, desde o início, por seu principal mentor, Paulo Duarte (1899-1984), jurista, arqueólogo, jornalista e escritor paulista, ligado a Julio de Mesquita Filho e ao grupo do jornal “O Estado de S. Paulo”. O projeto editorial circulou até 1962, como parte do projeto intelectual e pessoal de seu editor. Com claros vernizes elitistas, a publicação, no entanto, tratava de assuntos os mais variados, das ciências às artes.
ii# Boaventura, Maria Eugenia. “Do órfico e mais cogitações”. In: Andrade, Oswald.Estética e política. São Paulo: Globo, 1992, p. 10.
iii# Idem, p. 10.
iv# Idem ibidem, p. 10.
1#Oswald teve, a partir de 1920 até 1922, um estúdio na Rua Pedro Américo, esquina com Praça da República
2#História do Modernismo Brasileiro, São Paulo, Saraiva, 1958.
3#A Barca de Gleyre: Quarenta Anos de Correspondência Literária entre Monteiro Lobato e Godofredo Rangel, São Paulo, Nacional, 1944.
4#Samuel Ribeiro (1882-1952), engenheiro, presidente da Caixa Econômica Federal em São Paulo. René Thiollier (1884-1968), jornalista e escritor, membro da Academia Paulista de Letras.
5#Aristeo Seixas (1881-1965), empresário e escritor.
6#Ivan Mestrovick (1883-1962), escultor iugoslavo, produziu esculturas baseadas em temas nacionalistas e religiosos.
8#Antônio Garcia Moya (1891-1949), arquiteto e artista plástico, participante também da Semana de 22.
9#Paulo Cláudio Rossi Osir (1890-1959), pintor, desenhista e arquiteto, integrou a Família Artística Paulista.
10#O artigo de Monteiro Lobato “A Propósito da Exposição Malfatti” foi publicado em O Estado de S.Paulo de 20 de dezembro de 1917. Pode ser lido emhttp://outraspalavras.net/brasil/paranoia-ou-mistificacao/.
11#O artigo de Oswald “Anita Malfatti” saiu no Jornal do Comércio de 11 de janeiro, de 1918. Pode ser lido em http://outraspalavras.net/oswald60/a-exposicao-anita-malfatti/.
12#Os Condenados foi lançado pela Editora Monteiro Lobato, com capa de Anita Malfatti, em 1922. Outras Palavras está publicando-o, em capítulos, aqui:http://outraspalavras.net/category/os-condenados/
13#Armando Leal Pamplona, modernista de primeira hora, pioneiro do documentário cinematográfico brasileiro.

The Invisibles: Moving Vintage Photos of LGBT Couples in the Early 20th Century

brain pickings
http://www.brainpickings.org/index.php/2014/06/19/the-invisibles-sebastien-lifshitz/


The Invisibles: Moving Vintage Photos of LGBT Couples in the Early 20th Century

by 
Archival images — sometimes poignant, sometimes playful, invariably tender — of gay and lesbian couples privately celebrating their love in an era that denied it.
Any form of excess can usually be traced to the seed of a basic human longing. Before photography turned into excessive “aesthetic consumerism,” long prior to the narcissistic golden age of the selfie, it was a miraculous medium that granted one simple, fundamental human wish — the desire to be seen and, in the act of seeing, to be understood. Perhaps that is why photography, in its dawning decades, had a particularly poignant role for individuals and groups who were largely invisible to society. It was the role photography played for the LGBT community between the time of the medium’s invention and the first-ever Pride parades as it came to document, and validate by making visible, the love of queer couples — love reserved not only for such famous lovers as Margaret Mead and Ruth Benedict,Virginia Woolf and Vita Sackville-WestOscar Wilde and Sir Alfred “Bosie” Douglas, and Gertrude Stein and Alice B. Toklas, but also experienced by a great many ordinary men and women alike.
That’s precisely what French screenwriter and director Sébastien Lifshitzexplores in The Invisibles: Vintage Portraits of Love and Pride (public library), a remarkable collection of archival photographs — sometimes poignant, sometimes playful, invariably tender — of gay and lesbian couples privately celebrating their love in the early twentieth century. Each couple, Diane Ackerman wrote in her sublime natural history of love, gets to redefine love, and these are some humble and humbling, beautifully human, immeasurably yet quietly courageous redefinitions
For Lifshitz, the project began somewhat serendipitously: As a longtime collector of vintage amateur photos, he chanced upon a photo album that belonged to two elderly women, “very bourgeois, very ‘old France.’” It didn’t take him long to realize that they were in a lifelong lesbian relationship. He found himself fascinated by such family albums by openly gay couples and was surprised by the freedom and happiness they exhibited in those photos, despite living in eras of extreme social intolerance toward LGBT people. Looking back over the first half of the twentieth century, Lifshitz set out to interview gay women and men born between the two World Wars, seeking to understand what life was like for them — people like the great Edith Windsor, who belongs to that generation and has done for marriage equality more than any other individual in history.
The book is a companion to Lifshitz’s 2012 film, Les Invisibles.
This touching trailer offers a taste: