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Wednesday, 8 January 2014

Uma coleção viva

fapesp
http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/12/18/uma-colecao-viva/


Uma coleção viva

Diretor do Museu de História Natural de Londres vem ao Brasil em busca de parcerias
MARIA GUIMARÃES | Edição 214 - Dezembro de 2013

© THE TRUSTEES OF THE NATURAL HISTORY MUSEUM, LONDON
A galeria central, com o esqueleto de dinossauro iluminado para atividade noturna
A galeria central, com o esqueleto de dinossauro iluminado para atividade noturna
O diretor do Museu de História Natural de Londres, Michael Dixon, chegou ao Brasil no início do mês passado para cumprir um roteiro de 10 dias que incluía São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Brasília. O plano: conversar com pesquisadores, representantes de museus e de agências de fomento. A primeira parada foi na FAPESP, que já tem uma tradição em colaborações com o Reino Unido por meio de vários acordos assinados com universidades e com os conselhos de pesquisa do país. “A FAPESP tem um modelo específico para trabalhar de forma colaborativa com outras organizações internacionais, podemos olhar para isso e pensar em como desenvolvê-lo por parte do museu”, afirma Dixon. Para ele, o principal é que há semelhanças importantes entre os objetivos de sua instituição e os da FAPESP, tendo como cerne a relevância social.
Os resultados desse primeiro dia de conversas ainda não são palpáveis, mas o interesse é recíproco. “Em 15 dias tivemos a visita do Kew Garden e dos museus de História Natural do Reino Unido e da França”, conta a bióloga Marie-Anne Van Sluys, da Universidade de São Paulo, que se reuniu com Dixon em nome da FAPESP. “Em todos os casos temos laços estreitos e a FAPESP reconhece o valor das coleções como fonte de conhecimento da diversidade biológica, de investigação de processos evolutivos e o valor da disseminação do conhecimento através dos museus.”
A motivação de Dixon não deixa a desejar. “Estamos interessados em assuntos que vão desde a formação de nosso sistema solar, o que criou o nosso planeta, como a vida evoluiu no nosso planeta e como ela continua a evoluir ao longo do tempo, então estamos envolvidos em pesquisa sobre esses processos”, detalha. Com foco em biodiversidade e como ela vem sendo alterada, e na busca por maneiras de viver de modo mais sustentável, o escopo de atividades do museu certamente tem amplo apelo público. Da mesma forma, o objetivo do diretor do museu londrino em sua visita brasileira também não era nada modesto: descobrir como as coisas funcionam neste país e como podem surgir colaborações criativas e efetivas em aspectos que envolvem desde pesquisa até exposições públicas. “E tudo o que houver no caminho”, completa.
© EDUARDO CESAR
Dixon durante visita à FAPESP
Dixon durante visita à FAPESP
“As pessoas nos conhecem como o maravilhoso edifício vitoriano com os dinossauros, mas isso é apenas uma fração do que fazemos”, explica. Os visitantes não veem que menos de metade da área do edifício está aberta ao público. Mas pesquisa e exposição não são atividades isoladas, o diretor completa. “Tudo o que apresentamos ao público só pode ser feito com a autoridade da ciência que fazemos.”
Partindo do princípio de que no mundo moderno a pesquisa é muito mais produtiva se for colaborativa, Dixon busca pontos de contato com o Brasil a partir de conexões que já existem. Segundo ele, atualmente há cerca de 70 projetos envolvendo cientistas do Museu de História Natural de Londres (NHM) e do Brasil.
Além disso, a invejável coleção de pesquisa alojada no edifício inaugurado em 1881 reúne 80 milhões de itens entre rochas, fósseis, espécimes animais e vegetais, que estão disponíveis para pesquisadores do mundo todo por meio de consultas no local ou de empréstimos. No ano passado, 80 mil pesquisadores de outros países visitaram o NHM para examinar alguma parte da coleção. Nos últimos dois anos, só o departamento de entomologia recebeu 32 visitas de 28 pesquisadores brasileiros, num total de 223 dias de trabalho. O mesmo departamento tem atualmente 66 empréstimos enviados ao Brasil, num total de 8.223 espécimes cedidos a 37 indivíduos em 17 instituições. Por isso, mais do que uma coleção, ele prefere chamar o acervo do museu de infraestrutura de pesquisa.
