Saturday, 29 August 2015

Educação Ambiental e a descolonização do pensamento - Martha Tristão (UFES)

Martha Tristão (UFES) - GT 22 - Educação Ambiental
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Educação Ambiental e a descolonização do pensamento
A pretensão deste trabalho é problematizar o impacto que a dominação epistemológica e cultural, que não finda com o período colonialista, causa à Educação Ambiental. No primeiro momento, será realizada uma breve genealogia dos termos pós-colonialização, colonialidade e descolonização, com embasamento conceitual e teórico sobre a colonialidade/modernidade e, suas consequentes relações dicotômicas, com ênfase na relação dicotômica cultura/natureza e, em um segundo momento, as contribuições, as implicações da descolonização do pensamento como um dos desafios que a Educação Ambiental enfrenta na contemporaneidade (por que esse pensamento ajuda a produzir o campo da EA?). Em um terceiro momento, exploramos as formas de resistências, as experiências com culturas que fazem usos de práticas sustentáveis para garantir seus modos de vida e desenvolvem formas de se relacionar com a natureza cultura. Essa última parte será atravessada pela correlação entre o lugar, as culturas e as produções narrativas dos sujeitos/comunidades/escolas.
Textos para leitura:

Saturday, 15 August 2015

Sobre silêncios e sua comunicação

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http://outraspalavras.net/destaques/sobre-silencios-e-sua-comunicacao/

