Tuesday, 16 October 2012

Relatório avalia mídia em oito países, Brasil incluso

observatório da imprensa
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed716_relatorio_avalia_midia_em_oito_paises_brasil_incluso


DÉCADA DE MUDANÇAS

Relatório avalia mídia em oito países, Brasil incluso

16/10/2012 na edição 716
Tradução e edição: Larriza Thurler
   
O relatório “Ten Years that Shook the Media World” (10 anos que sacudiram o mundo da mídia, tradução livre), divulgado semana passada pelo Instituto Reuters para o Estudo de Jornalismo, mostra que, mesmo depois de mais de uma década de mudanças dramáticas na mídia, o que estamos vivendo é apenas o começo de um período mais longo de transição.
O documento, cuja produção foi financiada pela Open Society Foundations, analisa seis democracias com população com alto poder aquisitivo (Finlândia, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e EUA), assim como duas economias emergentes (Brasil e Índia). Juntos, esses países representam 30% da população mundial e mais da metade da população dos países democráticos.
Desafios com as novas tecnologias
Ao longo da última década, a tendência mais importante é a contínua expansão do número de opções disponíveis para audiências e anunciantes. Ainda assim, formas de mídia tradicionais, especialmente a TV, dominam o consumo de mídia, atraem uma proporção maior de anúncios e sustentam a maioria da criação de conteúdo – especialmente no que se refere a notícias.
Tudo isso deve mudar, com profundas implicações para a mídia como a conhecemos hoje. Até mesmo em regiões com níveis mais altos de acesso à internet, como a América do Norte e a Europa setentrional, a vasta maioria das atividades de jornalismo profissional continua a ser financiada por organizações de mídia tradicionais e por receita oriunda de plataformas offline. O surgimento de novas tecnologias representou, no entanto, uma profunda mudança no modo como comunicamos, interagimos e aprendemos sobre o mundo. Em muitos casos, grupos midiáticos emblemáticos, como as redes americanas ABC, CBS e NBC, e a brasileira Globo, viram-se diante do desafio de readaptar suas práticas jornalísticas e de negócios.
Na falta de grandes inovações, as pernas comerciais do jornalismo profissional tendem a erodir na maior parte do mundo ocidental, na medida em que a mídia tradicional entra em declínio – ou afasta-se da notícia – e poucos empresas que existem somente online encontram modelos sustentáveis para produção de notícias. Enquanto novas plataformas digitais criaram novas oportunidades para interação, sociabilidade, compartilhamento e busca, não está claro que esse seja um ambiente propício para o jornalismo profissional.
Expansão da mídia popular no Brasil e na Índia
No Brasil, e especialmente na Índia, o desenvolvimento econômico e a expansão da classe C impulsionaram o crescimento da mídia. O estudo indica que nesses dois mercados, levando em consideração suas diferenças, devem ser observados no futuro uma contínua fragmentação da audiência com um maior número de veículos (o caso Rede Globo é uma exceção, com a TV Globo detendo 49% deshare de mercado em 2009); empresas jornalísticas tradicionais voltadas para a elite enfrentando os mesmos problemas das democracias ricas, ainda que em um ambiente com um número cada vez maior de jornais populares; e um nivelamento parcial das diferenças no consumo de notícias e nos níveis de conhecimento político, com veículos tendo uma audiência maior e mais diversa.
Em economias emergentes, e com a expansão da mídia popular, pela primeira vez, milhares de pessoas estão tendo acesso a notícias feitas para elas. Isso representa uma profunda democratização dos sistemas de mídia em termos de diversidade e alcance. No Brasil, a tiragem dos veículos impressos cresceu na última década, mas a população aumentou ainda mais rápido. Assim, de 2000 a 2009, a circulação per capita caiu 7%. Essa imagem de relativa estabilidade mascara algumas mudanças dramáticas na estrutura da indústria. “Houve uma transformação vigorosa no Brasil; 30 milhões de pessoas subiram na escala social e agora buscam por informação. São pessoas que eventualmente começaram a assinar uma revista, um jornal, uma TV a cabo... Os jornais populares são talvez o exemplo mais simbólico disso”, relatou Jorge Duarte, conselheiro especial da Secretaria de Comunicação da Presidência da República.
Para Sérgio D'Avila, editor-chefe da Folha de S. Paulo (que perdeu o título de jornal de maior circulação do país para o tabloide Super Notícias, em 2010), não há nenhum estado ou cidade importante sem um jornal popular com crescimento significativo. A estagnação na tiragem da Folha e o crescimento do Super Notíciastambém reforçam a mudança na indústria jornalística.
Jornais brasileiros eram moldados em parte pela tradição jornalística do sudeste europeu, com ênfase em análises longas e debate, voltados para uma audiência urbana, educada e de elite. “Nossos jornais sempre foram elitistas”, observa o professor aposentado Venício A. de Lima, da Universidade de Brasília, colunista deste Observatório. Isso vem mudando ao longo da última década, com o lançamento de jornais populares e sensacionalistas, voltados para classes que se beneficiaram do crescimento econômico e das políticas do governo Lula.
Em 2000, tabloides representavam um terço da tiragem total e jornais do país. Em 2009, saltaram para a metade. Enquanto títulos como FolhaO GloboEstado de S. Paulo, enfrentam desafios como os de democracias ricas, tabloides como Super NotíciasExtra Meia Hora crescem cada vez mais.
Internet ainda não é ameaça
No Brasil e na Índia a infraestrutura de internet (principalmente de banda larga) ainda é muito menos desenvolvida do que nas democracias ricas. A telefonia móvel está cada vez mais disseminada, mas poucos têm internet nos celulares. Isso significa que apenas os jornais destinados às elites urbanas enfrentam desafios relacionados à web que são tão pronunciados nos EUA e na Europa Ocidental.
Mais de 100 milhões de brasileiros ainda não são usuários de internet. Para um futuro previsível, a mídia no Brasil ainda é predominantemente de transmissão de TV terrestre, em geral um celular e jornais impressos. A internet ainda não matou os jornais no Brasil e na Índia, e seu papel no recente declínio da mídia impressa foi muitas vezes exagerado.
Mídia regional
A imprensa regional brasileira continua a sofrer claramente com conflitos de interesse, com muitos diários de propriedade direta ou indireta de famílias locais, com muitos interesses particulares e políticos. A propriedade concentrada, em especial o papel do conglomerado de mídia Globo, que já favoreceu candidatos em sua cobertura, levanta preocupações. Antonio Carlos Magalhães, até sua morte em 2007, é uma ilustração poderosa desse tipo de “coronelismo de mídia”. Ele foi por três vezes governador e três vezes senador da Bahia, ao longo de uma carreira de 50 anos que se estendeu em governos militares e democráticos, e manteve seu poder em parte pela propriedade do segundo maior jornal da Bahia, de uma afiliada da TV Globo e diversas emissoras de rádio.
A publicidade do setor público é usada algumas vezes para promover uma agenda partidária do governo, mas pode também influenciar a cobertura por conta da importância econômica para as empresas de mídia. “Em mercados muito pequenos do interior do Brasil, se a prefeitura detém de 30% a 40% da publicidade de um jornal, é óbvio que ele passará por pressões para sobreviver. Não há chance para ser independente, honesto”, disse Marcelo Rech, diretor-geral do grupo RBS.
Confira o estudo, em PDF, neste link. Informações do Reuters Institute [11/10/12].

