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Saturday, 30 April 2022

“O racismo religioso quer demonizar Exu”, diz autor de livro sobre intolerância religiosa

Agência Pública


“O racismo religioso quer demonizar Exu”, diz autor de livro sobre intolerância religiosa

https://apublica.org/2022/04/o-racismo-religioso-quer-demonizar-exu-diz-autor-de-livro-sobre-intolerancia-religiosa/

Fonte: Agência Pública

Resumo:

O babalorixá Sidnei Nogueira articula resposta jurídica aos ataques de fundamentalistas religiosos, depois da vitória de enredo sobre o orixá no Carnaval do Rio

Por Mariama Correia

Quando a escola de samba Acadêmicos da Grande Rio foi sagrada campeã do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo que exaltou Exu (em iorubá: Èṣù), um dos principais orixás do candomblé e da umbanda, o babalorixá Sidnei Nogueira celebrou com seus mais de 75 mil seguidores do Instagram. “O carnaval deste ano foi uma resposta contra o racismo religioso”, postou.

Não demorou muito para que os ataques de fundamentalistas religiosos começassem. “Evangélicos que não são meus seguidores vieram me atacar por mensagens privadas. ‘Tá repreendido em nome de Jesus’, ‘Você vai morrer’, disseram. Uma pessoa chegou a falar que eu tenho sangue nas mãos. Que eu matei a menina que morreu em um acidente com um carro alegórico. Como uma pessoa pode fazer essa associação?”, comentou em entrevista à Agência Pública poucos dias após o desfile. Assim como ele, outras lideranças de religiões de matriz africana relataram ataques virtuais desde o desfile da Grande Rio, que pretendia desmistificar a imagem da divindade africana, demonizada por grupos fundamentalistas cristãos no Brasil.

“Exu é vida. Não é o demônio,” explica Sidnei Nogueira, que também é professor e doutor em Semiótica pela USP (Universidade de São Paulo). Na conversa, ele também falou sobre racismo religioso, ataques a Exu e a lideranças de religiões de matriz africana. Ele diz que está articulando uma mobilização com lideranças de terreiro e juristas para responder ao racismo religioso. “Existem ataques de influencers, políticos e cantores gospel. Minha proposta é que essas pessoas com influência tem que ser penalizadas. No mínimo, elas têm que se retratar, porque isso é discurso de ódio.”

Confira abaixo os principais trechos da entrevista.Sidnei Nogueira é coordenador e professor do Instituto Ilê Ará SP – Instituto Livre de Estudos Avançados em Religiões Afro-brasileiras

Por que demonizam Exu?

Quem que chega no Brasil para colonizá-lo? O Deus cristão e a lei europeia, portanto nós precisamos entender que o Brasil não é laico. O outro fator tem a ver com o projeto político de poder. Em toda a história do Brasil, a política sempre se serviu de um discurso maniqueísta, ou seja, do bem contra o mal. Sempre colocou qualquer coisa, qualquer manifestação cultural religiosa que viesse do continente africano e que fosse preta, no lugar do mal. A gente pode pensar que isso é do senso comum, mas não é, é uma estratégia política, sobretudo hoje.

Quando os colonizadores chegam no continente africano e não encontram o demônio deles, eles precisam substituir, eles precisam encontrar esse demônio cristão. Aí eles pegam aquela divindade, que é a liberdade, a palavra, a comunicação, o prazer, que é a criança que brinca no mercado. Eles pegam essa divindade e a revestem como se ela fosse o demônio.

Tem vários elementos. Tem elementos de um projeto político de poder, tem elementos da fé – porque a fé é um lugar de muita subjetividade, é muito pessoal – e tem um outro elemento que é você encontrar uma figura, um personagem ao qual você pode atribuir todos os males do mundo. O resumo é o seguinte: “Eu não encontrei o demônio no continente africano, eu preciso de um demônio. Exu vai ser esse demônio porque ele é preto, porque ele é a liberdade, porque ele é o prazer, porque ele é o senhor das trocas, porque ele é a diversidade, porque ele é a multiplicidade. Em alguma medida, ele assume tudo que os padrões cristãos não suportam.
“Exu não é europeu, ele é Yorubá, é uma divindade preta. Então, o racismo religioso quer demonizar Exu”, afirma Nogueira

Ou seja, essa visão do orixá tem relação com racismo? De que modo?

