This Japanese Company Created Sea Creature Shaped Teabags That Make Your Teacup Look Like An Ocean
According to the International Tea Committee, Brits consume around 100 million cups of tea daily, which amounts to almost 36 billion teacups per year. If you’re an avid tea drinker yourself, you’re probably familiar with the classic shape of the teabag. One Japanese company, called Ocean Teabag, decided to try a different approach to the classic teabag design and came up with a series of unique sea creature shaped teabags that will make your cup of tea look like an ocean.
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To release these creative teabags, Ocean Teabag teamed up with Village Vanguard bookstore.
The designs include octopuses, jellyfish, isopods, dolphins and other sea creatures.
When inserted into a cup, the teabags look even more amazing. You could even fool an unsuspecting person there’s an actual octopus in their cup!
These teabags, however, come at quite a hefty price – one of them will set you back 1,820 yen ($16). In an interview with Bored Panda, Ocean Teabag said they first came up with the sea creature shaped teabags three years ago. The first design resembled a dolphin and as time went on, the company added more sea creatures.
Each of the teabags contain different teas. For example, the squid-shaped bag contains black Pu’er tea while the octopus one is filled with Keemun tea.
The Ocean Teabag online shop currently has over 50 different types of animal shaped teabags in stock and the squid and octopus-shaped bags teabags seem to be bestsellers.
Check out more unique sea creature shaped teabags below!
Apresentar os mitos indígenas para crianças é um maravilhoso exercício para reviver as expressões que os povos ancestrais criaram para aceitar a condição humana
Ilustração do livro Como Surgiu : Mitos Indígenas Brasileiros
Em tempos antigos, homens e mulheres sentavam-se ao redor do fogo para contar suas façanhas diárias: a luta contra um animal feroz, o susto de encontrar um ser da floresta. Narrar o ocorrido gerava a certeza de um pertencimento ao universo em que se vivia. Naquele momento, todos compreendiam que o universo – contemplado nas noites sem lua – era uma infinita teia.
A vida era um emaranhado de fios tecidos por uma misteriosa mão que pairava sobre toda forma de vida e que era capaz de manipular os acontecimentos naturais (chuva, trovões, nascimentos e mortes), para lembrar a todos sua finitude.
Leia atividade didática de Língua Portuguesa sobre mitos indígenas
Expectativas de aprendizagem: Ler em voz alta ou recontar mitos de maneira a suscitar o interesse de outros interlocutores; trocar impressões com outros leitores a respeito dos textos lidos; coletar informações sobre os povos indígenas a que pertence o mito lido; traduzir a experiência do mito em diferentes linguagens
Sabendo-se “criados” e frágeis, homens e mulheres passaram a entoar cantos, criar sons e preces capazes de amainar a fúria natural do Ser Criador. Tinham a convicção que seus poemas, sons, melodias e passos ritmados iriam “manter o céu suspenso” e o mundo não acabaria. Assim, nossos primeiros pais foram criando histórias para que as novas gerações compreendessem e aprendessem como se comportar enquanto faziam sua passagem por esta vida.
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A essas histórias o Ocidente denominou Mitos. Essa palavra nem sempre é bem- entendida e algumas vezes se tem a impressão de que estamos falando sobre uma história inventada apenas para “explicar” fenômenos naturais ou justificar uma crença infantil nos fenômenos naturais.
Na verdade, não se trata de justificar crenças se não em aceitar a condição humana que todos possuímos e que não pode ser transformada em fórmulas científicas. A lógica do mito é nos colocar diante do possível para nos levar ao mundo do impossível.
Tem sido assim por toda a história da humanidade. Tem sido essa a “lógica” que tem movido nossos pais primeiros desde os primórdios dos tempos e que nos move ainda hoje, mesmo vestindo outras roupagens para nos encantar. Assim é a linguagem da televisão, do teatro e do cinema. Eles têm feito a magia de atualizar os Mitos que em nós habitam.
Mitos indígenas brasileiros
O Brasil é um celeiro muito abrangente de mitologia. Nosso país é formado a partir da diversidade de mitos criadores de diferentes grupos humanos que aqui se estabeleceram, trazendo consigo narrativas que contavam seus sonhos, seus medos, seus deuses, suas origens.