Sobre silêncios e sua comunicação

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Associado de forma banal à ausência da fala, o silêncio é contudo presença plena de significações: uma força complexa, que questiona a própria linguagem em seu uso social
Por Marina Lara de Moraes Pinheiro | Imagem: Letícia Freire
Este trabalho propõe explorarmos os significados observáveis dos silêncios presentes em nossas vidas pessoais e sociais. Busca provocar a reflexão diante do que entende-se por silêncio e porque ele é tão complexo, ainda que tão presente. Sugere uma maior atenção e observação aos silêncios, suas nuances e sua importância para uma melhor leitura do mundo e compreensão da comunicação e da linguagem humana. Pois, como sinalizado por Francis Wolff, um dos filósofos que embasam a construção desse trabalho, “Toda ausência é também presença, enquanto signo, como a ausência do amado cantada pela alma do poeta”. (Wolff, O silêncio é a ausência de quê?, 2013)
O silêncio é, comumente, associado à ausência da fala. Ao senso comum, enquanto a fala é presença de comunicação clara e óbvia, o silêncio é compreendido à falta da fala, a falta da linguagem — ou à pausa. Essa compreensão, porém, não poderia estar mais distante da realidade. O silêncio possui um significado em si mesmo, uma significação própria e múltipla que pode querer dizer algo pelo próprio comunicador, ou, ainda, pelo ouvinte (que ora interpreta o silêncio, ora cala-se para ouvir o que é dito). É frágil, pois não é código estabelecido. É poderoso também justamente por ser independente de tais códigos.
Neste artigo, buscarei explorar os significados possíveis do silêncio, para estabelecer que à leitura do mundo não basta observar os signos, mas também o que os antecede. O que são os signos da linguagem senão uma das maneiras de organizar um pensamento, um sentimento, uma intenção? Tudo isso antecede o próprio código. Já está presente no silêncio. Para tanto, usei como fonte de pesquisa artigos produzidos para o ciclo de conferências Mutações — O silêncio e a prosa do mundo, concebido e realizado pelo Centro de Estudos Artepensamento em 2013 e organizado em livro por Adauto Novaes.
Acredito ser importante para o estudo da linguística buscarmos compreender o que é dito além dos códigos. Além disso, convidar o leitor a refletir se o silêncio não pode ser estudado como código cultural inerente à linguagem. Retirar o silêncio do papel de ausência da fala me parece primordial para melhor compreendermos os sinais do mundo. O silêncio fala, partamos desse pressuposto. Ele nos fala quando vem de nós e nos fala ao interpretarmos o outro, o que seria a sombra dessa significação.
Pensemos primeiramente na própria fala. Um diálogo compõe-se de um falante e um ouvinte. O ouvinte é, então, o sujeito silencioso. Mas seu ouvir não é passivo naturalmente. O ouvinte reage dentro de si e exterioriza através da linguagem corporal ou da linguagem falada (reforçando aqui que a escolha da não utilização de um código corporal ou de fala pré-estabelecido não deixa de fazer parte do próprio código). Além disso, no próprio falante existe a cadência da fala, composta de som e silêncio para estabelecer-se um ritmo (ritmo que, pela combinação dos dois elementos, torna-se informação também). Portanto, em um diálogo, situação onde a fala se faz óbvia, já podemos observar algumas importâncias silenciosas: o desejado silêncio ouvinte, o possível silêncio responsivo, e o silêncio que estabelece ritmo. Não é besteira então observar logo que o silêncio é algo que interfere, até agora, em nossas expectativas enquanto falantes, em nossas possibilidades expressivas e no nosso controle de intenções.
Antes de continuar explorando as possibilidades dos silêncios, gostaria de pedir atenção ao silêncio “puro”. Ele existe? As imagens que nos vêm à cabeça são do silêncio da natureza, do deserto, do fundo do mar. Mas em nenhum desses lugares o que há é silêncio absoluto. Em qualquer espaço, o mais silencioso possível, haverá algum ruído, ainda que seja dos nossos próprios batimentos cardíacos. E é por meio dessa imagem que afirmo que o silêncio tem sempre significação enquanto for compreendido como significativo. A partir do momento que estamos imersos no silêncio, e quanto mais imergimos, melhor escutamos a nós mesmos. Entramos aí em um beco sem saída, por assim dizer. Ainda que exista o silêncio puro, jamais seremos capazes de adentrá-lo. E, assim, para nós, não faz sentido definir o silêncio como algo ausente de sentido. Pois nós, enquanto agentes do mundo, sempre ouviremos alguma coisa, ruídos ou pensamentos. Cabe a nós então, enquanto intérpretes da vida, saber o que fazer com isso.
TEXTO-MEIO
Não à toa a habilidade da meditação faz-se tão difundida e desejada no mundo de hoje: um mundo viciado em perceber o silêncio (ou a não-fala) como ausência, fica doente sem saber transitar pelas possibilidades do silêncio enquanto significante. A negação do silêncio pode então ser muito verborrágica. E podemos observá-la diariamente nas redes sociais. Diante dessa observação, aliás, torna-se bastante irônica, curiosa e significativa a criação do the quiet place project, um website que te convida a ficar quieto de tempo em tempo e fez sucesso justamente através do facebook. Conectar-se ao silêncio é uma necessidade ainda inconsciente para muitas pessoas, porém já observável em grande parte dos usuários dessas redes. Essa reflexão é colocada logo na apresentação do livro resultante do ciclo de conferências Mutações — O silêncio e a prosa do mundo, por Danilo Santos de Miranda (2013):
“Em contínua transformação e aperfeiçoamento, as tecnologias propiciam a interação, quiçá o reencontro entre pessoas face a distâncias infligidas pelo tempo e pelo espaço. Porém, não permite ao ser humano experimentar o silêncio. […] Imune ao silêncio, o homem ignora a calma e investe-se de urgências, eximindo-se de interrogá-las.”
Ao mesmo tempo que nos falta observar o silêncio, não podemos no entanto sugerir que falta silêncio no mundo, pois ele é tudo que existe antes de qualquer som. E, embora seja necessário, ele pode adquirir sentidos devastadores e inclusive violentos. Devemos observar o silêncio que remete à prudência, à cautela, ao respeito, tanto quanto o silêncio que censura, rejeita e provoca. Há o silêncio que se faz por não ter o que dizer, o silêncio que se faz por não saber como dizer e ainda aquele que se recusa a dizer. Francis Wolff, filósofo francês, ilustra bem várias das possibilidades do silêncio em uma passagem de seu artigo “O silêncio é ausência de quê?”:
“Há quem afirme que o silêncio é signo de virtude, por exemplo a virtude exigível do eterno feminino (a mulher deveria ser discreta, contida, reservada), ou ainda a virtude dos humildes ou dos habilidosos (os que sabem conter sua língua), pode-se opor que o silêncio é também sintoma de um vício de caráter (é o caladão, o taciturno, o retraído, o introvertido, o segredista, o dissimulado, o sorrateiro, o velhaco…).”
Há quem afirme que o silêncio é signo de sabedoria (o sábio é recolhido, ele reflete em silêncio e só fala com conhecimento de causa), pode-se retorquir que ele é signo de loucura (é a angústia, o abatimento, o autismo, o sofrimento profundo dos grandes melancólicos).
É o silêncio signo de um espírito meditativo, a condição do recolhimento, o resultado de um pensamento interior tão rico que se abstém de toda formulação exterior? Ou o resultado de um espírito vazio, de um pensamento infecundo, estéril, incapaz de produzir qualquer expressão que seja?
É o silêncio signo de uma sensibilidade muito forte (“ele está aturdido diante de tantas desgraças”, “ela emudeceu de horror”) ou, ao contrário, é signo de uma total insensibilidade (“ele é surdo aos gritos de dor”, “ela nada tem a dizer a esse respeito”)?
