Wednesday, 2 October 2013

Mudanças Climáticas não podem mais ser dúvida política

vitae civilis
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Mudanças Climáticas não podem mais ser dúvida política

     
As mudanças climáticas já estão ocorrendo, devem se intensificar até o final do século e ações urgentes são necessárias para que não seja ultrapassado o limite de 2ºC de aquecimento global com o qual os governos se comprometeram para evitar mudanças climáticas perigosas. Estas são, em síntese, as principais conclusões que podem ser tiradas do sumário executivo do Working Group I do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas-IPCC (WG1), divulgado hoje (27/09/2013) e que faz uma atualização das bases científicas das mudanças climáticas. Elaborado por mais de 800 dos principais especialistas do mundo de todos os cantos do globo, é a avaliação mais abrangente do conhecimento científico sobre o tema.
Frente a esta síntese o Vitae Civilis pergunta: quantos mais destes relatórios serão necessários? Quantos alertas mais até que os poderosos deste mundo aceitem parar com a mais perigosa experiência em tempo real na qual a humanidade já se meteu?
Os cientistas estão mais certos do que nunca estiveram sobre a responsabilidade da humanidade pelo aumento da temperatura média do Planeta. O relatório diz que "é clara a influência humana sobre o sistema climático. Esta fica evidente nas concentrações crescentes de gases de efeito estufa na atmosfera, no aquecimento observado e na maior compreensão do sistema climático". As concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera já aumentaram a níveis sem precedentes dentro de um intervalo de pelo menos 800 mil anos. A queima de combustíveis fósseis é a principal razão do aumento de 40% na concentração de CO2 observado desde a revolução industrial. Não há, portanto, espaço para a dúvida política: a hora dos governos cumprirem seu papel é agora!
IPCC
Pela primeira vez , o relatório do IPCC identifica um nível global de emissões de dióxido de carbono que o mundo não pode ultrapassar, se quisermos cumprir a meta internacional de prevenir níveis devastadores do aquecimento global. Ocorre que a quantidade de carbono que a humanidade pode queimar sem provocar níveis perigosos de aquecimento é muito menor do que a quantidade de combustíveis fósseis ainda existentes no subsolo do Planeta. "O “orçamento de carbono” do IPCC para manutenção do aquecimento global pós-industrial em 2°C é de 800 a 880 gigatoneladas de carbono (GtC ), das quais 531 GtC já foram emitidas até 2011. Portanto, sobram somente mais 350 GtC, quantidade muito menor do que o carbono armazenado nas reservas de combustíveis fósseis.
Em outras palavras: as mais conhecidas reservas de combustíveis fósseis (entre elas, o pré-Sal) devem permanecer no solo se quisermos garantir um futuro climático seguro. Os governos precisam direcionar seus investimentos para alternativas limpas e renováveis. No caso do Brasil, claramente as energias solar e eólica, abundantes na natureza e sub-aproveitadas em nossa matriz energética.
Enquanto o novo relatório do IPCC vem com uma boa notícia, ao indicar que uma ação forte ainda pode manter o aquecimento dentro do limite de 2°C, ele também afirma claramente que o mundo está indo para um aumento muito maior das temperaturas globais, que devem subir entre 0.3ºC e 4.8ºC até o final do século. E embora tenha sido observada uma taxa menor de elevação da temperatura nos últimos 15 anos, os cientistas afirmaram que ela não afeta a tendência de longo prazo, no qual as temperaturas permanecem subindo. O co-presidente do WG1, Thomas Stocker, disse que tendências climáticas "não devem ser calculados para períodos menores que 30 anos". Neste sentido, as três últimas décadas respaldam a tendência geral: elas foram mais quentes do que todas as precedentes desde a Revolução Industrial. O período que abrange 1983 - 2012 foi muito provavelmente o período mais quente de 30 anos em 800 anos e provavelmente o mais quente dos últimos 1.400 anos. Se nada for feito para reverter esta tendência, é provável que até 2.100 seja superado o limite de 2ºC de aquecimento global estabelecido pelos governos, além do qual são esperadas consequências perigosas.
A média global do nível do mar também continuará subindo durante o século 21, diz o relatório: a elevação será de entre 26 e 82 centímetros. Os padrões de precipitação estão mudando, o gelo marinho está diminuindo e os oceanos estão se tornando mais ácidos. Algumas regiões do mundo – entre elas, o Brasil - irão enfrentar secas, inundações ou tempestades mais frequentes e mais intensas. Como a atual seca na região Nordeste do Brasil nos mostra, essa tendência tem custos humanos e sociais altíssimos, além dos enormes prejuízos econômicos.

Ou seja, embora os efeitos das mudanças climáticas já afetem as pessoas atualmente, as conseqüências serão ainda piores no futuro, portanto os governos precisam tanto implementar planos para reduzir os impactos que já atingem comunidades vulneráveis como cortar emissões para evitar o recrudescimento desta tendência catastrófica. Para tanto, mais recursos ficarão disponíveis se os governos eliminarem os subsídios aos combustíveis fósseis.
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