SBPC BUSCA POPULARIZAR A CIÊNCIA NA EDUCAÇÃO E NA SOCIEDADE BRASILEIRA

sbpc - revista de ciência
http://www.sbpcpe.org/index.php?dt=2012_10_12&pagina=noticias&id=07751


 Sexta-feira, 12 de Outubro de 2012
SBPC BUSCA POPULARIZAR A CIÊNCIA NA EDUCAÇÃO E NA SOCIEDADE BRASILEIRA
Fonte: JC e-mail 4599, de 08 de Outubro de 2012.
A edição de sábado (6) do programa Globo Universidade destacou o trabalho da SBPC na área da educação e popularização da ciência.

Uma instituição que reúne os maiores cientistas brasileiros de todas as áreas: biológicas, exatas, humanas e tecnológicas. Quem ouve o nome da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) pode achar que ela está muito distante do seu dia a dia, mas não está. A entidade não apenas promove a expansão e o aperfeiçoamento do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia (C&T), como também contribui para a difusão e popularização da ciência na educação e na sociedade brasileira.

"A SBPC está sempre pautando novas direções para onde o Brasil pode ir na educação e na ciência. O ensino da ciência nas escolas não é motivador, contextualizado. É muito pouco experimental e mais decoreba. Mas aqueles que rompem essas barreiras ajudam o país a melhorar seu perfil dentro do mundo científico", declara Helena Nader, atual presidente da SBPC.