Diretamente. Toda essa perseguição é uma perseguição racista, em primeiro lugar. O racismo não é só ferramenta do capitalismo, o racismo é ferramenta das religiões hegemônicas. Para eles, o demônio não é branco, o demônio é preto. Não adianta. Veja que ninguém coloca Buda no lugar de demônio, ninguém coloca Hare Krishna no lugar de demônio. Por que só colocam uma divindade africana? Nem o coelhinho da páscoa assume o lugar de demônio, ele é branquinho. Os cristãos amam o Papai Noel. Veja que não tem a ver com figuras míticas populares. Exu é africano, é preto, não adianta, Exu não é europeu, ele é Yorubá, é uma divindade preta. Então, o racismo religioso quer demonizar Exu.

Quando nós de terreiro aparecemos no trabalho, por exemplo, com um três pontas [tridente que simboliza Exu], imediatamente nós somos hostilizados. Já começa o buxixo, “ai, macumbeiro, cuidado, olha Exu”. Se uma pessoa se comporta – até uma criança – mais livremente, a professora chama a criança de Exu. Porque a cultura brasileira odeia a liberdade, a diversidade, a encruzilhada. E a encruzilhada é um lugar de três pontas para onde você pode voltar e refazer as escolhas. Exu é a lei da mutabilidade, nós mudamos. Todos nós mudamos. Mudamos desejos, mudamos de casa, mudamos de território, mudamos o nosso corpo. Nós morremos e renascemos simbolicamente a cada dia. Odeiam porque sabem que a figura de Exu é subversiva. Ela balança a ordem que está posta. “O carnaval deste ano foi uma resposta contra o racismo religioso”, diz

Na sua percepção, a intolerância religiosa tem aumentado no Brasil com o avanço do conservadorismo e do fundamentalismo religioso, inclusive nos espaços da política institucional?

A nossa sociedade odeia a vida. Ela ama morte, porque ela ama encarcerar vidas. Porque se você só pode ser heteronormativo e você não é essa pessoa, isso é viver uma morte simbólica. Se você é uma mulher que quer assumir a sua liberdade, a sua potência, a sua liderança, mas já está reservada para um papel no casamento, na submissão ao patriarcado, que não é seu desejo, isso não é vida.

Exu é liberdade, o contrário de Exu é encarceramento. Exu é vida, Laroyê!

O senhor acompanhou as reações ao desfile da Grande Rio? Vimos alguns relatos de ataques e discurso de ódio nas redes. Aconteceu com você?

As reações estão sendo absurdas. Evangélicos que não são meus seguidores vieram me atacar por mensagens privadas. ‘Tá repreendido em nome de Jesus’, ‘Você vai morrer’, disseram. Uma pessoa chegou a falar que eu tenho sangue nas mãos. Que eu matei a menina que morreu em um acidente com um carro alegórico. Como uma pessoa pode fazer essa associação?

Nós já vivemos num país fundamentalista, e em um momento da história do Brasil em que odiar é imperativo. É preciso odiar sobretudo as coisas pretas, sobretudo o feminino, sobretudo os povos quilombolas, sobretudo os povos indígenas, os povos originários. Isso se potencializa com a colheita de likes na internet, porque é preciso produzir um conteúdo odioso. Quem, em sã consciência, pode acreditar na relação entre o acidente com a menina que morreu na avenida e o fato de uma escola de samba ter sido campeã? Por que essas pessoas cristãs não oferecem conforto a família dessa menina? Por que não pegam o seu Deus, o seu Jesus e oferecem para confortar os corações da família? Por que eles não pegam o seu Deus e o seu Jesus e começam uma batalha contra o estupro de uma menina de 12 anos indígena por um garimpeiro?

