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Tuesday, 15 April 2014

A pegada Ecológica e São Pedro de Joselândia: compreensão preliminar



São Pedro de Joselândia, 23 de fevereiro de 2014.  
Giseli Dalla Nora           

                Este relato de pesquisa se refere à expedição de campo realizada pelo grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte – GPEA da Universidade Federal de Mato Grosso, realizados nos dias 20 a 23 de fevereiro de 2014.
                A comunidade de São Pedro de Joselândia fica localizada ao sul do município de Barão de Melgaço sendo, na época da cheia (novembro a maio) quase totalmente alagada ficando com dificuldade de acesso ao local devido ao nível das águas. Segundo dados da Secretaria de Planejamento do Estado de Mato Grosso – SEPLAN, o município de Barão de Melgaço é o 4º município com menor índice de desenvolvimento Humano em 2010 (tabela 01).
                O objetivo dessa atividade de campo é compreender o modo de vida da comunidade de São Pedro de Joselândia observando a Pegada Ecológica. O WWF-Brasil, uma organização não-governamental que tem chamado os brasileiros a pensar na conservação da Natureza, e aponta o conceito de Pegada Ecológica como uma tentativa de medir as “marcas”, “pegadas”, de acordo com a forma que consumimos. (BORBA, 2007).
                Nesse sentido, realizou-se entrevistas com alunos do ensino fundamental e ensino médio sobre o consumo em São Pedro de Joselândia. Foram entrevistados 27 alunos do Ensino Fundamental e Ensino Médio da Escola Estadual Maria Silvina Peixoto de Moura. Destes 27, 21 alunos eram do Ensino fundamental e 06 do ensino médio. Sendo 16 meninas entrevistadas e 11 meninos da faixa etária de 12 a 18 anos.
                Durante a entrevista perguntou-se sobre os problemas ambientais que eles conheciam na comunidade e a maior parte das respostas se referia ao lixo, ao desmatamento, as queimadas, ou seja, os alunos da comunidade de São Pedro de Joselândia percebem como problema ambiental o lixo, o desmatamento e as queimadas. Problemas apontados pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente como os mais graves e mais recorrentes no estado de Mato Grosso.
                Quando perguntados sobre o que eles poderiam fazer para ajudar a diminuir estes problemas ambientais vários se prontificaram a melhorar o destino do lixo, vendo a melhor forma de acondicionar o lixo, outros apontaram que poderia ser com campanhas de conscientização de consumir menos, energia, produtos e carne. Além de cobrar do poder público, ações que ajudem na preservação e conservação ambiental.
                Como integrante da pesquisa o tema das mudanças climáticas globais também esta em voga, deixando claro que o fenômeno das mudanças climáticas esta em evidencia e atingirá a todos de maneira direta  ou indireta. Quanto ao tema mais de18 alunos já ouviram falar em mudanças climáticas e 09 nunca ouviram falar. Os 18 alunos que ouviram falar tiveram acesso a informação pela televisão e também na escola.
                Durante a entrevista, perguntou-se também como é o clima de São Pedro de Joselândia e mais de 80% das afirmações é que o clima de São Pedro de Joselândia é quente. E para outros é fresco sendo agradável para todos. Perguntou-se  também se eles ouviram comentários se o clima de São Pedro de Joselândia  tinha mudado e a maior parte das repostas se referia que sim, os alunos entrevistados perceberam uma mudança no clima da comunidade. Para mais de 50% são Pedro era mais frio, e chovia mais e o que chamou a atenção é que seis entrevistados não souberam dizer se o clima mudou. Apontando o que Tuan nos afirma que “compreender o que as pessoas sentem sobre espaço e lugar, considerar as diferentes maneiras de experenciar (sensório-motora, tátil, visual, conceitual) e interpretar o espaço e lugar como imagens de sentimentos complexos.”  (TUAN,1983. p. 7)
                Quando indagou-se aos alunos como eles imaginariam São Pedro de Joselândia se diminuísse a água nos rios e não tivesse cheia, se faltasse agua nas casas, vários afirmaram que seria impossível viver mas a maior parte afirmou que acabaria a natureza e seria muito ruim e muito triste.
                A pesquisa continuou caminhando frente aos aspectos da pegada ecológica e perguntou-se aos alunos se eles achavam que se comia muita carne em São Pedro de Joselândia e 24 dos 27 entrevistados disse que sim. E outro ponto abordado se referia a diminuição do consumo de carne e a maior parte dos entrevistados disse poderia diminuir o consumo de carne por causa dos problemas de saúde que o excesso de carne provoca, poderiam aumentar o consumo de peixe, mas salientaram também que para diminuir o consumo de carne deve-se diminuir a produção de gado, forte atividade econômica da comunidade.
                A produção de carne no estado de Mato Grosso preocupa com consta no documento  “Mato Grosso em Número 2013” lançado pela Secretaria de Planejamento do estado de Mato Grosso – SEPLAN.
Em 2012, o Estado foi responsável por 16,18% do abate de bovinos do país. O aumento no número de confinamentos, melhoria de pastagens, maiores  áreas para a agricultura e melhoria do manejo  reprodutivo e alimentar são  fatores  responsáveis pelo crescimento da atividade no Estado (IMEA-2013).  Essas melhorias tecnológicas tem seu reflexo no setor industrial, onde os frigoríficos  vem aumentando tanto a  sua  capacidade de abate como também  a  industrialização e exportação da carne bovina.