Infraestrutura
A denominação se justifica pela riqueza do acervo acoplada a equipamentos que permitem fazer as mais diversas análises. Um exemplo marcante é o fóssil a partir do qual foi descrito o Archaeopteryx, tido como o elo perdido entre répteis e aves. Mas a glória de abrigar esse importante exemplar certamente não basta para um museu que preza a excelência de sua coleção e pesquisa. Recentemente uma tomografia da caixa craniana do fóssil, em comparação com o cérebro de espécies vivas de aves e répteis, permitiu inferir que o animal extinto não tinha apenas a morfologia adequada para voar: o cérebro do Archaeopteryx tinha bem desenvolvidas as estruturas sensoriais e motoras necessárias ao voo. “Isso não poderia ter sido feito há 10 anos”, ressalta.
Além de material com relevância histórica, que inclui espécimes coletados há quatro séculos e parte do material recolhido durante as viagens de Charles Darwin e Alfred Russel Wallace, entre outros exploradores do Império Britânico, a coleção é constantemente enriquecida pelo trabalho dos 350 pesquisadores que integram o corpo do museu. Hoje a maior parte dos países controla a exportação de representantes da biodiversidade, mas o NHM faz acordos para compartilhar o material coletado e, sempre que possível, manter coleções intactas para permitir estudos comparativos.
Com um planejamento mais cuidadoso, esses laços que já existem entre estudiosos dos dois países podem dar origem a colaborações mais frutíferas. Foi esse o foco das conversas que aconteceram na FAPESP, e que viriam a acontecer nos outros locais visitados. Esse planejamento pode identificar questões que já estejam sendo tratadas em São Paulo e em Londres, e para as quais a coleção do NHM possa contribuir. “Os pesquisadores sempre gravitam na direção de pessoas interessadas nas mesmas perguntas, mas procuramos saber se há valor em institucionalizar essa relação”, afirma Dixon. Ele explica que, em vez de deixar essas conexões se formarem de maneira fortuita, para a instituição pode valer a pena direcionar a pesquisa colaborativa. “A ciência tende a ir onde o dinheiro está.” Essa condução pode ser feita por meio de chamadas para projetos e de workshops que reúnam especialistas tanto no Brasil como no Reino Unido.
Em sua avaliação, o resultado mais provável de sua visita ao Brasil será identificar uma lista de propostas que poderiam ser realizadas e duas ou três que realmente funcionem tanto para o lado britânico do acordo como para o brasileiro. Uma vez identificadas as oportunidades, ele mesmo ou outros podem voltar para desenvolvê-las. Se levadas adiante, essas ideias podem servir como brotos para novas iniciativas no futuro.
Ciência pública
No que diz respeito a exposições voltadas para o público, Dixon conta que o NHM abrigou o lançamento mundial da exposição Gênesis, de Sebastião Salgado. Depois disso a mostra, com fotos de lugares explorados no mundo todo, esteve em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo este ano. Seguindo essa inspiração, a ideia é trazer para o Brasil exposições montadas no museu londrino. “Para fazer exposições itinerantes, o ideal pode ser ter um único parceiro aqui, ou a melhor solução pode ser outra”, conta.
O diretor do NHM justifica o interesse em articular colaborações por aqui: o Brasil é um país interessante por ter uma economia que cresce depressa, ligações científicas fortes, e uma população enorme. Além disso há paralelos culturais, como os Jogos Olímpicos, que tiveram sua edição mais recente em Londres e serão em seguida sediados no Rio de Janeiro. “Há uma janela de oportunidade privilegiada para conversas agora.”
Os museus brasileiros certamente têm a aprender com um estreitamento das relações com o de Londres, que agora recebe por volta de 5,4 milhões de visitantes por ano – um volume para o qual o edifício não está preparado. E Dixon ainda busca possibilidades além das fronteiras, como se não bastassem os desafios de atrair público, gerir os 80 milhões de espécimes dos quais cerca de 20 mil estão expostos a cada momento e encontrar alternativas para abrigar a coleção de pesquisa de forma a ampliar o espaço de visitação, que pode envolver a digitalização da coleção. “Nunca é um trabalho tedioso”, conclui.