É o silêncio manifestação de força? De fato, o tirano ordena laconicamente, abstém-se de falar, comanda o mundo com um olhar, impõe-se a todos com um sinal. É o silêncio, ao contrário, uma manifestação de impotência? De fato, o escravo está condenado ao silêncio, o prisioneiro é obrigado a se calar.
A partir dessas infinitas significações, é bem compreensível que o silêncio deixe a maior parte das pessoas confusas e, por isso, em estado de negação ao silêncio. Podemos dizer, “se o silêncio é aquilo que é difícil de compreender, preencho-me de palavras”. Mas esse pensamento nada verdadeiramente nos contribui quando surge apenas para preencher um suposto vazio, e podemos até buscar uma analogia com a fé fanática. A fé, enquanto sentimento ou crença genuína, aberta, é também libertação — por representar um caminho possível, escolhido na liberdade subjetiva do ser, com bifurcações e ruas paralelas. Já a fé fanática não é a escolha de nenhum caminho, porém a certeza dele. Diante das dúvidas e das questões do mundo, define-se uma verdade única e se segue tentando levar quem está ao redor.
Longe de sugerir que a palavra deveria se calar para o silêncio, gostaria de sugerir o reconhecimento do silêncio inclusive entre as palavras. Isto é, mesmo dentro da minha fé escolhida, percebo que as dúvidas existem e jamais serão absolutamente respondidas, ainda que eu deseje levar minha vida de acordo a determinada crença (ou não). O silêncio existe, ainda que nos confunda e é tão significativo e importante quanto a palavra, porém ele não possui uma gramática, um acordo de normas. Acostumados com o código (os signos linguísticos), tratamos dele como coisa absoluta e preferível ao “nada” (no caso, o silêncio), sem perceber que assim o próprio código, sem “alguma coisa”, pode também ser nada.
E então, o que define ausência e presença? O que tem e não tem significação? Para responder a essas perguntas, temos que levantar antes uma outra. De onde vem a palavra, o código linguístico, senão do silêncio? Se concordarmos nisso, podemos dizer então que o significado sempre antecede o código? A fala não dá sentido a nada e pode nada dizer, se não houver antes de si o seu significado. Portanto, se quisermos ir mais longe, podemos inclusive ousar dizer que a ausência de significado está no código, que é então mera representação, e não no silêncio. Invertemos assim o entendimento comum do silêncio como falta e o transformamos em casa primeira de toda significação.
O silêncio pode ser preenchido de significação por diversos meios. Ao comunicador, o silêncio consciente e ativo pode ter um objetivo claro. Ao ouvinte, cabe ao silêncio a interpretação das intenções compreendidas. Lidamos aí com luz e sombra, talvez? O silêncio tem poder significativo quando utilizado com um fim comunicativo. Mas mesmo quando não, o silêncio pode sobreviver a partir da interpretação do outro. E ainda, essa comunicacão pode se dar com interpretações diferentes e simultâneas. Levando-nos de volta a pensar na negação do silêncio, ou do medo da ausência. Não seria essa sensação de ausência confundida com a incompreensão da presença?
O silêncio, portanto, nunca é apenas ausência de som, ausência física de som, é sempre também presença de sentido, presença humana de sentido. Mas, como só se manifesta fisicamente pelo vazio e pela ausência, ele pode significar tudo — e o seu contrário — , como bem sabem todos os pacientes estendidos no divã e que espreitam, ansiosos, o sentido de suas próprias palavras no silêncio ambíguo do psicanalista.
“O silêncio é ora morte, ora vida, ora vício, ora virtude, ora imposto, ora escolhido.” (Wolff, idem)
Podemos observar na literatura a representação desse silêncio que se basta, que é comunicação humana para além do codificável. Por exemplo:
“Estava claro que a associação deles ultrapassara o estágio em que a manifestação de um interesse, de um lado e de outro, exigia uma prova verbal. Quase nada lhes era necessário, nem sequer se buscarem com os olhos: ela não tinha necessidade de olhar seu amigo para acompanhar o que ele dizia — podia olhar os espaços longínquos que ele mesmo contemplava, e era ao acompanhá-lo até lá que ela o compreendia.” (Henry James, O Protesto, 1911.)
Podemos compreender que a comunicação, nesse caso, se faz pelo silêncio e é intensificada, significada por ele. No silêncio é possível encontrar significações intensas de cumplicidade e de compreensão. Podemos dizer que a comunicação das emoções, portanto, pode explorar o silêncio com muita propriedade. Enquanto para as questões de negociações, de acordos e de representações, um conjunto de signos tende a facilitar a troca. Mas, em ambos casos, o silêncio e a linguagem podem estar presentes e intercalados. O interessante é justamente a vastidão de possibilidades que podemos experimentar para comunicar o que queremos. E observar também toda quantidade de coisas que comunicamos e interpretamos para além da compreensão do código. O que acontece quando percebemos o silêncio como parte da comunicação? Reconhecemos a comunicação e a linguagem humana sempre presentes em nossas vidas. Nos libertamos, aos poucos, da exigência da fala (sem que isso se torne uma negação da mesma). Nos conectamos com o significado antes de lidar com a significação proposta pelo código. O código, qualquer que seja, nos serve como ferramenta, não como próprio significante.
Entender a importância do silêncio e buscar observar suas significações nos possibilita, assim, compreender melhor a própria palavra e nos distanciar do conjunto de regras e expectativas aprisionadoras da própria linguagem. David Lapoujade, em seu artigo “O inaudível — uma política do silêncio”, explora a sua visão de que a linguagem também não deixa de ser uma forma de prisão, a partir do momento que nos faz automaticamente endividados, devedores ou negociadores, num jogo de expectativas o qual adentramos quase obrigatoriamente desde a infância.
Além disso, vivemos um tempo que luta contra o silêncio, um tempo em que nunca falamos tanto e nunca fomos tão estimulados a falar. O resgate do silêncio pode então significar uma contestação — uma tentativa de sair desse sistema estabelecido e buscar as significações anteriores. Dar voz (literal ou não) a essas significações. Algo como “enquanto me pedem falar para continuamente, dou a eles a eloquência do meu silêncio”. Fazer falar o silêncio, nesse caso, é não limitar a significação a qualquer código, é não fazer promessa.
Ao silêncio, cabem variadas reflexões. Não nos cabe, acredito, dissecá-lo em pedaços simplesmente. Talvez por ser tão plural, é fácil perceber que se queremos defini-lo ou limitá-lo acabamos adentrando uma contradição difícil de ser explorada. Porém, negar-se esse caminho seria viver na sombra do mesmo problema. O que tentei propor, portanto, nessa breve exploração pelo tema, é que enxerguemos o silêncio como presença. Que possamos transitar pelo silêncio que faz parte da nossa linguagem, daquele que a antecede e mesmo daquele absoluto que só existe em nós enquanto conceito. Ao reconhecer as significações do silêncio e sua multiplicidade, relativizamos o poder do código, nos possibilitando um caminho mais amplo e menos limitado.
“Ora, esse silêncio não é algo fora da linguagem ou uma não linguagem: é como uma contralinguagem. É uma força que contesta a própria linguagem em seu uso social.” (David Lapoujade, O inaudível — uma política do silêncio, 2013)
Bibliografia
Textos selecionados da coleção Mutações — O silêncio e a prosa do mundo. Organizado por Adauto Novaes, 2013:
• MIRANDA, Danilo. Danilo Santos de Miranda: Apresentação, 2013.
• NOVAES, Adauto. Adauto Novaes: Treze notas sobre O Silêncio e a Prosa do Mundo, 2013.
• WOLFF, Francis. Francis Wolff: O silêncio é a ausência de quê?, 2013.
• LAPOUJADE, David. David Lapoujade: O inaudível — Uma política do silêncio, 2013.
• BIGNOTTO, Newton. Newton Bignotto: As formas do silêncio, 2013.
Referências
• JAMES, Henry. Henry James. O Protesto, 1911.
• The Quiet Place Project. <http://thequietplaceproject.com/>