Fundada por um grupo de cientistas em 1948, em São Paulo, a SBPC congrega cerca de 105 sociedades científicas afiliadas e mais de 6 mil sócios, entre pesquisadores, professores universitários, estudantes e amigos da ciência.

Anualmente, a SBPC realiza diversos eventos nacionais e regionais, com o objetivo de debater políticas públicas de ciência e tecnologia, difundir os avanços nas diversas áreas do conhecimento e mostrar para as pessoas como a ciência está inserida no cotidiano, desde a produção de energia elétrica até a reciclagem de lixo doméstico. "O que mostramos nesses congressos é que ela está próxima da sociedade, e não é a figura excêntrica do Professor Pardal, do desenho do Tio Patinhas", explica Helena.

Eventos da SBPC - Dentre os eventos realizados pela SBPC, descata-se a Reunião Anual, que a cada ano ocorre em uma cidade diferente. Para os pesquisadores doutores, há uma programação específica em cada área, com conferência, mesas redondas e simpósios. "Há raras exceções de não-doutores, como os detentores de saberes tradicionais, que participam das mesas redondas", ressalta Helena.

Na reunião anual também é realizada uma exposição de ciência, tecnologia e inovação aberta e gratuita para visitantes que na edição de 2012, em São Luís (MA), contou com uma área de 7 mil metros quadrados, e cerca de 20 mil visitantes por dia. "Temos atividades voltadas para crianças e adolescentes. É uma maneira de mostrar para a sociedade o que a ciência faz e como contribui para a melhora da qualidade de vida", acrescenta.

Dentro da Reunião Anual, também é realizada a SBPC Jovem, que oferece uma programação dirigida aos estudantes dos ensinos básico e profissionalizante, como oficinas, palestras e atividades interativas. "Nesses congressos, o jovem acaba desmistificando a ciência e vendo que ele também pode fazer. Nós oferecemos a ciência como uma alternativa interessante para o jovem", observa Helena.

Temas sociais - Todas as reuniões anuais e regionais do SBPC têm temas centrais que são debatidos nas conferências ministradas pelos especialistas de cada área. Na última Reunião Anual, em São Luís, o tema foi "Ciência, cultura e saberes tradicionais para enfrentar a pobreza".

"Fomos além da pobreza financeira. Abordamos a pobreza também nas condições de informação e educação. Queremos que pessoas que saíram da miséria tenham acesso à educação, à formação e a profissões. Isso vai demorar, mas temos que discutir essas questões", explica Helena.

Educação, aliás, é um dos pontos chave para que cada vez mais jovens se interessem pela ciência. "O Brasil precisa de mais cientistas. O número aumentou nas últimas décadas de forma significativa, mas ainda fica aquém do que o país precisa. Hoje, temos por volta de 70 mil estudantes de pós-graduação, e há 20 anos tínhamos cerca de 15 mil. Isso mostra que o Brasil está tentando melhorar essa situação", conclui Helena.
(Globo Universidade)

Monday, 15 October 2012

Foto do dia

IHU
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/514511-foto-do-dia-15-10-2012


Foto do dia

Prosseguem os protestos contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira, no Pará. Indígenas assinam as petições para que a obra seja paralisada no rio Xingu, no coração da floresta amazônica. A construção começou em janeiro de 2012. Ela foi suspensa em agosto quando foi autorizada pelo STF. Segundo numerosos estudiosos, a barragem é uma verdadeira catástrofe para a população indígena de aproximadamente 40 mil pessoas que serão obrigadas a deixar o seu habitat.
Foto: STRINGER/BRAZIL/REUTERS

Sunday, 14 October 2012

henry muller

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“Amazônia Eterna” põe na telona formas de viver sustentáveis

(o)0 eco
http://www.oeco.com.br/noticias/26547-amazonia-eterna-poe-na-telona-formas-de-viver-sustentaveis?utm_source=newsletter_522&utm_medium=email&utm_campaign=as-novidades-de-hoje-em-oeco



Rio de Janeiro - 
Durante um ano, o documentarista carioca Belisário Franca e sua equipe de filmagem percorreram os rincões da Amazônia.  Eles mapearam 9 projetos  nos estados amazônicos  que conseguem aliar uma forma de renda à preservação da natureza. O trabalho resultou no documentárioAmazônia Eterna (87 minutos), que foi exibido na Rio+20 e, neste último dia 9 de outubro, estreou no Festival do Rio.