                Ao se deparar com esta realidade a pesquisa buscou compreender como as mudanças climáticas são sentidas pelas populações tradicionais através de entrevistas com os alunos e continuara a investigar tal temática com os professores e também com os idosos.

Referências Bibliográficas
BORBA, Mônica Pilz . Pegada ecológica: que marcas queremos deixar no planeta?  Brasília: WWF-Brasil, 2007.
SEPLAN – Secretaria de Planejamento do Estado. Mato Grosso em Números 2013. Edição 2013. Cuiabá. 2013.
TUAN, Yi-Fu. Espaço e Lugar: a perspectiva da experiência. São Paulo: Difel, 1983.
TUAN, Yi-Fu. Topofilia: um estudo da percepção, atitudes e valores do meio ambiente. São Paulo: Difel, 1980.
TUAN, Yi-Fu A Geografia Humanística. In: CHRISTOFOLETTI, A. (Org.). Perspectivas da Geografia. São Paulo: Difel, 1982. Cap. 7, p. 143-164.
TUAN, Yi-Fu Paisagens do medo. São Paulo: Unesp, 2006.


Thursday, 10 April 2014

Herman - Relato ClimBAP-INAU

Este é nosso relato da experiência de pesquisa de campo em São Pedro de Joselândia, pertencente ao município de Barão de Melgaço/MT no pantanal mato-grossense, se insere numa pesquisa de caráter qualitativo sobre as "Manifestações artísticas e os processos de etnoaprendizagem nas comunidades de áreas úmidas" que, por sua vez, pertence ao escopo do projeto "Ciência na Reinvenção Educomunicativa". Tem como objetivo investigar o estado da arte dos saberes e fazeres intrínsecos ao universo da viola-de-cocho no pantanal mato-grossense supondo-se que:
  • Há condições e contextos muito específicos no recorte temporal e territorial que referem e são referidos desde a confecção deste instrumental musical (unicidade, univocidade, unidade...) até os momentos em que ele é requerido como suporte às manifestações artísticas de caráter religioso em que pese a indissociabilidade entre sacro e profano;
  • Estas condições e contextos têm sido modificados ao longo do tempo, mas principalmente nos últimos 60 anos por conta de profundas modificações ecossistêmicas face às pressões do capitalismo que, por sua vez, se manifesta na perda do direito à cidade conforme preconiza Lefebvre (1969).
A metodologia utilizada nesta investigação é de cunho fenomenológico (MERLEAU-PONTY, 1971) e implica em mergulhos e diálogos junto às pessoas ligadas ao universo da viola-de-cocho, sobretudo em relação à percepção de, ao menos, dois processos em trânsito neste saber-fazer. O primeiro de caráter estritamente educativo que implica numa pedagogia musical da qual já temos algumas notícias tanto na literatura (CONDE; NEVES, 198[4]; PRASS, 1996; ARROYO, 1998; OLIVEIRA, 2009) quanto em relação a nosso informante Galasso. O segundo, relativo à percepção sobre Trabalhos Ecossistêmicos de Cultura e Provisão na medida em que seus elementos constituintes estejam em franca e rápida modificação em virtude das Mudanças Climáticas.