Tuesday, 3 July 2012

Ciência e inovação no Brasil

sbpc -
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=83073


 

hora de investir na educação científica

sbpc - jornal da ciência
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=83069


 

Monday, 23 April 2012

‘Para ensinar ciência, levo os alunos à beira do rio’

combate ao racismo ambiental
http://racismoambiental.net.br/2012/04/para-ensinar-ciencia-levo-os-alunos-a-beira-do-rio-diz-professora-indigena/


‘Para ensinar ciência, levo os alunos à beira do rio’, diz professora indígena

Por , 21/04/2012 07:46
Francisca Arara, professora indígena do Acre (Foto: Divulgação/Comissão Pró-Índio do Acre)
Na tribo Arara Shawãdawa, no Acre, crianças têm aula de segunda a quinta. As sextas-feiras são reservadas para o aprendizado na aldeia com os pais.
Ana Carolina Moreno, do G1, em São Paulo
As 78 crianças e adolescentes da aldeia dos Arara Shawãdawa, do Acre, encerraram nesta quinta-feira (19) mais uma semana de aulas na Escola Indígena Arara, que fica na terra da tribo, a mais de 500 quilômetros da capital Rio Branco. “A escola funciona das 7h às 11h30 quatro dias por semana, de segunda a quinta. Na sexta-feira a gente deixa os alunos liberados para fazer atividades com os pais e mães, como caçar, pescar e trabalhar no roçado”, explicou Francisca Oliveira de Lima Costa, professora por vocação e atualmente coordenadora da Organização de Professores Indígenas do Acre.
A carga horária é apenas uma das diferenças entre a educação indígena e a escola formal. Segundo Francisca, o planejamento da escola é decidido coletivamente pela comunidade Arara, e inclui tanto o conteúdo do currículo definido pelo governo quanto os ensinamentos sobre a história e a cultura regionais. “A educação diferenciada é diferenciada porque trabalha vários contextos, dependendo da escola e da vida do povo”, afirmou ela ao G1.
Para isso, além de gramática, dicionários, livros didáticos e DVDs, a Escola Indígena Arara também conta com cartilhas indígenas e um recurso que nem toda escola no Brasil tem à disposição: a natureza. “Não precisa ficar só no espaço da escola. Para ensinar ciência, levo os alunos ao rio. Você tem o rio, a floresta, os animais, pode estudar as coisas reais, não só do livro. Se quer trabalhar arte, leva a criança para tirar o cipó para fazer a tecelagem, tem a arte-ofício, o reaproveitamento de madeira, tem muito trabalho que você pode fazer.”
Na escola do povo Arara trabalham quatro professores, um diretor, duas zeladoras e um barqueiro. “O barqueiro é quem transporta os alunos que moram mais longe quando o rio está alagado”, diz Francisca.
Crianças da tribo Kaxinawá durante atividade na horta da aldeia (Foto: Comissão Pró-Índio do Acre)
A professora, conhecida na cidade como Francisca Arara, e na aldeia como Diaka, seu nome na língua da tribo, explicou que até as atividades com os pais, às sextas-feiras, são incluídas no currículo escolar. “E aí não fica a rotina cansativa, é legal você sempre ter a referência.”
“Se a aula é de geografia, dá para ver onde eles foram caçar, trabalhar com eles a distância de terra entre a aldeia e onde pegaram a caça.” Segundo ela, as crianças precisam ajudar com o trabalho da aldeia, que tem cerca de 150 habitantes, porque o grupo não usa dinheiro e tira seu sustento da terra. “O trabalho quem faz são os jovens, as crianças ficam à vontade para ajudar a mãe, ajudam a lavar a roupa, acompanham a mãe na roça. A criança vai aprendendo no dia-a-dia com os pais.”
A avaliação também é diferenciada, e a nota de cada aluno vai muito além de uma prova. “Não é só porque lê e escreve que ele vai ser bem avaliado, o que vale é a competência dele em vários aspectos, seja na escrita, seja no comportamento, se ele participa, é trabalhador, bom caráter.”
A Escola Indígena Arara foi construída nos padrões do governo estadual e possui duas salas de aulas. As crianças são divididas por idade: do primeiro ao quarto ano do fundamental, e do quinto ao oitavo. No Acre, segundo Francisca, as escolas indígenas ainda não optaram por aderir ao ciclo de nove anos no ensino fundamental.
“Os alunos vão saindo da escola à medida que vão casando. As meninas em geral casam com 13 e 14 anos, os homens com uns 17 ou 18″, explica Francisca. Segundo ela, cada dia da semana é dedicado a uma matéria, como matemática, ciência, história, geografia, artes, língua portuguesa e língua indígena, mas existe forte interdisciplinaridade entre elas.
Formação de professores
Segundo dados do Censo Escolar 2010 do Ministério da Educação, o Brasil conta com 175.032 estudantes indígenas matriculados em 2.755 escolas, atendidos por 14.601 professores. No Acre, em 2010, 389 professores davam aula para 6.149 alunos em 177 escolas indígenas, todas na zona rural. Francisca, hoje com 34 anos, começou a ser preparada para a carreira docente quando cursava o quinto ano na escola da aldeia. Ela chegou a lecionar durante oito anos antes de começar a trabalhar na Organização de Professores Indígenas do Acre.
Atualmente a professora cursa o último ano de formação docente para indígenas na Universidade Federal do Acre (Ufac). Segundo ela, cerca de 50 professores cursam a graduação na Ufac para continuar melhorando a qualidade de ensino desses alunos.
“O modelo da educação escolar indígena tem que conhecer os dois mundos, como é o mundo de fora e o nosso mundo também”, afirma. Por um lado, os índios aprendem na escola a ler, escrever e entender o mundo exterior para não sofrer o choque cultural do passado. “Ele aprende a se sentir valorizado e a valorizar o conhecimento para a gente construir um mundo melhor para todo mundo, não só pensando no individualismo, na competição para o mercado de trabalho. A escola não é para preparar para o índio ir para a cidade”, diz Francisca.
Do outro lado, as aulas contemplam a preservação da cultura indígena, o uso de recursos naturais e a sustentabilidade. “Eles se preparam para dar continuidade aos projetos que nossos pais fizeram, à produção de qualidade. O mundo pensa muito só em dinheiro em papel. Isso é bom também, mas a gente não vai viver só de dinheiro, tem que pensar na nossa vida, ter água boa para beber, estar bem organizado socialmente, ter a nossa língua, tradição e família.”