Esses povos – e todos seus mitos – atracaram em uma terra onde já havia um conjunto de saberes ancestrais mantidos por um gradiente de povos nativos que receberam o nome de indígenas – mesmo que nativo, oriundo, originário.
Eram aproximadamente 900 povos e 1,1 mil línguas distintas entre si. Habitavam todas as regiões desta terra e tinham uma gama de conhecimentos incompreensíveis aos que estavam chegando, como senhores ou escravos.
Como quem estava chegando, sentiu-se no direito de colonizar, ignorou totalmente os saberes nativos e passou a dizimar ou a reduzir a diversidade em um único (pré)conceito que chegou até os dias atuais: os índios.
Precisamos resgatar essa diversidade que ainda está presente em nossa terra. Começar através dos resgates dos mitos ancestrais é uma fórmula que pode dar certo para aproximar os indígenas das crianças brasileiras.
Vale lembrar que o mito é um método pedagógico de narrar os acontecimentos. Os feitos naturais e sobrenaturais que comumente estão presentes em nosso mundo sempre causaram espanto, admiração e a necessidade de uma explicação racional.
O Mito sempre foi uma maneira de explicar esses fenômenos utilizando uma linguagem simbólica e, assim, aproximando os seres humanos dos feitos dos deuses ou seres criadores. Povos do mundo todo usaram esse método em seus primórdios. Conhecemos muitos deles por conta da educação que recebemos ter origem na Grécia Antiga, o berço da civilização ocidental.
Do mesmo modo, nossos povos indígenas brasileiros desenvolveram essa leitura do mundo para explicar o que para eles era inexplicável: a origem do mundo e das coisas, os ciclos da natureza, nossa condição humana de homem ou mulher, os lugares sociais de cada um, a grandiosidade do cosmos, a vida e a morte.
A resposta para cada uma e de outras dessas questões eram dadas em forma de histórias, a maneira mais simples de fazer as pessoas entenderem a complexidade da vida. Essa contação de histórias nunca foi uma forma de iludir as pessoas, mas de oferecer um norte a ser seguido enquanto membro daquele povo. Dessa maneira firmavam um compromisso de cuidado com o Todo que era de todos e se construía a harmonia necessária para a convivência diária.
O Mito é, assim, para os indígenas brasileiros, uma realidade. Mesmo vivendo em contato com uma sociedade dita “desenvolvida”, os indígenas sabem que, no fundo, o que na cidade se chama desenvolvimento, na cultura ancestral se chama Mito.
Ou seja, continua-se submetido aos mitos, mudando apenas os interesses que estão em jogo. O “progresso” é a atualização de uma narrativa que começou desde um tempo que está perdido na memória da humanidade e que une os povos entre si. Essas narrativas podem, e devem, ser um instrumento importante para a educação cotidiana. Como fazer isso? Embora não haja fórmula mágica para esse tipo de evento, vale seguir alguns pontos básicos que sugiro nas páginas a seguir.
* Daniel Munduruku é graduado em Filosofia e Doutor em Educação pela USP, é escritor de vasta obra voltada para crianças e jovens
O mito da invenção da noite, em ilustração de Adão Pinheiro
Quem foram os criadores do mundo? Como surgiram as primeiras pessoas? Foram mulheres ou homens? Como a humanidade conquistou o fogo e, ao aprender a arte da cozinha, cessou de limitar-se a alimentos crus? Foi o acaso ou foram estilhaços do sol? O fogo foi roubado de um dono primordial? De onde vêm os animais, serão eles gente que foi virando bicho? E as plantas, milho, mandioca, amendoim, feijão, como foram incorporados ao nosso sustento?
Essas e infinitas outras questões irrompem dos mitos dos nossos 200 povos indígenas, com enredos e respostas muito diferentes para cada uma. São contados em quase duas centenas de línguas, sendo apenas uma pequena parte escrita em português. A origem da anatomia humana, da sexualidade, das estrelas, da luz e da escuridão, da morte, do sol, da lua.
