Monday, 14 September 2015

Terra em disputa: os retireiros do Araguaia

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Terra em disputa: Os retireiros do Araguaia

De um lado, pessoas que vivem do que a terra dá, criando gado para subsistência; do outro, gente que quer terra para juntar mais dinheiro. Entenda o que está em jogo nesta terra disputada pelos retireiros do Araguaia e pelos grileiros.

Por Lilian Brandt
No Araguaia a sazonalidade é bem marcada. Tem o tempo da seca, quando o rio forma praias, e tem o tempo das chuvas, quando o rio fica cheio. Estamos todos nos relacionando diariamente com a natureza. A mudança do clima é sentida no corpo, na rotina e na alimentação. Cada mês é um tipo de peixe diferente, uma técnica de pesca específica. Cada mês se planta ou se colhe determinada coisa. Cada época tem seu lazer: acampar nas praias, acampar nos lagos, ir para esse ou aquele retiro. Aqui, quem não tem um retiro, vai passar o final de semana no retiro do amigo.
Para quem não é da região, vale explicar: “retiro” é uma casinha simples, bem longe da cidade, nas proximidades do rio Araguaia ou de um lago que a ele se conecta. Um retiro tem piquete para tratar de uma vaquinha leiteira, curral e cisterna. Alguns poucos ainda têm galinhas, uma roça e até uma horta. Sendo assim, são chamados de “retireiros” os criadores de gado que usam as áreas de várzea do rio Araguaia durante as secas e, quando o rio sobe, retiram os animais para terras mais elevadas.
Um lugar que tenha capim verde durante a seca, provavelmente alaga durante o período da chuva. São as áreas de várzea, aqui conhecidas como “varjão”. Da mesma forma, um lugar alto, longe do risco de inundação, ideal para deixar animais na época da cheia, é um lugar onde o pasto não se mantém na época da seca. Aqui conhecemos essas áreas como “monchão”. Essa característica geográfica da região é o que faz também que a prática do arrendamento de terra para criação de gado seja tão comum.
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Retiro às margens do rio. Foto: Josssiney Evangelista  

Retireiros: lidando com gado em terras alagáveis

O Vale do Araguaia tem muitos retireiros, mas um grupo tem se destacado por sua luta pelo território. No município de Luciara, uma pequena cidade de 2.224 habitantes, os retireiros do Araguaia vivem da criação coletiva de gado na beira do Araguaia, numa região chamada de Mato Verdinho. Cada retireiro tem sua história. Os primeiros chegaram há mais de um século e outros foram vindo. A família de Jossiney Evangelista, por exemplo, chegou há 60 anos.
Jossiney, além de retireiro, é vereador. Ele explica que nos retiros o gado é criado solto.  São utilizadas pastagens naturais do cerrado, por isso eles conhecem diversos tipos de capins, como o palha-fina, o canarana e o cebola. Jossiney conta que “se você plantar braquiária ou outro tipo de capim, acaba mexendo com o ecossistema. Lá tem muita biodiversidade, e a vantagem é que a gente vai tentando sempre seguir a natureza”.
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Tocando gado em terras alagáveis. Foto: Jossiney Evangelista.
Os retireiros preservam a natureza sem esforço, pois esse é o seu modo de vida há gerações. Mas tudo em volta está mudando, e esse modo de vida está cada vez mais ameaçado. A grilagem de terra é uma prática cada vez mais comum, as cercas estão aumentando e os impactos no ambiente já são sentidos. A saída encontrada pelos retireiros é a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mato Verdinho. A intenção é que, com a RDS, a terra continue sendo usada coletivamente, impedindo o avanço da grilagem de terra e preservando as margens do rio Araguaia.

Reserva de Desenvolvimento Sustentável – o que é e como funciona?

Até um tempo atrás se pensava que para conservar um ambiente natural era preciso tirar todas as pessoas que viviam nele. Esquecia-se que todo o território brasileiro era antes habitado pelos indígenas e que a natureza não era “intocada”, muito pelo contrário, a natureza sempre foi manejada. Percebeu-se então que, não só os índios, mas também muitas populações tradicionais desempenham um papel fundamental na proteção da natureza, bem como na manutenção da diversidade biológica.
A partir dessa percepção, se criou no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) a categoria Reserva de Desenvolvimento Sustentável, que tem como principal característica a integração de pessoas com a conservação do ambiente. É o reconhecimento do Estado de que as pessoas que viveram em determinado território desenvolveram, ao longo de gerações, uma série de conhecimentos para utilizar os recursos naturais sem esgotá-los, ou seja, de modo sustentável.
Os territórios das RDS são de domínio público, entendendo, portanto, que aquela população desempenha um papel importante para toda a nação, e por isso, tem por direito viver daquela terra. A população deve ser a responsável pela gestão da área, participando das atividades de manejo dos recursos naturais e fazendo a vigilância da reserva.
Jossiney conta que os retireiros do Araguaia entraram com o pedido da criação da RDS em 2003. De lá para cá, segundo ele, “a coisa ficou solta”. “A gente luta pela RDS para evitar a entrada do agronegócio que acaba com tudo. O modelo de agricultura que a gente vê hoje limpa a terra e tira tudo, matando muitos animais e plantas nativas”, afirma. A RDS Mato Verdinho, se criada, estaria localizada em terras alagáveis, que são Áreas de Preservação Permanente (APP).

