Tuesday, 18 March 2014

Giselly Gomes - Relatório de Campo (fev2014)


LABORATÓRIO 5
Ciência e cultura na reinvenção educomunicativa
Relatório de Campo apresentado ao Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte (GPEA) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) como parte dos requisitos da pesquisa do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Áreas Úmidas (INAU), Laboratório 5, Ciência e cultura na reinvenção educomunicativa, sob a coordenação e orientação da Profa. Dra. Michèle Sato.


Cuiabá, MT, 13 de março de 2014
Relatório de Campo

Giselly Rodrigues das Neves Silva Gomes
           
            Considerando que os espaços educadores sustentáveis podem contribuir para o enfrentamento das mudanças climáticas, constituindo-se em elementos facilitadores na prevenção e no enfrentamento de riscos ambientais e no fortalecimento do Sistema Nacional de Defesa Civil[1], pesquisadores do GPEA têm desenvolvido pesquisas em torno da problemática das mudanças ambientais globais junto a comunidade de São Pedro de Joselândia, em Barão de Melgaço-MT.
            A referida pesquisa insere-de enquanto proposta de um projeto de pesquisa/Laboratório 5, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Áreas Úmidas (INAU), tendo como parceiros o Word Wildlife Foundation (WWF-Brasil) e o GPEA (Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), de modo que cada atividade desenvolvida durante os dias 21 e 22 de fevereiro de 2014 constituem-se em subprojetos distintos que, interconectados, têm por objetivo transformar a comunidade de São Pedro de Joselândia em um local melhor para se viver.
            Cientes de que tratar da sustentabilidade no ambiente escolar deve ultrapassar as questões relativas à eficiência energética, coleta seletiva, bioconstrução etc, mas considerar o questionamento do modelo de sociedade, promovendo modos de vida mais sustentáveis e inclusivos, o presente relato apresenta, especificamente, o processo inicial de construção de um projeto que propõe-se à fortalecer a educação ambiental escolarizada, transformando a escola em um espaço educador sustentável (Escola Sustentável) a partir da construção dos PAEC e na perspectiva das Mudanças Climáticas.
            Por meio da Pesquisa Participante, professores e técnicos da Escola Estadual Profª Maria Silvino Peixoto de Moura participaram inicialmente de um diálogo sobre Escolas Sustentáveis e Pegada Ecológica, enquanto estudantes do 6ª ao 9ª Ano e Ensino Médio eram entrevistados pelos pesquisadores mirins [2].
            Tendo a escola vivenciado as etapas da IV Conferência Nacional Infantojuvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), membros da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida Escolar (Com-VIDA) também estavam dentre o público jovem com o objetivo de animar toda esta experiência na escola e comunidade. Os grupos de alunos participaram de oficinas de educação ambiental relacionadas ao protagonismo juvenil, ensino de História e percepção ambiental.
            No segundo momento, cerca de 20 participantes dentre professores, funcionários e estudantes membros da Com-Vida reuniram-se para conhecer e discutir sobre Tecnologias Ambientais (Ecotécnicas) a serem construídas na escola.
            Nesta atividade, a pesquisadora Giselly Rodrigues das Neves Silva Gomes ministrou palestra sobre Escolas Sustentáveis na perspectiva das Mudanças Climáticas, destacando casos de sucesso no Estado de Mato Grosso, bem como, a importância da escola trabalhar junto a comunidade, conforme orienta o PAEC. Em seguida, o pesquisador Júlio Correa de Resende Dias Duarte ministrou palestra sobre Ecotécnicas aplicáveis às escolas.
            Os grupos foram orientados a fazerem um levantamento dos problemas e carências da escola, considerando o cenário das mudanças climáticas. Em seguida, realizaram um diagnóstico geral a partir dos levantamentos de cada grupo. Após esta fase, cada grupo escolheu um problema a ser solucionado por meio das ecotécnicas e, em seguida, foi iniciado o planejamento das ações por meio da construção de planilhas de projetos 5w2h (what, when, who, where, why, how e how much), detalhando as ações necessárias para as etapas do projeto. Cada grupo definiu os responsáveis por cada ação e construíram um cronograma de execução do projeto no prazo de 4 meses.
            Em consonância as diretrizes dos PAEC, finalizamos as atividades com 04 grupos de trabalho que desenvolverão, portanto, 04 ecotécnicas. Estas foram selecionadas considerando os problemas socioambientais identificados no espaço da escola:

ü          Cortina Verde, visando proporcionar maior conforto térmico às salas de aula;
ü          Horta Medicinal, com o objetivo de produzir comidas saudáveis para a  comunidade escolar;
ü          Coleta Seletiva e Compostagem, para dar uma solução responsável para os resíduos sólidos;
ü          Caixa e Filtro d'água, buscando uma melhor qualidade da água em toda a Escola.

Cada proposta terá o apoio financeiro do WWF-Brasil, num total de até R$ 2.500,00, e cumprirão o cronograma de execução, o qual será acompanhado presencialmente pela pesquisadora Giselly R. N. S. Gomes e pelo pesquisador Júlio C. R. D. Duarte.
Para além das soluções sustentáveis, esperamos que a proposta deste projeto contribua para reflexões críticas, mudança de hábitos e a proposições de alternativas em prol da coletividade de São Pedro de Joselândia, e que estas sejam reflexos percebidos por outros territórios.


REFERÊNCIAS
Brasil, Ministério da Educação. Resolução CD/FNDE no 18, de 21 de maio de
2013.

MATO GROSSO, Secretaria de Estado de Educação. Projeto de Educação Ambiental – PrEA/Caderno 4: Projeto Ambiental Escolar Comunitário. Cuiabá: Tanta Tinta, 2004. 103p.



[1] Conforme Resolução CD/FNDE no 18, de 21 de maio de 2013.

[2] Evelyn Mayumi, Péricles Vandoni, Luigi Teixeira e Régis Fonseca são estudantes do ensino médio da escola Waldorf - Livre Porto, em Cuiabá-MT.
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