Leia atividade didática de Língua Portuguesa inspirada neste texto
Expectativas de aprendizagem: Comparar textos ou versões quanto ao tratamento estilístico ou temático; ler em voz alta ou recontar os mitos de maneira a suscitar o interesse de outros interlocutores; encenar narrativas
A ameaça de visagens e monstros, a cabeça decepada que voa em busca de comida ou aventura, nenês que nascem da barriga da perna ou do dedão do pé, ficam adultos e voltam a ser de colo; crianças que fazem cocô de amendoim (um mito que os pequenos adoram); os perigos e obstáculos que os que já morreram devem enfrentar na passagem ao além. São todos exemplos de um repertório que causa estranheza e fascínio.
Adultos não índios costumam procurar uma ordem e uma vereda nesse universo, analisando, relacionando temas, explicando comportamentos. Teorizam. As crianças, sem preconceito, deixam-se levar e sorvem as iguarias narrativas. Para os educadores, a tarefa não é fácil, a menos que conservem o frescor infantil e se abram para o novo.
Os livros de mitos são numerosos, documentados por cronistas, viajantes, antropólogos, hoje em dia escritos por professores e autores índios. Os dons literários e a habilidade com as palavras variam, assim como a fidelidade ao que foi contado – pois a tradição indígena, até há pouco, era unicamente oral. A bibliografia é extensa, bem como filmes e música elaborados por índios e artistas.
O jeito é cada curioso ir se soltando, sem o desespero de entender ou arrumar demais, mas com o impulso de mergulhar e prestar atenção. Os mitos, como a ficção e os livros, estendem a consciência que temos do mundo, dos seres humanos e sua diversidade, fazem viajar por plagas distantes, países, línguas e novos significados para a existência. Com eles, entramos no âmago de outras vidas.
A melhor forma de aproveitar mitos é abandonar-se. Ler muito com os alunos, contar em voz alta, estimular relatos, representações, comentários. Quanto mais histórias, e mais variadas, melhor, para encontrar o que desperta interesse. Perceber as reações, as risadas, o prazer com os enredos, sem medo de eles serem terríveis ou impróprios.
Evitar a censura ou a preocupação em classificar, explicar demais, ou mesmo comparar com outras mitologias, embora às vezes isso seja um bom caminho. A compreensão vem por si, para cada um de um jeito.
Os índios não dividem o que é infantil do que é do mundo adulto, nem mesmo quanto à sexualidade – o que é um problema para educadores, pois em nosso sistema reprimimos fases da sexualidade e termos considerados inconvenientes para crianças. Caberá a cada professor medir o que é possível.
Voltando às perguntas iniciais, em muitos povos os criadores costumam ser dois irmãos ou companheiros, um mais inteligente e preguiçoso, outro arteiro, mas muito inventivo. São os deuses criadores, mas nem sempre são quem fez gente: descobrem uma humanidade que já existia – não queiram vocês, leitores, saber onde e como ela apareceu… Por vezes, debaixo da terra, como nos Djeoromiti de Rondônia.
Nos Aruá, do mesmo estado, os seres humanos resultam da união de um dos criadores com a terra, que engravida. Os dois irmãos abrem uma rocha para libertar as pessoas. Nos Suruí Paiter, também de Rondônia, os quatro primeiros entes divinos nasceram de si mesmos, brotaram.
Um deles é Palop, “Nosso Pai”, que fez seu irmão, Palop Leregu, “Nosso Pai de Roupa”, mais ligado aos não índios. Palop criou gente. As mulheres não existiam, mas um homem sozinho, Iabeap, namorou uma árvore rachada e avisou a mãe que prestasse atenção, pois ia viajar. Essa mãe (vejam só, era mulher. Como, se elas não existiam? Assim são os mistérios míticos…) ouviu bulha no oco da árvore e, quando foi ver, eram duas nenezinhas, Kabeud e Samsam: assim nasceu o outro sexo. O dono do fogo, nos Djeoromiti ou Jabuti de Rondônia, era o Pica-Pau Velho.
Os dois companheiros criadores, Kawewé e Karupshi, viviam andando, não dormiam, não tinham fogo. Mas roubaram fogo e machado do Pica-Pau: transformaram-se em formiga, mutuca, abelha, morderam o velho, que, ao tentar se livrar dos insetos, largou o machado em cima dos dois. Fugiram muito satisfeitos, de posse do fogo. Precisavam do machado porque, em sua terra, havia uma árvore de pedra que ameaçava cair e matar a humanidade. Com o machado, conseguiram derrubá-la. Machado e fogo, novos dons, aparecem associados em muitos mitos.