Na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, no município de Santarém, a mais de mil quilômetros de distância da capital Belém do Pará, numa floresta densa com palmeiras de 30 metros de altura, artesões locais desenvolvem um projeto de recuperação e reutilização da madeira. Esta é uma das poucas unidades de uso sustentável que tem um plano de manejo consolidado nos 600 mil hectares de área verde onde habitam cerca de três mil famílias. A reserva é rica em madeiras como sucupira, macacauba, ipê roxo e amarelo.

 

No Pará também fica a Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu, formada por descendentes de japoneses que plantam a pimenta do reino, tida como o “diamante negro” da Amazônia, além de processar frutas frescas e produzir polpa de frutas tropicais, como o cacau, o cupuaçu e o açaí, através de sistemas de agricultura sustentável .

Imagine o manejo da pesca do pirarucu, um dos maiores peixes encontrados nos rios amazônicos, podendo atingir mais de 2 metros e pesar 130 kg. Os ribeirinhos da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amaná, próximo aos municípios de Tefé e Alvarães no Amazonas, desenvolvem a pesca sustentável do pirarucu nos lagos do Pantaleão, um complexo soma 16 mil hectares em 23 lagos. Cerca de um terço da população do pirarucu não é pescada para garantir a sobrevivência do “bacalhau da Amazônia”.

“Esse filme parte de uma pergunta que a gente discute planetariamente: como a economia e a ecologia podem andar juntas? Quem tem a resposta é quem vive lá, as populações indígenas que vivem há milhares de anos e ribeirinhos há centenas de anos. Essas pessoas tem profundo conhecimento”, disse Belisário, diretor de Amazônia Eterna, a ((o))eco.

O filme abarca extração artesanal da borracha na Resex do Médio Juruá, na comunidade Carauari, no Amazonas; projetos de redução de pegada de carbono; manejo florestal em alta escala, feito pelo Grupo Orsa Florestal em território de 500 mil hectares entre Pará e Amapá; e ainda pecuária de alta tecnologia em Paragominas, o primeiro município a sair da lista negra do desmatamento por gado ilegal. Por fim,Amazônia Eterna mostra o projeto Rios Voadores, que monitora a evapotranspiração das árvores responsáveis pelo regime de chuvas na América do Sul.

“Existem 25 milhões de pessoas que vivem hoje na Amazônia brasileira, que ocupa 60% do território nacional. O filme foi feito com eles e para eles que contam a sua história”, diz Belisário.

Com um orçamento de R$ 3 milhões, a equipe de filmagem passou por 16 municípios  nos meses de junho, setembro e novembro de 2011. A bela fotografia conduz o espectador por esse mergulho na Amazônia profunda.

 

Cerca de 40 pessoas foram entrevistadas para o documentário, entre elas, especialistas como o economista Carlos Young da UFRJ, a geógrafa Bertha Becker da UFRJ, o ex-presidente do IBGE e ambientalista Sergio Besserman, além de representantes do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e entidades como IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Imazon, FAS (Fundação Amazônia Sustentável) e ISA (Instituto Socioambiental). Mas os principais atores são os seringueiros, madeireiros, pecuaristas, empresários, indígenas e ribeirinhos.

Segundo Belisário, a experiência do filme é sensorial. O espectador vai se sentir ao lado dos ribeirinhos e com o pessoal que faz o trabalho de recuperação das madeiras na floresta, garante.

Amazônia Eterna tem previsão para chegar às salas de cinema no primeiro semestre de 2013. O documentário já tem também distribuição garantida na França e na Alemanha.



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Thursday, 11 October 2012

A vida é um pote de ouro

IHU
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/514466-a-vida-e-um-pote-de-ouro

A vida é um pote de ouro

Como os bens serão produzidos, onde serão produzidos e por quem: tudo isso deverá mudar radicalmente nos próximos anos, mais uma vez. A previsão, expressa no tom confiante de quem se considera um protagonista dessa transformação, é do empresário e pesquisador Juan Enriquez. Criador do Projeto de Ciências da Vida da Harvard Business School,Enriquez investiga os impactos de pesquisas biológicas, genéticas em particular, sobre a economia; e ele calcula que esses impactos não serão discretos.
A reportagem é de Diego Viana e publicada pelo jornal Valor, 11-10-2012.