Áreas de Preservação Permanente e o interesse da União: a Portaria da SPU

As áreas alagáveis de um rio são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APP), que de acordo com o Código Florestal (Lei nº12.651/12) são áreas naturais intocáveis, com rígidos limites de exploração. As APPs se destinam a conservar solos e, principalmente, as matas ciliares, protegendo os rios e reservatórios de assoreamentos, garantindo a preservação da vida aquática.
Somente órgãos ambientais podem abrir exceção à restrição e autorizar o uso de uma APP (art. 8º da Lei 12.651/12). A presença dos retireiros do Araguaia nestas áreas alagáveis seria, portanto, uma exceção, só permitida porque o Estado reconhece que seu modo de vida é sustentável. Em 26 de novembro de 2014 foi publicada a Portaria nº 294 da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), declarando as áreas de várzea do rio Araguaia como terras de interesse público da União.
O Procurador Wilson Rocha de Assis, da Procuradoria da República no Município de Barra do Garças, defende que esta é uma definição legítima. Ele afirma que “não se trata de desapropriação de terras particulares, de tomada de terra de ninguém, mas tão somente da formalização e da delimitação de uma área que por lei pertence à União e que vinha sendo ocupada de uma forma irregular, através da grilagem de terras, e invariavelmente expulsando populações que já estavam nessa região há décadas ou séculos”.
Com 1.627.686 hectares, a área indicada pela Portaria nº294 abrange os municípios mato-grossenses de Luciara, Canabrava do Norte, Novo Santo Antônio, Porto Alegre do Norte, Santa Terezinha e São Félix do Araguaia, e os municípios tocantinenses Formoso do Araguaia, Lagoa da Confusão e Pium. Apesar de ser apenas uma formalização já prevista na legislação, a iniciativa gerou polêmica e os latifundiários rapidamente se organizaram. Foram propagados rumores de que toda a área seria “Reserva Indígena” (sic), que os moradores seriam expulsos dali e que o preço das terras na região havia despencado.
No dia 30 de janeiro de 2015, a Portaria nº 294/2014 foi revogada, sendo substituída pela Portaria nº10/2015, que instituiu um Grupo de Trabalho para realizar um estudo técnico das áreas então desapropriadas a que fazia referência, a fim de analisar sua situação fundiária.
Com a regularização fundiária na região, os grileiros, aqueles que se apropriaram ilegalmente de grandes áreas de terras devolutas através de documentos falsos, teriam suas fazendas passíveis de desapropriação. A grilagem de terras geralmente é feita para a aquisição de financiamentos bancários dando a terra como garantia. Os produtores de soja estariam também interessados em adquirir quotas de Reserva Legal, já que o novo Código Florestal permite que sejam compradas reservas fora da propriedade na qual ocorre o desmatamento, desde que seja no mesmo bioma.
Com a expansão do agronegócio na região, as terras estão cada vez mais valorizadas. A regularização fundiária, prevista na Portaria nº294/2015, impediria a compra e venda das áreas de várzea do Araguaia, e este é o maior temor dos poderosos da região. Já os posseiros, pessoas que se apropriam de terra para morar e trabalhar, não seriam prejudicados. Do mesmo modo, estariam resguardados os direitos das comunidades tradicionais que ali vivem, como pescadores, os indígenas Kanela do Araguaia e os retireiros do Araguaia.
Para Jossiney, a população urbana de Luciara também se beneficiaria com a preservação da área, pois, segundo ele, a maioria dos moradores são ribeirinhos, vivem da pesca. “A criação da RDS é uma forma de conservar esse modo de vida. A fiscalização poderia diminuir ou até extinguir a prática da pesca predatória, porque a gente só respeita um local se tem alguém”. E completa, “Se tem uma casa de ‘fulano de tal’, eu não vou entrar. Mas se continuar do jeito que está, não tem sentido a gente ficar lá dentro. O retireiro sem a natureza preservada nem vale a pena”.

Quem tem medo da regularização fundiária? O latifúndio, a mentira e a violência

Não é novidade: a grilagem corre solta no Araguaia. O interesse pelas terras é tanto que a violência se torna uma prática comum na busca de mais lucro. Luciara viveu dias violentos em 2013, com diversos atentados cometidos contra os retireiros do Araguaia. Foram queimadas duas casas, tentaram atear fogo em um veículo, pneus foram queimados em frente a residências e foram proferidas ameaças de morte contra diversos membros da comunidade.
A casa de uma liderança religiosa que apoia a causa dos retireiros foi alvejada por tiros e um grupo de pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) foi ameaçado e impedido de entrar na cidade. A MT-100, único acesso terrestre à Luciara foi obstruída, máquinas foram colocadas na pista de pouso do aeroporto e até mesmo o acesso ao lago e beira de rio onde ficam os retireiros foi fechado.
Jossiney era o proprietário de uma das casas queimadas. Dois anos após o crime, ele ainda não superou os momentos de horror. “Até hoje eu lembro do pessoal querendo me linchar, foi muito violento. Eu sou representante do povo, sou vereador, mas muitas vezes eu deixo de ir em algum lugar para resguardar minha vida. Agora que eu estou voltando ao meu retiro normalmente, agora que eu estou conseguindo refazer a casa”, desabafa.
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Casa de Jossiney após incêndio criminoso. Foto: Jossiney Evangelista.
Para ele, a situação permanece tensa, ainda que as ameaças sejam veladas. “Não tem ameaças diretas, mas a posição de quem é contra continua sendo a mesma. O silencio é pior, porque você não sabe quem é a pessoa que vai fazer alguma coisa ruim”, afirma. Ele defende que a criação da RDS é a única saída para os retireiros. “Todo mundo tem o direito de ser contra ou a favor, mas qual é a proposta que eles tem? É só ser contra e pronto? Se houvesse outra alternativa para a gente manter nosso modo de vida, eu iria abraçar a causa”, afirma o vereador.
Em maio de 2014, oito integrantes da Associação dos Produtores Rurais (Aprorurais) de Luciara foram denunciados pelo Ministério Público Federal de Barra do Garças pelos crimes de associação criminosa, sequestro, cárcere privado e ameaça contra a comunidade tradicional retireiros do Araguaia, professores e estudantes da UFMT. A investigação, conduzida pela polícia e pelo Ministério Público Federal, comprovou que as manifestações contra a comunidade tradicional da região do rio Araguaia foram orquestrados, coordenados, financiados e estimulados pela associação criminosa da qual fazem parte os denunciados.
De acordo com o Procurador Wilson Rocha de Assis, o grupo usava a desinformação e controle político para tentar colocar a população da cidade contra os retireiros. “Esses setores têm afirmado que é um ato de desapropriação, que o poder público vai tomar as áreas e vai expulsar as pessoas que residem na região, o que não é verdade, especialmente considerando que é uma região que tem uma ocupação antiga. A boa fé dessas pessoas tem que ser contemplada na medida que a lei autorize”, afirmou.
Mesmo sendo mentira, a maioria do povo acreditou. Segundo Jossiney, esta campanha de desinformação enfraqueceu a luta pelo território. “Pregaram um terrorismo na cabeça das pessoas com informação falsa. Eu sou o único vereador que apoia a criação da RDS, os outros são declarados contra e até o prefeito se declara contra”, lamentou.