Nos Suruí Paiter, os donos do fogo eram as onças. Palop, “Nosso Pai”, um dos deuses, pediu ao pássaro Orobab, de rabo comprido, que fosse roubar o fogo para dar a seus filhos, os homens. Orobab foi, encostou as longas plumas nas brasas quando as onças se distraíram e voou. Sentou-se num galho de urucum, depois nos de uma árvore chamada itoá e, por último, no pau-brasil, transferindo para a madeira as qualidades do fogo, para depois voltar para Palop com a missão cumprida. Os índios hoje fazem fogo friccionando galhos dessas três árvores.
Nos Huni Kui, denominados Kaxinauá pelos não índios, ficamos sabendo, por intermédio de um belo livro bilíngue escrito por professores indígenas do Acre, que foi a curica que roubou o fogo de um homem muito sovina, que também tinha o monopólio do milho e de outros produtos do roçado, enquanto a humanidade passava fome. Como ela fez? Irritou tanto o sovina que ele, com raiva, atirou-lhe um pedaço de lenha em brasa na cabeça – que ela pôs no bico e levou para os homens.
Os Sateré Mawé contam que antigamente não existiam fogo nem comida gostosa. Só havia um homem, que era feito de fogo – não podia andar descuidado para não queimar os outros. Um dia, um caçador o encontra e o homem de fogo se oferece para assar a carne, mas sem que o outro veja como. O caçador adora o novo sabor e pede para levar um tição para casa. O outro consente, mas a mulher do caçador cospe saliva no fogo recém-adquirido e o apaga. O caçador volta ao Homem de Fogo, que dessa vez lhe dá labaredas de outra forma, para não queimar demais: limpa o traseiro com um pauzinho que entrega ao amigo – ele não era todo feito de chamas, mesmo ao defecar? E foi assim que os Sateré passaram a ter fogo em suas casas.
E assim poderíamos continuar por muitas páginas, pois o fogo, indispensável como é, parece ser roubado em muitos cantos do globo.
* Betty Mindlin é antropóloga e autora, em conjunto com narradores indígenas de Moqueca de Maridos
Saiba mais
Livros Shenipabu Miyui. História dos antigos, de autoria coletiva da Organização dos Professores Indígenas do Acre, segunda edição revista, Belo Horizonte, Editora UFMG, 2000, 168 págs.
+ Betty Mindlin Vozes da Origem, Rio de Janeiro: Record, 2007. Diários da Floresta. São Paulo: Terceiro Nome, 2006. O Primeiro Homem e Outros Mitos dos Índios Brasileiros. São Paulo: Cosac & Naify, 2001. Terra Grávida. Rio de Janeiro: Editora Rosa dos Ventos/RECORD, 1999.
O Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a comunidade escolar daEscola Estadual Tereza Conceição Arruda e a Comunidade Quilombola de Mata Cavalo (Nossa Senhora do Livramento, MT), tem a honra de convidá-los para inauguração de sua Casa da Cultura, que será no dia 13 de novembro de 2015 às 10h na sede da escola.
O GPEA-UFMT tem laços fortalecidos com a comunidade de Mata Cavalo pois desenvolve pesquisa, ensino e extensão nesse território desde 2006. Durante o ano de 2015 vem sendo realizado na Escola Estadual Tereza de Conceição Arruda, um projeto de formação em Escolas Sustentáveis, uma parceria entre o GPEA, o Instituto Caracol e a organização não governamental WWF-Brasil. Essa formação conta com atividades semanais em um processo formativo em educação ambiental com a comunidade escolar (professores, estudantes, servidores, pais e membros da comunidade). Foram abordados temáticas como educação ambiental, sustentabilidade, escolas sustentáveis, Com-Vida, projeto político pedagógico, identidades, territórios, conflitos socioambientais, dentre outros. Como parte do processo formativo a comunidade elaborou um Projeto Ambiental Escolar Comunitário (PAEC), que culminou na construção de um espaço educador sustentável chamado Casa da Cultura da Comunidade Quilombola de Mata Cavalo. A construção da Casa da Cultura tem envolvido os membros da escola, estudantes, membros da comunidade quilombola, do GPEA e estudantes de graduação da UFMT integrantes do PET Conexões de Saberes “Diferentes Saberes e Fazeres na UFMT”.