É preciso que o cristianismo no Brasil, que as religiões hegemônicas no Brasil, façam imediatamente uma autocrítica. Porque isso não pode continuar. Eu sou uma autoridade, uma liderança de terreiro, eu tenho legitimidade para falar: não conheço o demônio. Não faz parte da minha cultura religiosa. Exu não é o demônio, nem Cristão.
Desfile da Grande Rio, consagrada campeã do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo que exaltou Exu

Está sendo articulada alguma resposta para esses ataques?

Existem ataques de influencers, políticos e cantores gospel. Estou conversando com um grupo de juristas de São Paulo para mobilizar respostas ao racismo religioso. Minha proposta é que essas pessoas com influência tem que ser penalizadas. No mínimo, elas têm que se retratar, porque isso é discurso de ódio. Depois, esse discurso de ódio fomenta que venha um evangélico incendiar o meu terreiro porque nós somos produtores e produtos dos discursos que estão circulando no mundo.

Quem é Exu dentro da cosmovisão das religiões de matriz africana?

Exu é um orixá. Foi para a Avenida na Grande Rio um dos principais mitos de Exu, que nós levamos muito a sério no Candomblé. No terreiro, penso que ele define muito Exu. Um dia, Exu, filho de Iemanjá e de Orunmilá, nasceu. Ele é o preferido da força criadora, o preferido de Olodumare, de Olorum. A força criadora em Yorubá tem 16 nomes, não é Deus, a figura de Deus não contempla a força criadora. A força criadora não tem gênero, inclusive, não é patriarcal.


Exu nasceu com muita fome. Ele nasce falando “eu quero comer”. Yemanjá, a divindade nutridora, oferece os seios, ele mama, mas o leite acaba. Ela traz outras coisas para ele comer: frutas, carne, animais. Ele sai comendo tudo. O pai, Orunmilá, fica desesperado. Ele começa a devorar as casas, árvores, tudo, até a mãe. Então o pai fala “olha, mamãe, não, devolve sua mãe”. Aí Exu dá aquela gargalhada – ele nasceu gargalhando, gargalha da vida, de tudo, inclusive do sofrimento, tudo ele transforma. Orunmilá diz para ele devolver a mamãe e Exu fala para eles fazerem uma brincadeira de troca. Eles estavam no Orun, o mundo dos orixás, não era aqui no Aiyê, no nosso mundo. Orunmilá fala para ele devolver Yemanjá e ir para o Aiyê onde “será os olhos do papai e poderá habitar tudo que tem vida”. Orunmilá corta Exu e vão nascendo um, dois, três, ele vai cortando até 200 mais um. Aí nós dizemos que Exu habita em nós. Todos temos Exu.

Exu é então uma divindade bastante próxima do humano?

Exu diz: prove o mundo sem medo. Portanto Exu é a divindade que provou tudo primeiro para que nós pudéssemos provar depois. É a boca que tudo come, ele come tudo. Exu não tem preconceito, não tem racismo, não tem homofobia, não tem xenofobia, não tem transfobia. É a divindade do autoamor, da autoconfiança. Sim, ele também é a libido, também é prazer, é desejo, porque ele devorou tudo. Sem medo.

Exu nos ensina que romper é continuar. Para nós, Exu é um orixá primordial, que tem lições poderosas de cura, diversão, alegria, gargalhada, zombaria, é a criança que brinca no mercado. É homem e mulher ao mesmo tempo, é o tudo e o nada, é a dor e o prazer, é a vida em toda sua potência e possibilidade existencial.
Créditos de imagens
Reprodução redes sociais
Gabriel Monteiro/RioTur
Gabriel Monteiro/RioTur
Marco Antônio Teixeira/RioTur


*Colaborou Matheus Santino


Reportagem originalmente publicada na Agência Pública

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Sunday, 13 July 2014

Buddhist Economics: How to Stop Prioritizing Goods Over People and Consumption Over Creative Activity

brain pickings
http://www.brainpickings.org/index.php/2014/07/07/buddhist-economics-schumacher/