Cercas de arame e limitações políticas

No dia 17 de agosto de 2015, uma audiência pública realizada na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, em Cuiabá, debateu sobre as Portarias nº 10/2015 e nº 294/2014 da SPU. De acordo com o Procurador Wilson, este foi um momento de democratização do debate. Segundo ele, “o Ministério Público e a SPU foram muito acusados de não estarem ouvindo outros setores, especialmente o setor produtivo. Agora esse argumento não pode mais ser usado. O debate foi praticamente dominado pelo setor ruralista, que está muito bem representado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso”.
Não podia ser diferente. A Audiência Pública foi realizada pela Comissão de Agropecuária, Desenvolvimento Florestal e Agrário e Regulamentação Fundiária, e contou com a presença de Sindicatos Rurais dos municípios afetados, prefeitos, vereadores e apenas um representante indígena e um retireiro. “O que a gente ouviu foi a oposição desses setores em garantir os direitos das comunidades tradicionais e dos povos indígenas”, disse o Procurador. “Apesar dessa oposição, a gente conseguiu explicar a legislação, que favorece os povos indígenas e as comunidades tradicionais. O Ministério Público e a SPU deram todos os esclarecimentos que foram solicitados”, afirmou Wilson.
A recomendação do Ministério Público é que se faça primeiro a regularização dos territórios dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. A prioridade dada aos povos indígenas e comunidades tradicionais não parte de um interesse ideológico. De acordo com o Procurador Wilson, “a lei que estabelece como se faz regularização fundiária na Amazônia Legal, a Constituição e os tratados internacionais deixam clara a necessidade de respeitar as comunidades tradicionais”. Ele ainda afirma: “eu não posso ser avesso à propriedade privada ou ao agronegócio, mas o que a gente defende é que seja observada essa ordem, primeiro a garantia dos territórios tradicionais e depois as propriedades privadas”.
Enquanto agem nas esferas de decisões políticas, os fazendeiros também intervêm na área reivindicada pelos retireiros. O procurador afirma que o Ministério Público tem recebido diversos relatos sobre novas cercas e atos de invasão de terras públicas. “Estamos tomando todas as providências para que esses atos sejam processados e punidos na forma da lei.”, garante.
Após anos de luta, Jossiney começa a perder as esperanças. “Já tem mais de dez anos que a gente vem esperando acontecer a RDS e nada. O poder de articulação dos fazendeiros é grande. Sempre o mais fraco é o que termina perdendo”, lamenta.
O medo também afeta a esperança. Após as ameaças e cenas de terror vividas, Jossiney teme pelo futuro. “Não é só aqui na região, em vários lugares quem lutou por uma causa acabou morrendo e só viu as coisas acontecendo depois da morte. Eu queria ver em vida”, desabafa. “A gente só tem uma vida. Quem vivencia uma cena de terror, mesmo depois de algum tempo, as imagens não se apagam da mente. A gente pode se acostumar, mas não quer mais vivenciar aquilo”, conclui.
A regularização fundiária é o caminho para construir a segurança jurídica na região e, consequentemente, a segurança das pessoas que lutam pelo direito legítimo ao território.
FONTE: http://www.axa.org.br/2015/09/terra-em-disputa-os-retireiros-do-araguaia/

Saturday, 29 August 2015

Educação Ambiental e a descolonização do pensamento - Martha Tristão (UFES)

Martha Tristão (UFES) - GT 22 - Educação Ambiental
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Educação Ambiental e a descolonização do pensamento
A pretensão deste trabalho é problematizar o impacto que a dominação epistemológica e cultural, que não finda com o período colonialista, causa à Educação Ambiental. No primeiro momento, será realizada uma breve genealogia dos termos pós-colonialização, colonialidade e descolonização, com embasamento conceitual e teórico sobre a colonialidade/modernidade e, suas consequentes relações dicotômicas, com ênfase na relação dicotômica cultura/natureza e, em um segundo momento, as contribuições, as implicações da descolonização do pensamento como um dos desafios que a Educação Ambiental enfrenta na contemporaneidade (por que esse pensamento ajuda a produzir o campo da EA?). Em um terceiro momento, exploramos as formas de resistências, as experiências com culturas que fazem usos de práticas sustentáveis para garantir seus modos de vida e desenvolvem formas de se relacionar com a natureza cultura. Essa última parte será atravessada pela correlação entre o lugar, as culturas e as produções narrativas dos sujeitos/comunidades/escolas.
Textos para leitura:

Saturday, 15 August 2015

Sobre silêncios e sua comunicação

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http://outraspalavras.net/destaques/sobre-silencios-e-sua-comunicacao/

Sobre silêncios e sua comunicação

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Associado de forma banal à ausência da fala, o silêncio é contudo presença plena de significações: uma força complexa, que questiona a própria linguagem em seu uso social
Por Marina Lara de Moraes Pinheiro | Imagem: Letícia Freire
Este trabalho propõe explorarmos os significados observáveis dos silêncios presentes em nossas vidas pessoais e sociais. Busca provocar a reflexão diante do que entende-se por silêncio e porque ele é tão complexo, ainda que tão presente. Sugere uma maior atenção e observação aos silêncios, suas nuances e sua importância para uma melhor leitura do mundo e compreensão da comunicação e da linguagem humana. Pois, como sinalizado por Francis Wolff, um dos filósofos que embasam a construção desse trabalho, “Toda ausência é também presença, enquanto signo, como a ausência do amado cantada pela alma do poeta”. (Wolff, O silêncio é a ausência de quê?, 2013)
O silêncio é, comumente, associado à ausência da fala. Ao senso comum, enquanto a fala é presença de comunicação clara e óbvia, o silêncio é compreendido à falta da fala, a falta da linguagem — ou à pausa. Essa compreensão, porém, não poderia estar mais distante da realidade. O silêncio possui um significado em si mesmo, uma significação própria e múltipla que pode querer dizer algo pelo próprio comunicador, ou, ainda, pelo ouvinte (que ora interpreta o silêncio, ora cala-se para ouvir o que é dito). É frágil, pois não é código estabelecido. É poderoso também justamente por ser independente de tais códigos.
Neste artigo, buscarei explorar os significados possíveis do silêncio, para estabelecer que à leitura do mundo não basta observar os signos, mas também o que os antecede. O que são os signos da linguagem senão uma das maneiras de organizar um pensamento, um sentimento, uma intenção? Tudo isso antecede o próprio código. Já está presente no silêncio. Para tanto, usei como fonte de pesquisa artigos produzidos para o ciclo de conferências Mutações — O silêncio e a prosa do mundo, concebido e realizado pelo Centro de Estudos Artepensamento em 2013 e organizado em livro por Adauto Novaes.
Acredito ser importante para o estudo da linguística buscarmos compreender o que é dito além dos códigos. Além disso, convidar o leitor a refletir se o silêncio não pode ser estudado como código cultural inerente à linguagem. Retirar o silêncio do papel de ausência da fala me parece primordial para melhor compreendermos os sinais do mundo. O silêncio fala, partamos desse pressuposto. Ele nos fala quando vem de nós e nos fala ao interpretarmos o outro, o que seria a sombra dessa significação.
Pensemos primeiramente na própria fala. Um diálogo compõe-se de um falante e um ouvinte. O ouvinte é, então, o sujeito silencioso. Mas seu ouvir não é passivo naturalmente. O ouvinte reage dentro de si e exterioriza através da linguagem corporal ou da linguagem falada (reforçando aqui que a escolha da não utilização de um código corporal ou de fala pré-estabelecido não deixa de fazer parte do próprio código). Além disso, no próprio falante existe a cadência da fala, composta de som e silêncio para estabelecer-se um ritmo (ritmo que, pela combinação dos dois elementos, torna-se informação também). Portanto, em um diálogo, situação onde a fala se faz óbvia, já podemos observar algumas importâncias silenciosas: o desejado silêncio ouvinte, o possível silêncio responsivo, e o silêncio que estabelece ritmo. Não é besteira então observar logo que o silêncio é algo que interfere, até agora, em nossas expectativas enquanto falantes, em nossas possibilidades expressivas e no nosso controle de intenções.
Antes de continuar explorando as possibilidades dos silêncios, gostaria de pedir atenção ao silêncio “puro”. Ele existe? As imagens que nos vêm à cabeça são do silêncio da natureza, do deserto, do fundo do mar. Mas em nenhum desses lugares o que há é silêncio absoluto. Em qualquer espaço, o mais silencioso possível, haverá algum ruído, ainda que seja dos nossos próprios batimentos cardíacos. E é por meio dessa imagem que afirmo que o silêncio tem sempre significação enquanto for compreendido como significativo. A partir do momento que estamos imersos no silêncio, e quanto mais imergimos, melhor escutamos a nós mesmos. Entramos aí em um beco sem saída, por assim dizer. Ainda que exista o silêncio puro, jamais seremos capazes de adentrá-lo. E, assim, para nós, não faz sentido definir o silêncio como algo ausente de sentido. Pois nós, enquanto agentes do mundo, sempre ouviremos alguma coisa, ruídos ou pensamentos. Cabe a nós então, enquanto intérpretes da vida, saber o que fazer com isso.
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Não à toa a habilidade da meditação faz-se tão difundida e desejada no mundo de hoje: um mundo viciado em perceber o silêncio (ou a não-fala) como ausência, fica doente sem saber transitar pelas possibilidades do silêncio enquanto significante. A negação do silêncio pode então ser muito verborrágica. E podemos observá-la diariamente nas redes sociais. Diante dessa observação, aliás, torna-se bastante irônica, curiosa e significativa a criação do the quiet place project, um website que te convida a ficar quieto de tempo em tempo e fez sucesso justamente através do facebook. Conectar-se ao silêncio é uma necessidade ainda inconsciente para muitas pessoas, porém já observável em grande parte dos usuários dessas redes. Essa reflexão é colocada logo na apresentação do livro resultante do ciclo de conferências Mutações — O silêncio e a prosa do mundo, por Danilo Santos de Miranda (2013):