Thursday, 22 March 2012

CNPq estabelece novos critérios de avaliação

fapemat
http://www.revistafapematciencia.org/noticias/noticia.asp?id=321


CNPq estabelece novos critérios de avaliação
22/03/2012 10:46
O sistema de informações da Plataforma Lattes reúne cerca de 1,8 milhões de currículos, sendo 8% de doutores e cerca de 13% de mestres, e quatro mil instituições cadastradas.
Inovações nos projetos e pesquisas e iniciativas de divulgação e educação científicas são os novos critérios de avaliação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI) para os pesquisadores. Isso significa que o pesquisador não deve mais se preocupar apenas em desenvolver seus estudos, é preciso fazer com que sua produção traga avanços e alcance a sociedade.  Na prática, a pontuação para publicação de resultados de estudos de pesquisa deixa de valer apenas para os periódicos especializados.
O sistema de informações da Plataforma Lattes reúne cerca de 1,8 milhões de currículos, sendo 8% de doutores e cerca de 13% de mestres, e quatro mil instituições cadastradas. Ele é relevante não só para as atividades operacionais de fomento do CNPq, como também às ações de fomento de outras agências federais e estaduais.
“Acredito que todos docentes pesquisadores doutores da UNEMAT estão cientes que a produção científica é uma prioridade e que a atualização do Lattes é hoje fundamental no Brasil. Todos os editais de financiamento de projetos de pesquisa, pós-graduação e /ou estruturantes da CAPES, CNPq e FINEP somente aprovam projetos cujos coordenadores e equipe possuem um relevante Qualis. Inovação é a nova Meta Nacional, porém não é alcançada sem uma forte produção científica. A transferência de tecnologias, por exemplo, na relação Universidade/Empresa deve ser fomentada”, avalia a Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Áurea Ignácio, que enxerga as mudanças de forma positiva.
A Universidade Federal de Mato Grosso já possui iniciativas de divulgação daquilo que é produzido em seu interior, como a revista UFMT Ciência, o programa televisivo UFMT.Ciência e a própria revista Fapemat Ciência. O Conselho Editorial da revista UFMT Ciência se reuniu na última sexta-feira para definir os assuntos a serem abordados em sua próxima edição, que marca o retorno da publicação este ano.  “Essa revista começou no fim de 2010 e foi muito bem recebida pela sociedade mato-grossense, principalmente por alunos e professores das escolas secundaristas de todo o Estado. Nós recebemos várias solicitações de um número maior de exemplares, inclusive uma cobrança pela continuação do projeto”, diz o vice-reitor da UMFT, Francisco Souto.
A revista UFMT Ciência circulou com três edições e já prepara a quarta edição.  “Agora estamos retomando os processos e faremos todos os esforços para termos o recurso para fazermos novas edições. A orientação do Ministério da Educação (MEC) através do seu órgão da pós-graduação para que iniciativas deste modo de divulgação e popularização da Ciência sejam incentivadas, representando um peso maior até mesmo nos marcadores de sensometria do MEC, é mais uma razão para que a gente continue investindo na revista e a mantenha em ótimo padrão, como foi no ano anterior”, completou Francisco. 