Festa da Banana celebra cultura agroecológica em comunidade quilombola do MT

fase
http://fase.org.br/pt/informe-se/noticias/festa-da-banana-celebra-cultura-agroecologica-em-comunidade-quilombola-em-mt/


Notícias

20/07/2015MATO GROSSO

Festa da Banana celebra cultura agroecológica em comunidade quilombola do MT

A 7ª Festa da Banana contou com a presença de cerca de 600 pessoas e foi realizada na Comunidade Negra Rural Quilombola da Mutuca, que está se tornando uma referência na prática agroecológica


Andrés Pasquis ¹
“A banana não é só alimento ou medicina. A Festa da Banana é cultural”, exclamou Laura Ferreira da Silva, presidenta da Associação da Comunidade Negra Rural do Quilombo Ribeirão da Mutuca – Acorquirim, durante a abertura da 7ª Festa da Banana, realizada no dia 4 de julho, na comunidade Ribeirão da Mutuca do município de Nossa Livramento, situada a aproximadamente 32 quilômetros de Cuiabá (MT).
A 7ª Festa da Banana reuniu cerca de 600 pessoas. (Foto: GIAS/Flicker)
A 7ª Festa da Banana reuniu cerca de 600 pessoas. (Foto: GIAS/Flickr)
Ribeirão da Mutuca, que faz parte do complexo Mata Cavalo, composto por mais cinco comunidades quilombolas, foi o palco de palestras sobre a agroecologia, feira de artesanato, culinária regional, música e dança, espantando o frio do dia com caldo de banana verde preparado ao fogo de lenha, licor de banana e os movimentos frenéticos do siriri, rasqueado cuiabano e lambadão.
A festa foi criada em 2008 com o intuito de valorizar a produção e a cultura afro-brasileira que sustenta as cerca de 120 famílias da comunidade. O cultivo da banana e de muitos outros alimentos é feito de forma tradicional e livre de agrotóxicos, seguindo os princípios da agroecologia.
“Nossos ancestrais já trabalhavam desse jeito, com muito esforço, variedade de sementes e sem veneno, sem nem saber que isso era agroecologia. Essa tradição foi passando de geração em geração e, hoje, é uma referência para muitos”, explicou Laura.
No entanto, por trás dos doces, balas e tortas de banana, por trás da melodia do cururu e por trás da animação dos participantes, a situação não foi e não é ainda tão simples. No passado, o garimpo assolou a região e pressionou seus habitantes, deixando marcas profundas neles como na terra. “Faz dez anos que o garimpo acabou, mas lacunas enormes no nosso solo ainda nos lembram dessa época”, lamenta a organizadora da festa.
Comunidade é referência cultural e agroecológica. (Foto: GIAS/ Flicker)
Comunidade é referência cultural e agroecológica. (Foto: GIAS/ Flicker)
Porém, essa tranquilidade está novamente ameaçada pelo avanço do agronegócio e mais especificamente pela chegada da soja em Poconé, município a cerca de 75 quilômetros da comunidade.
Lucienio da Silva Miranda, técnico agrícola da Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural – Empaer, confirma que a sojicultora avança com rapidez e que, com a fragilidade da situação fundiária do complexo Mata Cavalo, o futuro parece ameaçador. “Nós, técnicos da Empaer que já conhecemos e fazemos parte desta comunidade há anos, gostaríamos muito que o governo regularizasse a situação destas terras, que pertencem aos habitantes da Mutuca, o que facilitaria também o acesso deles a crédito e financiamentos”, cobrou o técnico.
Laura Ferreira comenta que, anos atrás, um laudo antropológico realizado por Maria de Lourdes Bandeira, professora da Universidade Federal do Mato Grosso – UFMT e membro do Conselho dos Direitos da Mulher, qualificou a região como uma área remanescente de quilombos a ser preservada.
“Sempre lutamos e lutaremos por defender nossa cultura, nossas tradições e esta terra, onde nossos ancestrais foram enterrados há mais de duzentos anos. Foi assim que, na época do garimpo, procuramos os direitos humanos e acabamos conhecendo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que nos convidou, através de eventos e feiras, a fazer parte do Grupo de Intercâmbio em Agroecologia (Gias)”, revelou Laura.
Fran Paula, da FASE, durante o evento. (Foto: GIAS/Flicker)
Fran Paula, do programa da FASE no MT , durante o evento. (Foto: GIAS/Flickr)
Fran Paula de Castro, técnica do programa da FASE em Mato Grosso, uma das organizações que compõem o Gias, ressaltou que é uma honra poder contar com a experiência agroecológica que a Arcoquirim oferece ao estado de Mato Grosso. “Uma referência forte desta comunidade é a luta que vem levando há anos, inclusive pelo resgate e preservação de suas sementes, como o milho crioulo. Por isso eles têm que perseverar esse trabalho tão reconhecido”, disse.
A 7ª Festa da Banana contou com a presença de cerca de 600 pessoas e a Comunidade Negra Rural Quilombola da Mutuca está se tornando uma referência estadual de prática agroecológica e tradição quilombola. “Para nós, a semente é importantíssima. Ela é tradição, é vida!”, finalizou Laura.
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Monday, 10 August 2015

