Thursday, 20 October 2011

mimi - relato de pesquisa

NARRATIVA DE CAMPO 

Michèle Sato 

São Pedro de Joselândia
Setembro de 2011
Com: Imara, Lúcia, Aitana, André, Camila, Iara, João, Luigi e Péricles

Registro iconográfico (autoria da mimi): https://picasaweb.google.com/116550716501288513582/Set_2011?authkey=Gv1sRgCMHf7sOM8bHCbQ



Saímos com o carro da UFMT e com o carro da Lushi, ecologicamente perfeito: 5 pessoas em cada carro na estrada de asfalto que liga Cuiabá com Poconé (Porto Cercado) onde deixamos o carro no estacionamento do SESC. Um barco nos conduziu até a metade do caminho pelas águas pantaneiras e depois uma longa estrada de terra desenhava seus pneus nas poeiras da estrada que chegava à pousada do Pica-Pau.



Uma festa de Cosme e Damião era o preparativo daquela sexta feira, num calor quase insuportável das ruas empoeiradas, que na época das águas tornam-se corixos e navegam canoas... e sonhos! O saci pererê passou no Pantanal de Joselândia e deixou um rodamoinho de poeira, confira no vídeo!!!

http://www.youtube.com/watch?v=pcZ2ezwZzMc

Uma reinvenção do cotidiano (Certeau) possibilita algumas criações nos quintais pantaneiros. Poucas flores sustentam a paisagem, mas são também belas nesta estética pantaneira. 


Os enfeites foram coordenados pela Imara e todos ajudaram a decorar a festa, nas bandeirolas com inúmeros jeitos, formas, cores e decorações de papéis de seda, jornais velhos, revistas e até papel de presente! Também o altar e os enfeites centrais da festa de Cosme e Damião.


A dança do siriri foi maravilhosa, destacando a Cacá, Iaiá e Aitana, pela graciosidade das danças, simpatia e presença marcante na festa de dois dias (sábado e domingo). Doces, salgados, o gado na cena torturante desta ecologista que desde então, não come vermelha!


No caminho de volta, um presente da fauna pantaneira, entre jacarés (muitos jacarés!), um martim pescador, ariranha, lagartos, e tantos peixes que me inspiraram nos desenhos rabiscados, meio apressados e sem muito jeito. 





MITOLOGIA

Entrevistado: seu Joaquim, que afirma que o minhocão de Chacororé se move para os rios de Joselândia!

Metodologia: Surracionalismo (Bachelard, 1936): “Para pensar, quantas coisas é necessário inicialmente desaprender”, entre o imaginário surrealista e o direito de sonhar.

CAUSO 1: DEUS
Deus controla tudo, mas os humanos estão agindo fora dos mandamentos, roubando, matando, destruindo a natureza. Deus não consegue mais controlar os humanos, por isso eles destroem a natureza deste jeito. Mas os encantados ajudam Deus a proteger um pouco a natureza.



CAUSO 2: O ENCANTANDO E O PORCO

Em Barão de Melgaço, tinha um poço muito grande. Um homem matou um porco e jogou a cabeça neste poço. De tarde, a cabeça estava na tábua que o homem cortou o porco! O homem jogou a cabeça de novo no poço e o bicho ficou bravo!

No outro dia, a cabeça apareceu na porta da casa do homem, que saiu correndo gritando por socorro. No instante seguinte, ouviu-se um estrondo e a casa desabou! O homem fez a casa noutro lugar, mas nunca mais jogou nada no poço, cuidando da limpeza das águas.


CAUSO 3: OS OLHOS DA ÁGUA

Os encantados gostam de rios, mas na seca vivem também em poços, derrubam barrancos e mudam as coisas de lugar. Possuem força sobrenatural! Uma moça morava na beira do rio e um encantado “chupou” a moça para dentro da água. Depois de dois dias ela reapareceu na água, mas já era uma encantada. E na água que eles retiram a energia, e por isso a água tem mais olho e ouvido do que a terra. 



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