Saturday, 24 August 2013

A apocalíptica Fukushima

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A apocalíptica Fukushima

130818-Fukushima
Indícios apontam que, diaramente, cerca de 300 toneladas de água contaminada com estrôncio-90, trinta vezes mais perigoso do que o césio 137, estejam vazando no Oceano Pacífico
Por Taís González
O governo japonês assumiu, na última semana, que mais de 300 toneladas de água altamente contaminada estão escorrendo para o Ocenano Pacífico todos os dias e há quase dois anos e meio, quando um terremoto causou o tsunami que devastou parte do litoral do Japão. Os níveis de contaminação nas águas subterrâneas aumentaram desde maio, embora as autoridades não sejam capazes de identificar a causa ou o local exato do vazamento. Especialistas confirmam que a radiação atingiu o lençol freático.
Tokyo Electric Power Company (Tepco), responsável pela restauração do complexo de usinas atômicas Fukushima Daiichi e pela reparação dos danos causados pelo acidente nuclear, iniciou esforços para lidar com a crise. Apesar de ter divulgado que conseguiu controlar a radioatividade no local, recentemente trabalhadores depositaram produtos químicos no solo perto dos edifícios do reator, em uma tentativa de evitar que as águas escoassem em direção ao mar. E ao fim da última semana, a companhia começou a bombear água subterrânea contaminada para um poço recém-construído.
O governo japonês afirma tomar medidas firmes para conter o vazamento. A proposta é construir uma parede de resfriamento (ou congelada) subterrânea para evitar o acumulo de água nos porões dos reatores. Para resfriar a parede, canos refrigeradores serão instalados perpendicularmente ao solo. O novo sistema estará em torno de quatro dos seis reatores da usina, com uma extensão de 1,4 quilômetros e até 30 metros de profundidade. A técnica é aplicada na construção de túneis, mas nunca foi testada antes. Devido ao grande consumo de energia e aos custos de manutenção, o muro de proteção é uma alternativa cara e de longo prazo.
O primeiro-ministro, Shinzo Abe, pediu que o ministro da Indústria apoie a empresa na luta contra os vazamentos. Pela primeira vez, o dinheiro de impostos será utilizado para conter as consequências do acidente nuclear. O valor inicial em discussão é de 40 bilhões de ienes, o equivalente a mais de 900 milhões de reais.
Emergência sem fim
Para o presidente do Institute for Energy and Environmental Research (IEER), Arjun Makhijani em entrevista ao PBS Newshour, ainda não está claro como governo japonês e Tepco irão resolver a situação. “É muito, muito incerto para mim como eles poderão alcançar este combustível fundido, extraí-lo do fundo destes edifícios altamente danificados e armazená-lo ou eliminá-lo de maneira segura ou menos perigosa”.
Quão perigosa é a água do subsolo de Fukushima? Makahijani diz que, se uma pessoa beber dela por um ano, ela terá cancêr. Quando perguntado sobre o que ocorre quando o estrôncio radioativo atinge o mar, o presidente do IEER responde: “Bem, quando ele vai para no mar, é claro, parte irá se dispersar e diluir no oceano. Outra parte vai parar no sedimento marinho e outra será absorvida pela vida no mar. Se grávidas comerem os peixes contaminados, ou beberem da água contaminada, os resultados poderiam ser piores do que o câncer, porque a criança terá um sistema imunológico comprometido e irá tornár-se mais vulnerável a todos os tipos de doenças”.
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