As informações sobre inovações e projetos de divulgação ficarão disponíveis na página do currículo lattes do pesquisador na internet em duas novas abas específicas, que devem entrar no ar após a inauguração do novo portal da agência do Ministério da Ciência e Tecnologia, programada para sua data de aniversário, em 17 de abril. A Assessoria de Comunicação Social informa que estão sendo desenvolvidas áreas de acesso para atender públicos específicos, como estudantes, pesquisadores e empresas. “A gente tem muitas publicações na área de divulgação e com certeza essa nova modalidade dentro do currículo lattes vai permitir também a vinculação de revistas científicas como as da UFMT. Então isso é extremamente positivo para que a gente possa difundir ainda mais as nossas publicações via currículo lattes. Isso traz como benefício para a sociedade o maior conhecimento do que está sendo pesquisado e desenvolvido dentro da universidade e é uma forma de estabelecer uma maior conexão, uma maior comunicação entre sociedade e universidade”, considera o pesquisador e membro do conselho editorial da Revista UFMT Ciência, Joanis Tilemahos Zervoudakis. 
Priscila Kerche / Foto: Divulgação

Thursday, 3 November 2011

aprendizagem científica

fonte: fapemat ciência
http://www.blogger.com/blogger.g?blogID=3476613374709417517#editor/target=post;postID=3077637746056076014


Semana Nacional de Ciência e T
A ciência na prática é a melhor forma de aprendizagem
18/10/2011
Tornar o ensino de disciplinas consideradas “complexas” como biologia, física, química ainda está entre os desafios para escolas de ensino fundamental e médio. Há alunos que têm mais facilidade do que outros. No entanto, com o passar do tempo, o interesse das novas gerações de jovens vem aumentando e, na maioria das vezes, graças ao trabalho bem desenvolvido pelos professores.
O projeto do Pequitos foi desenvolvido por alunos de Querência.
Uma das maneiras encontradas para estimular o aprendizado foi a criação das feiras de ciência, que passaram de locais de exposições de assunto clichês para espaço onde trabalhos inovadores são revelados. Escolas localizadas em cidades do interior de Mato Grosso estão ajudando seus alunos a desenvolverem trabalhos criativos, inteligentes e sérios. A Mostra Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação realizou sua quinta edição esse ano. Dos 10 projetos vencedores 9 foram criados por alunos de escolas do interior.
 
A maior pontuação foi para os alunos Jocelio Gomes Piekarzewicz e Rute de Melo Souza, orientados pela professora formada em biologia, Ângela Gargioni, e cooperação de Aparecida César Florenso, da cidade de Terra Nova do Norte. A ideia da turma surgiu de uma demanda vinda da sala de aula em 2010, trabalhando assuntos de educação ambiental. Eles pertencem a uma escola da zona rural e pensaram em um produto que fosse natural e pudesse ser usado na agricultura. 
 
Depois de muitas experiências, os alunos tiveram a ideia de juntar um fertilizante natural feito de húmus proveniente da minhoca com um inseticida a base de fumo. Cuidadosa, a professora não quis fornecer detalhes da fórmula. Ela conta que os alunos vão patentear o produto depois que uma universidade fizer o estudo para comprovar a eficácia cientificamente. Ângela ministra aula na escola desde 2009 e confessa que ganhar um prêmio assim é motivador não só para ela, mas também para os outros alunos que percebem que podem fazer muito mais do que uma leitura passiva do livro didático e reprodução de experiências.
 