Buddhist Economics: How to Stop Prioritizing Goods Over People and Consumption Over Creative Activity

by 
“Work and leisure are complementary parts of the same living process and cannot be separated without destroying the joy of work and the bliss of leisure.”
Much has been said about the difference between money and wealth and how we, as individuals, can make more of the latter, but the divergence between the two is arguably even more important the larger scale of nations and the global economy. What does it really mean to create wealth for people — for humanity — as opposed to money for governments and corporations?
That’s precisely what the influential German-born British economist, statistician, Rhodes Scholar, and economic theorist E. F. Schumacher explores in his seminal 1973 book Small Is Beautiful: Economics as if People Mattered (public library) — a magnificent collection of essays at the intersection of economics, ethics, and environmental awareness, which earned Schumacher the prestigious Prix Européen de l’Essai Charles Veillon award and was deemed by The Times Literary Supplement one of the 100 most important books published since WWII. Sharing an ideological kinship with such influential minds as Tolstoy and Gandhi, Schumacher’s is a masterwork of intelligent counterculture, applying history’s deepest, most timeless wisdom to the most pressing issues of modern life in an effort to educate, elevate and enlighten.
One of the most compelling essays in the book, titled “Buddhist Economics,” applies spiritual principles and moral purpose to the question of wealth. Writing around the same time that Alan Watts considered the subject, Schumacher begins:
“Right Livelihood” is one of the requirements of the Buddha’s Noble Eightfold Path. It is clear, therefore, that there must be such a thing as Buddhist economics.
[…]
Spiritual health and material well-being are not enemies: they are natural allies.
Traditional Western economics, Schumacher argues, is bedeviled by a self-righteousness of sorts that blinds us to this fact — a fundamental fallacy that considers “goods as more important than people and consumption as more important than creative activity.” He writes:
Economists themselves, like most specialists, normally suffer from a kind of metaphysical blindness, assuming that theirs is a science of absolute and invariable truths, without any presuppositions. Some go as far as to claim that economic laws are as free from “metaphysics” or “values” as the law of gravitations.
From this stems our chronic desire to avoid work and the difficulty of findingtruly fulfilling work that aligns with our sense of purpose. Schumacher paints the backdrop for the modern malady of overwork:
There is universal agreement that a fundamental source of wealth is human labor. Now, the modern economist has been brought up to consider “labor” or work as little more than a necessary evil. From the point of view of the employer, it is in any case simply an item of cost, to be reduced to a minimum if it cannot be eliminated altogether, say, by automation. From the point of view of the workman, it is a “disutility”; to work is to make a sacrifice of one’s leisure and comfort, and wages are a kind of compensation for the sacrifice. Hence the ideal from the point of view of the employer is to have output without employees, and the ideal from the point of view of the employee is to have income without employment.
The consequences of these attitudes both in theory and in practice are, of course, extremely far-reaching. If the ideal with regard to work is to get rid of it, every method that “reduces the work load” is a good thing. The most potent method, short of automation, is the so-called “division of labor”… Here it is not a matter of ordinary specialization, which mankind has practiced from time immemorial, but of dividing up every complete process of production into minute parts, so that the final product can be produced at great speed without anyone having had to contribute more than a totally insignificant and, in most cases, unskilled movement of his limbs.
Schumacher contrasts this with the Buddhist perspective:
The Buddhist point of view takes the function of work to be at least threefold: to give a man a chance to utilize and develop his faculties; to enable him to overcome his ego-centeredness by joining with other people in a common task; and to bring forth the goods and services needed for a becoming existence. Again, the consequences that flow from this view are endless. To organize work in such a manner that it becomes meaningless, boring, stultifying, or nerve-racking for the worker would be little short of criminal; it would indicate a greater concern with goods than with people, an evil lack of compassion and a soul-destroying degree of attachment to the most primitive side of this worldly existence. Equally, to strive for leisure as an alternative to work would be considered a complete misunderstanding of one of the basic truths of human existence, namely that work and leisure are complementary parts of the same living process and cannot be separated without destroying the joy of work and the bliss of leisure.