Em São Paulo para participar do Fórum de Bioeconomia organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),Enriquez descreveu alguns dos modos pelos quais a atividade econômica do século XXI poderá ser irreconhecível para os padrões atuais, principalmente nas áreas de energia, medicina e agricultura, mas não só. Já hoje, bactérias modificadas geneticamente podem ser programadas para sintetizar couro bovino. "É um excelente couro, que não tem buracos de arame farpado ou carrapatos", comenta Enriquez. Se essas bactérias forem cultivadas em moldes no formato de sapatos, o empresário antevê uma indústria calçadista em que "não é preciso matar vacas, nem mesmo alimentá-las", economizando em áreas de pasto e impasses éticos quanto aos direitos dos animais.

O pesquisador funda suas previsões numa interpretação particular da história econômica da humanidade. Nessa leitura, diz, "a riqueza vem do código". Exemplos de código são a linguagem, sobretudo a escrita; a tecnologia digital, binária, formulada em "zeros" e "uns"; e o DNA, ao qual Enriquez se refere como "código da vida". "Nos últimos 30 anos", diz o pesquisador, "o código digital provocou uma transformação econômica comparável à revolução industrial". Aqueles que perceberam a chegada da onda digital se desenvolveram e enriqueceram: daí saíram as Microsoft, Intel, Google, Yahoo e Facebook que dominam aquela que já foi chamada de "nova economia". "Naquele tempo, quem diria que Cingapura se tornaria um país tão rico? Eu não apostaria, mas foi o que aconteceu", afirma Enriquez, atribuindo o sucesso do país asiático a investimentos precoces na informática.

O "código da vida" deverá provocar um efeito semelhante, só que "a linguagem da tecnologia genética é muito mais poderosa do que a das máquinas da revolução industrial". E o avanço é bem mais veloz: depois de a humanidade se tornar capaz de ler o "código da vida", ela já conseguiu copiá-lo e agora começa a poder escrevê-lo. "Algumas das tecnologias mais promissoras surgiram há pouco mais de um mês", diz.

Nascido no México e criado nos Estados Unidos, Juan Enriquez é fundador e diretor da empresa Excel Venture Management, que identifica projetos de negócios em biotecnologia com potencial para abrir mercados de "centenas de milhões de dólares". "Somos 14 pessoas numa sala não muito grande, lidando com um mercado que será a grande fonte de novos empregos nos EUA em poucos anos."

Em sua visita ao Brasil, o empresário tratou de questões regulatórias que, segundo lhe parece, podem atrasar o desenvolvimento da bioeconomia no país. Seu exemplo preferencial é a legislação que limita as plantações de organismos geneticamente modificados, medida que considera um murro em ponta de faca. "A Argentina permite os transgênicos e sua produtividade vai crescer 3%, apesar da instabilidade política. No começo, não vai fazer diferença, mas em poucos anos o Brasil vai sentir que está ficando para trás", vaticina o empresário.

Tratando-se de modificações genéticas, Enriquez reconhece que há riscos e impasses morais, como a perigosa proximidade com a tentação da eugenia. Quando é possível escrever e ler à vontade o código genético, o passo seguinte é supor que alguém queira criar uma raça de super-humanos. Mas a hipótese não abala as convicções do pesquisador. "Já houve 29 espécies de hominídeos desde o primeiro australopiteco. É uma evolução constante. Por que devemos supor que o propósito da evolução foi chegar ao homem atual?", argumenta. "A não ser que acreditemos que o ápice evolutivo são alguns dos políticos atuais."

Em seu livro mais recente, "Homo Evolutis", escrito com Steve Gullans, também sócio da Excel Venture Management, Enriquez argumenta que a humanidade se aproxima da próxima etapa da evolução que começou com os australopitecos e atravessou 29 hominídeos. Dessa vez, porém, caberá ao próprio ser humano guiar a evolução: compõe o pacote a capacidade de insertar genes que melhorem o desempenho intelectual, aumentem a expectativa de vida e outros benefícios.

Sobre eventuais preocupações éticas, o empresário propõe uma analogia com os milhões de cirurgias plásticas realizadas anualmente no mundo. "Tenho a impressão de que algumas delas só têm finalidades estéticas." Para preocupações mais profundas, Enriquez sugere soluções legislativas: "Mudanças no código genético que sejam transmissíveis para as futuras gerações deveriam ser coibidas. Poderiam ser legais somente aquelas que combatessem doenças hereditárias."

Enriquez também é autor de um livro sobre as mudanças que a engenharia genética provoca na vida cotidiana ("As The Future Catches You") e outro sobre a possibilidade de que os Estados que compõem os EUA se separem neste século ("The Untied States of America").