UFMT oferece mestrado e doutorado em Educação 2016


Publicado em Notícias | 07/08/2015
O Programa de Pós-graduação em Educação (PPGE) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), câmpus de Cuiabá, oferece 46 vagas para o mestrado em Educação, distribuídas nas seguintes linhas de pesquisa: Culturas Escolares e Linguagens; Educação em Ciências e Educação Matemática; Organização Escolar, Formação e Práticas Pedagógicas; Cultura, Memória e Teorias em Educação; Movimentos Sociais, Política e Educação Popular. Outras 19 vagas são para o doutorado em Educação nas linhas de pesquisa: Movimentos Sociais, Política e Educação Popular; Cultura, Memória e Teorias em Educação; Organização Escolar, Formação e Práticas Pedagógicas.
As inscrições poderão ser feitas no período de 1º a 14 de outubro. Será cobrada uma taxa de R$164,27. Os interessados deverão procurar a secretaria do PPGE, no Instituto de Educação (IE), sala 69, câmpus de Cuiabá, das 8h às 11h e das 14h às 17h, munidos com os seguintes documentos: para mestrado - fotocópias do diploma de graduação, do histórico escolar e da documentação pessoal, curriculum vitae conforme modelo Lattes/CNPq, memorial crítico e anteprojeto de pesquisa; e para doutorado - fotocópias dos diplomas de graduação e de mestrado, do histórico escolar do mestrado e da documentação pessoal, cópia impressa da dissertação de mestrado, curriculum vitae conforme modelo Lattes/CNPq, memorial crítico e projeto de pesquisa. O resultado das inscrições deferidas será divulgado no dia 23 de outubro.
O processo de seleção será realizado por meio de prova escrita (dia 3 de novembro) e arguição (30 de novembro a 4 de dezembro). O resultado final será divulgado no dia 16 de dezembro. Os candidatos selecionados deverão efetivar a matrícula no período de 15 a 19 de fevereiro de 2016. O início das aulas está previsto para o dia 1º de março de 2016.
Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (65) 3615 8431 ou na página eletrônica do programa(www.ufmt.br/ppge).
Confira aqui a íntegra do edital.

Wednesday, 5 August 2015

The Art of Biophilia: Extraordinary Mosaics Incorporating Earth’s Most Colorful Creatures

http://www.brainpickings.org/2015/07/06/biophilia-christopher-marley/


The Art of Biophilia: Extraordinary Mosaics Incorporating Earth’s Most Colorful Creatures

by 
A mesmerizing celebration of “the passionate love of life and of all that is alive.”
In his 1973BOOK The Anatomy of Human Destructiveness, psychologist and philosopher Erich Fromm popularized the word biophilia as a term for a positive psychological state of being. Literally translated as “love of life,” it is more vibrantly captured in Fromm’s own translation as “the passionate love of life and of all that is alive… the wish to further growth, whether in a person, a plant, an idea, or a social group.” Many decades later, the great Mary Oliver — whose poetry is among humanity’s highest celebrations of biophilia — would come to call this feeling the “sudden awareness of the citizenry of all things within one world.”
That passionate love of aliveness and that exulted awareness of the citizenry of all beings is what artist, designer, and photographer Christopher Marleycaptures in Biophilia (public library) — an exquisite collection of his artwork incorporating various life-forms, from insects to reptiles to marine creatures. A modern-day Ernst Haeckel of photographic art, Marley painstakingly arranges his specimens into mesmerizing patterns and stages them for individual portraits that reveal the dazzling grandeur of these humble creatures, from butterflies that would’ve made Nabokov proud to fish that outshine the greatest natural history illustrations.
Chrysina Prism (France, Costa Rica, Indonesia, Honduras, Australia, Tanzania, Borneo)
Cerulean Butterflies (Peru, Argentina, Brazil, Irian, Sulawesi, France)
Urchin Spheres (Thailand, Philippines, United States, Mexico)
Tropical Fish Mosaic (Worldwide)
Marley, a self-described “chronically afflicted biophiliac,” writes:
It is our biophilia that causes us to find so much beauty and satisfaction in nature. We do not love nature because it is beautiful; we find beauty in nature because we are a part of it, and it is a part of us.
[…]
It is a symbiotic relationship. The more we grow in understanding and appreciation of the natural world and the more we invest in it, the greater the peace, satisfaction, and joy we receive from our association in return, just as we involuntarily develop love for those people we truly understand and serve. As with all ordained goodness, the more we give, the more we receive.
That goodness permeates Marley’s work. After growing up in a family of hunters, he developed an aversion to killing any creature — even an insect — and spent years developing ethical, sustainable ways of collecting and preserving the specimens he uses in his artwork, working with a worldwide network of researchers, citizen scientists, and institutions.
Aesthetica Sphere (Worldwide species)
A century and a half after Emerson contemplated how beauty bewitches the human spirit, asserting that “the secret of ugliness consists not in irregularity, but in being uninteresting,” Marley makes infinitely interesting — or, rather, illuminates the inherent interestingness of — various species with which we share our shimmering world but which we, blinded by the momentum of our prejudices and phobias, ordinarily consider ugly or unremarkable. He uses beauty — “the form under which the intellect prefers to study the world,” per Emerson — as a tool of translation, shifting our frame of reference from one of antipathy or apprehension to one of appreciation and even affection.
Marley writes:
I have found that when my subjects are meticulously composed, it makes the translation more intelligible for the public at large, just as random music notes, once properly orchestrated, can enter the heart and sway it almost against our volition. Once an appreciation for the aesthetics of insects is born, it is amazing how quickly old prejudiced and stereotypes fall away. When people begin to see beauty where they had previously known only a mundane, distasteful, or even frightening world of arcane organisms, positive changes in their perceptions of arthropods as a whole are sure to follow.
[…]
If the work I do provides no other benefit than to kindle a new appreciation of insects (and any other creatures that evoke trepidation in the human heart), that is enough for me. It is the primary reason why I do what I do: because it brings people — myself and others — joy.
The joy his work brings is of the most colorful, ebullient kind — the kind that emanates an exuberant celebration of biodiversity and an invitation for us to belong to this world more fully, calling to mind Mary Oliver’s unforgettable verse“I know, you never intended to be in this world. / But you’re in it all the same. / So why not get started immediately. / I mean, belonging to it. / There is so much to admire, to weep over.”
Fulgens Prism (Malaysia, Indonesia, Thailand, Japan)
Urchin Spheres Mosaic (Philippines, Thailand, Mexico, United States)
Feather Mosaic (Worldwide)
Cretaceous Ammonite Study (Madagascar)
Green Tree Python (Australia)
Preserved Octopus (Atlantic Ocean)
Elegans Prism (Thailand, Indonesia, Cameroon, Malaysia)
Complement Biophilia with Susan Middleton’s breathtaking photographs of marine invertebrates, then revisit the curious cultural history of thinking with animals.

Monday, 20 July 2015

Prazo para submissão de trabalhos ao SemiEdu termina dia 30

ufmt.br | Publicado em Notícias | 17/07/2015
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realiza, de 16 a 18 de novembro, o Seminário de Educação (SemiEdu), considerado um dos mais importantes eventos da área na região Centro-Oeste. As inscrições com submissão de trabalhos estarão abertas até o dia 30 de julho, no site do evento.
A edição de 2015 tem como tema “Educação e seus Sentidos no Mundo Digital”. Dando continuidade ao objetivo de estender e promover reflexões na área da educação brasileira, com esta temática o SemiEdu centra suas discussões no contexto da articulação entre o real e o virtual. “Os trabalhos apresentados no Semiedu 2015 contribuirão para profícuas reflexões acerca das maneiras pelas quais novas práticas culturais e educativas se impõem no cotidiano em que o real e o virtual se imbricam”, diz a professora Kátia Morosov Alonso, da Coordenação Geral.
Para mais informações, visite o site do evento, em que estão disponíveis o calendário com as datas importantes, as normas para submissão de pôsteres e artigos, além da descrição dos 19 Grupos de Trabalho (GTs). Pode-se também consultar a página www.facebook.com/semiedu.
Para a submissão de trabalhos é obrigatório realizar o cadastro apenas uma vez e possuir uma inscrição válida no evento. Submeta seu trabalho clicando aqui.