From the Buddhist point of view, there are therefore two types of mechanization which must be clearly distinguished: one that enhances a man’s skill and power and one that turns the work of man over to a mechanical slave, leaving man in a position of having to serve the slave.
E.F. Schumacher
With an undertone of Gandhi’s timeless words, Schumacher writes:
Buddhist economics must be very different from the economics of modern materialism, since the Buddhist sees the essence of civilization not in a multiplication of wants but in the purification of human character. Character, at the same time, is formed primarily by a man’s work. And work, properly conducted in conditions of human dignity and freedom, blesses those who do it and equally their products.
But Schumacher takes care to point out that the Buddhist disposition, rather than a condemnation of the material world, is a more fluid integration with it:
While the materialist is mainly interested in goods, the Buddhist is mainly interested in liberation. But Buddhism is “The Middle Way” and therefore in no way antagonistic to physical well-being. It is not wealth that stands in the way of liberation but the attachment to wealth; not the enjoyment of pleasurable things but the craving for them. The keynote of Buddhist economics, therefore, is simplicity and non-violence. From an economist’s point of view, the marvel of the Buddhist way of life is the utter rationality of its pattern — amazingly small means leading to extraordinarily satisfactory results.
This concept, Schumacher argues, is extremely difficult for an economist from a consumerist culture to grasp as we once again bump up against the warped Western prioritization of productivity over presence:
[The modern Western economist] is used to measuring the “standard of living” by the amount of annual consumption, assuming all the time that a man who consumes more is “better off” than a man who consumes less. A Buddhist economist would consider this approach excessively irrational: since consumption is merely a means to human well-being, the aim should be to obtain the maximum of well-being with the minimum of consumption.
[…]
The ownership and the consumption of goods is a means to an end, and Buddhist economics is the systematic study of how to attain given ends with the minimum means.
[Western] economics, on the other hand, considers consumption to be the sole end and purpose of all economic activity, taking the factors of production — land, labor, and capital — as the means. The former, in short, tries to maximize human satisfactions by the optimal pattern of consumption, while the latter tries to maximize consumption by the optimal pattern of productive effort.
This maximization of “human satisfactions,” Schumacher argues, is rooted in two intimately related Buddhist concepts — simplicity and non-violence:
The optimal pattern of consumption, producing a high degree of human satisfaction by means of a relatively low rate of consumption, allows people to live without great pressure and strain and to fulfill the primary injunctions of Buddhist teaching: “Cease to do evil; try to do good.” As physical resources are everywhere limited, people satisfying their needs by means of a modest use of resources are obviously less likely to be at each other’s throats than people depending upon a high rate of use. Equally, people who live in highly self-sufficient local communities are less likely to get involved in large-scale violence than people whose existence depends on worldwide systems of trade.
Writing shortly after Rachel Carson’s Silent Spring sparked the modern environmental movement, Schumacher presages the modern groundswell of advocacy for sustainable locally sourced products:
From the point of view of Buddhist economics … production from local resources for local needs is the most rational way of economic life, while dependence on imports from afar and the consequent need to produce for export to unknown and distant peoples is highly uneconomic and justifiable only in exceptional cases and on a small scale.
He concludes by framing the enduring value of a Buddhist approach to economics, undoubtedly even more urgently needed today than it was in 1973:
It is in the light of both immediate experience and long-term prospects that the study of Buddhist economics could be recommended even to those who believe that economic growth is more important than any spiritual or religious values. For it is not a question of choosing between “modern growth” and “traditional stagnation.” It is a question of finding the right path to development, the Middle Way between materialist heedlessness and traditionalist immobility, in short, of finding “Right Livelihood.”
Small Is Beautiful is a superb read in its entirety. Complement it with Kurt Vonnegut on having enough and Thoreau on redefining success.
Thanks, Jocelyn