Citando a teoria mais aceita sobre a origem do petróleo - que se trata de micro-organismos fossilizados -, Enriquezchama a atenção para o fato de que a fonte de energia mais poderosa que a humanidade emprega nada mais é do que luz do Sol condensada. Tecnologias atuais são capazes de produzir energia a partir de organismos vivos. No futuro, a vida poderá ser fonte de energia diretamente, segundo Enriquez, sem a necessidade de queimar fósseis ou perfurar o leito marítimo.

Diante da miríade de possibilidades oferecidas pela leitura e reescrita do "código da vida", o governo dos EUA publicou em abril um "Roteiro Nacional da Bioeconomia". No documento, são descritos mecanismos para favorecer a pesquisa biológica, a transição da pesquisa pura para o mercado e a redução de barreiras regulatórias. Enriquez não se mostra animado com a atenção governamental. "Os governos estão sempre atrasados. Quando se manifestam, têm dificuldade em reconhecer onde podem ser úteis e onde só atrapalham." Para o pesquisador, o governo deve se concentrar no fomento à pesquisa básica, arriscada demais para a iniciativa privada. Já a pesquisa aplicada caberia aos empreendedores, que tomariam a semente lançada pelos laboratórios e montariam os próprios negócios.

Desrespeitar essa separação de papéis foi o erro cometido pelos britânicos, na leitura de Enriquez. "Inventaram a penicilina, a clonagem, tantas outras biotecnologias, mas quem aproveitou isso no mercado foram empresas americanas e, agora, asiáticas", diz. O motivo é uma tendência entre europeus de pensar na pesquisa científica como um fim em si. "Tim Berners-Lee inventou a internet, mas não registrou a patente, então as grandes empresas da internet estão sediadas na Califórnia, não em Londres." O empresário estima que a renda per capita do país poderia ser 50% mais alta, não fosse essa crença na pureza científica.

Em países como o Brasil, Enriquez diagnostica uma disposição insuficiente em se abrir para novidades promissoras, no sentido inverso do apetite asiático. Uma legislação cautelosa contribui para esfriar o avanço bioeconômico no país. "Existe também uma crença exagerada nos recursos naturais, mas não são eles que importam", conclui. "Se me deixarem escolher as mil cabeças mais promissoras do Brasil, posso colocá-los numa ilha deserta e em poucos anos haverá um país rico ali."

Tuesday, 9 October 2012

Dale Carnegie




Quando uscite di casa, 
alzate il mento, 
su la testa, 
respirate profondo, 
bevetevi la luce del sole.

Salutate gli amici con un sorriso 
e mettete l'anima in ogni stretta di mano.

Non abbiate timore di venire fraintesi 
e non sprecate nemmeno
un minuto a pensare ai vostri nemici.

Pensate alle cose belle 
e positive che volete fare, 
un giorno, 
e l'occasione per coronare 
i vostri sogni vi si presenterà senza 
che neppure ve ne accorgiate.

(Dale Carnegie)

Manoel de Barros



"Tenho em mim um sentimento de aldeia e dos primórdios. 
Eu não caminho para o fim, eu caminho para as origens. 
Não sei se isso é um gosto literário ou uma coisa genética. 
Procurei sempre chegar ao criançamento das palavras. 
O conceito de Vanguarda Primitiva há de ser virtude 
da minha fascinação pelo primitivo. 
Essa fascinação me levou a conhecer melhor os índios. 
Gosto muito também de ler as narrativas dos antropólogos."

- Manoel de Barros 
em entrevista "caminhando para as origens", 
a Bosco Martins. 2007.
*

Antropofagia em cena

revista fapesp
http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/antropofagia-em-cena/


