Monday, 3 June 2013

Universitários multiplicam consciência ambiental

jc
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Universitários multiplicam consciência ambiental
 
Alunos recuperam rio, plantam mudas e executam projetos interdisciplinares em defesa do meio ambiente. Reportagem de O Globo


Entre os vários projetos do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima), da PUC, estudantes de diversas áreas trabalham pela preservação do Rio Rainha, que corta o bucólico campus na Gávea, e produzem adubo com folhas que caem das árvores. Na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), alunos de Engenharia Florestal recebem centenas de pessoas para ensinar a preservar e plantar mudas, dentro do projeto PET Floresta. Já na Universidade Federal Fluminense (UFF), estudantes de uma empresa júnior criaram a Caneca Verde, para substituir o uso de copos plásticos no campus.

A relação dos universitários com a natureza do local onde estudam vai muito além de estudar à sombra das árvores. Há um mundo de projetos ambientais funcionando dentro dessas instituições. São iniciativas transformadoras, nas quais os estudantes absorvem noções de sustentabilidade que vão levar para o mercado.

O objetivo do Nima, criado há 13 anos, é promover o diálogo entre as iniciativas ambientais dos diferentes cursos. No projeto "Águas da Gávea", por exemplo, alunos de Direito, Geografia, Engenharia e de outras faculdades atuam na recuperação e preservação do Rio Rainha. Estudante do 4º período de Administração, Felipe Albo, de 22 anos, é estagiário do Nima e acompanha os aspectos financeiros dos projetos.

- Essa experiência mudou meus hábitos. Hoje, eu separo o lixo e até cultivo alimentos em casa - conta Felipe.

Ano passado, a PUC inaugurou a Estação de Educação Ambiental, erguida para ser um centro de sustentabilidade aberto a todos os cursos. Projetado com ajuda de alunos de Design e Arquitetura, a casinha tem uma horta sobre o telhado e aproveita a iluminação natural. Um dos projetos desenvolvidos no local é o sistema de compostagem, no qual as folhas que caem das árvores são usadas como adubo.

- Cinco toneladas de folhas vão para o lixo todo mês após a varredura. A ideia é manter esse material no campus, melhorando as condições do solo, poupando o aterro e eliminando a emissão de gás carbônico com o transporte - explica o professor Luiz Felipe Guanaes, diretor do Nima.

Um dos objetivos é também disseminar essas práticas ambientais para além dos muros da universidade. Na Rural, o projeto PET Florestas reúne 18 alunos de Engenharia Florestal. Eles recebem até cem estudantes por período, de crianças a adultos, para oficinas num horto dentro do campus, em Seropédica. Os visitantes aprendem a plantar mudas e a preservar as matas nativas.

- Depois dessa atividade, as pessoas passam a ver a produção de mudas com outros olhos e até como uma fonte de renda. Mostrar caminhos como esse é um dos papéis da universidade - defende o aluno Henos Carlos, bolsista do projeto.

Há iniciativas interessantes também no horto da UFRJ. De lá, saem por mês até 14 mil mudas, que servem aos jardins do campus, na Ilha do Fundão, e são utilizadas em programas de reflorestamento. O local abriga ainda projetos de cultivo sustentável e de educação ambiental.

Um dos frequentadores assíduos é o estudante Daniel Tota, de 22 anos, do 6º período de composição paisagística. Ele é estagiário do setor paisagístico da Prefeitura Universitária e pesquisa as espécies mais adequadas para os jardins do campus.

- Priorizamos exemplares da Mata Atlântica e outros também apropriados ao ecossistema. É uma forma de preservar as espécies e promover o equilíbrio ambiental do campus - comenta ele.

Na UFF, os alunos miram no mercado sem perder a consciência. Um grupo de 22 estudantes de diferentes engenharias administram a Agrha Consultoria, uma empresa júnior que presta serviços externos e internos, na área ambiental. Um dos trabalhos é o projeto Caneca Verde.

- Vamos distribuir canecas a todos os estudantes que frequentam os bandejões. Cuidamos da aquisição e distribuição do material e das campanhas de conscientização - conta a diretora-presidente da Agrha, Gabriela Cortes, que está no 7º período do curso de Engenharia Agrícola e Ambiental. A expectativa é implementar a proposta até o fim de 2013, eliminando o uso de até oito mil copos descartáveis por dia

A vontade de adotar um cotidiano sustentável é uma marca da nova geração, mas é preciso estimular isso. O recém-criado Núcleo de Estudos em Sustentabilidade e Gestão de Excelência, vinculado à Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas, da FGV, é um passo nesse sentido. Entre os trabalhos já realizados estão a capacitação de catadores de lixo e o mapeamento de populações ribeirinhas da Amazônia.

- Queremos que os alunos não busquem apenas o lucro pelo lucro. Ser administrador é ser responsável pela sociedade como um todo - afirma o coordenador do núcleo, Hélio Arthur Reis Irigaray.

(Eduardo Vanini / O Globo)
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