Wednesday, 13 May 2015

Liu Arruda, o bufão cuiabano

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Liu Arruda, o bufão cuiabano
13.05.2015

 Liu e Ivan Belém, química perfeita no palco e na vida

Risos largos, almas encantadas,  como nas antigas noites cuiabanas onde o bufão Liu Arruda arrancava aplausos efusivos, e proporcionava intensa alegria aos fãs.  A estripulia cênica da noite ficou por conta de Ivan Belém e seus amigos atores do grupo  "os crônicos" , que numa mistura de teatro e defesa de tese, honraram a cuiabanidade no melhor estilo teatral. Certamente no céu da alegria, Liu Arruda deu muitas cambalhotas de felicidade com a homenagem “digoreste”.

Assim foi esta noite de terça na Academia Mato-Grossense de Letras, com apresentação da tese de Doutorado do ator Ivan Belém, intitulada “Liu Arruda: a travessia de um bufão cuiabano sob inspiração  de Augusto Boal”. Ivan foi um dos fundadores do Grupo Gambiarra, onde Liu atuou.
Bufão era pessoa divertida,  muitas vezes responsável para alegrar o rei, segundo Ivan, bufão é o ancestral do palhaço.

Noite prá lá de histórica na Academia de Letras

A conclusão da tese de Ivan é que o Grupo Gambiarra seguia as técnicas do Teatro do Oprimido, de Augusto Boal. “É uma forma de pensar o meio ambiente como meio político e social”. O objetivo do teatro é buscar a transformação social.

Boal desenvolveu a metodologia teatral conhecida como Teatro do Oprimido, a mais praticada hoje nos cinco continentes. O carioca filho de padeiro, primeiro se formou em Engenharia Química pra depois ser um dos mais importantes teatrólogos e diretores, inclusive sendo candidato ao Prêmio Nobel da Paz 2008. Boal morreu em maio de 2009.

Pela primeira vez a Academia recebeu uma defesa de doutorado, e,  pela boa aceitação,  pode ser a primeira de uma série, já que a professora Michele Sato, orientadora de Ivan Belém, definiu como sendo uma forma da UFMT se aproximar mais da comunidade.

Vital Siqueira e Michele Sato

Michele Sato provou  que meio ambiente e teatro são convergentes

Conforme denominação de Ivan, o “movimento tchapa e cruz”, que reunia cuiabanos e cuiabanas,  foi uma arma de resistência aos “estrangeiros” que aportaram em Cuiabá na década de 80 e tentaram  descontruir a identidade local, sendo o jeito de falar cuiabano a crítica preferida de então. “Achavam que Cuiabá fosse um território vazio, a crítica contra o jeito de falar cuiabano ocasionou baixa auto estima, o riso foi uma forma de reação para garantir nossa  sobrevivência emocional e espiritual, relatou Ivan.”

O sorriso largo da legítima cuiabana

Liu Arruda foi um educador, um preservador da dimensão  pedagógica da comédia, essa é uma das principais conclusões da tese defendida por Ivan. 

O doutor em alegria, Ivan Belém

Para desenvolver a tese, Ivan Belém entrevistou pessoas que conviveram muito com Liu Arruda, como Luiz Carlos Ribeiro, Vital Siqueira, Meire Pedroso, Terezinha de Jesus Arruda, que também prestigiaram a apresentação da tese na Academia Mato-grossense de Letras. E muitos deles inclusive atuaram na apresentação teatral  da noite histórica.

Meire Pedroso fez história ao lado de Liu Arruda

Classe artística prestigiou o evento de Ivan Belém, como o consagrado artista plástico João Sebastião

A cantora Deize Águena foi amiga do primário de Liu Arruda e contou que de tanto atuar, às vezes o ator até se esquecia da sua parte pessoal

A grande homenageada  foi a professora Terezinha de Jesus Arruda, considerada por Ivan a inspiradora de Liu, pediu para ser chamada de estimuladora, em sua serenidade e doçura, Terezinha afirmou que Liu e sua turma, tinha inspiração de sobra. Ela contou que um dia passeava pelas ruas de Cuiabá e encontrou Liu em uma janela, iniciava ali uma longa história de cumplicidade, respeito, ajuda e apoio profissional.  A década de 80 foi efervescente para o teatro cuiabano, que além das ruas, ocupou espaços públicos fechados.

A professora Terezinha de Arruda fez questão de destacar que embora tivesse o mesmo sobronemoe não era parente de Liu

Terezinha relembrou que na década de 80 os artistas locais iam de ônibus para realizar apresentações nas escolas, e, relembrou, emocionada, quando alunos de escolas públicas foram pela primeira vez ao Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso. “Eles entraram pelas pontas dos pés, não sabiam nem mesmo como andar num lugar tão sofisticado como aquele”.

“Me  orgulho ao ver esse meninão aqui se tornando doutor. Doutores do risos estão sendo necessários nesse mundo nosso”, filosofou Terezinha de Arruda.




 O imortal Liu



Momento de boas lembranças da infância 


Tese de doutorado e teatro, combinação perfeita, a Academia Mato-Grossense de Letras, que a cada dia se transforma num dos cantos mais expressivos da cultura em Cuiabá, provou isso. Esperamos muitos novos bufões  para levar arte e mobilizar a coletividade em prol das mais autênticas expressões artísticas cuiabanas. "Xá por Deus", que noite encantadora!


A futura presidente da Academia de Letras a partir de setembro, Marília Beatriz, estava empolgadíssima

Marília registrando a história


A cineasta Bárbara Fontes



O presidente da Academia de Letras, Eduardo Mahon




A nova geração que estuda Liu, como  Andrhessa Heloiza. "Sim, Liu está vivo. Porque quem dedica uma vida à cultura é por ela perpetuado. Cuiabá e suas pessoas, Liu e seus personagens, são coisas são próximas que quase beiram à redundância". 

Imagem pertencente ao  imaginário de quem teve o privilégio de se alegrar com a irreverência do bufão Liu Arruda
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