Antropofagia em cena

Com mais de 50 anos de atuação, Teatro Oficina agora faz pesquisa voltada para a intervenção urbana
GUSTAVO FIORATTI | Edição 199 - Setembro de 2012
© MARILIA HALLA
Zé Celso em cena de "A terra", de 2001, trilogia de "Os sertões": fundador do Oficina continua sempre presente
A fachada do Teatro Oficina na rua Jaceguai – uma estreita via de acesso 
à 9 de Julho no bairro do Bixiga, em São Paulo – tem a simplicidade de uma garagem. Quando a pesada porta da entrada se abre, revela-se então uma estrutura que em nada lembra a de um teatro convencional: lá dentro, uma espécie de passarela, comprida, corre por entre duas arquibancadas de aço e madeira.
Nada de cortinas, nada de palco, nada de poltronas. Quem percorre esse corredor nota um leve declive em direção aos fundos. À esquerda, ao lado de uma das arquibancadas e já no meio do percurso, uma imensa janela 
de vidro tem vista para os edifícios do bairro.
A arquiteta italiana Lina Bo Bardi projetou o espaço nos anos 1980 para que o diretor José Celso Martinez Corrêa, hoje com 75 anos, pudesse desenvolver uma linha de trabalho que tem um pé na arena grega e outro no Carnaval. Os espetáculos apresentados ali ocupam não só a passarela; costumam espalhar-se por todos os cantos. Não raro, o lugar da plateia é também o lugar da cena, e o público entra na dança.
José Celso está sempre presente, muitas vezes em cena, com cabelos brancos 
e roupas claras. “O ‘Teato’ é uma feitiçaria que engole o enfeitiçamento geral 
com que a sociedade de espetáculos, com o fetiche da mercadoria, escraviza a humanidade. Nós queremos nos ‘desvoduzar’. Trazer sopros que invertam as equações abstratas dominantes”, diz ele.
© DIVULGAÇÃO / ARQUIVO TEATRO OFICINA
O rei da vela, de 1967: pesquisa voltada para o teatro épico
O diretor grafa a palavra teatro sempre sem o “r” – ou com o “r” entre parênteses – para conjugar a sílaba “te” à palavra “ato”. Diz que ato 
e representação não são coisas iguais, ampliando o sentido da mimese, do texto decorado, para um trabalho performático com ares de celebração dionisíaca. 
A última peça do Teatro  Oficina, Macumba antropófaga, tem esse perfil: o espetáculo começava dentro do teatro e partia para a rua. Descia a rua Jaceguai e, por entre becos, casas, ruelas da vizinhança, prosseguia com atores conduzindoperformances ao som de bumbos, pandeiros e declamações.
É um momento atual do grupo, que José Celso considera fazer parte “da descoberta do teatro como intervenção urbana”. 
O que não muda é a diretriz estabelecida por uma referência fundamental: 
a obra do escritor Oswald de Andrade (1890-1954), especialmente seu Manifesto antropófago.
A redescoberta de Oswald “foi a revolução cultural mais importante da segunda metade do século XX”, diz o diretor, em referência ao movimento Tropicalista. “Ninguém o conhecida, nem Glauber [Rocha, cineasta], nem Caetano [Veloso], nem Gil [Gilberto Gil] nem o Hélio Oiticica [artista plástico]; a antena de Oswald nos ligou neste movimento definitivo de descolonização da língua, do corpo, da arte”, prossegue.
O Oficina foi fundado em 1958 por José Celso, Renato Borghi e Etti Fraser, entre outros atores. Teve uma primeira fase realista, com pesquisa fundamentada na metodologia do russo Constantin Stanislavski. Após um incêndio que destruiu o teatro por completo, o grupo encenou em 1967 O rei da vela, de Oswald. A peça marca a nova pesquisa, voltada para o teatro épico do alemão Bertolt Brecht.
© ARTHUR MAX
"As bacantes", de 1996, em reapresentação de 2010
O grupo se desfez em parte por conta da situação política – a ditadura militar leva José Celso para o exílio, após 20 dias de prisão por conta de manifestos contra o regime – e em parte por desacordos entre os integrantes. O diretor retornou ao Brasil em 1978 e se seguiu o período da retomada de seu trabalho. Retomada lenta e gradual, agora sim articulada à parceria com a arquiteta Lina Bo Bardi.
A reabertura do repertório do Oficina ocorreu em 1991, com o espetáculo As boas, com texto de Jean Genet e com Raul Cortez no elenco. Ham-let (1993), baseado na obra de Shakespeare, e As bacantes (1996), de Eurípedes, aprofundam a inspiração na mitologia grega de Dionísio, deus dos prazeres, da loucura, do vinho, do sexo. O Oficina firma seu terreno na celebração da nudez, do corpo e da carne como ponte para um gozo espiritual.
É uma linha de pesquisa que resulta em espetáculos longos, muitas vezes com até quatro horas de duração. Assim era Cacilda!, de 1998, baseada na vida e no trabalho da atriz Cacilda Becker, e a trilogia de Os sertões, adaptação da obra de Euclides da Cunha, de modo que o original era dividido em três partes: A terra, 
O homem e A luta. Houve sessões que reuniam esses três espetáculos, com mais 
de 10 horas de duração. Uma delas foi apresentada no mesmo município da Bahia onde houve o massacre de Canudos, narrado no livro de Euclides da Cunha.