Cabe ressaltar que a separação entre o ambiente educativo e o ambiente ecossistêmico (chamemos assim) foram separados neste primeiro momento apenas para efeito de entendimento do que está em jogo, não havendo separação real entre a pedagogia musical do saber-fazer (confecção e execução) da viola-de-cocho e os trabalhos ecossistêmicos que ela implica.
Em relato de campo anterior, aventamos a hipótese (que vai se confirmando) acerca da pressão dos sistemas urbanos sobre a ruralidade e que, em virtude da hegemonia de uma lógica capitalista, vem aos poucos perdendo espaços simbólicos e naturais. Entre outros motivos, mas evidentemente em virtude do isolamento territorial, São Pedro de Joselândia é provavelmente um dos refúgios de formas de saber, conhecer e fazer que remontam à pré-modernidade e onde se revelam relações sustentáveis numa perspectiva comunitária e das relações que se constroem no enredamento da comunidade: comunicação, compartilhamento de códigos que implicam numa observância mais estrita da linguagem para a estabilidade da comunidade (BAUMAN, 2003). Ora, se atentarmos para alguns pontos dos Trabalhos Ecossistêmicos veremos que os elementos constituintes do bem-estar humano (MILLENNIUM ECOSYSTEM ASSESSMENT, 2005) apontam para:

  • Segurança;
  • Materiais básicos para uma boa vida;
  • Saúde; e
  • Boas Relações Sociais.
Ainda que os sistemas urbanos pressionem fortemente a comunidade é possível perceber índices que resistem na perspectiva da re-existência de Porto-Gonçalves (2004) e que se traduzem na manutenção da temporalidade e de um sentido de identidade em relação com o lugar, portanto também em manutenção de continuidade de uma territorialidade (HAESBAERT, 2005). Neste caso, territorialidade subjacente ao valor de troca enquanto relação simbólica e de significados entre sujeito e lugar, lembrando que essas relações não são exatamente estáveis nem homogêneas, mas variam em função da forma como cada indivíduo percebe e recepciona os sistemas urbanos aventados acima.
Esses sistemas urbanos podem ser observados em pequenas modificações de comportamento, por exemplo, na medida em que Cururu e Cururueiros perdem a primazia e centralidade da festa (pra não dizer a univocidade) para dar lugar ao "baile". Ora, num passado não muito distante (20 a 30 anos), a festa era realizada apenas com viola de cocho, ganzá e adufe[1], com cururu e siriri. Esta relação estaria intimamente associada ao catolicismo popular e ao domínio de beatos, padres leigos, tiradores de reza enquanto herdeiros de tradições medievais pré-modernas (LE GOFF, 1996). A perda deste status ocorre concomitante à dessacralização da natureza onde os trabalhos ecossistêmicos nas comunidades biorregionais (SATO, 2005) são mais sentidos e mais intrínsecos. Até onde esta pesquisa alcança, em termos metodológicos e epistemológicos, não há nenhuma possibilidade de ferir um trabalho ecossistêmico e seus elementos constituintes isoladamente, ou seja, sem que uma cadeia de modificações se opere entre si, ainda que a perda possa ser maior ou menor em cada grupo, elemento ou situação específica.
Se a viola-de-cocho apenas estivesse inserida em determinado espaço e tempo como mero objeto ela não participaria ativamente das dinâmicas que a cercam, mas seria apenas e tão somente um estar ali sem possibilidades de alcançar e, portanto, constituir-se como e no ali-agora de Benjamin (2012). Oras, há um elemento vivo no objeto, que é tomado de empréstimo pelos sujeitos que o empunham, do e no próprio contexto espaço-temporal e que o aproxima de um aqui-agora aurático na perspectiva de Benjamin (2012). Se pudermos criar uma analogia entre o "aqui-agora" de Benjamin e a educação ambiental no viés antropofágico oswaldiano será possível observar de maneira bastante crítica e eficaz a maneira como se constituíram ou mesmo ainda se constituem os processos de dessacralização da natureza, enquanto ruptura das condições relacionais humano-natureza dentro do sistema de troca-dádiva (MAUSS, 2001).


[1] Instrumentos musicais da ordem dos: cordofones, idiofones e membranofones, respectivamente. Geralmente fabricados por pessoas das comunidades ligadas às manifestações artísticas citadas aqui e que são, por óbvio, sujeitos desta pesquisa. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ARROYO, Margarete. Representações sociais sobre práticas de ensino e aprendizagem musical: um estudo etnográfico entre congadeiros, professores e estudantes de música. Tese submetida como requisito parcial para obtenção do grau de Doutor em Música. Porto Alegre: UFRGS, 1999.

BAUMAN, Zygmunt. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Trad.: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003.

BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. 1 reimpr. Porto Alegre: Zouk, 2012.

CONDE, Cecília; NEVES, José Maria. Música e educação não-formal. Pesquisa e Música: Revista do Centro de Pós-Graduação do CBM. Rio de Janeiro, v.1, n.1, pp.41-52, 1984/85.

HAESBAERT, Rogério. Da Desterritorialização à Multiterritorialidade. In: X Encontro de Geógrafos da América Latina, 2005, São Paulo. Anais do X Encontro de Geógrafos da América Latina, 2005. p. 6774-6792.

LEFEBVRE, Henri. O direito à cidade. São Paulo: Editora Documentos, 1969.

LE GOFF, Jacques. História e memória. 4ª ed. Tradução de Bernardo Leitão et. al. Campinas: UNICAMP, 1996. Título original: Storia e memória.

MAUSS, Marcel. O ensaio sobre a dádiva. Rio de Janeiro: Edições 70, 2001.

MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da percepção. São Paulo, Martins Fontes, 1971.

Millennium Ecosystem Assessment, 2005. Ecosystems and Human Well-being: Synthesis. Island Press, Washington, DC.

OLIVEIRA, Herman Hudson de. Aprendizagem musical na Dança do Congo do Quilombo Mata Cavalo/MT. In: SOUZA, Cássia Virgínia Coelho de. Percursos da Música: múltiplos contextos de educação.1 ed. Cuiabá: EdUFMT, 2013, p. 113-130.

PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. O desafio ambiental. Rio de Janeiro: Record, 2004. (Coleção Os porquês da desordem mundial. Mestres explicam a globalização).

PRASS, Luciana. Saberes musicais em uma bateria de escola de samba: uma etnografia entre os Bambas da Orgia. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004.

SATO, Michèle. Biorregionalismo. In: FERRARO, L. (Org.) Encontros e caminhos - Formação de educadores(as) ambientais e coletivos educadores. Brasília: Diretoria de Educação Ambiental, MMA, 2005.

WISNIK, José Miguel. O som e o sentido. Uma outra história das músicas. 2º Ed. 5ª reimp. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

Monday, 10 March 2014

Elizete Gonçalves - Relato de Pesquisa- Climbap


Começo de conversas

A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar.
Eduardo Galeano

As travessias que fizemos para chegar a Comunidade de São Pedro de Joselândia, distrito de Barão de Melgaço, despertou deslumbramentos pela águas pantaneiras, pela paisagem, pelos pássaros e pelas pessoas. A comunidade pantaneira com seus olhares, falas, sonhos e dificuldades desperta a curiosidade pela sutileza das cheias e vazantes do Pantanal, de gente simples e trabalhadora que vive sua temporalidade de acordo com o caminhar das águas, a terra que se mistura com a água e forma o barro, as bacias.
Nossa ida a comunidade de São Pedro de Joselândia se deu no dia 21 de fevereiro de 2014, logo depois de passarmos um dia (20/02) na Base Avançada de Pesquisa da UFMT em Porto Cercado na Reserva  Particular do Patrimonio Natural RPPN/Sesc Pantanal. Onde realizamos uma expedição de barco pelo rio, para reconhecimento e contemplação das águas pantaneiras e animais, acabamos por visualizar algumas aves, macacos.
A pesquisa realizada pelo GPEA/UFMT, com as pessoas da comunidade possibilitam a expressão da sua cultura, olhares, saberes, pedir ajuda  e esperanças de dias melhores para seus filhos através da pesquisa, das entrevistas, das conversas que interagem entre pesquisadores e sujeitos.
E a Educação Ambiental traz a oportunidade do caminhar pesquisador frente a interação humano-ambiente, da sensibilidade, do empoderamento politico e dos saberes populares com a ciência. De saberes que conectam-se com o saber cientifico quando estes reconhecem similaridades, diferenças e valores.