A Casa da Cultura é um sonho antigo da comunidade. Foi construída pelo labor apaixonado de muitas mãos. Buscando aspectos de sustentabilidade e da ancestralidade, a casa foi feita de barrote (PAU-A-PIQUE) como de costume dos ancestrais quilombolas. O chão batido é de cupim. A cobertura da casa é um telhado verde de grama na busca de conforto térmico; o telhado abriga um pequeno sistema de captação de água que é captada por uma cisterna. O interior da casa de 80m2 está sendo organizado como uma casa-museu que apresenta os aspectos peculiares da cultura local: o fogão de barro, a rede, o pote de água, os artefatos tradicionais, os artesanatos produzidos pela comunidade, fotografias que registram personalidades e ancestralidade, a identidade, a luta, a dança, os sabores, os saberes, as tradições, etc.
O apoio para construção da Casa da Cultura faz parte da parceria com o WWF-Brasil.
Nesta próxima sexta, 13 de novembro, a Casa da Cultura da Comunidade Quilombola de Mata Cavalo será inaugurada como parte das festividades da Feira de artes, saberes e sabores. A feira é realizada anualmente pela escola como parte das atividades reflexivas da Semana da Consciência Negra.
Uma das manifestações tradicionais da cultura em Mato Grosso, o siriri foi registrado como patrimônio imaterial em 2004 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). De origem ameríndia e etimologia incerta, é praticado predominantemente por comunidades ribeirinhas.
Geralmente, é dançado por casais de homens e mulheres, assim como também é praticado por grupos infantis. Três instrumentos são primordiais para ditar o ritmo da dança: viola de cocho (tombado como Patrimônio Imaterial em 2003), mocho (com formato de banqueta, cujo assento é de couro cru e bastões) e ganzá, também conhecido como reco-reco.
A viola de cocho é um dos instrumentos essenciais para a prática do siriri
(Fonte: Blog Alcides Viola de Cocho)
A partir da década de 2000, festivais ressaltam as performances praticadas por diferentes grupos, que também se apresentam em outros locais do Brasil e exterior. Tal como em sua essência, que sugere a possibilidade de ser praticado em qualquer lugar, o festival do siriri foi realizado em diversos espaços, conforme pesquisa da professora Patrícia Osório, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Atualmente (fevereiro de 2015), conforme a Federação existem 26 grupos de siriri e cururu em diversos municípios de Mato Grosso: Cuiabá, Barra do Bugres, Santo Antônio de Leverger e Várzea Grande, Poconé, Cáceres, Barão de Melgaço, Nossa Senhora do Livramento e Nova Mutum. Além do festival, os grupos se apresentam em outros estados brasileiros e no exterior – em julho de 2014, o grupo Flor Ribeirinha, um dos principais de Mato Grosso, se apresentou em quatro cidades francesas (Étain, Chambery, Kaysersberg e Ambert) como o único convidado sul-americano para o Festival Mundial de Folclore.
Flor Ribeirinha, um dos grupos tradicionais de MT, se apresentando na França
(Fonte: Assessoria)
Luzes, cores, sons, religiosidade, vivacidade corporal evidenciada principalmente em palmas, marcação do ritmo pelos pés e estalar de dedos, e rodopios. Outro momento marcante nas coreografias é o giro da saia das integrantes femininas, em determinados pontos da música.
Confira mais sobre o siriri no quadro “Outros Saberes”, dentro do Repórter MT, às 18h30 nesta sexta-feira (13) na TV Universidade, canal 2!
Performance do grupo Flor de Laranjeira, de Santo Antônio de Leverger, evidenciando os rodopios
(Fonte: Blog 10º Festival de Cururu e Siriri)
Fontes: Secom/MT, Iphan, “Os Festivais de Cururu e Siriri: Mudanças de cenários e contextos na cultura popular” (Patrícia Osório), “Danças Folclóricas na Educação Física Escolar” (Irlla Diniz), Grupo Flor Ribeirinha, Blog da 10ª edição do Festival de Cururu e Siriri.