A forma de desenvolver os trabalhos e o jeito encontrado para estimular os alunos no interesse pela ciência também foram comentados pelo professor Marco Antônio Amorim da cidade de Querência, orientador dos alunos Ivan Reche Correa Junior e Victor Ronaldo Panazzolo, que tiveram a terceira maior pontuação na feira. Eles desenvolveram um salgadinho de pequi, denominado Pequitos. Ao contrário da escola de Terra Nova, o projeto não foi uma demanda vinda da sala de aula. Os alunos quiseram desenvolver um trabalho diferente depois que um dos colegas foi ganhador na Mostra de 2010. A ideia veio de discussões dos alunos com suas famílias e com o professor. Depois de muita pesquisa, experimentações, erros, eles chegaram ao biscoito final, que pode ser preparado no micro-ondas. 
 
Os esforços desses professores revelam o quanto ainda pode ser feito pela educação por meio de iniciativas simples, mas muito eficientes. Eliana Ulhôa e um grupo de pesquisadores do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, antigo Cefet, produziram um trabalho sobre o assunto intitulado “A Formação do Aluno Pesquisador”. De acordo com a pesquisa, as feiras permitem que o aluno tenha uma experiência concreta, hands-on (mão na massa), e conhecimento em um campo independente de estudo. Há a possibilidade do estudante fazer uso de suas próprias ideias. Os autores separam a forma como, na Instituição, os trabalhos são apresentados. Trabalhos explicativos (ou didáticos) são voltados às ilustrações, aplicações, mostrar os princípios científicos de funcionamento de certos objetos, máquinas, mecanismos e sistemas. Os trabalhos construtivos estão relacionados à construção de algo com objetivo de introduzir uma inovação. Por último, os trabalhos investigativos, que se referem à pesquisa em torno de problemas e situações do mundo, buscando soluções para os mesmos. 
 
 Quando desenvolvem projetos, os alunos ficam envolvidos e interessados em realizar pesquisas de forma mais séria.
Os estudantes do campus de Cuiabá do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT) estão muito ligados à forma investigativa. Segundo o diretor de Pesquisa e Pós-Graduação do campus, Tony Inácio da Silva, uma das primeiras reflexões antes de projetos serem desenvolvidos está ligada à utilidade da pesquisa na sociedade. Ele revela que o intuito é resolver problemas imediatos com a ajuda da pesquisa e da inovação. É importante destacar que a forma como os estudantes de nível médio são conduzidos em sua formação é diferente da escola pública ou da privada tradicionais. Eles são submetidos a uma rotina de pesquisa semelhante à de alunos de graduação de uma universidade pública. Tony atribui essa realidade à formação docente que possui mestrados e doutorados.
 
A lacuna que diferencia o Instituto das escolas públicas ainda vai demorar para ser preenchida. No entanto, o ensino vem melhorando com o passar do tempo. De acordo com a pesquisa de Eliana, nas feiras, os alunos pareciam, muitas vezes, treinados em recitar passos estereotipados durante a exposição de seus trabalhos. “As feiras de ciências apresentam-se como uma forma de contribuir para a formação desse cidadão”, diz a pesquisa. Em uma abordagem feita pela autora no Colégio Logosófico González Pecotche, em Belo Horizonte, foi constatado que “profissão de pesquisador ainda é vista com muitas restrições”, mesmo quando gostam da pesquisa, os alunos não estariam dispostos a dedicar seu tempo numa área em que o investimento é muito baixo. O hands-on é uma forma de a escola incluir os fatores afetivos, gosto e estímulo, aliados ao desenvolvimento do cognitivo. São justamente as feiras e exposições de ciência que podem apoiar e incentivar essa ideia.
 
“Com a realização dessa pesquisa pôde-se concluir que os alunos não realizam pesquisas científicas por não saberem realizá-las e por não contarem com o apoio e orientação dos docentes. Quando desenvolvem projetos, os alunos ficam envolvidos e interessados em realizar pesquisas de forma mais séria”. A afirmação é do professor Marco Antônio, de Querência. Ele acredita na falta de base dos professores e, também, na necessidade de mais incentivos para os alunos. “Às vezes o professor não consegue fazer a conceituação teórica e a prática. Mas com o tempo você começa a ter habilidade de organizar e quebrar o pré-conceito de aula chata. Muitos acham que precisam de ótimos laboratórios, mas o estímulo são eles colocarem a mão na massa”, conta Marco Antônio. 
 
