Sunday, 6 March 2016

ALICE RUIZ

http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/parana/alice_ruiz.html



ALICE RUIZ
Alice Ruiz (Curitiba, 22 de janeiro de 1946) é uma poetisa e escritora brasileira. Começou a escrever na adolescência, mas durante muitos anos divulgou seus poemas apenas em revistas e jornais. Publicou seu primeiro livro aos 34 anos de idade. Foi casada com o também poeta Paulo Leminski, com quem teve três filhos: Miguel Ângelo Leminski, Áurea Alice Leminski e Estrela Ruiz Leminski. Fonte: Wikipedia
Obras publicadas: Navalhanaliga (1980) ; Paixão Xama Paixão (1983); Pelos Pêlos (1984); Hai-tropikai (1985); Rimagens (1985); Nuvem Feliz (1986); Vice Versos (1988) ; Desorientais (1996) ; Haikais (1998) ; Poesia Pra Tocar no Rádio (1999) e Yuuka (2004).
Conheci Alice Ruiiz durante o I Festival de Poesia de Goyaz, em 2006, onde travamos uma breve conversação, em clima de congraçamento e tietagem. Fiquei de publicar uma página da autora, consagrando a admiração por seu trabalho. O trabalho de Alice está por toda parte, há muito tempo, circulando por livrarias, bibliotrecas, coleções particulares, saraus e performances, celebrando a popularidade da grande artista. Aqui apenas um registro e um convite para visitar o sitio oficial, para um aprofundamento em sua vasta obra que, além de livros, incluii traduções, parcerias musiciais e tudo o mais. Site oficial: http://www.aliceruiz.mpbnet.com.br/  
O poeta Alice Ruiz, oferecendo uma oficina de hai-kai durante a  I BIENAL INTERNACIONAL DE POESIA DE BRASILIA ( de 3 a 7 de setembro de 2008 )
VEJA TAMBÉM transcriação de  Alice Ruiz em>> TRANSCRIAR. Org. Julio Plaza.
Veja também>>>´POÈMES EN FRANÇAIS


RUIZ S., Alice.  Outro silêncio haicais.  São Paulo, SP: Boa Companhia, 2015.  95 p. 
            14X21 cm.   “ Alice Ruiz S. “  Ex. bibl. Antonio Miranda

            o que é aquilo?
        coquinhos aos quilos?
        almoço de esquilos
 
        chuva de verão
        o pássaro no telhado
        olha e não molha
 
        um trovão pergunta
        outro ao longe responde
        pingos nos is
 
        gota de suor
        rola pelo rosto
        lágrima sem dor
 
        lado a lado
        as árvores se olham
        e se desfolham
 
        sonho de viagem
        não sei se durmo
        ou olho a paisagem


DeAlice Ruiz
PROESIAS
Ilustrações Xiloceasa
[Belo Horizonte]: Tipografia Acaia, 2010
108 p. ilus. col.

"ALICE RUIZ é conhecida e reconhecida por seus livros de haikai. Agora nos brinda com um de "proesias". Sai da linguagem extremamente compacta e minimalista  — com que nos acostumou —, para os textos curtos, poéticos, reflexivos, mas também criativos, densos, tensos. Escritura de desdobramentos, ideia-puxa-ideia, entre lírico e filosófico, versilivremente, discurso sem narrativa, sugerindo mais do que dizendo, escrevendo sem descrever. Proesofia, proesia." ANTONIO MIRANDA


Á magia da folha em branco consiste em deixá-la aberta, à espreita,
sempre ao alcance dos olhos. Ela nos olha e chama.
Inflexível em seu chamado e maleável aos nossos achados.
Qualquer que seja. Uma ideia, um verso. Um sonho.
Tudo cabe nela. Nenhum limite nos coloca a não ser o seu
branco imaculado.
Sem palavras esse branco nos seduz a preenchê-lo.

Falta que se desfaz em apelo. E, ainda, em silêncio, esse mesmo
branco, (vazio que se faz da soma de todas as cores/coisas)
nos desafia com sua beleza, sua plenitude indefesa,
sua incomensurável certeza, a encontrar uma palavra que seja igual ou,
ao menos, próxima da grandeza desse branco, abismo visto do
lado do avesso.
Técnica significado. Assim na arte, como na vida.
A forma exterior o interior, o invisível através do visível.
Poesia como um sorriso. Universal.
Palavra, ideia, pensamento, sonho.
Qualquer coisa capaz de sua luz.