“Em contínua transformação e aperfeiçoamento, as tecnologias propiciam a interação, quiçá o reencontro entre pessoas face a distâncias infligidas pelo tempo e pelo espaço. Porém, não permite ao ser humano experimentar o silêncio. […] Imune ao silêncio, o homem ignora a calma e investe-se de urgências, eximindo-se de interrogá-las.”
Ao mesmo tempo que nos falta observar o silêncio, não podemos no entanto sugerir que falta silêncio no mundo, pois ele é tudo que existe antes de qualquer som. E, embora seja necessário, ele pode adquirir sentidos devastadores e inclusive violentos. Devemos observar o silêncio que remete à prudência, à cautela, ao respeito, tanto quanto o silêncio que censura, rejeita e provoca. Há o silêncio que se faz por não ter o que dizer, o silêncio que se faz por não saber como dizer e ainda aquele que se recusa a dizer. Francis Wolff, filósofo francês, ilustra bem várias das possibilidades do silêncio em uma passagem de seu artigo “O silêncio é ausência de quê?”:
“Há quem afirme que o silêncio é signo de virtude, por exemplo a virtude exigível do eterno feminino (a mulher deveria ser discreta, contida, reservada), ou ainda a virtude dos humildes ou dos habilidosos (os que sabem conter sua língua), pode-se opor que o silêncio é também sintoma de um vício de caráter (é o caladão, o taciturno, o retraído, o introvertido, o segredista, o dissimulado, o sorrateiro, o velhaco…).”
Há quem afirme que o silêncio é signo de sabedoria (o sábio é recolhido, ele reflete em silêncio e só fala com conhecimento de causa), pode-se retorquir que ele é signo de loucura (é a angústia, o abatimento, o autismo, o sofrimento profundo dos grandes melancólicos).
É o silêncio signo de um espírito meditativo, a condição do recolhimento, o resultado de um pensamento interior tão rico que se abstém de toda formulação exterior? Ou o resultado de um espírito vazio, de um pensamento infecundo, estéril, incapaz de produzir qualquer expressão que seja?
É o silêncio signo de uma sensibilidade muito forte (“ele está aturdido diante de tantas desgraças”, “ela emudeceu de horror”) ou, ao contrário, é signo de uma total insensibilidade (“ele é surdo aos gritos de dor”, “ela nada tem a dizer a esse respeito”)?
É o silêncio manifestação de força? De fato, o tirano ordena laconicamente, abstém-se de falar, comanda o mundo com um olhar, impõe-se a todos com um sinal. É o silêncio, ao contrário, uma manifestação de impotência? De fato, o escravo está condenado ao silêncio, o prisioneiro é obrigado a se calar.
A partir dessas infinitas significações, é bem compreensível que o silêncio deixe a maior parte das pessoas confusas e, por isso, em estado de negação ao silêncio. Podemos dizer, “se o silêncio é aquilo que é difícil de compreender, preencho-me de palavras”. Mas esse pensamento nada verdadeiramente nos contribui quando surge apenas para preencher um suposto vazio, e podemos até buscar uma analogia com a fé fanática. A fé, enquanto sentimento ou crença genuína, aberta, é também libertação — por representar um caminho possível, escolhido na liberdade subjetiva do ser, com bifurcações e ruas paralelas. Já a fé fanática não é a escolha de nenhum caminho, porém a certeza dele. Diante das dúvidas e das questões do mundo, define-se uma verdade única e se segue tentando levar quem está ao redor.
Longe de sugerir que a palavra deveria se calar para o silêncio, gostaria de sugerir o reconhecimento do silêncio inclusive entre as palavras. Isto é, mesmo dentro da minha fé escolhida, percebo que as dúvidas existem e jamais serão absolutamente respondidas, ainda que eu deseje levar minha vida de acordo a determinada crença (ou não). O silêncio existe, ainda que nos confunda e é tão significativo e importante quanto a palavra, porém ele não possui uma gramática, um acordo de normas. Acostumados com o código (os signos linguísticos), tratamos dele como coisa absoluta e preferível ao “nada” (no caso, o silêncio), sem perceber que assim o próprio código, sem “alguma coisa”, pode também ser nada.
E então, o que define ausência e presença? O que tem e não tem significação? Para responder a essas perguntas, temos que levantar antes uma outra. De onde vem a palavra, o código linguístico, senão do silêncio? Se concordarmos nisso, podemos dizer então que o significado sempre antecede o código? A fala não dá sentido a nada e pode nada dizer, se não houver antes de si o seu significado. Portanto, se quisermos ir mais longe, podemos inclusive ousar dizer que a ausência de significado está no código, que é então mera representação, e não no silêncio. Invertemos assim o entendimento comum do silêncio como falta e o transformamos em casa primeira de toda significação.