Outra pesquisa “O Trabalho Experimental de Investigação: Das Expectativas dos Alunos às Potencialidades no Desenvolvimento de Competências” realizada em Portugal por Maria Manuela Fernandes, da Escola EB1 de Eixo- Aveiro e por Maria Helena Santos Silva, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, aponta que a escola dever estar preparada não só para formar os indivíduos a fim de possibilitar a sobrevivência no mercado de trabalho, mas também para ser o lugar onde sejam dadas as condições para que adquiram capacidade de autoformação e que possa assumir responsabilidade na sociedade. As autoras manifestam que a maioria das atividades práticas realizadas em sala são muito orientadas, e consequentemente gera um nível baixo de indagação. Isso limita grau de motivação dos alunos na sua realização, dada a reduzida participação deles exigida. No estudo, elas fizeram uma mostra com 40 alunos pertencentes a duas turmas do Ensino Médio, do Nordeste de Portugal, e constataram que quando investigaram os constituintes químicos da castanha, alimento muito conhecido na região, em atividades que exigiam maior exercício de pensamento como formular problemas, hipóteses, planejar experiências, os alunos tiveram vontade de participar das atividades que lhes proporcionaram essa possibilidade de análise.
 
Nos estudos realizados por Deisy Piedade Munhoz Lopes, da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), intitulado “O prazer da descoberta: A ciência por detrás dos fenômenos do dia a dia”, a falta de estímulo por parte das escolas e a ausência para execução de atividades práticas relacionadas ao ensino das Ciências Naturais como física, química e biologia, muitas vezes causa questionamentos por parte dos professores sobre a real necessidade de crianças e pré-adolescentes verem conteúdos tão complexos. “A resposta comumente se concretiza na forma de simples transmissão de informações, impedindo os alunos de descobrirem o prazer de aprender e associar o conhecimento com situações reais de seu cotidiano. Conseqüentemente, o próprio professor perde a motivação para ensinar” diz a pesquisa. 
 
O estudo sugere que uma das formas de trabalhar com os estudantes seja por meio de atividades lúdicas e ensinar com o manuseio do material de baixo custo. “Este vínculo entre experimentos e a atividade cotidiana, despertou interesse e motivação propiciando um melhor e real aprendizado, pois, quando indagados sobre os temas abordados em aulas anteriores, mesmo após algumas semanas, as crianças respondiam de pronto e corretamente”, revela o trabalho.
 
Os pesquisadores Gabriela Dias Bevilacqua e Robson Coutinho-Silva, da Escola Parque (RJ) e do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF), respectivamente, desenvolveram o projeto “O ensino de Ciências na 5ª série através da experimentação”. De acordo com os autores, as escolas, segundo a legislação brasileira para educação por meio da Lei de Diretrizes de Base da Educação Nacional (LDB) e dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), têm responsabilidade de formar cidadãos conscientes, críticos e ativos na sociedade. Eles contam que há exemplos dessa iniciativa em diferentes segmentos e instituições de ensino, mas a maioria delas é representada por ações individuais e não sistematizadas.
 
Eles desenvolveram uma estratégia de ensino baseada na experimentação como condutora do conhecimento teórico, nos anos de 2005 e 2006. Os resultados mostraram que a metodologia aplicada em sala de aula foi eficiente. Ela consistiu na divisão de grupos, pesquisa teórica em livros, internet e biblioteca, montagem de um experimento com sucatas e outros materiais, relatório de atividades, apresentação do trabalho para a turma e entrega de uma ficha de avaliação para os alunos dizerem o que acharam da apresentação e do trabalho dos colegas. Segundo a pesquisa, os resultados demonstram os pré-requisitos essenciais na formação da educação científica do estudante.
 
As mostras de ciência que vêm acontecendo em Mato Grosso demonstram que existem iniciativas importantes por parte de docentes, que aos poucos estão mudando a visão dos discentes e mostrando o quanto a ciência é uma disciplina prazerosa.
 

Valerya Próspero / Fotos: Ednilson Aguiar/Secom-MT e Fapemat Ciência