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HAIKAIS 

mar bravio
a cada onda
novo silêncio


diante do mar
três poetas
e nenhum verso


manhã de outono
o verde do mar
também amarela


sinal fechado
o menino atravessa
escrevendo versos


contra o prédio cinza
uma só flor
e todas as cores


procurando a lua
encontro o sol
mas já de partida



põr-do-sol
em torno dele
todos os cinzas



começo de outono
cheia de si
a primeira lua



som alto
vento na varanda
a samambaia samba



trânsito parado
os mesmos olhares
e ninguém se olha



último raio de sol
primeiro da lua
outono nascendo



cerimônia do chá
três convidados
e um mosquito



nuvem de mosquitos
tocando violão
silenciosamente



sob a folha ver-escura
a folha verde-clara
trêmula dissimula  




RUIZ S., Alice.  Jardim de Haijin. Ilustrações de Fê.  [Haikais]  São Paulo: Iluminuras,  2010.  Ilus   16X23 cm.  “ Alice Ruiz “  Ex. bibl. Antonio Miranda


RUIZ S, Alice.  Conversa de passarinhos.  Haikais.  Ilustrações: Fê.  São Paulo:           Iluminuras, 2008.  Ilus.  (Livros da tribo)  16x23 cm.  “ Alice Ruiz “  Ex. bibl. Antonio Miranda

basta um galhinho
e vira trapezista
o passarinho

pousados nos galhos
os pássaros balançam
música nos bambus

RUIZ S, Alice.  Estação dos bichos. Ilustrações de Fê.  São Paulo: Iluminuras, 2011.  s.p.  16x23 cm.  ilus. col.  .  “ Alice Ruiz “  Ex. bibl. Antonio Miranda

dois galos e uma galinha
qualquer pasto
vira rinha


OUTROS POEMAS

DRUMUNDIANA
e agora maria?

o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria

Nota: Paródia do poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade.

SE
se por acaso
a gente se cruzasse
ia ser um caso sério
você ia rir até amanhecer
eu ia ir até acontecer
de dia um improviso
de noite uma farra
a gente ia viver
com garra
eu ia tirar de ouvido
todos os sentidos
ia ser tão divertido
tocar um solo em dueto
ia ser um riso
ia ser um gozo
ia ser todo dia
a mesma folia
até deixar de ser poesia
e virar tédio
e nem o meu melhor vestido
era remédio
daí vá ficando por aí
eu vou ficando por aqui
evitando
desviando
sempre pensando
se por acaso
a gente se cruzasse...
dois em um
De
dois em um ]
São Paulo: Iluminuras, 2008
Tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
 de ter ficado

*
você esqueceu?
isso acontece
só os mortos
não esquecem

*

que viagem
ficar aqui
parada
*

falta de sorte
fui me corrigir
errei

“Em geral, Ruiz emprega versos livres, que raramente ultrapassam oito sílabas. Predominam versos brancos, mas com blocos rimados e ocorrência das chamadas “rimas pobres”, isto é, com terminações em “ao” e formas verbais infinitivas, além de repetições de termos idênticos ou de mesma categoria gramatical. / Há forte presença  de tercetos, que incluem índices das estações do ano, o que evidencia a preferência de Ruiz pela composição à maneira de haikai. Digo “à maneira”, pois nos seus haikais cabe a virtualidade metafórica, simbólica, e a alusão sensual, estranhas à forma tradicional. Além disso, o aspecto descritivo do haikai tradicional cede seu lugar decisivo para a agudeza verbal e as figuras de linguagem. (...) A poesia de Ruiz mescla, pois, certo racionalismo construtivo com algo de clima de “desbunde” e da poesia dita marginal, o que resulta, por vezes, num curioso feminismo de viés sedutor. (...) É isso: o verso aparece como objeto final de um desejo que, nascido no corpo, se contenta com as letras, na esperança de que sejam mágicas.”  Alcir Pécora, na Folha de São Paulo 7/02/2009
De
Alice Ruiz S
JARDIM DE HAIJIN
Ilustrações de Fê
São Paulo: Iluminuras, 2010.
(Livros da Tribo)
ilus.ISBN  978-85-7321-323-2


"Haijin é a pessoa que faz haikai. Hai de haikai mais jin de pessoa. Portanto, poeta. "