A história visível

pesquisa fapesp
http://revistapesquisa.fapesp.br/2012/09/14/a-historia-visivel/


A história visível

Arquivo do Estado de São Paulo disponibiliza on-line 7 mil imagens de documentos sobre a escravidão
NELDSON MARCOLIN | Edição 199 - Setembro de 2012
© EDUARDO CESAR
Carta de 1875 dirigida ao presidente da Câmara Municipal de Belém do Descalvado, em São Paulo: acesso facilitado aos documentos
Em 1883, a apenas seis anos da abolição da escravidão, surgiu em São Paulo uma nova organização social, oficialmente reconhecida pela presidência da província. Um grupo formado apenas por mulheres fundou a Associação Protetora dos Escravos com o intuito de fazer valer as disposições contidas na lei de 28 de setembro de 1871 – depois dessa data, a chamada Lei do Ventre Livre determinava que fossem considerados libertos todos 
os filhos de escravas. Além dos fatos históricos ligados diretamente à escravidão, a criação da associação revela outra faceta social da época: sociedades como essas eram compostas muitas vezes apenas de mulheres num tempo em que elas não tinham direitos políticos, como o do voto. “Foi uma forma por elas encontrada para entrarem na grande política quando isso lhes era interditado”, 
diz o historiador Rafael Marquese, professor e pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.
É o que se pode afirmar a partir do estatuto original da Associação Protetora dos Escravos. O documento está acessível on-line junto com outras 7 mil imagens relacionadas à memória da escravidão recentemente digitalizadas pelo Arquivo Público do Estado de São Paulo (www.arquivoestado.sp.gov.br/viver/escravos). 
A coleção Escravos é um conjunto de cartas dirigidas à presidência 
da província de São Paulo, ofícios sobre investigações de tráfico negreiro, 
relações de escravos matriculados nos municípios, estatísticas 
da população escrava, entre muitos outros papéis reunidos entre 1764 e 1890.
Todo o material foi acumulado por órgãos administrativos da província paulista nesse período e reunido na década de 1950 em uma única coleção. O trabalho de organização e digitalização levou três meses ao custo de R$ 30,9 mil do Programa de Apoio ao Desenvolvimento dos Arquivos Ibero-americanos (Adai), fundo do governo espanhol para o desenvolvimento arquivístico.
© EDUARDO CESAR
Livro-caixa da cidade de Santa Branca com informações sobre alforria de escravos, de 1882
Outro documento que também desperta o interesse de estudiosos é um ofício de 26 de julho de 1886 do Ministério dos Negócios, da Agricultura, Comércio e Obras Públicas ao inspetor da Tesouraria da Fazenda de São Paulo sobre a dúvida que este último tinha a respeito da matrícula de escravos na cidade de Bananal. Alguns deles alegavam terem sido “importados” para o Brasil depois da lei de 7 de novembro de 1831, que proibiu o tráfico negreiro transatlântico. 
Ou seja, eles não poderiam ser considerados cativos. 
A ordem do ministério, no entanto, é clara: o coletor de Rendas Gerais de Bananal não deveria se negar matricular os escravos. A matrícula foi criada pelo governo para obrigar os fazendeiros a registrar o número correto de escravos de modo que pudessem constar no censo demográfico e para que se soubesse quem nasceu antes e depois da Lei do Ventre Livre.
“Mesmo com a lei de 1831, que bania o tráfico, de 1835 a 1850 houve intenso comércio ilegal de escravos”, diz Marquese. Nos anos 1880, o abolicionismo ganhou novo ânimo com militantes antiescravidão estimulando os escravos que chegaram ilegalmente ao Brasil a exigir seu direito à liberdade. “Bananal foi uma das cidades onde essa reação se tornou mais visível por ser uma região cafeeira com muitos escravos e protestos de ativistas ligados a José do Patrocínio, do Rio de Janeiro, figura importante do abolicionismo.” O ofício do ministério mostra como a lei era menosprezada quando se tratava de escravos.
Para o historiador Carlos Bacellar, coordenador do Arquivo Público do Estado de 
São Paulo, documentos como esses iluminam melhor o período e servem como porta de entrada para outras investigações sobre escravidão em 
São Paulo, além da óbvia vantagem de poderem ser consultados via internet. “Professores de história, incluindo os do ensino médio, podem também baixar documentos e usá-los para ilustrar aulas”, conclui Bacellar.