 Relatos e Vivências na Comunidade de São Pedro de Joselândia

Para saber um pouco mais da comunidade e da Escola, fizemos uma roda de conversas com os alunos do Ensino Médio, por volta de 21 jovens, a dizerem o que entendiam de ser Jovem e Ambiente, e  a relatar suas vivências. No inicio um pouco timidos, realizei dinâmicas de interação com o grupo, primeiro cada um dizia o seu nome e o nome dos colegas que falaram antes dele/dela e os apresentavam. E depois uma dinâmica para deixar o grupo a vontade, e mesmo assim mostravam-se relutantes de expressar suas ideias e sentimentos pela oralidade. Então fomos para a escrita, e conseguiram desenvolver suas ideias e relatar suas vivências.
            Começamos com a chuva de ideias (brainstorming) para conceituar Jovem e Ambiente e vieram ideias, frases, palavras como esta: “ser jovem é ter um corpo bonito”, “ter disposição para fazer as coisas”, “viver bem”, “ter beleza”, “casa”, “natureza”, “verde” e a intenção era que tod@s falassem das suas ideias. A partir da chuva de ideias, começamos com a “Oficina de Futuro” (Brasil, 2012), método utilizado por grupos de jovens que trabalham com a temática “Juventude e Meio Ambiente”, que consiste nas etapas diagnóstica de “árvores dos sonhos”, “pedras no caminho” e o Jornal Mural: viagem ao passado e ao presente; e a construção de um projeto coletivo para a Escola. Como a Escola já tem a Comissão de Qualidade de Vida e Meio Ambiente (Com-vida), não me atei a chegar na construção de um projeto coletivo pelos estudantes presentes, foi mais na intenção de conversar, relatar, conhecer, compreender os sonhos, os dilemas, a história da comunidade pela voz dos jovens.  Geralmente os jovens, não conseguem ter espaços de voz e protagonismo, e os jovens de Joselândia me revelaram que na propria Escola, pouco são ouvidos e pró-ativos nas pendências escolares. A oficina foi um momento aos jovens presentes do Ensino Médio de relatarem sonhos e dificuldades do cotidiano da escola e comunidade. E colocaram caminhos para os sonhos e alavancas para moverem as pedras.
Escritas dos jovens[1] a partir da  pergunta “Quais são os seus sonhos para a Escola e a Comunidade?
*      Meu sonho para a Escola é fazer uma quadra poliesportiva. E para a Comunidade uma praça e um posto de saúde;
*      O meu sonho para a minha Escola é que os alunos ajudem no cuidado da escola e não risquem a parede. E para a comunidade, eu queria um salão de festas, para fazer formaturas, aniversários, etc;
*      Um sonho para a Escola é ter uma quadra de futebol e uma sala de música. O sonho para a Comunidade é ter uma delegacia de Policia, ter um posto de gasolina;
*      O sonho é melhorar os quadros e as salas de aula. Para a Comunidade ficar melhor, precisamos de caminhão de lixo e outros;
*      Meu sonho é ter uma quadra de basquete. Para todos que quiserem jogar e aprender. Seria perfeito para a Comunidade saber que nesta Escola tem uma quadra de basquete para seus filhos jogarem;
*      O meu sonho para a Escola é que reforme e façam uma quadra na Escola. Para a comunidade é que faça um Campo de Aviação melhor, façam uma praça, e antenas de celulares, etc;
*      Na Escola mais estrutura, mais Educação. Queria que tivesse internet total. Torres da vivo, claro e tim etc. Na comunidade precisam de telefone, aqui não tem linha de telefone;
*      Uma quadra de futebol;
*      Bom para a Escola no momento a Reforma. Já para a Comunidade no momento a melhora das estradas;
*      Meu sonho para a minha Escola é que tivesse uma quadra etc. E meu sonho para a Comunidade é ter uma estrada melhor e também uma delegacia etc.;
*      Meu sonho é que na Escola tenha sala de informática para nós aprendermos melhor sobre computadores, e também melhores professores para dar aulas com capacidade de aprendermos melhor. Na Comunidade praças, ruas melhores, antenas de celular, posto de saúde;
*      Meu sonho para a Escola é fazer uma quadra. Na nossa comunidade é ter uma praça e  um Posto de Saúde melhor;
*      Meu sonho é que a Escola tivesse uma piscina, para podermos divertir, tomar banho e fazer um monte de coisas;
*      O meu sonho para a Escola é ter uma quadra para a gente se divertir; E para a Comunidade é ter asfalto para a estrada ficar melhor;
*      Desejo uma quadra para nós os alunos iria ser muito bom, se tivesse uma quadra na escola;
*      O meu sonho para a Escola é uma quadra de futebol. E para a Comunidade precisa de uma estrada segura e asfaltada, para a comunidade chegar na cidade;
*      Uma quadra de futebol para nossa Escola, para ter alguma diversão na Escola;
*      Meus sonhos: uma quadra iria ajudar bastante, por que a gente tem que fazer Educação Fisica no sol, e uma quadra iria ajudar bastante. Para a Comunidade uma praça;
*      Para a Escola eu achava que devia ter uma quadra ajudaria os alunos a ter mais diversão e tranquilidade e eu acho que todos ficariam felizes. E um Hospital decente;
*      Para minha escola eu queria uma quadra, uma sala de informática. Por que aqui na nossa Comunidade não tem nada disso, tem a sala de informática, mas não é suficiente para todos e também falta muita merenda na escola.