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro e o Instituto Augusto Boal inauguram dia 13 de janeiro, às 20h, o Projeto Augusto Boal, primeira mostra multimídia a perfilar vida e obra de Augusto Boal (1931-2009), dramaturgo e diretor que revolucionou, dentro e fora do Brasil, o teatro no século XX. Momentos históricos como o grupo Teatro de Arena, o musical Opinião, dezenas de encenações, autoria de livros e a fundação do Teatro do Oprimido serão apresentados numa síntese da impressionante produção de Boal a partir de 1956. O panorama, que transita por 60 anos de atividades de Boal, vai ocupar todo o 2º andar do CCBB, sendo o carro-chefe a Exposição Augusto Boal, sob curadoria do cenógrafo Helio Eichbauer. Cartas, documentos, objetos pessoais, fotografias e cartazes, que remetem à formação do artista, estarão expostos em vitrines, mas o público poderá folhear e ler os livros do dramaturgo numa área reservada, bem como apreciar uma grande linha da vida do artista. Vídeos e filmes formam uma instalação, organizada pelos filhos de Boal, Fabian e Julian, que ocupam uma terceira sala do circuito. A Mostra Paralela, sob curadoria do diretor Sérgio de Carvalho, da Companhia do Latão, leva à cena a obra de Augusto Boal. Dia 28 de janeiro estreia a montagem “Os que ficam”, peça-ensaio sobre os textos de Augusto Boal com atores da Cia do Latão no elenco, tendo como convidado especial Nelson Xavier. Ainda na Mostra Paralela, dia 22 de fevereiro será apresentado o Show Cancioneiro de Boal, com a cantora Juçara Marçal. O show é inspirado em canções de “Arena Canta Zumbi” e outros trabalhos do Teatro de Arena, sob direção musical de Lincoln Antonio e Walter Garcia. A programação conta também com a Oficina “A Arte do Curinga”, com Julian Boal, apresentando princípios do trabalho do Teatro do Oprimido e discutindo sua atualidade (25, 26 e 27 de fevereiro). A Mostra Paralela se encerra com o ciclo “Leituras Abertas: A dramaturgia de Augusto Boal”, em que diretores teatrais apresentam cenas inéditas ou pouco conhecidas da obra de Augusto Boal e abrem seu processo de ensaio ao público, incorporando as sugestões dos espectadores. Fazem parte do ciclo diretores como Aderbal Freire Filho, Bruce Gomlevsky, entre outros. Dia 16 de março acontece o evento de encerramento, quando Cecília Boal, esposa do artista, participa de um debate e de leitura de cartas de Boal, com a participação de Sérgio de Carvalho, artistas e intelectuais convidados. Vida e obra de Augusto Boal - Augusto Pinto Boal nasceu em 16 de março de 1931, no bairro carioca da Penha. Formou-se em engenharia química em 1952 e, em 1953, seguiu para Nova York, para fazer o doutorado na Columbia University. Nos Estados Unidos, ingressou na Escola de Dramaturgia da mesma Universidade, realizando estudos com John Gassner. Ao mesmo tempo, assistiu as encenações do Actors Studio de Lee Strasberg. A partir daí a dramaturgia tomou conta de sua vida. Em 1956, quando retornou ao Brasil, Boal foi convidado por José Renato e Sábato Magaldi para integrar a direção do Teatro de Arena de São Paulo, companhia teatral de grande sucesso nas décadas de 1950 e 1960. Interessado na transformação social tendo o teatro como instrumento, Boal criou um Seminário de dramaturgia que funcionava como espaço experimental para discussão de textos que seriam encenados pelo Arena. O primeiro grande sucesso desse período foi Eles não usam Black- Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, dirigido por José Renato, seguido de Chapetuba Futebol Clube, texto de Oduvaldo Viana Filho, dirigido por Boal. Encenaram ainda Gente como a gente, de Roberto Freire, e Fogo frio, de Benedito Ruy Barbosa, ambos dirigidos por Boal, e finalmente, Revolução na América do Sul, texto de sua autoria, dirigido por José Renato. No inicio da década de 1960, o grupo se debruçou sobre os clássicos tentando imprimir aos textos uma interpretação mais participativa e popular. Datam desse