O silêncio pode ser preenchido de significação por diversos meios. Ao comunicador, o silêncio consciente e ativo pode ter um objetivo claro. Ao ouvinte, cabe ao silêncio a interpretação das intenções compreendidas. Lidamos aí com luz e sombra, talvez? O silêncio tem poder significativo quando utilizado com um fim comunicativo. Mas mesmo quando não, o silêncio pode sobreviver a partir da interpretação do outro. E ainda, essa comunicacão pode se dar com interpretações diferentes e simultâneas. Levando-nos de volta a pensar na negação do silêncio, ou do medo da ausência. Não seria essa sensação de ausência confundida com a incompreensão da presença?
O silêncio, portanto, nunca é apenas ausência de som, ausência física de som, é sempre também presença de sentido, presença humana de sentido. Mas, como só se manifesta fisicamente pelo vazio e pela ausência, ele pode significar tudo — e o seu contrário — , como bem sabem todos os pacientes estendidos no divã e que espreitam, ansiosos, o sentido de suas próprias palavras no silêncio ambíguo do psicanalista.
“O silêncio é ora morte, ora vida, ora vício, ora virtude, ora imposto, ora escolhido.” (Wolff, idem)
Podemos observar na literatura a representação desse silêncio que se basta, que é comunicação humana para além do codificável. Por exemplo:
“Estava claro que a associação deles ultrapassara o estágio em que a manifestação de um interesse, de um lado e de outro, exigia uma prova verbal. Quase nada lhes era necessário, nem sequer se buscarem com os olhos: ela não tinha necessidade de olhar seu amigo para acompanhar o que ele dizia — podia olhar os espaços longínquos que ele mesmo contemplava, e era ao acompanhá-lo até lá que ela o compreendia.” (Henry James, O Protesto, 1911.)
Podemos compreender que a comunicação, nesse caso, se faz pelo silêncio e é intensificada, significada por ele. No silêncio é possível encontrar significações intensas de cumplicidade e de compreensão. Podemos dizer que a comunicação das emoções, portanto, pode explorar o silêncio com muita propriedade. Enquanto para as questões de negociações, de acordos e de representações, um conjunto de signos tende a facilitar a troca. Mas, em ambos casos, o silêncio e a linguagem podem estar presentes e intercalados. O interessante é justamente a vastidão de possibilidades que podemos experimentar para comunicar o que queremos. E observar também toda quantidade de coisas que comunicamos e interpretamos para além da compreensão do código. O que acontece quando percebemos o silêncio como parte da comunicação? Reconhecemos a comunicação e a linguagem humana sempre presentes em nossas vidas. Nos libertamos, aos poucos, da exigência da fala (sem que isso se torne uma negação da mesma). Nos conectamos com o significado antes de lidar com a significação proposta pelo código. O código, qualquer que seja, nos serve como ferramenta, não como próprio significante.
Entender a importância do silêncio e buscar observar suas significações nos possibilita, assim, compreender melhor a própria palavra e nos distanciar do conjunto de regras e expectativas aprisionadoras da própria linguagem. David Lapoujade, em seu artigo “O inaudível — uma política do silêncio”, explora a sua visão de que a linguagem também não deixa de ser uma forma de prisão, a partir do momento que nos faz automaticamente endividados, devedores ou negociadores, num jogo de expectativas o qual adentramos quase obrigatoriamente desde a infância.
Além disso, vivemos um tempo que luta contra o silêncio, um tempo em que nunca falamos tanto e nunca fomos tão estimulados a falar. O resgate do silêncio pode então significar uma contestação — uma tentativa de sair desse sistema estabelecido e buscar as significações anteriores. Dar voz (literal ou não) a essas significações. Algo como “enquanto me pedem falar para continuamente, dou a eles a eloquência do meu silêncio”. Fazer falar o silêncio, nesse caso, é não limitar a significação a qualquer código, é não fazer promessa.
Ao silêncio, cabem variadas reflexões. Não nos cabe, acredito, dissecá-lo em pedaços simplesmente. Talvez por ser tão plural, é fácil perceber que se queremos defini-lo ou limitá-lo acabamos adentrando uma contradição difícil de ser explorada. Porém, negar-se esse caminho seria viver na sombra do mesmo problema. O que tentei propor, portanto, nessa breve exploração pelo tema, é que enxerguemos o silêncio como presença. Que possamos transitar pelo silêncio que faz parte da nossa linguagem, daquele que a antecede e mesmo daquele absoluto que só existe em nós enquanto conceito. Ao reconhecer as significações do silêncio e sua multiplicidade, relativizamos o poder do código, nos possibilitando um caminho mais amplo e menos limitado.
“Ora, esse silêncio não é algo fora da linguagem ou uma não linguagem: é como uma contralinguagem. É uma força que contesta a própria linguagem em seu uso social.” (David Lapoujade, O inaudível — uma política do silêncio, 2013)
Bibliografia
Textos selecionados da coleção Mutações — O silêncio e a prosa do mundo. Organizado por Adauto Novaes, 2013:
• MIRANDA, Danilo. Danilo Santos de Miranda: Apresentação, 2013.
• NOVAES, Adauto. Adauto Novaes: Treze notas sobre O Silêncio e a Prosa do Mundo, 2013.
• WOLFF, Francis. Francis Wolff: O silêncio é a ausência de quê?, 2013.
• LAPOUJADE, David. David Lapoujade: O inaudível — Uma política do silêncio, 2013.
• BIGNOTTO, Newton. Newton Bignotto: As formas do silêncio, 2013.
Referências
• JAMES, Henry. Henry James. O Protesto, 1911.
• The Quiet Place Project. <http://thequietplaceproject.com/>