à sombra de outra
pequena árvore cresce
para onde o sol nasce

*

passeio no Ibirapuera
uma cerejeira florida
interrompe a conversa

*

jasmim do cabo
um chão todo florido
e perfumado

*

manhã de primavera
para todas as flores
dia de estreia

RUIZ, Alice.  Yuuka. haicais.  Porto Alegre, RS: AMEOP – Ame o Poema, 2004.  96 p.  ISBN 85-98240-07-9  “ Alice Ruiz “  Ex. bibl. Antonio Miranda

viola caipira
os remos dos barcos
seguem  ritmo
        Londrina, 99

a gaveta da alegria
já está cheia
de ficar vazia
        arrumando papéis, 97

cinzeiro incesário
o espírito é o corpo
pelo contrário
         00

RUIZ, Alice S.  Desorientais. Hai-kais.  5ª. edição.  São Paulo: Iluminuras, 2001.   125 p. 14x19 cm.  Apresentação de José Miguel Wisnik.   Capa: Fê.  ISBN 85-7321-039-7  “ Alice Ruiz “ Ex. bibl. Antonio Miranda

fim do dia
porta aberta
o sapo espia

minha casa
o sapo já sabe
entrar e sair

dentro do jardim
o dia chega mais cedo
ao fim

ATLAS Almak 88.  São Paulo: 1988.  144 p.  31x43 cm. Ilus. col.  Capa: Arnaldo Antunes, Zeto Borges, Zaba Mareau.  Editores: Arnaldo Antunes, Beto Borges, G. Jorge Jorge, João Bandeira, Sérgio Alli, Walter Silveira, Zaba Moreau.  Inclui poesia visual, arte visual e gráfica de poetas e artistas do período, entre eles Arnaldo Antunes, Duda Machado, Augusto de Cam,pos, Leon Ferrari, José Lino Grunewald, Décio Pignatari, Hélio Oiticica e muitos outros!!! Tiragem: 1500 exs. Capa dura.

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TEXTOS EM PORTUGUÊS Y ESPAÑOL
ALICE RUIZ


nació en Curitiba en 1946. Publicó Naval-hanaliga (1980), Paixão xama Paixão (1983), Pelos Pêlos (1984), Rimagens (con Leila pugnaloni, 1985), Hai Tropikai (con Paulo Leminski, 1985), Vice Versos (1988) y Desorientais (2ª Ed. 1998). También existe una antología-testimonio, Alice Ruiz, editada por la Universidade Federal do Paraná(1997). Se ha especializado en la práctica y enseñanza del haiku. También publicó una historia infantil, Nuvem Feliz, y vários libro de traducciones de poesía japonesa. Es autora de letras de canciones (con músicas de Arnaldo Antunes, Itamar Assumpção, Chico Cesar, José Miguel Wisnick, etc.)


Textos extraídos da revista TSÉ=TSÉ n. 7/8 otoño 2000
[Traducciones de R.J., revisadas por A.R.]



fora de mim
imagino na paisagem
a imagem do que fui


         fuera de mí
         imagino en el paisaje
         la imagen de lo que fui



            o som da água
            na copa dos eucaliptos
            vento passando


                   el sonido del agua
                   en la copa de los eucaliptos
                   viento pasando       

           



              ponte estreita
              a mata inteira canta
              o escuro passa

                               puente estrecho
                               la mata entera canta
                              lo oscuro pasa      
                  


no escuro das águas
uma voz clara
nada nunca pára

                   en lo oscuro de las águas
                   una voz clara
                   nada nunca para     


                            borboleta na chuva
                            o peso da gota
                            ainda mais leve

                                         mariposa en la lluvia
                                         el peso de la gota
                                         aun más leve



                                                                  a sombra se deita
                                                                  rede ao mar
                                                                  sonhos de outro dia

                                                                        la sombra se echa
                                                                        red al mar
                                                                        sueños de otro día


                                      sono do pescador
                                      o peixe quando salta
                                      imita o som do mar

                                                        sueño del pescador
                                                        el pez cuando salta
                                                        imita el son del mar


                                                        entre a espuma do mar
                                                        e a nuvem toda branca
                                                        o vôo da garça

                                                            entre la espuma del mar
                                                            y la nube toda blanca
                                                            el vuelo de la garza

                            fim de tarde
                            todas as cores no céu
                            e a palidez do mar

                              fin de tarde
                              todos los colores en el cielo
                              y la palidez del mar

nuvem sobre nuvem
montanha sobre montanha
onda sobre onda
         nube sobre nube
         montaña sobre montaña
         onda sobre onda     

                                      neve ou não neve
                                      onde há amigos
                                      a vida é leve

                                               nieve o no nieve
                                               donde hay amigos
                                               la vida es leve

velha amiga
essa dor antiga
finjo que desconheço

                   viejo amigo
                   ese dolor antíguo
                   finjo desconocerlo

                                      meu corpo que você não sabe
                                      se abre, te recebe
                                      e você nem percebe

                                               mi cuerpo que tu no sabes
                                               se abre, te recibe
                                               y tú ni percibes

meus olhos de coruja
te enxergam no escuro
onde há você é luz


           mis ojos de lechuza
           te avistan en lo oscuro
           donde hay tu es luz


                   correndo risco
                   a linha do corpo
                   ganha seu rosto