Wednesday, 15 July 2015

'Laudato Si’: a perspectiva sistêmica que atualiza o debate ambiental. Entrevista especial com Moema Miranda


Pensar em sistema permite entender que “a Terra ferida e os pobres despossuídos são protagonistas de processos de luta e de transformação”, diz a antropóloga. 
Imagem: grupomagister.com.br
Moema Miranda, diretora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas – Ibase, se debruçou sobre a Encíclica Laudato Si’ e, depois de participar de encontro no Vaticano, comemora: “após dois mil anos de dualismo, pela primeira vez uma perspectiva sistêmica e integrada é afirmada com tanta clareza em um documento da Igreja”. Para ela, essa é a grande novidade do documento apostólico. É como abrir uma janela para oxigenar não só o debate de causas ambientais, mas uma visão de mundo. “Abre-se uma fundamental e bem posicionada possibilidade de diálogo com abordagens sistêmicas desenvolvidas pelas chamadas ciências do sistema terra, que envolvem a física, a química, a biologia, entre outras”, completa, em entrevista concedida por e-mail para IHU On-Line.
O que Moema chama de visão sistêmica é materializada naEncíclica com as repetidas afirmações de que “tudo está interligado”. Isso permite entender que não há uma crise ambiental e outra social. Ou seja, se a terra sofre, os pobres são impactados, e vice-versa. “A Terra ferida e os pobres despossuídos são protagonistas de processos de luta e de transformação”, destaca. Assim, percebe-se que o documento tem poder de inspirar não somente católicos. Isto credita peso político para Laudato Si’, que “apresenta-se como documento com enorme capacidade de influenciar o debate e de contribuir para ações mais coordenadas no enfrentamento das causas do aquecimento global”, avalia.
Na entrevista, a antropóloga também aponta questões que foram deixadas à margem. Para ela, há “uma grande e lamentável ausência na Encíclica: trata-se do papel e do lugar das mulheres em todo este debate. Sabemos bem que a pobreza tem gênero, raça e geração. As mulheres estão entre as pessoas mais pobres em todo o mundo. São também as mulheres, especialmente aquelas vivendo em situação de pobreza, as que pagam o preço mais alto pelas mudanças climáticas que afetam as vidas de suas famílias”, avalia.
Moema Miranda (foto abaixo) é antropóloga, com mestrado e pós-graduação em Antropologia Social pelo Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Integra a direção colegiada do Ibase. Participou do Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio+20. É membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial. Coordena o projeto “Diálogo dos Povos – Uma articulação Sul-Sul”, com a participação de entidades e redes da América Latina e da África.
Em julho, participou da conferência sobre a Encíclica Laudato Si’, intitulada “As pessoas e o Planeta em primeiro lugar: imperativo a mudar de rumo”. O encontro realizado no Vaticano foi promovido pelo Pontifício Conselho da Justiça e da Paz junto com a Aliança Internacional das Organizações Católicas para o Desenvolvimento - CIDSE.
Confira a entrevista.
Foto: 10anos.cdes.gov.br
IHU On-Line - Qual é a importância da Encíclica Laudato Si’ na convergência de esforços para mitigar as mudanças climáticas? Como deve ser a repercussão da Encíclica no encontro da COP 21, em dezembro, em Paris?
Moema Miranda - Estamos a poucos meses da COP 21 emParis. A Encíclica Laudato Si’ chega — em termos políticos — a tempo de contribuir com o avanço dos debates internacionais, bem como nacionais, sobre as medidas que devem ser tomadas no campo das mudanças climáticas. As organizações da sociedade civil têm denunciado como os processos oficiais estão distantes de decisões relevantes que alterem o curso “que parece suicida” (LS 55) de aumento do aquecimento global. Na Encíclica, o Papa identifica, em consonância com este entendimento, que “as cúpulas mundiais sobre o meio ambiente dos últimos anos não corresponderam às expectativas, por que não alcançaram, por falta de decisão política, acordos ambientais globais realmente significativos e eficazes” (LS 166).
Hoje as causas humanas das mudanças climáticas, assumidas com total clareza na Laudato Si’, têm aceitação praticamente consensual entre cientistas e organizações da sociedade civil. Apesar disso, os mecanismos governamentais, internacionais e nacionais, para a tomada de decisões efetivas, têm se demonstrado dramaticamente ineficazes. A causa principal encontra-se na captura dos debates pelos interesses das grandes corporações, que têm cada vez maior influência sobre os sistemas políticos.
Papa, especialmente a partir da Laudato Si’, assume uma posição de destaque, sendo o único líder com expressão internacional a afirmar a necessidade de enfrentar as causas reais do aquecimento global, indo além de soluções “superficiais”. Neste contexto, muitas das denúncias e críticas que vêm sendo feitas por organizações populares, pastorais e movimentos ambientalistas e sociais há anos, ganham uma nova dimensão
Revelações pela visão sistêmica
Pela crescente popularidade e expressão social que o Papa adquiriu, sua intervenção chamará atenção para aspectos essenciais: denunciando as “falsas soluções” ou as “soluções superficiais” (LS 54); defendendo propostas que respeitem as “responsabilidades comuns porém diferenciadas” (LS 170); considerando a “dívida ecológica” dos países do Norte (LS 51); indicando a necessidade de superar o uso de energias fósseis (LS 26); exigindo que se imponham limites claros aos padrões de consumo hegemônicos: “devemos aceitar um certo decréscimo do consumo nalgumas partes do mundo” (LS 193).
Finalmente, a Encíclica, ao apresentar uma visão sistêmica (“tudo está ligado com tudo”, (LS 16), reconhece que “não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise socioambiental”(LS 139). Este reconhecimento coincide com o que os movimentos sociais tinham afirmado já no Fórum Social Mundial de 2009, em Belém, ao denunciar a “crise de civilização”.
A consequência desta perspectiva é que, como afirma o Papa, “convém evitar uma concepção mágica do mercado, que tende a pensar que os problemas se resolvem apenas com o crescimento dos lucros das empresas ou dos indivíduos. Será realista esperar que quem está obcecado com a maximização dos lucros se detenha a considerar os efeitos ambientais que deixará às próximas gerações?” (LS 190).
Há, portanto, da perspectiva da Encíclica, a necessidade de superar o sistema baseado na “cultura do descarte” (LS 22), o que implica uma revisão profunda do modelo econômico, social e cultural hegemônico. A Laudato Si’ apresenta-se, assim, como documento com enorme capacidade de influenciar o debate e de contribuir para ações mais coordenadas no enfrentamento das causas do aquecimento global. No entanto, não devemos esperar que esta seja uma batalha fácil! Os oponentes são extremamente poderosos!
IHU On-Line - Como está sendo a recepção desse documento entre os pesquisadores e ambientalistas? A senhora participou de encontros e discussões sobre o documento (inclusive no Vaticano). O que tem surgido a partir dessas discussões?
Moema Miranda - No começo de julho, em Roma, o Pontifício Conselho de Justiça e Paz [1], em cooperação com aCoordenação das Agências Católicas para o Desenvolvimento - CIDSE, organizou um importante seminário sobre a Encíclica. Contou com a presença de aproximadamente 180 pessoas de mais de 20 países. Entre eles, organizações ambientalistas, movimentos populares e pastorais sociais. A avalição comum sobre a Encíclica foi extremamente positiva.Naomi Klein [2], ativista e jornalista canadense, por exemplo, disse que “agora o Vaticano elevou o nível do debate”, abrindo possiblidades de avanços efetivos nas discussões sobre clima.
Mary Robinson [3] afirmou que “a Encíclica é muito melhor do que esperávamos”. Pablo Solón [4], reconhecido ambientalista boliviano, escreveu: “a Encíclica sobre o Cuidado da Casa Comum é um chamado a reconhecer que todos somos parte de uma família universal e a viver em comunidade com nossa Madre Terra”[5] . Estas opiniões, comuns ao representante da Via Campesina [6] e a outros líderes presentes, indicam a avaliação positiva que a Encíclica vem encontrando na sociedade civil organizada. Sem dúvidas, isto se deve ao fato de que efetivamente ela recolhe inúmeras das perspectivas e propostas elaboradas ao longo de anos de mobilização e luta. 
O Papa promoveu um primeiro encontro com movimentos sociais em julho do ano passado. Não foi um encontro banal. Percebe-se claramente que houve uma escuta séria e respeitosa da voz, tantas vezes silenciada, criminalizada, perseguida ou desqualificada dos que lutamos por um “outro mundo possível”.
Ausência feminina
No entanto, foi identificada uma grande e lamentável ausência na Encíclica: trata-se do papel e do lugar das mulheresem todo este debate. Sabemos bem que a pobreza tem gênero, raça e geração. As mulheres estão entre as pessoas mais pobres em todo o mundo. São também as mulheres, especialmente aquelas vivendo em situação de pobreza, as que pagam o preço mais alto pelas mudanças climáticas que afetam as vidas de suas famílias. A elas cabe extra-trabalho quando há problemas com a água, a terra, o aumento das doenças, entre tantos outros efeitos.
As mulheres são ativas militantes nos movimentos sociais e ambientais, nas pastorais sociais, nas organizações populares e de base. As feministas, camponesas, indígenas, quilombolas, moradoras de favelas, jovens artistas, entre tantas outras, estão organizadas. Elas defendem direitos, formulam propostas. É uma grande pena que sua voz, seupapel essencial nas lutas socioambientais e sua vitimização não tenham sido evidenciadas e valorizadas na Encíclica.
IHU On-Line - Em quais aspectos esse documento papal dialoga e problematiza as principais constatações e concepções científicas e antropológicas de nosso tempo? Em que medida a Encíclica questiona e problematiza o antropocentrismo que caracteriza a vida na Terra?