Festa da Banana celebra cultura agroecológica em comunidade quilombola do MT

fase
http://fase.org.br/pt/informe-se/noticias/festa-da-banana-celebra-cultura-agroecologica-em-comunidade-quilombola-em-mt/


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20/07/2015MATO GROSSO

Festa da Banana celebra cultura agroecológica em comunidade quilombola do MT

A 7ª Festa da Banana contou com a presença de cerca de 600 pessoas e foi realizada na Comunidade Negra Rural Quilombola da Mutuca, que está se tornando uma referência na prática agroecológica


Andrés Pasquis ¹
“A banana não é só alimento ou medicina. A Festa da Banana é cultural”, exclamou Laura Ferreira da Silva, presidenta da Associação da Comunidade Negra Rural do Quilombo Ribeirão da Mutuca – Acorquirim, durante a abertura da 7ª Festa da Banana, realizada no dia 4 de julho, na comunidade Ribeirão da Mutuca do município de Nossa Livramento, situada a aproximadamente 32 quilômetros de Cuiabá (MT).
A 7ª Festa da Banana reuniu cerca de 600 pessoas. (Foto: GIAS/Flicker)
A 7ª Festa da Banana reuniu cerca de 600 pessoas. (Foto: GIAS/Flickr)
Ribeirão da Mutuca, que faz parte do complexo Mata Cavalo, composto por mais cinco comunidades quilombolas, foi o palco de palestras sobre a agroecologia, feira de artesanato, culinária regional, música e dança, espantando o frio do dia com caldo de banana verde preparado ao fogo de lenha, licor de banana e os movimentos frenéticos do siriri, rasqueado cuiabano e lambadão.
A festa foi criada em 2008 com o intuito de valorizar a produção e a cultura afro-brasileira que sustenta as cerca de 120 famílias da comunidade. O cultivo da banana e de muitos outros alimentos é feito de forma tradicional e livre de agrotóxicos, seguindo os princípios da agroecologia.
“Nossos ancestrais já trabalhavam desse jeito, com muito esforço, variedade de sementes e sem veneno, sem nem saber que isso era agroecologia. Essa tradição foi passando de geração em geração e, hoje, é uma referência para muitos”, explicou Laura.
No entanto, por trás dos doces, balas e tortas de banana, por trás da melodia do cururu e por trás da animação dos participantes, a situação não foi e não é ainda tão simples. No passado, o garimpo assolou a região e pressionou seus habitantes, deixando marcas profundas neles como na terra. “Faz dez anos que o garimpo acabou, mas lacunas enormes no nosso solo ainda nos lembram dessa época”, lamenta a organizadora da festa.
Comunidade é referência cultural e agroecológica. (Foto: GIAS/ Flicker)
Comunidade é referência cultural e agroecológica. (Foto: GIAS/ Flicker)
Porém, essa tranquilidade está novamente ameaçada pelo avanço do agronegócio e mais especificamente pela chegada da soja em Poconé, município a cerca de 75 quilômetros da comunidade.
Lucienio da Silva Miranda, técnico agrícola da Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural – Empaer, confirma que a sojicultora avança com rapidez e que, com a fragilidade da situação fundiária do complexo Mata Cavalo, o futuro parece ameaçador. “Nós, técnicos da Empaer que já conhecemos e fazemos parte desta comunidade há anos, gostaríamos muito que o governo regularizasse a situação destas terras, que pertencem aos habitantes da Mutuca, o que facilitaria também o acesso deles a crédito e financiamentos”, cobrou o técnico.
Laura Ferreira comenta que, anos atrás, um laudo antropológico realizado por Maria de Lourdes Bandeira, professora da Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT e membro do Conselho dos Direitos da Mulher, qualificou a região como uma área remanescente de quilombos a ser preservada.
“Sempre lutamos e lutaremos por defender nossa cultura, nossas tradições e esta terra, onde nossos ancestrais foram enterrados há mais de duzentos anos. Foi assim que, na época do garimpo, procuramos os direitos humanos e acabamos conhecendo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que nos convidou, através de eventos e feiras, a fazer parte do Grupo de Intercâmbio em Agroecologia (Gias)”, revelou Laura.
Fran Paula, da FASE, durante o evento. (Foto: GIAS/Flicker)
Fran Paula, do programa da FASE no MT , durante o evento. (Foto: GIAS/Flickr)
Fran Paula de Castro, técnica do programa da FASE em Mato Grosso, uma das organizações que compõem o Gias, ressaltou que é uma honra poder contar com a experiência agroecológica que a Arcoquirim oferece ao estado de Mato Grosso. “Uma referência forte desta comunidade é a luta que vem levando há anos, inclusive pelo resgate e preservação de suas sementes, como o milho crioulo. Por isso eles têm que perseverar esse trabalho tão reconhecido”, disse.
A 7ª Festa da Banana contou com a presença de cerca de 600 pessoas e a Comunidade Negra Rural Quilombola da Mutuca está se tornando uma referência estadual de prática agroecológica e tradição quilombola. “Para nós, a semente é importantíssima. Ela é tradição, é vida!”, finalizou Laura.
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Monday, 10 August 2015

UFMT oferece mestrado e doutorado em Educação 2016


Publicado em Notícias | 07/08/2015
O Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), câmpus de Cuiabá, oferece 46 vagas para o mestrado em Educação, distribuídas nas seguintes linhas de pesquisa: Culturas Escolares e Linguagens; Educação em Ciências e Educação Matemática; Organização Escolar, Formação e Práticas Pedagógicas; Cultura, Memória e Teorias em Educação; Movimentos Sociais, Política e Educação Popular. Outras 19 vagas são para o doutorado em Educação nas linhas de pesquisa: Movimentos Sociais, Política e Educação Popular; Cultura, Memória e Teorias em Educação; Organização Escolar, Formação e Práticas Pedagógicas.
As inscrições poderão ser feitas no período de 1º a 14 de outubro. Será cobrada uma taxa de R$164,27. Os interessados deverão procurar a secretaria do PPGE, no Instituto de Educação (IE), sala 69, câmpus de Cuiabá, das 8h às 11h e das 14h às 17h, munidos com os seguintes documentos: para mestrado - fotocópias do diploma de graduação, do histórico escolar e da documentação pessoal, curriculum vitae conforme modelo Lattes/CNPq, memorial crítico e anteprojeto de pesquisa; e para doutorado - fotocópias dos diplomas de graduação e de mestrado, do histórico escolar do mestrado e da documentação pessoal, cópia impressa da dissertação de mestrado, curriculum vitae conforme modelo Lattes/CNPq, memorial crítico e projeto de pesquisa. O resultado das inscrições deferidas será divulgado no dia 23 de outubro.
O processo de seleção será realizado por meio de prova escrita (dia 3 de novembro) e arguição (30 de novembro a 4 de dezembro). O resultado final será divulgado no dia 16 de dezembro. Os candidatos selecionados deverão efetivar a matrícula no período de 15 a 19 de fevereiro de 2016. O início das aulas está previsto para o dia 1º de março de 2016.
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3615 8431 ou na página eletrônica do programa(www.ufmt.br/ppge).
Confira aqui a íntegra do edital.