E depois perguntei “Quais as pedras no caminho para os nossos sonhos”?

*     O problema que atrapalha é a falta de dinheiro e falta de união;
*     É dinheiro;
*     As pedras no caminho que ficam nos sonhos é a prefeitura e outras pessoas etc.;
*     Bom as pedras no caminho são a falta de mais recursos para a nossa Comunidade e para a Escola. Recursos como: mais profissões na comunidade;
*     O que atrapalha esse sonho é a falta de dinheiro, a falta de união e a falta de um prefeito melhor;
*     As pedras no caminho é que não temos telefone aqui;
*     O que atrapalha é quase tudo, a estrada, os recursos etc.;
*     Na minha opinião a educação tem que melhorar um pouco para que não nos prejudique no futuro. Mas não estou dizendo que está ruim o nosso aprendizado;
*     Eu acho que tem de melhorar muitas coisas como a Educação e muitas outras coisas. Como ter uma faculdade para que os alunos quando terminar os estudos, não precisem ir para Cuiabá fazer faculdade;
*     O problema que atrapalha nós conseguirmos o que queremos é a falta de dinheiro, humanidade, prefeito que preste, estrada. Na escola falta comida, materiais;
*     O que atrapalha é que as condições financeiras são muito poucas;
*     Aqui tem muito pouco de dinheiro, por isso;
*     O problema é que os diretores nunca tem verbas;
*     A economia da Escola que é baixa;
*     Para a quadra na Escola dinheiro e um prefeito que nos ajude, e para a praça dinheiro e prefeito não ajuda;
*     O que atrapalha é a falta de dinheiro da Escola e falta de pessoas qualificadas dirigindo o governo;
*     O que atrapalha é a falta de união, há muita desunião, brigas, ninguém confia em ninguém.

            Em relação a etapa do Jornal Mural- viagem ao passado e presente, os jovens sentiram muitas dificuldades para escrever e falar sobre a História da Comunidade e da Escola, e da própria cultura. Conseguiram esboçar fragmentos como festa de São Pedro, que os primeiros habitantes do  lugar eram os índios, que comiam carne de gado, revirado, que há cheias e seca no pantanal. E terminamos por avaliar a oficina com três perguntas:
*      Que bom!! J
*      Que tal!!!! K
*      Que pena!!!! L
Não sei se por recato, e timidez com a pesquisadora, conseguiram expressar que gostaram da oficina, de poderem falar o que pensam, de mudarem a formação das cadeiras na aula, e das dinâmicas. E quando indaguei do que poderia melhorar na oficina, do que não foi bom, houve apenas silêncios.




Fig. 1 Oficina “Juventude e Ambiente” com alun@s do Ensino Médio da E.E. Maria S. Peixoto Moura.


Considerações Finais

Se os sonhos podem ser traduzidos como vida real, é possível, pois, inverter a ordem e compreender que a vida é também tradução do sonho. (SATO E PASSOS, 2006, p. 20).

A caminhada passageira pela comunidade de São Pedro de Joselândia imprimiu-me olhares pantaneiros, o deslumbramento com as águas pantaneiras e seus seres vivos a incluir os humanos.  A pesquisa do GPEA na comunidade encanta na construção coletiva, na interação e respeito com a comunidade, e promove caminhos sustentavéis que impulsinam os sonhos da comunidade e dos próprios pesquisadores.




[1] Correções ortográficas foram feitas para melhor compreensão dos textos dos jovens. 


Referência Bibliográfica

Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Formando Com-vida, Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola : construindo Agenda 21 na escola / Ministério da Educação, Ministério do Meio Ambiente. - 3. ed., rev. e ampl. – Brasília : MEC, Coordenação-Geral de Educação Ambiental, 2012.


SATO, M.; PASSOS, L. A. Pelo prazer fenomenológico de um não-texto. GUIMARÃES, M. (Org.) Caminhos da educação ambiental – da forma à ação. São Paulo: Papirus, 2006.