Monday, 9 June 2014

Ecologismo e religião. Uma oportunidade para se reencontrar com valores alternativos?

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/532142-ecologismo-e-religiao-uma-oportunidade-para-se-reencontrar-com-valores-alternativos

Ecologismo e religião. Uma oportunidade para se reencontrar com valores alternativos?

Religião vem de religar, de vincular os seres humanos com o seu entorno e, portanto, reconhece a interdependência dos seres uns com outros
A reportagem é publicada por Rebelión, 05-06-2014. A tradução é do Cepat.
Na atualidade, existem 10.000 religiões em nosso planeta. E quatro em cada cinco pessoas no mundo definem a si mesmas como religiosas. Neste número 125 da revista PAPELES, sobre relações ecossociais e mudança global, são analisadas as teologias que relacionam o ambiental e o social e tentam compreender como essa ética ecológica propiciou, em algumas ocasiões, certa ação social a esse respeito.
Segundo Santiago Álvarez, diretor de FUHEM Ecossocial, entidade que publica esta revista, a religião nunca abandonou o espaço público: “para o mal, porque serviu para naturalizar muitas das injustiças e desigualdades das principais estruturas de poder; para o bem, porque foi fonte de inspiração daqueles que lutam contra a opressão ao longo da história”.
Apoiando-se nos escritos de vários autores que já qualificavam o sistema capitalista como uma religião, Santiago Álvarezaponta, na Introdução, que seria mais adequado falar de idolatria porque no capitalismo o dinheiro e o capital se tornam ídolos. Finalmente, conclui que é preciso aproveitar o potencial das religiões para construir uma visão contra-hegemônica que vincule o humano e a natureza e que desmistifique os ídolos que dominam a atualidade.
Ecologismo e religião
Na parte Especial, intitulada “Ecologismo e religión”, são priorizados alguns artigos como “Ecosocialismo: espiritualidad y sostenibilidad”, escrito por Frei Betto, dominicano brasileiro, escritor e assessor dos movimentos sociais, e Michael Löwy, sociólogo franco-brasileiro, diretor de pesquisa emérito do CNRS.
Em seu artigo relembram Chico Mendes e a missionária Dorothy Stang, ambos assassinados por defender a Amazônia e os Povos da Mata. Em suas respectivas biografias, destaca-se a fé religiosa que cada um desenvolveu a sua maneira, mas sempre comprometidos com a causa dos oprimidos que, ao mesmo tempo, é a defesa da natureza.
Jesus proclamava uma “vida em plenitude”, assim como o princípio supremo da cidadania mundial é o direito de todas as pessoas à vida. Por isso, enquanto o livre mercado não for regulado e a burocracia centralizada, a economia continuará sem estar ao serviço das necessidades das pessoas e, portanto, o objetivo da vida plena não será viável.
As religiões: uma ferramenta para a sustentabilidade
Por sua parte, Gary Gardner, colaborador sênior do Worldwatch Institute, pergunta-se como envolver as religiões na construção de civilizações sustentáveis, aproveitando um recurso chave para influenciar em escala global: seu número de seguidores. As principais religiões – cristianismo, islamismo e hinduísmo – aglutinam dois terços da população mundial atual.
Muitos de seus ensinamentos religiosos têm a ver com a construção de economias sustentáveis: crítica ao consumismo, proibição do uso excessivo da terra, contrários à busca da riqueza como um fim em si mesmo, etc.
E destaca que ao passo que o ecologismo laico foi incapaz de apelar aos corações dos cidadãos para conscientizá-los, as religiões têm a capacidade de chegar ao fundo das pessoas e mobilizá-las. No entanto, o autor destaca que apesar da lógica do compromisso que desprendem, em muitas causas como a do consumismo, suas reivindicações foram mais esporádicas e retóricas do que fruto de uma ação prolongada e bem planejada.
Ecofeminismo e teologias da libertação
A filósofa e teóloga Lucía Ramón Carbonell aborda, em seu artigo, o desencontro entre a teologia feminista e a teologia da libertação, pois esta última foi elaborada por varões e não contemplam a realidade das mulheres pobres, nem suas necessidades no relativo à saúde e sexualidade. Por isso, a partir das teologias feministas críticas com a libertação, concebem a necessidade de revisar o discurso patriarcal que justifica a exploração das mulheres e da Terra.
Ao longo da história, e ainda hoje, numerosos ativistas e intelectuais desenvolveram esta visão ética e espiritual de reconhecer a interdependência entre todos os seres vivos que habitam o planeta, e fizeram isso tanto a partir de uma concepção crente como laica.
Neste novo número, tenta-se traduzir a ideia de que é preciso uma mudança de paradigma, não apenas em questões técnicas, mas também no que se refere aos valores e a cosmovisão que imperam nas sociedades ocidentais. Como também não se trata de instrumentalizar as religiões para propiciar uma mudança ecossocial, mas, sim, de aprender das diferentes ecosofias que ao longo da história se dedicaram a vincular o ser humano com seu entorno e seus semelhantes.