Moema Miranda - A Encíclica Laudato Si’ é histórica por muitos de seus aspectos. Certamente, entre estes, destaca-se o fato de ser o primeiro documento pontifício a adotar uma perspectiva sistêmica, holística, como chamou atençãoRoberto Malvezzi [7], da Comissão Pastoral da Terra - CPT [8]. Após dois mil anos de dualismo, pela primeira vez umaperspectiva sistêmica e integrada é afirmada com tanta clareza em um documento da Igreja: “tudo está interligado com tudo” (LS 16). É de grande importância, neste sentido, o parágrafo 98: “Jesus vivia em plena harmonia com a criação […]. Não Se apresentava como um asceta separado do mundo ou inimigo das coisas aprazíveis da vida […]. Encontrava-Se longe das filosofias que desprezavam o corpo, a matéria e as realidades deste mundo. Todavia, ao longo da história, estes dualismos combalidos tiveram notável influência nalguns pensadores cristãos e desfiguraram o Evangelho.” (Grifo da entrevistada)
A partir daí, abre-se uma fundamental e bem posicionada possibilidade de diálogo com abordagens sistêmicas desenvolvidas pelas chamadas ciências do sistema terra, que envolvem a física, a química, a biologia, entre outras. Já na Introdução da Encíclica, o Papa afirma seu “objectivo de assumir os melhores frutos da pesquisa científica  atualmente disponível, deixar-se tocar por ela em profundidade e dar uma base concreta ao percurso ético e espiritual seguido.”(LS 15)
Crítica à tecnociência 
Por outro lado, a Encíclica apresenta uma dura crítica à “tecnociência”, quando aliada aos interesses financeiros e de mercado: “é preciso reconhecer que os produtos da técnica não são neutros, porque criam uma trama que acaba por condicionar os estilos de vida e orientam as possibilidades sociais na linha dos interesses de determinados grupos de poder. Certas opções, que parecem puramente instrumentais, na realidade são opções sobre o tipo de vida social que se pretende desenvolver.” (LS 107)
Partindo destas premissas, a Laudato Si’ desafia o lugar que comumente atribuímos à espécie humana na cultura ocidental. Ao adotar uma perspectiva sistêmica, reconhece que somos parte da comunidade da vida: “nós mesmos somos terra (cf. Gên. 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.” (LS 2)
A inspiração sistêmica sustenta a crítica explícita ao “antropocentrismo exacerbado” e à desmedida relação humana com os bens comuns. O antropocentrismo é identificado como uma  das principais causas do aumento da pobreza, bem como da crise ambiental, em todas as suas dimensões. Laudato Si’ também compreende a crítica ao antropocentrismo do ponto de vista teológico e espiritual. 
Perspectiva espiritual
No entanto, reconhece que, embora hegemônica, esta perspectiva não é compartilhada por todos. Identifica, por um lado, na espiritualidade de São Francisco de Assis uma ruptura significativa com o modelo dominante. São Francisco não deve ser compreendido como um romântico, amante dos lobos e dos passarinhos. Sua espiritualidade inspira a “fraternidade universal” como consequência do reconhecimento do valor intrínseco de todas as criaturas. A natureza, ou o mundo criado, não tem valor apenas pelo uso que definimos a partir dos interesses humanos, mas são em si valiosos e, como tal, devem ser cuidados.
Mais ainda, a espiritualidade franciscana combina grande respeito por todos os seres humanos com a mesma atitude em relação à criação: “a pobreza e a austeridade de São Francisco não eram simplesmente um ascetismo exterior, mas algo de mais radical: uma renúncia a fazer da realidade um mero objecto de uso e domínio.” (LS 11) A Encíclia reconhece, por outro lado, que muitas culturas indígenas negam e resistem ao antropocentrismo utilitarista e, por isto, os povos indígenas assumem protagonismo na defesa de seus territórios frente ao avanço do capital e da mercantilização da vida. Nesse sentido, vale a pena ler com especial atenção o parágrafo 146.
Finalmente, mas não menos importante, ao adotar a perspectiva sistêmica, a Encíclica reconhece a Terra como ser vivente, criatura que se expressa, e não apenas fonte inerte de “recursos naturais”, ao dispor do ser humano. Assim, afirma que a Terra, “esta irmã, clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la.”(LS 3, grifo da entrevistada). A voz da terra, somada à voz dos pobres, se torna fonte de denúncia das injustiças a um tempo ambientais e sociais do modelo de desenvolvimento hegemônico. A “profecia da terra” reassume lugar de destaque. A Terra ferida e os pobres despossuídos são protagonistas de processos de luta e de transformação.
IHU On-Line - Em que medida o debate suscitado pela Encíclica e as descobertas científicas que demonstram a mudança climática apontam para a necessidade de se repensar o paradigma do progresso sob o qual vivemos?
Moema Miranda - Considero que a maior dificuldade para a adoção de medidas efetivas em relação ao aquecimento global, e a outros aspectos dramáticos da crise socioambiental, está no fato de que suas origens, sua raiz, se situa no coração do modelo de desenvolvimento capitalista. A lógica do crescimento econômico ilimitado em um planeta limitado é, inegavelmente, “suicida”. O consenso científico em relação às ações humanas como principal fator do aquecimento global foi atingido com enorme disputa. Como ativistas e estudiosos indicaram, as grandes corporações lideram lobbies extremante fortes para desqualificar as pesquisas científicas e alcançaram grande êxito. Hoje, segundo as pesquisas de opinião, a maior parte dos americanos considera que o aquecimento global é uma inverdade.
Com todos os limites, os relatórios do IPCC [9] que vinculam ação humana e aquecimento global ganharam, ao longo dos anos, consistência e contam com apoio quase absoluto da comunidade científica. A Encíclica assume de forma clara e explícita este entendimento: há um sistema econômico e cultural que gera, simultaneamente e de forma interligada, a pobreza de muitos e a extrema riqueza de poucos; que produz desigualdade e concentração de riqueza e poder; que degrada e destrói o ambiente e as condições de vida sobre a Terra. Este sistema se baseia em uma “cultura do descarte” e supõe que a natureza seja mera fonte de recursos a ser utilizada de forma irresponsável e sem cuidado pela parte da humanidade beneficiada. Portanto, “há vencedores e vencidos não só entre os países, mas também dentro dos países pobres, onde se devem identificar as diferentes responsabilidades.” (LS176)
Em distintos momentos e com ênfases específicas, a Encíclia subscreve uma leitura crítica do crescimento econômicocomo sinônimo de progresso e, de um ponto de vista mais profundo, cultural e espiritual, afirma com lucidez: “se reconhecermos o valor e a fragilidade da natureza e, ao mesmo tempo, as capacidades que o Criador nos deu, isto permite-nos acabar hoje com o mito moderno do progresso material ilimitado. Um mundo frágil, com um ser humano a quem Deus confia o cuidado do mesmo, interpela a nossa inteligência para reconhecer como deveremos orientar, cultivar e limitar o nosso poder.”(LS 78)
IHU On-Line - Sob quais aspectos é preciso se pensar em responsabilidades diferenciadas e historicamente definidas entre os países? A partir da divulgação desse documento, em que aspectos os países ricos são diretamente incitados a agir de modo diferente em termos de modelo de produção e desenvolvimento?
Moema Miranda - A partir do que foi dito até aqui, já podemos perceber como o Papa identifica as responsabilidades diferenciadas dos países do Sul e do Norte nas causas do aquecimento global. No entanto, sabemos que o princípio das “responsabilidades comuns, mas diferenciadas”, consagrado a partir da Rio 1992 [10], no marco da Convenção-quadro da Nações Unidas sobre Mudanças do Clima [11] (UNFCCC, para a sigla em inglês), está sob forte ataque nasnegociações internacionais sobre clima. 
Neste sentido, a Laudato Si’ presta uma enorme contribuição ao debate, ao reafirmar e reconhecer, no parágrafo 170: “É verdade que há responsabilidades comuns, mas diferenciadas, pelo simples motivo — como disseram os bispos da Bolívia — que “os países que foram beneficiados por um alto grau de industrialização, à custa duma enorme emissão de gases com efeito de estufa, têm maior responsabilidade em contribuir para a solução dos problemas que causaram”. Ao assumir em um documento pontifício a declaração dos bispos da Bolívia, país que desempenhou papel relevante nos debates internacionais, o Papa contribui, sem dúvida, para que os governos dos países do Sul sejam fortalecidos nos debates internacionais.
O contraponto com as responsabilidades dos países do Norte é parte desta mesma lógica. São chamados a ocupar um lugar de maior responsabilidade. Como foi afirmado anteriormente, isto implica alterações profundas não apenas nos padrões políticos, mas em formas de vida marcadas pelo sobreconsumo, pelo acúmulo e pelo desperdício, o que implica não apenas os governos, mas também a parte privilegiada da população dos países do Norte.
O Papa reconhece a gravidade dos desafios: “A política não deve submeter-se à economia, e esta não deve submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia. Pensando no bem comum, hoje precisamos imperiosamente que a política e a economia, em diálogo, se coloquem decididamente a serviço da vida, especialmente da vida humana. A salvação dos bancos a todo o custo, fazendo pagar o preço a população, sem a firme decisão de rever e reformar o sistema inteiro, reafirma um domínio absoluto da finança que não tem futuro e só poderá gerar novas crises depois duma longa, custosa e aparente cura.” (LS 189)
IHU On-Line - Em que sentido se pode dizer que uma mudança de modelo de desenvolvimento passa longe das grandes decisões econômicas e financeiras, relegando o tema ambiental a um plano secundário? Nessa lógica, como é possível se contrapor ao poderio financeiro das corporações e do mercado como um todo, que termina por sobrepujar decisões políticas e, por conseguinte, posturas no cuidado com a vida na Terra?