                            corriendo riesgo
                            la línea del cuerpo
                            gana su rostro        

a luz que acende
apaga estrelas
e os versos que vinham delas

                   la luz enciende
                   apaga estrellas
                   y los versos que vienen de ellas

a luz que acende apaga estrelas
e os versos que vinham delas

                   la luz que enciende
                   apaga estrellas
                   y los versos que vienen de ellas

canto dos pássaros
um grita mais alto:
to fraco, to fraco


                   canto de los pájaros
                   uno grita más alto:
                   estoy flaco, estoy flaco

pássaro sem nome
pergunta quem é?
todos respondem

                   pájaro sin nombre
                   pregunta¿quién es?
                   todos responden


De
 Heloisa Buarque de Hollanda
 Otra línea de fuego - Quince poetas brasileñas         ultracontemporáneas.
Traducción de Teresa Arijón. Edición bilingüe.
Málaga:  Maremoto;  Servicio de Publicaciones,
 Centro de Edciones de la Diputación de Málaga, 2009.  291 p
ISBN  978-84-7785-8

Lembra o tempo
em que você sentia

e sentir
era a forma
mais sábia de saber

E você nem sabia?


¿Recuerdas el tiempo
en que sentias

y sentir
era la forma
más sabia de saber

y no sabias?

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o que você tem feito?
tem feito a cabeça,
as ideias, os sonhos de alguém?

qual é mesmo o seu jeito?
objeto, sujeito?
é espírito, é matéria?
já chegou a ninguém?

inventou sua quimera?
é o mal?
é o bem?
tem juízo perfeito?
acredita em vida eterna?
disse ou não disse amém?

vai ficar
ou é de férias
que você vem?


¿y tu quê hás hecho?
¿has hecho la cabeza,
las ideas, los sueños de alguien?

¿cuál seria tu clave?
¿sujeto, objeto?
tespíritu, matéria?
¿le hás llegado a nadie?

¿has inventado tu quimera?
¿es el mal?
¿es el bien?
¿estás en tu sano juicio?
¿crees en la vida eterna?
¿dices o no dices amén?

¿quedarte quieres
o solo
de vacaciones vienes?

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Noite e dia

não me agradam
essas coisas que despertam
barulho, susto, água fria
tudo na minha cara
mais nenhum sonho por perto

não me agradam
essas coisas que adormecem
vazio, escuro, calmaria
tudo que lembra morte
quando nada mais dá certo

não me agradam
essas coisas sem poesia
uma noite só noite
um dia só dia


Noche y día

no me agradan
esas cosas que despiertan
barullo, susto, agua fría
en plena cara
y ningún sueño cerca

no me agradan
esas cosas que adormecen
vacío, oscuro, calma
todo lo que evoca muerte
cuando nada bien resulta

no me agradan
esas cosas sin poesía
una noche solo noche
un día solo día



ASSALTARAM A GRAMÁTICA

Jovens e vivazes, provocadores e inovadores... Alice Ruiz... todos jovenzinhos..., Chacal e Chico Alvim,  Cristina César, Paulo Leminski, Wally Salomão... e outros mais, num video imperdível, memorável, enviado por Edson Cruz, do Sambaquis, que recebeu do Giuseppe Zani, via Ricardo Aleixo, que...  agora passamos adiante.   Vejam e repassem....
COMENTÁRIO SOBRE A SUSPENSÃO DO VÍDEO:
Aqui está um bom exemplo da confusão referente à Lei do Direito Autoral no Brasil...  Recebemos este vídeo pela Internet, de um dos personagens do vídeo, pedindo a difusão...
Foi o que fizemos.  A produtora  entrou com um pedido para o reconhecimento de seus direitos autorais. O vídeo não foi publicado em nosso Portal, apenas fizemos um link, a pedido de um dos poetas. A fonte onde está depositado deve ter suspenso a disponibilização do video  até que se resolva a questão. Sem entrar no mérito do recurso da produtora, fica sempre aquela pergunta: em alguma instância os poetas participantes do vídeo vão receber por sua  imagem?  Mas a questão é outra: quando o Brasil vai adotar o FAIR USE, quando a divulgação for sem fins lucrativos, por interesse estritamente cultural? Fica aqui o link cego para representar o dano à cultura. Sem com isso querer contestar o pleito da produtora, cuja decisão cabe à justiça, nos estreitos, estreitíssimos, espaços da lei vigente, que estava em processo final de discussão para ser reformada e que atualmente está de molho... Uma lei só é boa quando for justa para todos.

Página ampliada e republicada em dezembro de 2010; ampliada e reprublicada em fevereiro de 2011.
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