período, sob a direção de AugustoBoal, as montagens de: Mandrágora (1962), texto de Nicolau Maquiavel; O Noviço(1963), de Martins Penna, Um bonde chamado desejo (1963), deTenesse Williams, O melhor juiz, o rei, de Lopes de Vega; eTartufo, de Molière, com tradução de Guilherme de Figueiredo, entre outros. Essa fase, conhecida como de nacionalização dos clássicos,contou com a frequente colaboração de Flávio Império, cenógrafo e figurinista de grande competência. Com a saída de José Renato, em 1962, e o golpe militar de 1964, Boal e Guarnieri, resolvem repensar a atuação da Companhia, de forma a enfrentar a nova realidade política do país. A experiência de Boal na direção do show Opinião, em 1965, no Rio de Janeiro, também forneceu elementos para traçarem novos caminhos para o Arena. Iniciou-se, nesse momento, a fase dos musicais, conhecida também como fase dos heróis nacionais, que se caracterizou pela introdução de músicas de importantes compositores brasileiros, criadas para o espetáculo, e pela utilização do “sistema Coringa”, método brechtiano que consistia no revezamento dos atores no desempenho de diversos papéis, dispensando um aprofundamento psicológico dos personagens. São desse período as encenações de autoria de Boal e GuarnieriArena ContaZumbi (1965);Arena Canta Bahia (1965); e Arena conta Tiradentes (1967); todos com direção de Augusto Boal. Em 1968, acontece a Primeira Feira Paulista de Opinião, no Teatro Ruth Escobar, organizada por Augusto Boal,a feira foi, sobretudo, uma ato de protesto contra a censura realizada pelo governo militar. Reuniu textos de seis autores: O Líder, de Lauro César Muniz; O Sr. Doutor, de Bráulio Pedroso; Animália, de Gianfrancesco Guarnieri; A receita, de Jorge Andrade; Verde que te quero verde, de Plinio Marcos; e ALua muito pequena e A caminhada perigosa, de Augusto Boal. Entre 1969 e 1970, após a assinatura do Ato Institucional nº 5, e com aumento da repressãopolitica, o Arena decidiu excursionar pelos Estados Unidos, México, Peru e Argentina, reapresentando Arena Zumbi Conta. A Companhia encenou também Arena contaBolívar, texto e direção de Augusto Boal, cuja exibição havia sido proibida pela censura no Brasil. De volta ao Brasil, Boal montou, em setembro de 1970, o Teatro Jornal- 1ª edição, que se caracterizava pela improvisação das notícias, pelo elenco, a partir da leitura da imprensa cotidiana da época. Nesse mesmo período, Boal dirigiu A Resistível Ascensão de Arturo Ui, texto de Berthold Brecht, traduzido por Luiz de Lima e Hélio Bloch. Em fevereiro de 1971, Boal foi preso, torturado e, em seguida, exilou-se em Buenos Aires, onde residiu por cinco anos (1971-1976). Antes passou por Nova York, onde realizou a Feira Latino- Americana de Opinião, pela qual recebeu o prêmio Obie Award (Melhor espetáculo off Brodway) e dirigiu com os alunos da New York University,Torquemada, texto escrito durante seu período na prisão, que denuncia a tortura no país. Em Buenos Aires, dirigiu um grupo de teatro chamado El Machete, além de ter escrito e encenado O grande acordo internacional de Tio Patinhas, e reapresentado Torquemada e Revolução na América do Sul. Em1976,mudou-se para Lisboa onde dirigiu o grupo A Barraca encenando, em 1977, A barraca conta Tiradentes. Ainda em Lisboa, concluiu o texto Murro em Ponta de faca, peça que aborda a vida de exilados brasileiros no exterior, apresentada, em 1978, em São Paulo, sob a direção de Paulo José. Em 1979, Boal foi convidado para lecionar na Université de la Sorbonne – Nouvelle, em Paris, onde cria o CEDITADE – Centre d´Étude et Diffusion desThecniques Actives d´Expression, posteriormente conhecido como Centre du Theâtre de L´Opprimé- Augusto Boal. No ano seguinte apresentou, junto com o Theâtre de Soleil, Stop C´est magique, sob sua direção, na Cartouchérie de Paris, e, em 1981, recebeu do governo francês a condecoração Officier des Arts et des Lettres. Durante o período em que residiu em Paris, Boal viajou