Wednesday, 5 August 2015

The Art of Biophilia: Extraordinary Mosaics Incorporating Earth’s Most Colorful Creatures

http://www.brainpickings.org/2015/07/06/biophilia-christopher-marley/


The Art of Biophilia: Extraordinary Mosaics Incorporating Earth’s Most Colorful Creatures

by 
A mesmerizing celebration of “the passionate love of life and of all that is alive.”
In his 1973BOOK The Anatomy of Human Destructiveness, psychologist and philosopher Erich Fromm popularized the word biophilia as a term for a positive psychological state of being. Literally translated as “love of life,” it is more vibrantly captured in Fromm’s own translation as “the passionate love of life and of all that is alive… the wish to further growth, whether in a person, a plant, an idea, or a social group.” Many decades later, the great Mary Oliver — whose poetry is among humanity’s highest celebrations of biophilia — would come to call this feeling the “sudden awareness of the citizenry of all things within one world.”
That passionate love of aliveness and that exulted awareness of the citizenry of all beings is what artist, designer, and photographer Christopher Marleycaptures in Biophilia (public library) — an exquisite collection of his artwork incorporating various life-forms, from insects to reptiles to marine creatures. A modern-day Ernst Haeckel of photographic art, Marley painstakingly arranges his specimens into mesmerizing patterns and stages them for individual portraits that reveal the dazzling grandeur of these humble creatures, from butterflies that would’ve made Nabokov proud to fish that outshine the greatest natural history illustrations.
Chrysina Prism (France, Costa Rica, Indonesia, Honduras, Australia, Tanzania, Borneo)
Cerulean Butterflies (Peru, Argentina, Brazil, Irian, Sulawesi, France)
Urchin Spheres (Thailand, Philippines, United States, Mexico)
Tropical Fish Mosaic (Worldwide)
Marley, a self-described “chronically afflicted biophiliac,” writes:
It is our biophilia that causes us to find so much beauty and satisfaction in nature. We do not love nature because it is beautiful; we find beauty in nature because we are a part of it, and it is a part of us.
[…]
It is a symbiotic relationship. The more we grow in understanding and appreciation of the natural world and the more we invest in it, the greater the peace, satisfaction, and joy we receive from our association in return, just as we involuntarily develop love for those people we truly understand and serve. As with all ordained goodness, the more we give, the more we receive.
That goodness permeates Marley’s work. After growing up in a family of hunters, he developed an aversion to killing any creature — even an insect — and spent years developing ethical, sustainable ways of collecting and preserving the specimens he uses in his artwork, working with a worldwide network of researchers, citizen scientists, and institutions.
Aesthetica Sphere (Worldwide species)
A century and a half after Emerson contemplated how beauty bewitches the human spirit, asserting that “the secret of ugliness consists not in irregularity, but in being uninteresting,” Marley makes infinitely interesting — or, rather, illuminates the inherent interestingness of — various species with which we share our shimmering world but which we, blinded by the momentum of our prejudices and phobias, ordinarily consider ugly or unremarkable. He uses beauty — “the form under which the intellect prefers to study the world,” per Emerson — as a tool of translation, shifting our frame of reference from one of antipathy or apprehension to one of appreciation and even affection.
Marley writes:
I have found that when my subjects are meticulously composed, it makes the translation more intelligible for the public at large, just as random music notes, once properly orchestrated, can enter the heart and sway it almost against our volition. Once an appreciation for the aesthetics of insects is born, it is amazing how quickly old prejudiced and stereotypes fall away. When people begin to see beauty where they had previously known only a mundane, distasteful, or even frightening world of arcane organisms, positive changes in their perceptions of arthropods as a whole are sure to follow.
[…]
If the work I do provides no other benefit than to kindle a new appreciation of insects (and any other creatures that evoke trepidation in the human heart), that is enough for me. It is the primary reason why I do what I do: because it brings people — myself and others — joy.
The joy his work brings is of the most colorful, ebullient kind — the kind that emanates an exuberant celebration of biodiversity and an invitation for us to belong to this world more fully, calling to mind Mary Oliver’s unforgettable verse: “I know, you never intended to be in this world. / But you’re in it all the same. / So why not get started immediately. / I mean, belonging to it. / There is so much to admire, to weep over.”
Fulgens Prism (Malaysia, Indonesia, Thailand, Japan)
Urchin Spheres Mosaic (Philippines, Thailand, Mexico, United States)
Feather Mosaic (Worldwide)
Cretaceous Ammonite Study (Madagascar)
Green Tree Python (Australia)
Preserved Octopus (Atlantic Ocean)
Elegans Prism (Thailand, Indonesia, Cameroon, Malaysia)
Complement Biophilia with Susan Middleton’s breathtaking photographs of marine invertebrates, then revisit the curious cultural history of thinking with animals.