Saturday, 3 August 2013

O compromisso de José Medeiros

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Fotografia documentalFotojornalismo — 1 de agosto de 2013 às 13:59

O compromisso de José Medeiros

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Dois mil e treze tem se mostrado um ano afortunado para José Luis Medeiros. Começou com uma participação marcante na décima edição do Leica-Fotografe: logo em sua estreia no concurso, ficou em segundo na categoria Cor e terceiro na PB. No próximo mês, embarcará para os Estados Unidos, onde participará da exposiçãoBrazilian Photojournalists, ao lado de fotógrafos que esse sul-mato-grossense de 40 anos tem como referência: nomes como Walter Firmo, Orlando Brito e Custódio Coimbra integram o projeto, cuja foto de divulgação é justamente de José Medeiros.
Este ano também ele está finalizando o livro O Pantanal de José Medeiros, projeto que abarca dez anos de trabalho. Deve ser lançado no começo do ano que vem. E ainda retomou a prática de documentar os povos indígenas do Mato Grosso. Apenas documentar, não: José está ensinando jovens ikpeng a fotografar – e a encontrar nisso meio de vida –, esforço que ele não pensa abandonar até que tenha conseguido: “Nem que eu chegue aos 90 anos”, afirma.
Natural de Campo Grande (MS), José Medeiros vive em Cuiabá (MT) desde 1996. Começou sua trajetória aos dezesseis anos, como laboratorista no Correio do Estado, de Campo Grande. Em Cuiabá, já como fotógrafo, trabalhou no Diário da Serra, no Diário de Cuiabá e como freelancer para a Folha de S. Paulo e outros veículos.
Como vive cerca de 100 quilômetros do Pantanal, José documenta sistematicamente a região. Porém, seu interesse recai sobre as pessoas, e é disso que trata O Pantanal de José Medeiros: a preocupação de registrar o fim de um ciclo, das velhas tradições, canções e rezas que pertencem aos mais antigos e não despertam interesse nos mais jovens, por isso correm o risco de desaparecer. O fotógrafo procura fazer sua parte contra essa inevitável corrente: além de fotos, recolhe depoimentos em áudio, grava as músicas, convive com as pessoas. Segundo ele, o Pantanal não permite uma relação superficial: “Você acaba se envolvendo”, diz.
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José Medeiros: “Você não larga o Pantanal” (foto: Lucas Ninno)
Com esse mesmo espírito ele desenvolve o projeto Já fui floresta, que teve algumas imagens expostas no mês de junho deste emblemático ano em Portugal.
Sua relação com os povos indígenas começou quando ele realizou uma reportagem para a Caros Amigos, sobre o suicídio de guaranis no Mato Grosso do Sul. Mais tarde, participou de um projeto de educação indígena, fazendo o levantamento fotográfico de dezoito aldeias. De convívio, já se vão vinte anos, o que o tornou algo como um especialista, sempre procurado quando o assunto são os índios do MT, estado que abriga mais de 40 etnias.
Já fui floresta aborda a questão indígena do ponto de vista dos desafios em se adaptar ao mundo globalizado. Para o fotógrafo, a maior dificuldade está no paternalismo das ações que lhes são destinadas: “Eles são preparados para serem dependentes da gente. Não estão preparados para este mundo nosso”, argumenta.
Novamente, José tem feito sua parte. Ele está ensinando jovens das aldeias ikpeng, no Xingu, a fotografar. Trata-se de um projeto-piloto, de dois anos, que ele espera estender a outras aldeias. Porém, para viabilizá-lo, Medeiros vai precisar de apoio. Por isso, instituiu a campanha “Adote um índio”, para obter kits com câmeras, acessórios e computador para seus oito alunos. No momento, a prefeitura de Feliz Natal, próxima de onde vivem os ikpeng, se comprometeu a bancar um kit, além de ajudá-lo com as despesas de viagem, que somam várias horas de voo e de navegação.
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Em outubro, os pupilos de José Medeiros terão seu primeiro desafio: fotografar os jogos indígenas do estado. Os planos do professor, porém, vão além: “O desafio maior ainda é uma exposição na Copa, com imagens gigantes com o olhar deles, eles mostrando para o mundo a forma como veem a floresta”. E, quem sabe no futuro, ter alguns bons fotógrafos indígenas no mercado. Aptidão, ele atesta, os garotos têm. “Eles absorvem muito rápido essa informação”, observa o obstinado fotojornalista, cujo sonho é ajudar a construir um modelo de aldeia sustentável que possa ser aplicado a todas as etnias. “É difícil”, reconhece, “mas estou fazendo a minha parte”.
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