muito, adaptando e dirigindo peças de autores estrangeiros ou reapresentando textos de sua autoria. Merece destaque, Nada más a Calingasta, de Júlio Cortázar, apresentado no Schauspielhaus, em Graz, na Austria (1981); Das Publikum (O Público), de Frederico Garcia Lorca, em Wuppertal, na Alemanha (1984). Em Paris, dirigiu Erendira, de Gabriel Garcia Marques, no Theâtre National Populaire, com a participação de Marina Vlady. Em 1985, montou, no Rio de Janeiro, O corsário do Rei, de sua autoria, com música de Edu Lobo e letras de Chico Buarque, e em1986,dirigiuFedra, de Jean Racine. Ainda em 1986, retornou definitivamente para o Brasil e, a convite do então Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro, Darcy Ribeiro, passa a dirigir a Fábrica doTeatroPopular. Nesse mesmo ano cria o Centro do Teatro do Oprimido – CTO, visando difundir as técnicas do teatro do oprimido, no Brasil. Em 1992, Augusto Boal foi eleito vereador pelo estado do Rio de Janeiro, pelo Partido dos - Trabalhadores (PT). Dos 33 projetos encaminhados à Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, 14 tornaram se leis municipais. Na Câmara, criou o teatro legislativo, no qual seus assessores são ao mesmo tempo “coringas” do Teatro dos Oprimidos. Nesse período, formou 50 grupos de teatro que atuavam em favelas, sindicatos e igrejas. No final do século XX, Boal iniciou uma experiência de abordagem de óperas tradicionais, utilizando ritmos brasileiros, denominada por ele de sambóperas. Em1999 estreou Carmem, de Bizet, escrita em parceria com Celso Branco, e em 2001, realizou uma nova experiência com La traviata, também em parceria com Celso Branco, e com direção musical de Jayme Vignolli. Escreveu duas comédias, em 1998, que foram encenadas na primeira década do século XXI: Amigo oculto, que estreou em 2000, no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, sob a direção de Marília Pera; e A herança maldita, montada pelo grupo A barraca, em Portugal, sob a direção de Helder Costa. Pouco antes de sua morte, Boal foi nomeado pela Unesco, “Embaixador do Teatro”. É autor de diversos livros em vários idiomas, além de ter colecionado títulos e honrarias durante sua trajetória. Na década final de sua vida, dedicou-se quase que completamente ao teatro do oprimido, dirigindo oficinas, publicando livros e realizando palestras no Brasil e no exterior. Faleceu em 2 de maio de 2009, no Rio de Janeiro. Serviço: Projeto Augusto Boal Exposição 14/1 a 16/3 Exposição, com curadoria e cenografia de Helio Eichbauer, sobre o dramaturgo, ensaísta, professor e diretor de teatro Augusto Boal (1931-2009), envolvendo seis décadas de história, política e artes cênicas, da ditadura ao processo de redemocratização do país.
Teatro29/1 a 15/2 - 19h30 “Os que ficam”, peça-ensaio sobre os textos de Augusto Boal com atores da Cia do Latão no elenco, tendo como convidado especial Nelson Xavier. MúsicaShow Cancioneiro de Boal - 22/2 – 19h30 Espetáculo musical com a cantora Juçara Marçal, interpretando músicas compostas para peças de autoria de Augusto Boal e seus parceiros ao longo de sua atuação no Teatro de Arena. Ideias25, 28/2, 7/3 e 14/3 – 19h30 Oficina e leituras dramatizadas orientadas por Julian Boal, filho de Augusto Boal. Acompanhe a programação completa no fôlder do evento e no site do CCBB. Sob direção de Sérgio de Carvalho, membros da Cia. do Latão e atores locais apresentam montagem livremente inspirada nas peças de Augusto Boal. SERVIÇO: Local: Centro Cultural Banco do Brasil (Rua Primeiro de Março, 66 - Centro) – 2º AndarTelefone para informações: (21) 3808-2020. Teatro: de 29/1 a 15/2 - 19h30, R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Música: Show Cancioneiro de Boal - 22/2 – 19h30, R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia). Exposição: de 14/1 a 16/3, de quarta a domingo. Entrada franca, Ideias: 25, 28/2, 7/3 e 14/3 – 19h30, retirada de senha 1 hora antes Horários: de quarta a domingo, às 19h30.