Friday, 7 March 2014

Júlio Duarte - relato de pesquisa (fev2014)


Relatório de Campo em São Pedro de Joselândia
20 a 23 de fevereiro de 2014

Júlio Corrêa de Resende Dias Duarte


A viagem a São Pedro de Joselândia, distrito de Barão do Melgaço, na região do Pantanal Mato-grossensse, foi realizada por treze pesquisadores do Grupo GPEA/UFMT, nos dias 20 a 23 de fevereiro de 2014. O principal objetivo do grupo foi dar prosseguimento ao projeto Áreas Úmidas do INAU. Do ponto de vista individual, os principais objetivos foram:

A) Ministrar oficina de planejamento e execução de ecotécnicas na Escola Estadual Maria Peixoto de Moura;

B) Realizar entrevistas com residentes e pesquisadores sobre a percepção ambiental do pantanal e suas relações com diferentes formas de mobilidade;

Ambos foram concretizados de forma satisfatória. No sábado, dia 22 de fevereiro, chegamos à Escola às 07:30 para organizar a oficina de ecotécnicas. Às 08 horas e 15 minutos, os professores e os estudantes selecionados já estavam em sala de aula para dar início às atividades. Em um primeiro momento, a pesquisadora Giselly Gomes ministrou uma palestra de 40 minutos sobre Escolas Sustentáveis e casos de sucesso no Estado de Mato Grosso. Logo em seguida, eu ministrei uma palestra sobre Ecotécnicas aplicáveis às escolas. Depois de um intervalo de 15 minutos, os 20 professores e os 5 estudantes foram divididos em 4 grupos com a missão de planejar a realização de uma ecoténica por grupo, cada uma com orçamento máximo de R$2.500,00, a serem financiadas pelo projeto.

Na primeira etapa da oficina, os grupos e seus respectivos líderes foram desafiados a fazer um diagnóstico de todos os problemas e carências da Escola. Em um segundo momento, foi realizado um diagnóstico geral, convergindo as opiniões dos grupos em um único documento. A partir desta fase, os grupos escolheram um problema a ser solucionado por meio das ecotécnicas e, em seguida, foi iniciada a fase de planejamento das ações. A partir do modelo de planilha de projetos 5w2h (what, when, who, where, why, how e how much), os participantes fizeram uma lista de ações e definiram os responsáveis por cada uma delas. Depois, construíram um calendário de execução de 4 meses, prazo estabelecido para finalização desta etapa do projeto.

Foram escolhidas as seguintes ecotécnicas:

-        Cortina Verde, visando proporcionar maior conforto térmico às salas de aula;
-        Horta Medicinal, com o objetivo de produzir comidas saudáveis para a comunidade escolar;
-        Coleta Seletiva e Compostagem, para dar uma solução responsável para os resíduos sólidos;
-        Caixa e Filtro D'água, buscando uma melhor qualidade da água em toda a Escola.

Na finalização da oficina, às 13 horas, foram estabelecidos as metas para o próximo encontro a ser realizado no dia 26 de março, às 11 horas, no mesmo local. Cada grupo ficou com o compromisso de finalizar a planilha de planejamento para apresentá-la em papel pardo para todo os participantes. Também foi estabelecida a obrigatoriedade da entrega de um orçamento detalhado, pois a verba somente será liberada a partir de uma criteriosa prestação de contas de cada gasto envolvido.

Todos participantes, entre professores, estudantes e nós, pesquisadores responsáveis por esta etapa do projeto, compartilhamos a percepção de que foi um excelente dia de trabalho e de que estas ecotécnicas devem proporcionar, além das soluções sustentáveis, um engajamento de toda a comunidade escolar e proporcionar um amadurecimento na consciência sobre as mudanças climáticas.

Com relação ao segundo objetivo individual estabelecido, a viagem também foi bem sucedida. Foi a primeira imersão no local de campo a ser estudado. Foram realizadas 6 entrevistas durante o final de semana, além de inúmeras observações anotadas no caderno de campo. A primeira entrevista foi realizada durante a ida de barco da sede do SESC Pantanal até a comunidade de São Pedro de Joselândia. O objetivo era colher informações sobre a percepção do pantanal por meio do movimento de um barco a motor. O Entrevistado foi Márcio Correia Marques, guarda parque da RPPN do Sesc Pantanal. Ao longo das 2 horas e 15 minutos de trajeto, o piloto foi relatando suas percepções sobre os rios, os corixos, sua margens, as experiências vividas, o funcionamento do corpo, o barulho do motor, a fauna e muitos outros aspectos da paisagem pantaneira.

Outras quatro entrevistas foram realizadas com os pesquisadores mirins do GPEA, para colher percepções de pessoas que não são residentes do pantanal. Sabe-se que a percepção de um turista de lazer é bem diferente da de um pesquisador e mais ainda de um morador da região. Com este intuito, foram realizadas perguntas sobre todas as experiências vivenciadas pelos entrevistados Evelyn Mayumi, Péricles Vandoni, Luigi Teixeira e Régis Fonseca.

A última entrevista realizada foi com o morador Joaquim Moraes, residente na comunidade de São Pedro de Joselândia há 98 anos. O encontro aconteceu durante toda a tarde do Sábado e o entrevistado relatou suas percepções sobre a mobilidade no pantanal tanto na época da seca, quanto na chuvosa. Ele contou suas experiência de canoa, de barco, a cavalo, a pé, de carro e de barco. Foram quase três horas de conversas e muito aprendizado.

Além destas, foram agendadas outras 5 entrevistas com os outros pesquisadores do GPEA que também têm percepções relevantes sobre a mobilidade no pantanal. 


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