Moema Miranda - Os movimentos sociais e ambientais em todo o mundo têm denunciado de forma contundente e dramática como a hipertrofia do mercado, subordinando todas as dimensões da vida econômica, social e cultural, dos desejos e sonhos, é nociva e desruptiva. A Encíclica nos permite aprofundar a crítica ao modelo, na mesma direção, acrescentando aspectos importantes. “O problema fundamental é (…) ainda mais profundo: o modo como realmente a humanidade assumiu a tecnologia e o seu desenvolvimento juntamente com um paradigma homogêneo e unidimensional. Neste paradigma, sobressai uma concepção do sujeito que progressivamente, no processo lógico-racional, compreende e assim se apropria do objeto que se encontra fora. Um tal sujeito desenvolve-se ao estabelecer o método científico com a sua experimentação, que já é explicitamente uma técnica de posse, domínio e transformação. É como se o sujeito tivesse à sua frente a realidade informe totalmente disponível para a manipulação.” (LS 106)
Por tudo que foi exposto, fica claro que não se pode esperar que as empresas ou o mercado sejam capazes de se autolimitar. A captura dos sistemas políticos pelos interesses do capital aumentam ainda mais os desafios presentes. Esta lógica domina tanto nos planos nacionais quanto na dimensão internacional, nas cúpulas governamentais e no sistema ONU.
Cultura do Consumo
A Encíclica, no entanto, alerta também para aspectos que se vinculam ao padrão de desejo de consumo, hegemônico no planeta.  Afirma o Papa: “A consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa traduzir-se em novos hábitos. Muitos estão cientes de que não basta o progresso actual e a mera acumulação de objectos ou prazeres para dar sentido e alegria ao coração humano, mas não se sentem capazes de renunciar àquilo que o mercado lhes oferece.”(LS 209, grifo da entrevistada)
Esta percepção implica no que chama de “revolução cultural”, aliada à necessidade de “conversão ecológica”. Em países onde parte imensa da população está submetida a padrões indignos de pobreza, há que lutar ativamente para que todos tenham acesso a todos os direitos e a condições de vida digna. No entanto, o aumento do consumo — e o desejo de consumo — deve ter limites. 
Limites — palavra que o mercado odeia, porque o atinge no coração — que se impõem por um lado, pela própria natureza limitada do planeta. Mas limites que também se vinculam à valorização de uma perspectiva antropológicamultidimensional. O Papa é, neste sentido, profético e desafiante: “A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora. Não se trata de menos vida, nem vida de baixa intensidade; é precisamente o contrário. (…) A felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim disponíveis para as múltiplas possibilidades que a vida oferece.” (LS 223). 
Encíclica em movimento
Encíclica Laudato Si’ é, sem dúvida, um documento a ser lido, relido, meditado. Acredito que será tanto mais impactante quanto mais for apropriada pelos movimentos sociais, ambientais, pastorais, comunidades e por todos os que lutam por um mundo de justiça e paz. Ela permite e exige processos profundos que implicam na nossa relação com o mundo, com uma dimensão pessoal, que considero incontornável. Finalmente, estimula que esta seja uma caminhada cheia de esperança: “Caminhemos cantando; que as nossas lutas e a nossa preocupação por este planeta não nos tirem a alegria da esperança.” (LS 244). Que assim seja!
Por Márcia Junges e João Vitor Santos
Notas:
[1] O Pontifício Conselho Justiça e Paz (Pontificium Consilium de Iustitia et Pace): organismo da Cúria Romana que tem em vista fazer com que no mundo sejam promovidas à justiça e a paz, segundo o Evangelho e a Doutrina Social da Igreja. Aprofunda a Doutrina Social da Igreja, empenhando-se por que ela seja amplamente difundida e posta em prática junto dos indivíduos e das comunidades, especialmente no que se refere às relações entre operários e empresários, a fim de estarem cada vez mais impregnadas do espírito do Evangelho. Recolhe notícias e resultados de pesquisas sobre a justiça e a paz, sobre o progresso dos povos e as violações dos direitos humanos, avalia-os e, segundo a oportunidade, comunica aos organismos episcopais as conclusões deduzidas. Ainda favorece as relações com as associações católicas internacionais e com outras instituições não católicas, que se empenham pela afirmação dos valores da justiça e da paz no mundo. (Nota da IHU On-Line)
[2] Naomi Klein (1970): jornalista, escritora e ativista canadense. A carreira de escritora de Klein começou com contribuições ao jornal The Varsity na Universidade de Toronto, escrevia sobre feminismo. Em 2000 publicou No Logo (em português Sem Logo - A Tirania das Marcas em Um Planeta Vendido), que para muitos se transformou em um manifesto do movimento antiglobalização. O livro traz efeitos negativos da cultura consumista e as pressões impostas de grandes empresas sobre seus trabalhadores. Em 2002 publica Fences and Windows (em português Cercas e Janelas), uma coleção de matérias escrita por ela sobre o movimento antiglobalização no mundo como movimento zapatista e os protestos contra OMC e FMI. Em 2004 Klein e o marido Avi Lewis fizeram um documentário chamado The Take onde contam sobre os trabalhadores autônomos na Argentina. Klein também escreve regularmente para os jornais The Nation, In These Times, Canada's The Globe and Mail, This Magazine e The Guardian. Em outubro de 2005 esteve em 11ª lugar na enquete sobre os intelectuais de 2005 promovida pela Revista Prospect. (Nota da IHU On-Line)
[3] Mary Robinson (1944): política irlandesa. Entre os anos de 1969 a 1989 participou da Câmara Alta do Parlamento e, em 1988, foi co-fundadora do Centro Irlandês para as Leis Européias. Nos anos 1990 foi eleita presidente da Republica da Irlanda, sendo a primeira mulher e a primeira personalisdade de esquerda a ocupar o cargo. Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Mary Robinson fundou a EGI (Iniciativa Ética Global). (Nota da IHU On-Line). Helmut Schmidt (1918): economista e ex-político do Partido Social-Democrata (SPD) Alemão, desde 1946. Foi Chanceler da Alemanha de 1974 a 1982, tendo atuado como ministro de Relações Exteriores. (Nota da IHU On-Line). Shimon Peres (1923): Político israelense. Foi primeiro-ministro de Israel nos períodos de 1984 a 1986 e 1995 a 1996, e co-fundador do Partido Trabalhista israelense, em 1968. Em junho de 2007 foi eleito presidente de Israel. (Nota da IHU On-Line)
[4] Pablo Solón Romero: foi embaixador do Estado Plurinacional da Bolívia junto à Organização das Nações Unidas a partir de fevereiro de 2009 a julho de 2011. Ele é o filho do famoso boliviano muralista Walter Solón Romero Gonzáles. Atualmente é diretor executivo da Focus on the Global South , com sede em Bangkok. (Nota da IHU On-Line)
[5] Em artigo publicado no Boletim Tunapa, n. 98, da Fundação Solón, distribuído no encontro (Nota da entrevistada)
[6] Via Campesina: organização internacional de camponeses composta por movimentos sociais e organizações de todo o mundo. A organização visa articular os processos de mobilização social dos povos do campo em nível internacional. (Nota da IHU On-Line)
[7] Roberto Malvezzi - “Gogó” (1953): graduado em Estudos Sociais e em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras de Lorena, em São Paulo. Também é graduado em Teologia pelo Instituto Teológico de São Paulo. Em janeiro de 1980, incorporou-se nas Pastorais Sociais da Diocese de Juazeiro, tendo sido Coordenador Nacional por aproximadamente seis anos da Comissão Pastoral da Terra - CPT. Lutou contra o regime militar, na defesa dos direitos das populações realocadas em razão da barragem de Sobradinho, na luta pela convivência com o semiárido. É escritor e compositor. (Nota da IHU On-Line)
[8] Comissão Pastoral da Terra (CPT): órgão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, vinculado à Comissão Episcopal para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz e surgido em 22 de junho de 1975, durante o Encontro de Pastoral da Amazônia, convocado pela CNBB e realizado em Goiânia. (Nota da IHU On-Line)
[9] IPCC - Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática: órgão das Nações Unidas responsável por produzir informações científicas em três relatórios que são divulgados periodicamente desde 1988. Os relatórios são baseados na revisão de pesquisas de 2.500 cientistas de todo o mundo. O documento divulgado pelo IPCC em fevereiro de 2007 afirmou que os homens são os responsáveis pelo aquecimento global. Sobre o tema, a IHU On-Line nº 215 produziu uma edição especial, intitulada Estamos no mesmo barco. E com enjoo. Anotações sobre o relatório do IPCC. O sítio do IHU tem dado ampla cobertura ao tema. No endereço eletrônico (www.ihu.unisinos.br), podem ser acessadas entrevistas sobre o assunto. (Nota da IHU On-Line)
[10] Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento: encontro realizado entre os dias 3 e 14 de junho de 1992, na cidade do Rio de Janeiro, Brasil. O evento, que ficou conhecido como ECO-92 ou Rio-92, fez um balanço tanto dos problemas existentes quanto dos progressos realizados, e elaborou documentos importantes que continuam sendo referência para as discussões ambientais. (Nota da IHU On-Line)
[11] Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima: é um tratado internacional que foi resultado da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, informalmente conhecida como a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em 1992. O tratado não fixou, inicialmente, limites obrigatórios para as emissões de gases de efeito estufa e não continha disposições coercitivas. Em vez disso, garantia disposições para atualizações (chamados "protocolos"), que deveriam criar limites obrigatórios de emissões, dos quais o mais conhecido é o Protocolo de Quioto. (Nota da IHU On-Line)

fonte: http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/544553-laudato-si-a-perspectiva-sistemica-que-atualiza-o-debate-ambiental-entrevista-especial-com-moema-miranda