Tuesday, 13 May 2014

Max Weber, o protestantismo e o capitalismo

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http://www.ihu.unisinos.br/noticias/531236-max-weber-o-protestantismo-e-o-capitalismo


Max Weber, o protestantismo e o capitalismo

Foi publicada agora na Alemanha a monumental biografia sobre Max Weber, editada pela C. H. Beck: o sociólogo da Universidade de Marburg Dirk Kaesler é considerado há décadas um dos maiores conhecedores do pai da sociologia.
A reportagem é de Tonia Mastrobuoni, publicada no jornal La Stampa, 04-05-2014. A tradução é deMoisés Sbardelotto.
E uma velha monografia sua sobre o gênio prussiano foi publicada anos atrás na Itália, pela editora Mulino. Mas Kaesler, embora reconhecendo a sua modernidade em algumas teses proféticas – a burocratização de tudo, o predomínio do capitalismo empresarial e a racionalidade ocidental –, convida sempre a considerar com grande cautela a suposta "modernidade" de Max Weber.
Por fim, sobre a intuição mais conhecida, a do suposto nexo entre ética protestante e capitalismo, o estudioso descobriu que a Itália tem muito a ver com isso. Paradoxalmente, a mais famosa teoria econômica sobre o protestantismo está muito relacionada com a capital mundial do catolicismo: Roma.
Eis a entrevista.
Qual é a atualidade do pensamento de Max Weber, por exemplo a sua análise sobre a relação entre racionalidade e Ocidente?
Estou entre aqueles que tentam proteger Max Weber de uma excessiva modernização. Não acredito que se possa entender o seu pensamento desvinculando-o da sua época. É inútil perguntar, por exemplo, "o que Max Weber diria sobre a crise na Ucrânia".
No entanto, existem três grandes temas que o tornam eterno. Em primeiro lugar, o conceito de "betriebskapitalismus", do capitalismo empresarial racional que se tornou imperante depois. O segundo é a progressiva burocratização de tudo. Mas talvez seja o terceiro que nos envolva mais hoje em dia: o da racionalidade ocidental e da posição do Ocidente em relação ao restante do mundo. Weber estava convencido de que, mais cedo ou mais tarde, ele prevaleceria sobre tudo.
Hoje, ao contrário, damo-nos conta mais do que nunca que existem fortes resistências a esse modelo – basta pensar no Islã. No entanto, é preciso ter atenção ao adotar o pensamento de Weber sem filtros: ele deve ser sempre inserido na sua época e interpretado com espírito crítico.
Um dos livros mais famosos, mas também mais criticados, é o da relação entre ética protestante e capitalismo. Essa tese sobrevive ainda hoje?
Na minha biografia, eu tento contar como Roma e a Itália foram importantes para Max Weber. E sou o primeiro a fazer isso. Weber começou a escrever essa obra justamente em Roma: não é um detalhe. Vivendo cotidianamente o catolicismo, Weber começou a refletir sobre si mesmo e sobre a sua confissão, sobre o protestantismo. É um nexo importante: a Itália vivida por Weber, a leveza dos italianos, a sua vontade de viver o induziram a refletir sobre a sua identidade de prussiano, sobre o protestantismo, sobre o seu "peso".
Muitos, no entanto, questionaram a causalidade entre ética protestante e capitalismo.
Certamente, mas, para além da crítica sobre os pontos individuais, o filão narrativo da ética protestante e do capitalismo se tornou um grande filão da sociologia moderna. Tornou-se um lugar tão comum que, em muitos países, ele funciona como uma profecia que se autorrealiza. Então, não importa mais que Max Weber tinha razão ao escrever que ocalvinismo predestinou certos povos ao capitalismo (ou vice-versa, como alguns defendem). É uma tese que funciona porque as pessoas acreditam nela. Nos Estados Unidos, a "Weber thesis" funciona porque é conhecida por todos, mesmo entre milhões de pessoas que nunca leram uma linha de Weber.